HOJE É O DIA INTERNACIONAL DA POESIA

Para comemorar o Dia Internacional da Poesia, trago aqui estes pequenos poemas de alguns dos meus autores brasileiros favoritos, sem ordem de preferência, porque, neste caso, todos estão em primeiro lugar para mim. Apenas a depender da hora e do local. Se é que me entendem.

Mas começo por MILLÔR FERNANDES, um dos meus gurus.

POEMINHA NEURÓTICO

Você patriótico,
Eu muito erótico.
Teu pai despótico
E esclerótico.
Teu irmão exótico
E macrobiótico.
Tudo caótico, bicho,
Muito caótico.                                  (Do livro Papáverum Millôr, ed. Nórdica, 1974.)

 

PAULO LEMINISKI

NÃO DISCUTO

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino                   (Do livro Caprichos e relaxos; ed. Brasiliense, 1983)

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

MEMÓRIA

Amar o perdido                             As coisas tangíveis
deixa confundido                           tornam-se insensíveis
este coração.                                   à palma da mão

Nada pode o olvido                       Mas as coisas findas,
contra o sem sentido                    muito mais que lindas,
apelo do Não.                                 essas ficarão.
(Do livro Reunião; ed. José Olympio, 1971)

 

ADÉLIA PRADO

PARA TAMBOR E VOZ

Viola violeta violenta violada,
óbvia vertigem caos tão claro,
claustro.
Lápides quentes sobre restos podres,
um resto de café na xícara e mosca.      (Do livro Bagagem; ed. Nova Fronteira, 1976.

 

MANUEL BANDEIRA

IRENE NO CÉU

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
– Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
– Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

(Do livro Libertinagem, in Poesia completa e prosa; ed.             José Aguilar, 1974)

 

MÁRIO QUINTANA

UMA CANÇÃO

Minha terra não tem palmeiras…
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com sua hora
Nos mais diversos instantes…
Mas onde o instante de agora?

Mas onde a palavra “onde”?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus da minha terra
Eu canto a Canção do Exílio!

Do livro Apontamentos de história sobrenatural; ed. Globo, 1976)

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