GOLPE OU NÃO?

O insuspeito, para os petistas, ministro Dias Tofolli disse, há pouco, à imprensa algo que tenho repetido domesticamente com meus amigos: o processo de impeachment não é golpe. É um instrumento constitucional previsto na Carta Magna brasileira. E não significa, apenas pela sua deflagração, que a presidente da república será impedida de terminar seu mandato. Ela só o será, se houver a materialidade necessária para a continuação do pedido e se não tiver a maioria na Câmara dos Deputados. Mas, mesmo ainda aqui, restará o julgamento definitivo no Senado da República, sob a presidência do ministro chefe do Supremo Tribunal Federal, em que ela também poderá sair vitoriosa. Vejam, então, que há todo um caminho jurídico e parlamentar a ser percorrido, até que se possa atingir o impedimento da presidente. E, ainda que ela sofra a pior consequência do processo, ainda assim, não será golpe. E significará, apenas, que ela perdeu o apoio que tinha, para continuar a gerir o país. Gerir, aliás, com extrema incompetência, neste segundo mandado.

Tudo está previsto na Constituição.

O que os defensores do governo acusam hoje como golpe são as articulações político-jurídicas que levem a efeito o processo de impeachment, aliás as mesmas articulações que ontem o PT e outros partidos de oposição a Collor fizeram em 1992.

Se àquela época, sobretudo a juventude cara-pintada liderada pela UNE, com o atual senador Lindberg Faria à frente, ia às ruas pedir o impeachment, hoje quem o faz é uma massa não-partidária que se mostra perplexa diante de vários fatos negativos a rondar nossa vida econômica e política. Meu amigo Zatonio Lahud me disse – e acho que ele tem fundadas razões – que, se a economia estivesse aquecida, o nível de emprego em ascensão, os índices sociais nas alturas, dificilmente o povo estaria na ruas a bradar contra o governo. Está ocorrendo com o país o que, mais ou menos, indica o velho provérbio: Em casa onde não há pão, todo mundo fala e ninguém tem razão.

E todo esse movimento “Fora Dilma” é o outro lado da moeda de velhos movimentos predecessores: “Fora Sarney”, “Fora Collor”, “Fora FHC”. E o amigo Zatonio veio lembrar-me de que também Itamar Franco teve essa cantilena a perturbar seus ouvidos, com o pedido de impeachment solicitado pelo então deputado Jaques Wagner do PT-BA (Mandou inclusive a página da Folha de São Paulo* da ocasião.), sem grandes efeitos.

Aqui no Brasil, dias depois de instalado um governo, a oposição já manda pintar as faixas e começa a bradar seus bordões de “fora”.

No entanto nosso grande problema é que só sentimos as pedradas, quando viramos vidraças. Enquanto estamos atirando as pedras, não sentimos a dor do seu impacto.

E, se chegarmos à tragédia da guerra civil – o que não espero –, todos choraremos muito mais do que o impedimento de um governo que está sendo, pouco a pouco, abandonado pelas suas próprias bases. O PT foi um dos que começaram a criticar o governo Dilma. Agora está apavorado com a possibilidade de ser desapeado do comando do Executivo.

Só desejo que tenhamos um pouco mais de serenidade.

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*Para ler a notícia do impeachment de Itamar Franco, clique no nome do jornal.

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Um comentário em “GOLPE OU NÃO?

  1. Saint-Clair Mello disse:

    Agradeço ao amigo Marcelino Medeiros pelo alerta a um erro de digitação. Já está corrigido. Obrigado, Marcelino! Abração!

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