SONETO ANTIGO (À MODA DOS BARROCOS)

 

O teu sossego é meu desassossego.

O meu delírio já se fez tormento.

A minha dor caminha para o medo.

Todo o meu choro é teu contentamento.

 

O meu lamento é frágua, sombra e vento,

Enquanto brincas com tudo que sinto,

Como quem brinca com os seus bonecos,

Desconhecendo o mal que já pressinto.

 

E, quando vejo, estás tão distraída,

Sem te importar com esta vaga vida,

Em que levamos nosso amor de estio.

 

Não ligas nada, enquanto passa o tempo.

Inconformado, entretanto, tento

Ficar no cais sozinho a ver navio.

Tomasini, Barcos no Tejo perto da Torre de São Julião da Barra, 1855, em museu.marinha.pt
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