A NOVA BATALHA DE ITARARÉ

 

Agora a nossa Batalha de Itararé é em defesa do biscoito de polvilho Globo, vilmente atacado por um pasquim norte-americano.

Eu mesmo, contudo, já tive sérios problemas com ele, o biscoito (O jornal nunca vi, nunca li, eu só ouço falar!), no tempo em que usava lentes de contato e estava no Maracanã vendo meu Botafogo. O vento trazia migalhas de biscoito que caíam direto nos meus olhos. Era um inferno! Parecia que todo o Maracanã comia biscoito Globo apenas para me sacanear. Por isso é que, por aquela época, suspendi o consumo, só de birra.

Entretanto devo cerrar fileiras com os nacionais cariocas na defesa do tal biscoito de vento, porque ele é um tremendo engana fome. Mastiga-se o nada, engole-se o nada, e sente-se a sensação inefável de que aquele troço com gosto estranho, sem massa, sem consistência e sustança, sacia a fome. Ilusão passageira, aliás!

Comido acompanhado de café, deixa um retrogosto de ovo, desgraçado! E, se comido aos pacotes, produz nos lábios a sensação de que se passou parafina ou cera líquida Poliflor, incolor e inodora. A única possível harmonização gastronômica do biscoito é com o mate que se vendia aos copos, direto de barricas que os vendedores levavam às costas, durante os jogos. Então o biscoito atingia a excelência de sabor que os cariocas supõem que ele tem, apenas estando nos saquinhos fechados à mão, como nos velhos tempos.

E, se agora ele está a produzir uma guerra semelhante à Guerra da Lagosta dos anos 60, em que nossas obsoletas belonaves se dispunham a enfrentar o poderio atômico francês em águas nacionais, posso garantir que já vi uma quase briga por causa do biscoito.

Pelos anos 90, estava um camelô na calçada do Museu Naval, na Rua São José, oferecendo a iguaria. Tinha dois sacos grandes – um com biscoito doce, outro com salgado –, quando um senhorzinho baixinho se aproxima e pergunta pelo preço. O camelô, então, informa que é cinquenta centavos. O senhorzinho, habituado a pagar dois paus no Maracanã, retruca que o produto então deve ser velho. O jovem vendedor, contudo, informa que o produto é fresquinho, recém-saído do forno. O terceiro-idoso, com o abusamento próprio da sua faixa etária, conclui a conversa:

– Cinquenta centavos?! Então é produto de roubo!

Saí rápido do local para não testemunhar o assassinato de um velho.

Agora, no entanto, estou na defesa do biscoito de vento Globo. E contra a total insensibilidade gastronômica do correspondente ianque, naturalmente habituado a comer hambúrgueres e assemelhados e, portanto, sem a sofisticação do nosso paladar, o qual publicou a denigritória matéria sobre esta iguaria carioca.

Tenho comido! Aliás, tenho dito!

 

Imagem em correio24horas.com.br.

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Um comentário em “A NOVA BATALHA DE ITARARÉ

  1. Hahahahahahahahahahahahaha…

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