O ERASMO ME LIGOU

 

Ainda há pouco me ligou o Erasmo Carlos. Outro dia foi o Jerry Adriani. Antes o Fábio Júnior, se não me falha a memória. Já há mais tempo.

Não quis nem saber de nenhum deles!

Certamente o Erasmo Carlos não estaria ligando para me convidar para uma festa de arromba. Esta ficou enterrada no tempo. Ele e seu parceiro arrombaram a festa há décadas, e ele agora, à meia bomba, entrou nessa de gravar mensagem de alguma operadora de telefonia, ou lá o que seja, para propor alguma coisa que não me interessa.

Aliás o telefone fixo só tem servido quase que exclusivamente para receber esse tipo de mensagem publicitária. Às vezes adentro o sacrossanto recinto do banheiro, para alguma providência de ordem que não interessa a ninguém aqui saber, e o telefone toca. Saio em desabalada carreira, tanto quanto a atividade me permita, e, ao atender a ligação, ouço aquela gravação nojenta. Jamais dei ouvidos a elas. Se estiverem oferecendo toneladas de ouro por um sorriso meu, permanecerei pobre e duro, porque nunca ouvi além do ponto em que constato que é uma gravação.

Não falo com máquinas.

Pode ser que no futuro seja obrigado, como, por exemplo, fazem conosco os serviços de atendimento ao abestado, ou melhor, ao cliente de cartões de crédito, de tevês por assinatura, etc., etc., etc.

Por isso não sei do que se trata.

Mas hoje foi o Erasmo Carlos que me ligou. Achei a voz simpática. Gosto do Erasmo. Tenho vários de seus discos. Ele sempre me pareceu “uma criança que não entende nada”, bonachão, boa gente. Gostaria mesmo de bater um bom papo com ele.

Como artista, por exemplo, fez nesses últimos anos o disco mais importante de sua carreira, segundo meu fraco juízo de valor: Rock N Roll (2009). Acho até que superior a Banda dos Contentes (1976), de que tenho a bolacha de vinil e o cd.

Teria o maior prazer em lhe dizer que sou seu admirador de décadas, tentar discutir com ele gravações antológicas da nossa música como Coqueiro verde (Erasmo e Roberto), Continente perdido (Ruy Maurity e Zé Jorge), Sentado à beira do caminho (Erasmo e Roberto), Sou uma criança, não entendo nada (Erasmo e Ghiaroni), Panorama ecológico (Erasmo e Roberto), Mesmo que seja eu (Erasmo e Roberto), Olhar de mangá (Erasmo), Noturno carioca (Erasmo e Nelson Motta). Mas não quero ouvir a oferta que ele tem a me fazer.

Em princípio não compro nada que me oferecem. Compro aquilo de que necessito ou que quero. Se o vendedor insistir muito, desconfio. Como por exemplo, as ofertas maravilhosas da minha operadora de telefonia que, após examinar minha conta, me oferece plano para que eu economize nas despesas. Dá para acreditar nisso? Pois eu acreditei duas vezes. E, nas duas vezes, minha fatura aumentou. Nunca mais aceitei essas ofertas supostamente benéficas.

Pois então, Erasmo, me ligue da próxima vez para batermos um papo legal. A única coisa que você ofereça e que eu compre é seu novo disco, assim que ficar pronto. Só para aumentar a minha coleção. De resto, fico só na plateia aplaudindo sua arte.

————

(Caso queira ouvir Panorama ecológico, clique sobre a imagem abaixo.)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s