CABRAL VAI CUIDAR DE CABRAS

Por inúmeras vezes, em conversas com amigos, ou com o umbigo encostado ao balcão do Botequim Chalé, bem aqui ao pé de casa, ouvi dos interlocutores a estranheza de que, diante da gigantesca crise por que passa o Estado do Rio de Janeiro, até então um dos mais ricos da Federação, a imprensa não tocasse no nome do ex-governador Sérgio Cabral. E não podia discordar de nenhum deles. Eu mesmo já me havia manifestado assim com os amigos.

Era inimaginável que esse desastre em todos os campos da administração pública fosse produto apenas da virada do calendário. Virou a folhinha de um mês para o outro, abriu-se um gigantesco buraco em que o estado foi tragado. Parecia que a crise fosse de geração espontânea e não resultado de sucessivas ações inábeis, imorais e criminosas, até que o caos se tornasse o horizonte dos fluminenses.

Mas hoje fui acordado por minha mulher, que tem o péssimo hábito de pular da cama mal raiado o dia, aos gritos de “Cabral foi preso!”, “Acorde para ver a notícia!”. A contragosto, depois de ainda tentar ouvir pelo radinho de cabeceira as notícias recentes, me levantei, escovei os dentes, lavei o rosto e fui para a frente da tevê saborear as imagens da prisão do ex-governador. E posso lhes dizer que senti um misto de vergonha e prazer. Vergonha por assistir à cena tão lamentável: a maior autoridade pública por dois períodos ser retirada da cama pela Polícia Federal, a mando de dois juízes criminais. E prazer por constatar que as coisas, enfim, parecem mudar no país.

É bem verdade que todas essas ratazanas do dinheiro público estão caindo na ratoeira do MP, da PF e do Judiciário, porque seus cúmplices nas falcatruas resolveram dar o serviço, a fim de aliviar as chamadas “penas da lei”. É um sem mérito dedurando outro desmerecido. O roto falando do esfarrapado. Quadrilha que se esfacela à primeira porretada da lei, na linha daquele velho princípio do “cada um por si, e Deus por todos”. Se é que Deus esteja disposto a intervir nesses escabrosos casos.

E ontem mesmo foi outro ex-governador, Garotinho, por outras razões, mas também pela mesma falta de ética na condução da política. Se pesquisarem bem, acharão dele outros tantos delitos, pois não é de hoje que ele vem manipulando os fios obscuros da política fluminense.

Como está na moda dizer, eu não tenho corrupto favorito. Por mim, podem meter a ferros todos eles, da Esquerda à Direita; revolucionários ou conservadores; crentes ou ateus; gays ou héteros; homens ou mulheres; brancos ou negros; ricos ou pobres; principiantes ou velhas raposas da nossa cena política. O que não podemos é continuar a ter os serviços públicos que temos, porque a cobiça dos que exercem o múnus público estão de olho é no dinheiro que a todos nós pertence.

Ferro neles! Sem dó, nem piedade!

Cabral agora vai dar milho a bode. E Garotinho vai ver o sol nascer quadrado.

É o que todos desejamos!

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Cabra presa

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