SOBRE ONTEM À TARDE

Indubitavelmente…

Sempre quis começar um texto com indubitavelmente. Parece que dele virá coisa importante. Pois agora o momento chegou. Eu já na casa dos septuagenários quase desencarno, sem tal oportunidade. Mas voltemos ao que desinteressa.

Indubitavelmente houve impedimento quíntuplo no segundo gol do Botafogo sobre o Fluminense.

A bem da verdade, cochilei à tarde e, quando dei por mim, já lá iam os 2×0 na sacola tricolor. Se fosse um pouquinho só supersticioso, teria voltado ao meu ronco, a fim de não trazer o azar do jogo anterior, quando também fizemos o mesmo placar no primeiro tempo. E passei todo o resto da primeira parte ouvindo o Edinho, aquele chato, reclamar. Segundo ele e o narrador, o segundo gol fora impedido. O primeiro, marcado por Igor Rabello, embora legal, segundo ele, poderia ter sido defendido, se o goleiro estivesse mais bem colocado; ou, na melhor das hipóteses, a bola fosse para fora. Portanto, o placar moral para eles estaria em 0x0, ainda que tal resultado levasse o Glorioso à final da Taça Rio, pelos critérios sem o mínimo critério do regulamento do campeonato.

Veio o intervalo. Fui tomar um gole d’água, para voltar à segunda etapa, refestelado no meu sofá. Nesse intervalo, fiquei pedindo aos deuses botafoguenses do futebol, que, aliás, são os maiores – Garrinhcha, Didi, Nilton Santos, para citar apenas a trindade –, que permitissem que nosso time fizesse um terceiro gol de forma indubitável (Olha a palavra aí outra vez!), para que qualquer choro não tivesse o aval da dúvida.

Sassá atendeu minhas preces, logo aos dois minutos da etapa derradeira, sem que se pudesse levantar qualquer dúvida à sua licitude. Apesar de o Edinho ter explicado que o zagueiro do Flu poderia ter-se postado melhor, para evitar que o Sassá o deixasse a ver navios dentro da área. Para o comentarista, era uma questão de postura.

O gol tricolor no fim do jogo foi prêmio de consolação.

E de nada adiantaram as hipóteses levantadas pelo Edinho para que o resultado da partida não fosse aquele ali estampado no placar do Niltão: 3×1.

Então vieram, posteriormente à partida, algumas observações pertinentes.

Em primeiro lugar, entraremos para o livro dos recordes como o maior impedimento do mundo: cinco jogadores nossos mostraram apetite para enfiar a bola nas redes tricolores, adiantaram-se à última linha dos zagueiros e lá ficaram até que a bola estufou o filó, como diria antigo narrador, na cabeçada de Dudu Cearense. O juiz não viu, o bandeirinha não assinalou, o juiz de trás do gol fez-se de morto, e o nosso gol valeu. Azar o do Fluminense!

Agora hoje, recebo reclamações do Pedro, meu filho, desde São Paulo, via Whatsapp, as quais transcrevo aqui:

“Fico puto com o BFR. Não tem padrão de jogo.”
“Kd a bicicleta ontem contra o Flu?
“É por isso que o time ñ vai pra frente.”
“F…!” (Excluí as letras o-d-a, para não aparecer o palavrão.)
“#forajair”

Ao que meu sobrinho Lucas, também outro botafoguense equilibrado, comenta:

“Time inconstante!”

É isso, amigos! Perdemos tempo em ver um jogo do Botafogo em que ninguém teve o trabalho de fazer uma reles bicicleta contra os tricolores. Parece exagero de respeito.

Assim fica difícil!

 

Imagem em aqipossa.blospot.com.br.

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Um comentário em “SOBRE ONTEM À TARDE

  1. Ademir Figueiredo disse:

    InnnnnnnnndubiTÁÁÁÁÁÁvelmente ……. Um ótimo bordão para um narrador de futebol.

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