HISTORINHAS RÁPIDAS I

1. HISTORINHA TEATRAL

Eu era bem pequeno. Talvez tivesse lá meus sete-oito anos e resolvi participar de um grupo de teatro criado na vila pela mãe do meu coleguinha Carlos Heitor. Ela ia encenar a história de Chapeuzinho Vermelho, cujo papel era da Maria Zilma, irmã mais velha do meu amigo Concely. Maria Zilma talvez tivesse uns doze anos. Era uma morena muito bonita. Meu primo Zé Carlos, já mais adolescente, de topete moldado a brilhantina, faria uma espécie de galã. Meu tio José Catarina seria o caçador, a matar o Lobo Mau, cujo intérprete não me ocorre, talvez porque estivesse escondido sob a fantasia do bicho.

Como a história se passava em Carabuçu, foi adaptada aos trópicos, e eu fiz o macaco. Em dado momento, Chapeuzinho ia pela floresta cantando, com sua cesta de guloseimas, e oferecia uma banana para o macaquinho.

Após vários ensaios, marcou-se a apresentação da peça no salão do Liberdade Esporte Clube.

Quando para lá me dirigia, minha mãe recomendou que eu só comesse uma banana nanica durante a peça, pois já era noite e banana é indigesta naquele horário.

A peça se desenrolava muito bem. Zé Carlos tinha cantado uma bela canção e preparava a entrada de Chapeuzinho no caminho da floresta. Lá vem ela, toda bonita, toda faceira, cantando. Assim que viu o macaquinho, lhe deu uma banana, que foi comida em pleno palco, entre imitações de sons de macacos. E Chapeuzinho continuou a rodar pelo cenário, cantando e espalhando charme, até que passou novamente pelo macaquinho, a quem deu a segunda banana.

Neste instante, o macaquinho sem fala, abandonou os arremedos de símio e, obedecendo ao sinal da mãe na plateia, disse para Chapeuzinho, em tom ouvido por toda a atenta assistência:

– Minha mãe falou que eu só posso comer uma banana.

Aquele semidrama infantil, com requintes de história de suspense, se transformou, na hora, numa comédia.

A plateia veio abaixo!

 

2. HISTORINHA ZOOLÓGICA

Seu Paulo Otávio (Troquei o nome, para evitar encrenca.), proprietário rural com casa bem montada no centro de Bom Jesus do Itabapoana, era tido como homem brabo, meio ignorante no trato com as pessoas, tanto que já dera uns tiros na cumeeira de uns e outros por bobagens. E era viciado no jogo do bicho. Não passava um dia sem que fizesse uma fezinha na loteria zoológica.
Certa manhã, estava ele sentado na sala de casa, quando cruza o espaço, de uma janela a outra, uma bela borboleta. Uma sobrinha que ali estava sugere a ele:
– Tio, aí uma boa sugestão para o senhor jogar no bicho: borboleta!
Ele, sem tirar a carranca da cara, responde gentilmente;
– Deixe de ser ignorante, Lourdinha. Se fosse assim, nunca ia jogar no leão. Não passa leão aqui na minha sala.

 

Resultado de imagem para jogo do bicho

 

 

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