HISTORINHAS RÁPIDAS VIII

15. HISTORINHA NUPCIAL

Teteca, meu cunhado, bebia como sempre num dos pés-sujos do mercado de Miracema. E bebia bem. Naquela noite, nos idos dos 80, já um tanto avultado nos espíritos do destilado de cana, recebeu convite para ser padrinho de um casamento gay (Miracema sempre foi avançada!), a se realizar daí a pouco, na parte superior do prédio. F*, a noiva, o convidou para a cerimônia.

Como não estivesse fazendo nada, além de beber, e fosse desprovido de preconceitos, até mesmo por certo embotamento alcoólico, subiu para testemunhar o enlace, que teve juiz de paz de mentirinha, livro de mentirinha e padrinhos de mentirinha. Na época, é claro!

Terminada a cerimônia, a noiva resolveu subir até o quartinho que alugava, no andar acima, para tirar o vestido de ocasião, colocar algo mais vaporoso e voltar para a comemoração, em que reinavam bebidas e salgadinhos.

Só que, ao descer as escadas de volta, F* encontrou certo tipo bem-apessoado, com o qual acabou se agarrando nos degraus. O noivo, estranhando a demora, decidiu ir atrás da noiva e a flagrou engalfinhada com o tal tipo, o que gerou a distribuição de tapas, rabos de arraia e pescoções, no varejo e no atacado.

O conflito se generalizou de tal forma, que pegou meu cunhado no desaviso e produziu na sua pessoa contusões e pisaduras diversas.

Quando conseguiu se desvencilhar daquela chusma de contravapores, Teteca reclamou no meio dos circunstantes briguentos:

– Por que eu apanhei, gente? Não sou gay! Nem paquerei ninguém aqui! Nem adianta mais me chamar para padrinho de casamento gay! Nunca mais aceito!

 

16. HISTORINHA IMPRUDENTE

No posto de saúde do Vital Brasil, em Niterói, seu Prudêncio, 95 anos, aguardava, sentado numa cadeira especial, o começo da vacinação contra a gripe. Sua acompanhante informou que ele tinha quebrado a bacia, por isso a cadeira especial naquela fila de diversos outros idosos, inclusive eu e a Jane.

Meses antes, a mulher de seu Prudêncio quis subir na escada de abrir, para pegar algo na parte superior do armário, e ele não permitiu. Era um perigo. Ele mesmo faria isso. Subiu, caiu lá de cima sobre a companheira e fraturou a bacia. A mulher teve luxações generalizadas.

Agora o imprudente seu Prudêncio aguardava pacientemente que o atendimento do posto a começar às oito horas da manhã se iniciasse com meia hora de atraso.
Tomou a agulhada ali mesmo, sentado sobre a cadeira colocada no corredor. E ainda agradeceu com um sorriso lúcido e simpático à enfermeira que lhe furou o braço.

Resultado de imagem para idoso cadeirante desenho

Imagem em vivamaiscricacoelho.wordpress.com.

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*Por prudência, omiti o nome da noiva.

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