HISTORINHAS RÁPIDAS XI

21. HISTORINHA ORTOPÉDICA

Gavião era meu aluno na faculdade e me contou esta historinha.

Morava com a família, havia algum tempo, o seu avô viúvo, que tinha como maior característica não resistir a uma promoção do comércio. Era um perigo o avô passar diante de um produto em promoção, sem ser tentado a levá-lo para casa.

Certo fim de tarde, após um périplo pelas ruas próximas, o avô chega a casa com um reluzente par de muletas de madeira, muito bem-acabado e envernizado, com o apoio dos braços em couro acolchoado. A família ficou espantada com aquilo e indagou dele o porquê das muletas, já que não havia ninguém estropiado em casa.

– É que eu passei em frente aquela loja de material hospitalar, e as muletas estavam na promoção por um precinho ótimo. Aí não resisti.

– Mas, vovô, agora o senhor exagerou! – reclamou Gavião – Ninguém aqui está precisando disso!

– Mas vai que, um dia – Deus nos livre! Nunca se sabe! –  alguém precise! – retorquiu o velho com segurança.

Cerca de três meses depois, ao tomar banho, o avô escorregou no banheiro e fez pequena fratura num ossinho do pé direito. Ao voltar para casa, após ser atendido na clínica ortopédica, de onde saiu com uma bota de gesso, falou para o neto:

– Pega lá aquele par de muletas que comprei por um preço baratinho. Não disse que, um dia, alguém iria precisar!

 

22. HISTORINHA SEXY

Minha amiga colocou aquela braçada de roupa suja na máquina de lavar, ajustou a programação e foi assistir à novela. Ao fim da lavagem, tratou de estender a roupa no varal. Vai uma peça, vai outra, e mais outra, até que pegou entre os dedos uma calcinha feminina, tipo fio dental, no padrão oncinha, com um piercing insinuantemente fixado na parte frontal da mimosa peça.

– Que isso?! – indagou, entre indignada e surpresa, de si para consigo.

Ela mesma, embora ainda uma jovem senhora, mãe de um casalzinho de crianças, não era dada a esse tipo de saliência. E não teve dúvidas. Foi até o quarto, onde o marido, esparramado na cama, via o jogo do seu time, naquele horário que coincide com a novela e tem sua exibição em outro canal.

– Marcelo, isso é seu?! – inquiriu em molde de investigador de polícia da famosa Invernada de Olaria, de elucidadas memórias.

– Claro que não! Eu uso cueca!

– Não se faça de desentendido! Você entendeu muito bem o que estou perguntando!

E a inquirição tinha por base o fim de semana que fora passar com as crianças na casa da mãe, lá pelos lados de Niterói. Enquanto ele, o marido, teve férias conjugais por três noites.

A situação do casamento chegou a um estágio periclitante. De nada adiantavam as explicações e justificativas do marido, que asseverava não saber a origem de peça tão sexy.

Até que minha amiga de se lembrou de que alugara sua casa, pelo Airbnb, enquanto passava uma temporada em Bali. Pegou sua agenda telefônica e ligou para a locatária do imóvel:

– Mônica, boa tarde! Tudo bem com você? Olha, encontrei aqui em casa uma calcinha de oncinha, com um piercing. Por acaso é sua?

– Que vergonha, fulana (Omito o nome para evitar processo.)! É minha sim. Desculpe! Já tinha arranjado uma confusão com o Gérson, porque a tinha perdido. Ele que gosta tanto da calcinha. Pode mandar pra mim pelo Sedex?

E assim, esclarecido o imbróglio, se salvou o casamento da minha amiga.

 

Resultado de imagem para calcinha de onça sexy

Faltou o piercing. (Imagem em mercadolivre.com.br)

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