MANHÃ DE JUNHO

Manhã de junho
O azulzinho pálido do céu
Tem como fundo o canto de bem-te-vis ao longe
Latidos de cães vozes de crianças
E barulhos de obra bem próximos

Às vezes entra pela varanda
Um sopro fresco do vento matutino
Contrapondo-se aos raios quentes do sol de outono
A queimar a pele das pernas entorpecidas

A vida está suspensa
Embora o calendário escoe na ampulheta dos dias
Nossa tragédia mais temida
E nossa existência tão prosaica

Um dia após o outro sucessivamente
Um azul celeste após uma lua crescente
Bem que pouco
E assim se desenrola o novelo dos dias
Que irão compor a memória de um tempo sombrio
Catastrófico

Paisagem matutina, Miracema-RJ (foto do autor).

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