PERPLEXIDADES

Estou na solidão do quarto
Deitado sobre o nada
Olhando o teto quase incólume
Não fosse o pernilongo que me espia

Estou no bulício da sala
Ao som de Jorge Ben Jor
E sua Tábua de Esmeraldas
A comemorar nossa existência vazia

Estou no sorvedouro das horas
Embora confinado em casa
À espera de uma janela aberta para a incerteza
Enquanto o vírus nos avalia

Estou perplexo
Olhando pela varanda dos fundos
A lua crescente cruzando o céu de maio
Como se nada de estranho se constate

A vida com todas as suas peripécias solertes
A nos conduzir cordeirinhos para o abate

 

Foto do autor.

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