UM MAR DE LAMA

Desde o ano de 2014, resolvi deixar o futebol no lugar que merece em minha vida: num canto escuro da casa, num escaninho menor do meu cérebro nervoso.

Além do rebaixamento do meu Botafogo à série B do campeonato brasileiro, a famigerada Segundona, pela segunda vez (Carimbamos a volta à Série A no jogo de ontem, contra a Luverdense.), houve o episódio trágico da Copa do Mundo da FIFA em terras brasílicas e o vexatório placar de 7×1 para a equipe alemã. Nunca na história desta Seleção, houve derrota igual, mais humilhante, mais sem propósito. A tragédia da Copa de 50, conhecida como Maracanazo, quando perdemos para a seleção uruguaia, pareceu coisa de criança diante desta última derrota.

Aliás, por falar nisto, vi o blog do jornalista argentino Fernando Taveira, que estampa em uma de suas crônicas que houve suicídio em massa no Brasil pela derrota da Copa de 50. De fato, ele não conhece o brasileiro! Nem quando o Getúlio Vargas, o Pai dos Pobres, se matou, houve suicídio de brasileiros.

Pois estou eu agora falando de algo que deveria estar morto e enterrado, para o bem de todos, porque à miúde sou acordado em plena madrugada, aos sobressaltos, com mais um gol da Alemanha ressoando em meus ouvidos. E olhem que sou acometido por um zumbido terrível desde a infância – ainda agora, no momento em que traço essas linhas, estou a escutá-lo em surround estereofônico.

Se não consigo entender por que a Maitê disse que não vai ficar pelada, como havia prometido, caso o Glorioso voltasse à elite do futebol tupiniquim, muito menos entendo esse meu estado diante de um fato consumado, com uma seleção que, de modo algum, despertou a minha menor paixão. Há muito que o time da CBF vem com a suspeita de ser uma equipe armada pelos interesses da cartolagem, de certa mídia e de empresários que lucram horrores com este futebol de segunda.

Deixamos de ser, já há algum tempo, o melhor futebol do mundo. Quando os meninos interessados procuram uma escolinha de futebol e começam a ser treinados na parte física e tática, isto significa dizer que o futebol arte já deixou de existir. E por esta visão deturpada do verdadeiro sentido do futebol brasileiro, chegamos ao estágio atual.

Amanhã enfrentaremos a Argentina pelas eliminatórias da suspeitíssima Copa da Rússia 2018. Los hermanos vêm cheios de problemas, contudo periga que nosso time – aliás, o time lá da CBF – apronte o vexame maior, que será não se classificar para Moscou.

Na verdade, estou com muita má vontade com todo esse estado de coisas a que chegamos. O futebol, o esporte mais difundido no planeta, está soterrado sob um mar de lama, sem parâmetro na história. E não é de agora! Agora é que a barragem cedeu e a lama se espalhou por todos os lados.

 

Imagem em fiamfaam.br.

SÃO PEDRO DO ITABAPOANA

Estive com parte da minha família em São Pedro do Itabapoana, vila capixaba do município de Mimoso do Sul, distante cerca de vinte e nove quilômetros de Bom Jesus do Norte, onde moram minha mãe e minhas irmãs.

A vila, que já foi sede de município e perdeu este estatuto quando se decidiu o traçado da linha férrea, se localiza na parte sul do estado e está a 460m de altitude. Em virtude da perda da condição de cidade, ficou preservada em suas construções históricas, que se espalham pelas ruas encarapitadas nos morros que constituem sua geografia. Já falei dela em outros textos, mas trago aqui algumas fotos que fiz neste fim de semana, domingo para ser mais preciso, a fim de que meus amigos leitores a conheçam melhor.

Deve-se dizer que hoje a vila é classificada como sítio histórico – Sitío Histórico de São Pedro do Itabapoana – e, além de suas características urbanas, preserva a tradição da viola caipira e da sanfona (acordeão), com atividades frequentes, inclusive com uma escola de música para seus moradores, e um festival anual de grande prestígio, sempre em julho, a que são convidados expoentes nacionais desses dois instrumentos. A vila também conta com uma orquestra de viola e sanfona, que se apresenta na pracinha em datas previamente agendadas.

Como se não bastasse esse cuidado e zelo dos moradores para com a vila e suas tradições, lá se produz a melhor cachaça que pude beber até esta altura da minha vida. Por conta dela, e da minha língua incontrolável que foi dizer isto para um amigo, sou quase obrigado a visitá-la periodicamente para fazer a felicidade dele, que está sempre a me encomendar a preciosidade, comprada no bar do pai do fabricante, um doutor com PHD em cachaça.

Sem mais delongas, aí vão algumas das fotos tomadas neste último domingo. Espero que gostem.

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BRASIL DE CABO A RABO (II)

Estou dando sequência à série de frases sobre os mais distintos brasileiros. Espero que não arranje inimizades interestaduais e regionais. Logo eu que gosto tanto de andar por todos os lados deste país de dimensões sentimentais!

Aí vão mais dez observações sobre os brasileiros.

  1. Todo carioca é fluminense; alguns, porém, são botafoguenses, vascaínos, flamenguistas. Até americanos há!
  2. No Ceará, não tem disso, nem daquilo; tem é Padim Padre Ciço; mas também tem Cid, mas tem Ciro. E olhe lá!
  3. No mapa do Brasil, o Piauí é um odre de couro de bode, repleto de piauienses.
  4. Em Brasília, vale o neoditado: Aqui se faz, aqui se paga a propina.
  5. No Maranhão, se há sarna não sei, não é, Sarney?
  6. Creia: o Acre existe, apesar dos acreanos incréus.
  7. Roraima, para os jornalistas da Globo, é apenas uma questão de prosódia.
  8. Desde que Sarney se elegeu senador pelo Amapá, o estado vai de mal a pior, sem parar.
  9. Goiás está afundado em superprodução de duplas sertanejas.
  10. Um jeito besta de ser do contra em Sergipe é ser gente.

Até a próxima!

 

Mapa do Brasil de 1822, ano da Independência (imagem em bloguito.com.br).

BRASIL DE CABO A RABO (I)

 

Às vezes, meu cérebro nervoso (Reminiscência de um samba-canção com Nelson Gonçalves*, que ouvia no serviço de alto-falantes do Nark Pontes, lá em Carabuçu.) se dá o trabalho de pensar bobagens. É porque sei que não vou consertar o mundo, então me perco em ficar bolando abobrinhas. Então aí estão algumas observações acerca do Brasil e dos brasileiros. Estas são as primeiras.

  1. De churrasco em churrasco, o gaúcho enche o rabo.
  2. Norte: do boto tucuxi ao pato no tucupi, sem chegar ao Piauí.
  3. Paulista quatrocentão, trombadinha tresoitão.
  4. Capixaba: moqueca, café e jaca.
  5. No Nordeste, cabra da peste come bode.
  6. Se não fosse o xinxim de galinha, baiano não escorregaria no quiabo.
  7. Em Pernambuco, ossobuco é chambaril.
  8. Qualquer espertalhão de Floripa é manezinho da ilha.
  9. No Paraná, Pará não há, nem Lago Paranoá; nem nunca haverá.
  10. Mineiro que não gosta de queijo minas, pão de queijo e farinha de mandioca perde direito à herança.

Abaixo, o mapa do Brasil, com os nomes dos estados traduzidos para o inglês, conforme publicado no site norte-americano MoveHub, por ocasião da Copa do Mundo de terrível memória. Os nomes foram traduzidos quase ao pé da letra, inclusive aqueles de origem indígena. (Ilustração retirada de blogdojuca.uol.com.br).

 

 

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Revolta, composição de Raul Sampaio e Nelson Gonçalves. Caso queira conhecer a música, clique aqui.

ANIMAL POLÍTICO

O conceito aristotélico de que “o homem é um animal político” (em grego, zoon politikon) tem sido levado muito a sério por milhares de brasileiros. Sobretudo mais para o lado animal do que para o lado político.

Aristóteles – e esclareço que não sou expert em Filosofia, mas também dou meus pitacos – pensava na necessidade humana de se aprender a viver em cidade (polis), tão logo abandonamos as cabras nos pastos e a semeadura dos grãos na roça e passamos a conviver, porta e janela, parede-meia, com o outro, constituímos um arruado, depois uma vila e, finalmente, uma cidade.

É claro que, tendo um vizinho nojento à sua frente, é preciso que você mude de postura, passe a ter mais jogo de cintura, dê o braço a torcer, para que não viva em guerra com pessoa tão desprezível e insuportável.

Tivemos, assim, de desenvolver nossa capacidade de suportar o outro, abandonar um pouco aquela sensação de rei da cocada preta, para saber que, se pisarmos na poça d’água em frente do nosso portão, podemos sujar a bota do outro, e isso provavelmente desencadearia uma guerra a durar gerações.

Essa nossa capacidade de suportar seria justamente a política, isto é, o jeito mais ou menos civilizado de conviver com tanta gente ao nosso redor numa cidade, sem que isso nos faça sair dando cacetadas, espadadas e tiros para todos os lados. Ainda que no Rio de Janeiro tiro a esmo seja o que não falta.

Como já éramos animais mesmo, animais racionais (zoon logikon), segundo ainda os próprios gregos, seria lógico que, em grupo, saberíamos encontrar um meio termo harmônico para aparar as arestas e desfazer os mal-entendidos, antes de trucidar o desafeto.

Contudo o que se tem notado em nosso país ultimamente é que esse lado político tem levado o lado animal a comportamento indigno até mesmo dos animais irracionais, se pensarmos que somos todos semelhantes, da mesma espécie e com os mesmo defeitos e, quiçá, até com algumas mesmas poucas virtudes.

A política brasileira tem levado os brasileiros a radicalizarem seu comportamento político e social de modo irracional. Se se levar em conta que a democracia também surgiu na Grécia, mais ou menos na mesma época dos grandes filósofos, é possível constatar que também a nossa democracia está dando ré, indo à retaguarda.

As ofensas políticas e pessoais, em nome de partidos e posições, chegaram a um ponto de total irracionalidade. Parece que todos esses anos, centenas de anos, de aprendizagem, até mesmo com sofrimento e dor, foram insuficientes para nos ensinar, em pleno século XXI, que é preciso viver na polis como cidadãos e não como bestas irracionais.

Eu que sempre gostei de política – ou seria Política? – ando enojado com tal situação. E, se o governo tem sua parcela de culpa – aliás, penso mesmo que todo governo seja sempre culpado –, o cidadão também não está isento de muitos dos males que nos afligem.

É bem verdade que provavelmente tenhamos chegado ao pior panorama político dos últimos tempos. Os representantes do povo, eleitos por nós – eu perdi todos os meus votos, mas também me incluo nisto – e que se assentam nas cadeiras dos diversos níveis da representação legislativa, são de dar medo. Boa parte deles são a própria reserva imoral da nação. Mas nós os elegemos. Nós os colocamos como nossos representantes.

E agora estamos nos digladiando nas redes sociais, nas ruas, em passeatas de um e outro lado, ofendendo-nos uns aos outros, como se o outro, o que não pensa como nós fosse um canalha a ser extirpado do meio social, do meio político.

Enfim, acabamos por nos tornar mais animais e menos políticos! E isto é tudo o que os golpistas de sempre querem para achar que são os donos da nação.

 

Aristóteles, cópia romana de uma escultura de Lísipo (em pt.wikipedia.org).

TRABALHISMO X TRABALHISMO

Minha sábia mãe, hoje com seus oitenta e nove anos, dizia, lá pela década de 60, quando os debates políticos estavam acirrados tanto ou mais do que hoje, que não tinha o menor medo de o Comunismo se estabelecer no Brasil, católica que era, porque tinha a certeza de que os próprios comunistas brasileiros se incumbiriam de esculhambar o Comunismo.

Nós, brasileiros, temos esse atavismo de esculhambar tudo. Pior mesmo que carnavalizar. É tornar tudo uma esculhambação só.

Esculhamba-se tudo, de alto a baixo, de federal a distrital, do lá de cima ao lá de baixo, não importam quais sejam as razões.

Começamos por esculhambar a lógica política: se sou oposição, sou contrário a tudo do governo; se sou situação, voto até contra os princípios programáticos do meu partido. Como tem ocorrido agora, com o tal ajuste fiscal – espécie de prancha de salvação em mar tempestuoso –, sem o qual o país mergulhará na mais profunda recessão. E logo nós, que estávamos a salvo de todas as turbulências do mercado internacional, a se acreditar no que diziam os dirigentes nacionais.

Pois o Partido dos Trabalhadores votou pela “flexibilização” nas regras para alguns direitos trabalhistas. Impensável isto, se fôssemos um país minimamente sério.

O que ocorre, na verdade, é que não temos ideologia. Ideologia para nós é apenas um verniz que encobre um miolo indistinto. Somos socialistas no varejo, não no atacado. Somos comunistas no detalhe, não na essência. Acho que apenas a Direita é coerente. Vem assim deste antanho e continua a mesma. Não que ela seja indispensável. Há que se ter, no conjunto democrático, todos os matizes, a fim de que nenhuma corrente possa ser hegemônica. Guardadas as devidas proporções, fico com a assertiva de Nelson Rodrigues, um direitista assumido, de que toda unanimidade é burra. Assim, justifica-se a existência do oposto, do contraditório, do ex-adverso, como se diz em linguagem jurídica.

Contudo trabalhistas votarem contra conquistas sociais dos trabalhadores é, como dizíamos na minha vilazinha de Carabuçu, meio muito. Coisa assim de não se entender, nem se explicar. A não se que se diga: Ah, mas agora o PT é situação! E a situação do país está periclitante.

Isto, na verdade, me leva a crer que, quando o pau quebra, só há o remédio monetarista, de direita, conservador, para consertar as merdas que se fazem em nome de não sei que princípios. Na Grécia, por exemplo, foi eleito um esquerdista radical, que teve de tomar o remédio amargo da economia global. Não se vive ilhado atualmente.

Como sou brasileiro e não sueco, entendo tudo isso. Estou no mesmo barco. Mas ainda me resta o último suspiro de indignação: Eh, Brasilzão lascado, sô!

 

Imagem em pt.slideshare.net.

 

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PS: Sou pedetista envergonhado.

PISAR EM FALSO

O senhor Henrique Pizzolato pisou em falso e agora não quer sujar seu belo sapato de couro italiano na lama brasileira, que ele ajudou a aumentar. Está com a extradição prontinha para ser executada e disse preferir morrer a cumprir pena nas prisões do Brasil. Pensasse nisso, antes de fazer as merdas que fez, emporcalhar ainda mais a imagem deste país tropical e ir desfilar sua pessoa impoluta, de dupla nacionalidade, na terra da pizza e da mozzarela. Agora Inês é morta, sr. Pizzolato, e pode ser que sua reverendíssima pessoa tenha que puxar uns anos de cadeia, nas masmorras fétidas e degradantes do seu país natal, embora tenha tintas italianas a correr nessa sua cara deslavada.

Tenho pena da família desse cara, que deve estar passando por maus bocados. Mas fazer o quê? Ele que fez, ele que pague. Mais ou menos assim como qualquer escroque que tenha sido pego pelo nosso mui benéfico sistema jurídico.

Mas, caso me seja possível ajudá-lo, aí vão algumas sugestões para dar cobro à vida. Algumas mais caras; outras bem baratinhas.

1. Precipitar-se com seu carro conversível num dos penhascos de Cinque Terre, ouvindo La donna è mobile.

2. Ingerir uma dose de chumbinho com uma taça de Brunello di Montalcino.

3. Cortar os pulsos com um caco de vidro de Murano.

4. Mergulhar nas águas do Mediterrâneo com uma pedra amarrada nel collo.

5. Jogar-se da parte mais alta do Monumento a Vittorio Emanuele II, em Roma.

6. Entrar com a camisa da Fiorentina na torcida Drughi Ultras da Juventus.

7. Chamar de bonito um cappo napolitano da Camorra.

A escolha é sua, senhor Pizzolato!

Imagem em brasilacimadetudo.com.br.

 

CUNHA-SP

Ateliê Gaia: peças queimadas no forno raku (foto do autor).
Ateliê Gaia: peças queimadas no forno raku (foto do autor).

Cunha nem fica tão longe assim. Está encarapitada na Serra do Quebra-Cangalha, às margens do antigo Caminho do Ouro, entre Guaratinguetá, em São Paulo, e Paraty, no Rio de Janeiro. Com quatro horas de carro, respeitando-se os limites de velocidade das estradas, chega-se lá.

Jane e eu já estivemos lá umas cinco/seis vezes. Nesta última, no feriado da Semana Santa, fomos acompanhados de dois queridos casais de amigos: Rogério e Laura, Kenneth e Luísa. Por algumas vezes lhes tínhamos dito como é interessante uma visita àquela pequena cidade, classificada pelo governo paulista na categoria de Estância Climática, já que está a mil metros de altitude e oferece condições de clima ameno, durante boa parte do ano, e frio, no inverno. É outono, pois não? E o termômetro chegou a marcar 15°C na noite de sexta-feira. É um clima propício a se tomarem bons vinhos com os amigos. E foi isso que fizemos, sobretudo pelos mimos enológicos que nossos amigos nos proporcionaram. Ficarei devendo isto a eles.

Pois Cunha, mesmo pequenina, tem bons restaurantes, turismo ecológico e de aventura e, sobretudo, o espetáculo da abertura de fornada proporcionada por alguns ateliês da cidade, como os de Suenaga & Jardineiro e de Augusto Campos & Leí Galvão. A cidade tem a maior concentração de cerâmica de alta temperatura da América do Sul, segundo soube.

Ateliê Suenaga & Jardineiro (foto do autor).
Ateliê Suenaga & Jardineiro (foto do autor).

Além disso, tem instalada na ponta de um de seus muitos pontos elevados a cervejaria Wolkenburg (castelo das nuvens), de acesso complicado para carros de passeio e impossível para veículos maiores que pretendam transportar o produto de seus tanques. Lá vão apenas os amantes de cerveja, que são recebidos com uma degustação gratuita comandada pelo mestre cervejeiro. Após isso, o visitante pode pedir o tipo que mais lhe agradar, sentar-se a uma das grandes mesas do salão envidraçado e saborear também a vista para as montanhas do entorno.

Desta vez, incentivados por nossos amigos, fomos conhecer o Parque Estadual da Serra do Mar, de acesso por estrada de terra estreita e de piso irregular, a dezoito quilômetros do asfalto da estrada Cunha-Paraty. O rio Paraibuna corta o centro do Parque, que oferece algumas trilhas de variadas dificuldades. Jane e eu preferimos ficar nas proximidades da sede, olhando, fotografando e caminhando com bastante conforto em meio ao verde salpicado por árvores e flores multicoloridas. Sem mais essa, baixou uma neblina densa, por volta das duas horas da tarde. E, quando saímos de lá, nem bem percorremos dois quilômetros, a neblina já não estava presente.

Parque Estadual da Serra do Mar (foto do autor).
Parque Estadual da Serra do Mar (foto do autor).

Mesmo nessa estrada um tanto comprida para ser percorrida, podem-se encontrar bons restaurantes, coisas interessantes para serem vistas e fotografadas.

Contudo a própria cidade tem seu charme. O ar que se respira, por exemplo, com leve aroma vegetal, é tão puro, que nossos pulmões aplaudem a cada inspiração. E é toda espalhada em morros mais ou menos altos, como o da velha igreja matriz do século XVIII, como o Santuário de São José da Boa Vista, também da mesma época, erguido num lugar ermo, a compor com a paisagem uma visão inesperada para quem transita pela estrada.

Santuário de São José da Boa Vista (foto do autor).
Santuário de São José da Boa Vista (foto do autor).

Em todas essas vezes, ficamos hospedados na Pousada Recanto das Girafas, a primeira de Cunha, segundo sua proprietária, Marisa, que, junto com seu marido Renato, nos recebe calorosa e fraternalmente. Por duas noites, Renato, pianista dos bons, nos brindou com boa música instrumental, acompanhado pelo violão do Rogério, baixista de amplos recursos. E bebemos vinho, e conversamos, e reforçamos as teias de uma amizade que já vem de muito tempo. Nem tanto como o das igrejas da cidade, mas também de muito boa tessitura.

Com certeza, voltaremos!

Vista noturna do centro de Cunha, a partir do Ateliê Gaia (foto do autor).
Vista noturna do centro de Cunha, a partir do Ateliê Gaia (foto do autor).

 

O PAÍS ESTÁ NO ATOLEIRO!

Estou enganado ou o Brasil está virando um país de baderneiros, celerados, corruptos e bandidos de toda laia, que atuam acintosamente, sem medo nenhum da nossa lei pífia e de autoridades passivas?

Aqui não está um temor de esquerda, de direita ou de centro. Apenas a apreensão de um cidadão comum que, a cada dia, se espanta com os níveis da insurreição social e de corrupção generalizada que assolam o país de norte a sul.

O calendário não termina amanhã! O planeta não se destruirá por cataclismo no mês que vem! E que país queremos para o segundo semestre, para o próximo ano, para as futuras gerações? O que viveremos nós mesmos e o que legaremos a nossos filhos e netos?

Não desejo nenhum tipo de ditadura, de regime obscurantista e repressivo como solução para nossa severa crise atual. Não espero nenhum salvador da pátria, porque eles não existem. Mas há que se fazer alguma coisa imediatamente, a fim de que o tênue tecido social em que estamos enredados não se rompa definitivamente.

Todos temos o direito de sair de casa e de saber que voltamos. Vivos, sãos e felizes. Com os deveres cumpridos, mas com os direitos todos em dia, garantidos. Não podemos ficar à mercê de nenhum tipo de grupo que age contra o interesse maior da sociedade. Nenhum direito de grupos pode prevalecer sobre o direito da sociedade como um todo. Embora os direitos individuais e de grupos sociais constituam o direito maior do país. Há reivindicações justas. Mas baderna é outra coisa!

Em Pernambuco, durante a greve da polícia, o que se viu foi uma vergonhosa ação de parte da população transformada em saqueadores de ocasião, unicamente pela falta do cassetete. Que merda é essa, que parte de nós só não vira celerado se houver um policial a vigiar? Que tipo de cidadão é esse que vai para a barbárie tão facilmente, quando não sente a força bruta fungando no seu cangote? Só pela ausência da polícia, eu estou autorizado a invadir, depredar, roubar? Que tipo de ética é essa?

E as greves de parte dos motoristas de ônibus nas grandes cidades, como em São Paulo agora? Quem lhes disse que eles podem transformar a vida de milhões de pessoas num inferno e levar a cidade para o caos?

Por que grupos de cinquenta, cem, duzentas pessoas fecham estradas, avenidas, ruas, impedindo o trânsito de bens e pessoas, como se bloqueassem um corredor de suas casas à passagem de animais domésticos?

Nunca reclamei aqui, mas já fiquei parado na BR-040, próximo a Juiz de Fora, durante quase uma hora, porque cerca de oitenta-cem pessoas se manifestavam pela aprovação da PEC número tal, anunciada em faixas, mas que não sei do que se tratava. E imagino que a maioria esmagadora dos que por ali transitavam também não sabia. E eles, os manifestantes soberanos, nos deixaram passar, um a um, num funil estreito da pista, à medida que lhes dava na telha. E imediatamente me tornei um ferrenho opositor àquela maldita PEC, cujo conteúdo até hoje desconheço.

Tenho a impressão de que nada disto é político, ideológico, no sentido básico por que se entendem tais conceitos. Tenho a triste impressão de que isso revela o ponto de degradação a que estamos chegando na escala do conceito civilização em nossa sociedade.

Imagem em metafisicaportal.blogspot.com.

O TREM TÁ FEIO, MAS AINDA HÁ SALVAÇÃO!

1. MÉDICOS FAZEM GREVE PARA EXIGIR MELHORIAS NA SAÚDE – O governo, para atender aos grevistas, enviou uma carga de complexos vitamínicos e antipiréticos.

2. TIÃO VIANA DECRETA SITUAÇÃO DE CALAMIDADE PÚBLICA NO ACRE – Até que enfim! O Acre já está em calamidade pública há muito; bem antes do transbordamento dos rios que cortam o estado.

3. MORADORES DE CIDADE DE GOIÁS FECHAM A BR-040 EM MANIFESTAÇÃO CONTRA A GREVE DE RODOVIÁRIOS – Em Aparecida de Goiás, um grupo fechou a rodovia. Já que os rodoviários estão em greve, ali também ninguém passa. Nunca vi disso, mas o Brasil é um país surpreendente.

4. UM DEPUTADO CHAMADO ANDRÉ – O deputado André Vargas, que está no olho do furacão, já providenciou um colírio analgésico para o furacão: pediu licença para tratar de assuntos particulares. Quando, na cerimônia da Câmara, ele fez o gesto de Genoíno e Zé Dirceu ao serem presos, já antecipava o que lhe pode acontecer. Seus cumpinchas, aliás, correligionários, acham que sua situação é pior que o daqueles dois. Ele vai fugir, gente! Já deve ter muito dinheiro no exterior. Segurem o homem!

5. O SENADOR GIM ARGELLO (PTB-DF) É INDICADO A OCUPAR UMA VAGA NO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO – O TCU, não importa sua composição, será sempre suspeito de votar com o governo. Mas indicar o senador PINGA COM GELO, que tem contra si nove processos, já é, como dizíamos na terrinha, meio muito, né não? É aquela história de confiar o galinheiro à raposa, a chave do cofre ao ladrão, ou o TCU a político. Dá tudo no mesmo!

6. A PACIFICAÇÃO NA MARÉ CONTINUA NA BASE DA PORRADA, DO TIRO E DA VIOLÊNCIA. – Nada a comentar!

7. NOVO TREMOR DE TERRA EM MONTES CLAROS-MG – Montes Claros não para com essa mania de querer aparecer na mídia. É mineira, mas não trabalha em silêncio. Gosta muito de aparecer. Eh, Montes Claros!

8. FELIPÃO DIZ QUE VAI LIBERAR O “SEXO NORMAL” DURANTE A COPA DO MUNDO – Aí! atenção, donas de casa! O pau vai cantar durante a Copa. Não sabia que o poder do Felipão chegasse a tanto: técnico de sexo normal. Aliás, o que seria sexo normal: papai-mamãe, são pedro-são paulo, frango assado? Que horror!

9. HUNGARO SEM ACENTO ELOGIA JORGE WAGNER – O mundo está mesmo perdido! E nós botafoguenses seguimos com cara de tacho. Jorge Wagner conseguiu alguém que o elogie. Será que deu parte do salário que não recebe ao técnico? Tenho cá minhas dúvidas!

10. EMPRESÁRIO DE JOGADOR DO FLAMENGO É PRESO POR TRÁFICO INTERNACIONAL – Droga é droga, não importa o time em que jogue, mesmo sendo o Urubu! Isso não lhe dá garantias de que seja coisa limpa. Ou será exatamente por isso? Nunca se sabe! Por isso é que o empresário acabou preso: traficando droga, naturalmente. Hahaha!

 

Irmãos Metralha, criação Walt Disney.