AGORA ESTOU DESPREOCUPADO

Os que me dão a honra de ler as bobagens que posto aqui neste blog  já devem ter percebido a minha preocupação com o fim do mundo.

Há tanta gente que alardeia isto, desde os tempos mais remotos, que a coisa é recorrente.

Tenho mesmo a impressão de que, tão logo o Criador terminou sua obra e botou a primeira família no Éden, daí a pouco, começaram os boatos de que o mundo iria ter um fim. E, se não erro, pode muito bem ter partido da descendência de Caim – algum parente dele, ou até ele próprio, em reação à punição sofrida – a desconfiança com a qualidade do serviço do lá de cima.

Mesmo os livros sagrados de diversas religiões vêm com esse papo. Mas esses, com certeza, usam tal argumento com o intuito de manter seus seguidores no cabresto, tipo assim (esta expressão está na moda):

– Olha bem, Mané, que o mundo vai-se acabar. Abre teu olho! Toma tento, que, quando isso acontecer, tu tens de estar preparado para a glória final. Caso contrário, arderás na condenação eterna.

Desde que nasci, fui assolado por esse tipo de boato. A minha infância era assombrada pela frase soturna “De um mil passará, a dois mil não chegará”, que, durante tempo, não era apenas uma rima, mas uma desgraça anunciada.

E Nostradamus e seus seguidores, então? Todos os dias há alguém interpretando a palavra poética misteriosa do bardo, para estabelecer novas catástrofes, novos finais da humanidade. Chegam as datas previstas, nada acontece, eles fazem releituras e veem que entenderam errado.

E vão continuar entendendo errado. Mas estarão sempre aí para nos deixar com a pulga atrás da orelha.

Contudo Nostradamus perdeu um pouco de prestígio para os Maias. Esses entraram na moda há menos tempo que Cancún: há uns quatro anos, por aí! E logo com a previsão que os entendidos de sempre descobriram em seu calendário, segundo a qual o fim seria/será neste ano – 2012. Sem dar tempo a que façamos a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2015, o que, convenhamos, seria uma sacanagem com nosso país, logo agora que ganhamos tais “privilégios”.

Ainda bem que os aproveitadores de sempre não acreditam nessas patuscadas e trataram de dar sequência a esta séria de oportunidades de se locupletarem ainda mais, com o dinheiro posto à disposição para a montoeira de obras exigidas pela FIFA e pelo Comitê Olímpico Internacional.

Pois agora vêm os pesquisadores informar (leia aqui) que acharam nas ruínas maias de Xultún, na Guatemala, calendários astronômicos com projeções para sete mil anos, o que daria uma rebarba de mais de mil anos, para que possamos continuar fazendo besteiras.

E – o pior para os arautos da hecatombe final – esclarecem que os Maias entendem apenas como mudanças de ciclos aquilo que interpretamos como fim do mundo. Isto só vem provar que estamos, cada vez, menos alfabetizados, incapazes de ler um texto com correção.

Mas sou capaz de lhes dizer outra coisa: daqui mais alguns anos, surgirão novos pesquisadores para dizer que isso que pensamos serem inscrições de calendários astronômicos dos Maias, encontradas em paredes milenares, não passam de simples e prosaicos jogos da velha, que eles já haviam inventado há muito tempo.

Quem viver verá. E, por isto, estou muito despreocupado!

Um dos últimos Maias concentrado, fazendo suas previsões (em depredando.blogspot.com).

NAS ENTRELINHAS DAS MANCHETES

Manchete de jornal permite, a uma primeira leitura ligeira, de afogadilho, interpretações perigosas e maledicentes. Sobretudo quando o leitor tem o espírito de porco, no lugar daquela alma cândida que um dia aspirará à glória eterna.

Desde muito, inclusive, que os próprios criadores das manchetes capazes de vender jornal sabem disto. Sirva de exemplo a chamada de um jornal popular na década de 60, que não mais existe, famosa por seu apelo de segundas intenções: CACHORRO FEZ MAL À MOÇA. Os apressadinhos que, na urgência de pegar a condução, compraram o diário, apenas pela leitura rápida do exemplar exposto, decepcionaram-se com o conteúdo numa das páginas internas: certa moça comera cachorro-quente estragado e fora parar no hospital.

Por isso, meus olhos andaram passeando sobre certas manchetes de jornais online do Rio de Janeiro, de ontem – 8 de maio –, que quero destacar para meu paciente leitor.

1. “Conselho de Ética decide se abre processo contra Demóstenes” (JB) – O Conselho de Ética Duvidosa ainda está em dúvida atroz, porque Demóstenes é tão bonzinho, e as evidências não evidenciam nada. Vamos combinar: é o cão tomando conta da matilha.

2. “Advogado avisa que, sem acesso ao inquérito, Cachoeira não falará na CPI” (JB) – Com acesso, em vez de simplesmente falar, Cachoeira despejará uma torrente de água suja e lama. E, também, cachoeira não fala; cachoeira se precipita, deságua, despenca, borbota, turbilhona. Enfim, encachoeira-se!

3. “Disputa presidencial nos EUA começa com empate” (JB) – Isto é uma grande besteira: qualquer disputa começa com empate; em zero a zero. Só no final, e após o tempo de acréscimo dado por Sua Senhoria, é que há um vencedor. Quando não vai para os pênaltis! Nesta o mancheteiro dormiu!

4. “Eletrônicos se tornam sonho de mães na América Latina” (JB) – Só fico imaginando as mães das zonas da seca do Nordeste brasileiro, ou aquelas bolivianas probrecitas do Altiplano dos Andes, ou las madres de la Plaza de Mayo sonhando com laptops, kindles, tablets, iPhones, iPods. Me segura que eu vou dar um troço!

Um dos objetos de desejos das mães da América Latina, já com a foto da mãe boliviana toda feliz e seu marido nordestino.

5. “Gases de dinossauros fizeram ‘aquecimento global’ jurássico” (O Globo) – Esta nem me levará a ler o conteúdo. Como é que os cientistas de agora podem saber o quanto os dinossauros, há milhões de anos, emitiram de gases intestinais (os prosaicos peidos)? Como saber os mais peidorreiros – se os vegetarianos, os carnívoros ou os onívoros? Quantos dinossauros eles incluíram na pesquisa? Todos, ou será que foi apenas a estimativa de uma amostragem como fazem os institutos de pesquisa em época de eleição? Ora, tenham paciência!

6. “No Brasil, Mark Pellegrino diz que ainda é reconhecido como o Jacob, de ‘Lost’” (O Globo) – Taí uma manchete mentirosa! Nunca vi mais gordos: nem Mark Pellegrino, nem Jacob, nem esse tal de ‘Lost’. Podem passar por mim tranquilamente os três que não vou nem dar bola. Ou será que eu estou meio perdido nesta história? Detesto parecer démodé (como esta última palavra, por exemplo)!

7. “Mesmo com dores no joelho, Thiago Neves encara Internacional” (O Globo) – Outra que não tem nada a ver. Thiago vai encarar e não enjoelhar o Inter. Joelho nada tem com cara, embora Thiago tenha uma cara que mais parece um joelho, de tão inexpressiva.

8. “Pastor acusado de ajudar tráfico vai cuidar de viciados” (O Dia) – E ainda receberá ajuda financeira de 1,3 milhão do governo. Fui até ler a notícia, para tentar acreditar na história, porque sou uma pessoa de fé de menos. O picareta inventou uma igreja – naturalmente com fins lucrativos – e uma ONG – naturalmente bancada pelo dinheiro público – nas quais finge trabalhar na recuperação de viciados. É a tal raposa tomando conta do galinheiro. Eh, Brasilzão lascado sô!

9. “Homem acusa policiais de agressão após urinar em rua na Rocinha” (O Dia) – Não vi esta notícia nos canais de televisão, com o estardalhaço semelhante à do policial lançando jato de spray de pimenta sobre um cão que o ameaçava. Bem feito para o mijador! Quem mandou ser sero mano (grafia modernizada por um vestibulando)! E bem feito também para o policial do caso do cachorro! Quem mandou mexer em bicho como a gente!

10. “Botafogo apresenta o lateral-direito John Lennon e o meia Vitor Junior” (O Dia) – O meu Botafogo entrando firme na área musical, já que na área do Fluminense, no último domingo, entrou humildemente apenas uma vez. Depois de Elvis Não Morreu, agora vem John Lennon, para a lateral. Depois, será a vez de George Harrison na guitarra base; John Bonham na bateria; e Kurt Cobain nos vocais. E esse meia, Vitor Júnior (coloco acento, pois escrevo em português!), só comento depois que ele dobrar e pagar inteira. Enquanto for meia é dimenor e tem a presunção da inocência a seu favor, segundo o ECA.

E paro por aqui, porque isso é trabalho de Sísifo!

O SISTEMA MÉTRICO NO BRASIL

O brasileiro tem a capacidade de esculhambar tudo. Este é o traço mais característico de nossa personalidade.

Lembro-me de minha mãe, católica fervorosa, comentar comigo, ainda criança, que ela não tinha medo do Comunismo, o grande inimigo da Cristandade no século passado (Hoje os padres e os pastores se ocupam desta função!). Ela dizia que, em pouco tempo que o Comunismo aqui se instalasse, os próprios partidários dariam um jeito de esculhambar com ele. É uma coisa atávica esta nossa propensão à bagunça, ao esculacho.

Esta consideração inicial serve de introdução para comentar a notícia veiculada pelo jornal O Dia de ontem, que informa sobre o “quilo mais pesado” que prestadora de serviço de lavagem de roupa de hospitais públicos passou a adotar.

Mesmo com a diminuição de pacientes na rede hospitalar (Ora, ninguém ficou curado, não! É que eles não estão atendendo mesmo!), a conta do serviço aumentou cerca de 50%, porque o peso da roupa passou a ser mais pesado.

Deu para entender?

Isto, no entanto, não é difícil de explicar. E a prática vem de muito tempo. Desde quando, no século XVIII, se resolveu adotar o chamado sistema métrico decimal. Logo alguém tratou de adulterá-lo. No Brasil, ele assim passou a ser o sistema métrico desce mal.

Quantas vezes, por exemplo, ouvimos histórias de se molhar o papel velho vendido para reciclagem, a fim de que houvesse um aumento de seu peso? Quantas vezes aquele comerciante resolveu dar uma ajuda à sua balança, para fingir que o quilo da batata chegasse às 1000g? Quantas vezes o revendedor de carro usado não deu uma guaribada do hodômetro daquele carro que era o seu sonho e lhe foi vendido como carro de garagem (Puxa, está como novo! É carro de garagem, madame! O proprietário preferia andar de ônibus, por isso a baixa quilometragem!)?

E os litros de 900ml? E o leite batizado com água, que não chega a um litro de leite verdadeiramente? E a bomba de gasolina que finge colocar vinte litros de gasolina no seu carro e só coloca dezessete, mas você paga por tudo?

E o caso do pão industrial que cortou em 50% a gordura, apenas porque diminuiu a quantidade de fatias na mesma proporção, mas manteve tudo como antes no pãozinho de Abrantes?

Quando ainda estava no batente, algumas vezes chegavam às minhas mãos solicitações para instalação de persianas em gabinetes, secretarias, fóruns, etc. Vez e outra, apareciam duas medidas diferentes. Sempre devolvia o processo, solicitando esclarecimento sobre qual a verdadeira medida e o porquê da discrepância. A resposta do chefe do setor, a quem cabia a informação, frequentemente dizia que a diferença se devia a critérios distintos de medição. Ora, bolas! O critério de medida de extensão não é o metro? Como pode haver distinção de critério nesses casos? Todos os metros não têm 1000mm?

Agora, então, vem a notícia estampada no jornal de que o quilograma da roupa para a empresa de lavagem industrial que presta serviço para hospitais públicos é mais pesado que os demais: equivale, mais ou menos, a 1580g.

Somos ou não somos os reis da esculhambação?

E, neste caso específico, a esculhambação não é gratuita. É amiga da fraude e da safadeza.

Eh, Brasilzão lascado, sô!

PS: Procurei no Google por “balança fraudada”, para ilustrar esta postagem, e apareceu a linda Carol Castro aí nesta pose. Não resisti e preferi deixar assim mesmo. Quem sou eu para contrariar o Google? E acho que até ficou muito melhor, né não, leitor? (imagem em eduardoferreira.wordpress.com).

A DENGUE, O BRASIL E A BAHIA

Passamos os últimos meses de 2011 sob o terrorismo das autoridades sanitárias e políticas com previsões catastróficas sobre o surto de dengue deste verão, a se anunciar avassalador como nunca antes visto na história deste país. Esperava-se, inclusive, a importação da dengue tipo 4, inédita entre nós, que prometia devastar nossa debilitada saúde pública.

As autoridades – pensava eu – mais advertiam do que trabalhavam contra a epidemia, o que me levou a sentir profundas saudades de Oswaldo Cruz. Não do bairro do Rio de Janeiro berço do samba, mas do sanitarista que debelou, no início do século XX, a varíola e a febre amarela de uma cidade cheia de cortiços, águas paradas, mosquitos, brejos, manguezais, pântanos, precária rede de esgotos e de água tratada.

Pois, agora, informam os meios de comunicação que a dengue caiu cerca de 62% em todo o país. Contudo, em vinte e dois municípios baianos, ela se mostra mais incidente.

Para isto tenho cá minha teoria de caráter muito particular e duvidoso, reconheço, mas que não me furtarei a desenvolver rapidamente. É bom esclarecer que este blog tem como princípio editorial a veiculação de tudo que for da minha vontade. Portanto…

Como todos sabem, o tal aedes aegypti gosta de água parada e gente parada. Aliás, gente em movimento não é atacada por mosquitos e muriçocas. Com o alvo em movimento, tais insetos perdem a mira. Na Bahia, assim, só diminui a infestação quando chega o carnaval. O pula-pula atrás dos trios elétricos é a melhor vacina antimosquito.

No entanto, enquanto o mexe-mexe do carnaval não toma conta das ruas da Bahia, o normal é vermos o baiano relaxado, tranquilão, deitado numa rede ou espichado na praia. Aí, meu amigo, ele se torna alvo fácil, e o mosquito faz a festa.

Deste modo, considero explicado o fato das condições precárias em municípios baianos, relativamente à dengue.

Já, já, a situação melhora. Podem crer!

Depois, na Quaresma, é outro caso a preocupar.

Olha o aedes aegypti aí, gente! Chora, infectado! (em ricardoorlandini.net).

O BAMBU É SAGRADO (AGORA, MAIS ESSA!)

Às vezes, me dá uma vontade estranha de querer acreditar em bobagens.

Há tanta gente que propaga bobagem, tanta gente que acredita em bobagem, que fico achando que ando um pouco por fora, como se dizia antigamente. Preciso ser mais muderno.

Na última sexta-feira, por exemplo, estava ouvindo matéria em uma rádio carioca em que a repórter entrevistava especialista em tratamento estético, o qual tratamento a mim pareceu meio misturado com simpatia, esoterismo e mandinga, tais eram as informações trazidas pelo tal especialista.

Conforme percebi, trata-se de um novo tratamento estético-esotérico-relaxante-bicho-grilo feito com bambus. Mais ou menos, por aí!

Durante a entrevista, o especialista disse que o tratamento foi desenvolvido por um francês em 2006 e se baseia em alguns princípios, que ele fez questão de enunciar.

Vou tentar reproduzi-los para que meu estimado leitor entenda o grau de profundidade abissal de um pires em que se baseia esta novel terapia.

Segundo ele o bambu tem três qualidades básicas que se prestam a finalidades terapêuticas e relaxantes.

A primeira delas é que o bambu, por sua constituição física, tem, ao tocar a pele humana, uma característica própria de bambu.

Logo depois desta primeira explicação, já me veio uma carga de má vontade imensa. Ora, teria acaso o bambu a qualidade da jaqueira, da roseira, ao tocar a pele? Não seria isto o óbvio: o bambu ser simplesmente bambu e nada mais?

A segunda qualidade, disse ele, é que o bambu tem uma força especial, uma energia particular, porque, ao se enterrar na terra, dela emerge para crescer.

Nesse momento, minha má vontade já tinha assumido ares de quase revolta. E comecei a reclamar em voz alta, sendo censurado por minha mulher, que disse que homem não entende nada dessas coisas. Eu perguntei: e a jaqueira, e a goiabeira também não fazem isso?

Então ele passou à terceira e derradeira qualidade intrínseca do bambu – lá na minha terra ele tem vasta utilidade, inclusive a de servir de criadouro de cobra em sua touceira – e que talvez seja a mais importante: o bambu é sagrado!

Aí quase me engasguei com o gole de café que tomava. E bradei em alto e bom som, sofrendo nova reprimenda de minha mulher:

– Que merda é essa agora: bambu sagrado?!

O rapaz entrevistado, naturalmente, não ouviu o meu protesto e continuou a explicar que o bambu, no Oriente, é utilizado em cerimônias de casamento há centenas de anos, operando maravilhas na vida do casal.

Agora mais essa: o bambu é sagrado, porque é usado há anos em cerimônia de casamento! Quanta besteira, quanta estupidez, quanta crença em nada!

Depois dessas explicações profundamente superficiais, a repórter foi-se submeter a uma massagem relaxante com bambu, segundo a técnica maravilhosa inventada por um francês (Há bambus na França?).

Então ele disse que iria aquecer os bambus, que, então, mudariam completamente suas características.

Ué, por que fez isso? Gavou tanto as qualidades do bambu frio e esquentou na hora de aplicar?!

Ao final, a repórter, toda se querendo, disse que gostara muito da sessão relaxante.

Com toda sinceridade, é melhor escolher um time de futebol – ainda que seja o Ferroviário de Araraquara – e torcer, do que dar crédito a bobagens deste porte!

E eu, em casa, fiquei estressado com tanta besteira.

Acho que a técnica aí é: bambu no bumbum* (imagem em livredepil.blogspot.com).

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* Na minha terrinha, em tempos idos, bambu no bumbum era aplicado por pais severos em filhos arteiros. Felizmente eu mesmo não passei por este tratamento educacional d’antanho. Sofri outras correções diferentes.

DOIS DEDOS DE PROSA, ANTES DE UMA CERVA GELADA

1º: PEDRAS TROCADAS NÃO DOEM

A blogueira cubana Yoani Sánchez não virá mais ao Brasil.

Sem problemas. Também sou blogueiro brasileiro e não irei a Cuba.

Uma a um.

Ela não virá, porque Raúl Castro não deixou.

Empatamos novamente: não irei, porque dona Jane não deixou.

Dois a dois.

Raúl Castro não deixou, com receio de que ela extrapolasse nos comentários aqui.

Dona Jane não deixou, com receio de que aqui, depois, os comentários extrapolassem.

Outro empate: Três a três.

A Dilma deu visto para ela.

Pelo visto, a Dilma nem me viu.

Desempate dela: quatro a três.

Esse povinho de Cuba é mesmo tinhoso, não bastassem o boxe, o voleibol e outros esportes olímpicos.

 

2º: A CIÊNCIA AINDA VAI COMPROVAR QUE O COLESTEROL BOM FAZ MAL E QUE O RUIM FAZ BEM (Não morro, sem ler essa notícia!)

Tenho uma má notícia para uns e outros aí, principalmente para o amigo Zatonio Lahud, que, tentando emagrecer, pararam de tomar cerveja, chope e demais derivados da cevada (quais não sei, mas coloquei assim mesmo).

A Ciência, esta verdade provisória que mais muda na face da Terra, descobriu agora que cerveja emagrece, previne diabetes, hipertensão arterial e problemas cardíacos. E eu acrescento: é diurética, dá zonzeira e enche a gaveta do dono do botequim. Se tomada com moderação, não faz efeito nenhum.

Até ontem meu endocrinologista me recomendava moderação no consumo da cerva, em virtude de umas taxas meio salientes nos açúcares sanguíneos. Na próxima consulta, vou levar o jornal e esfregar na cara dele: E aí, doutor, o que me diz agora?

Zatonio, por exemplo, logo de manhãzinha, corre na areia fofa da praia de Icaraí, para puxar ainda mais, sobretudo se à frente dele for uma mulher bonita com os glúteos balançando (Ele diz que pratica uma religião aí, um tal de Zen-bundismo.). Aí é capaz de chegar até a subida do Museu de Arte Contemporânea, grande obra daquele menino Oscar Niemayer, belissimamente instalado num promontório entre a Praia das Flechas e a de Boa Viagem.

Frequentemente volta com a língua em forma de gravata vermelha pendurada sobre o barrigão, que jamais recuou um centímetro desde seu último recorde em 1983, mais precisamente em 5/12/1983, quando tomou as últimas garrafas do líquido dourado no bar do Crissaf, acompanhado de uma chusma de biriteiros – Jilozinho e Totó na assessoria de libações alcoólicas –, na sua São José do Calçado de muitos amores. Infelizmente Crissaf já não está mais entre nós para comprovar a medida que tirou naquele momento, com a fita métrica de sua esposa. Jilozinho e Totó também não se lembram, porque sofrem de “maionese alcoólica”, como se diz depois do décimo copo.

E vejam que nem tão grande a barriga dele é, mas vai botar isso na cabeça de quem é fissurado em vida saudável. Agora pegou essa mania!

Como o domingo está bonito e já são quase dez horas, paro por aqui e vou até o Botequim Chalé tomar um chope geladinho, que tenho de cuidar da minha taxa de glicose.

Fui!

Imagem em bahianoticias.com.br.

DO DIREITO AO PITACO IV

AMY SAIU DA VIDA PARA ENTRAR NAS FOFOCAS

Li há pouco que a legista que periciou o corpo da jovem cantora Amy Winehouse não tinha competência para tanto e fora nomeada para o cargo por seu marido, numa manobra bem conhecida dos brasileiros.

Esta notícia, contudo, vem da Inglaterra e não do Brasil, como se pode pressupor pelo imbróglio.

Aos poucos, vamos vendo que somos mais parecidos do que imaginávamos: nós e os outros, os gringos. Talvez sejamos um pouco (será só isso?) mais exagerados nas falcatruas. Mas lá, como aqui!

Como disse alguém (penso que Danuza Leão, quando tinha sua coluna no velho e bom JB impresso), o ser humano não falha! E digo eu: principalmente se for para armar alguma, para tentar um jeitinho.

No entanto, apesar da possível ilegalidade do atestado de óbito, a cantora não ressuscitará, não será obrigada a voltar à vida e continuar a soltar seus trinados.

Taí um documento que, se ilícito, não faz retornar ao status quo ante. Morreu, tá morta!

Amy Winehouse (em showsemcuritiba.com.br)

 

SE É POR FALTA DE ADEUS…

A coisa para o Negromonte, ex-ministro (aliás, o cargo de maior evidência do governo federal atualmente) das Cidades Suspeitas, ficou tão preta, que ele optou por apresentar sua carta de demissão à presidente Dilma.

Aí, Negromonte, se for por falta de adeus, não seja por isso: Ciao! Goodbye! Adieu! Auf Wiedersehen! Adiós! Adéu! Adiaŭ! Adeus!

Agora, pelo menos, como sói acontecer nestas terras, ele estará isento de qualquer acusação. E não se fala mais nisso!

 

OUTRO PATO PARA O TIRO AO ÁLVARO

O novo ministro das Cidades Suspeitas do governo da república, Sr. Aguinaldo Ribeiro, já chegou cheio de escoriações naquela cara estanhada dele. Acusações pipocam de todos os lados. Favorecimentos para a irmã, por exemplo. Mas quem não cuida dos seus, não merece a parentalha, não é mesmo? Ele deve estar completamente forrado de razões e boas intenções. Nós é que somos um bando de trouxas e invejosos.

No entanto, já estou começando a imaginar que, para fazer parte do governo, é necessário ter ficha suja. Se não, não serve. “Vai procurar outra turma! A nossa é barra pesada!”, dirão lá eles.

 

POR POUCO

Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal garantiu as atividades integrais do Conselho Nacional da Magistratura, tais como investigar e punir juízes.

Foi por um triz, uma casquinha. Mas, pelo menos por enquanto, salvou-se a vergonha nacional de mais um contravapor.

Mesmo assim, é de se lamentar que cinco ministros do STJ ainda tenham querido limitar as ações saneadoras do CNJ.

Menos mal!

 

SE SUPERSTIÇÃO GANHASSE JOGO…

Ficou provado ontem, no Estádio Aniceto Moscoso, que superstição não ganha jogo. Foi dia de Iemanjá, Nossa Senhora dos Navegantes, e o Botafogo deu com os burros n’água diante da poderosa equipe do Madureira A. C. (antes de Cristo). Pode ter certeza de que um bando de torcedores tresloucados puseram seus barquinhos no mar, bateram corimba, invocaram as potestades, rezaram a Nossa Senhora dos Navegantes, mas nada adiantou: a nossa barca perdeu o rumo.

Também, não somos vascaínos! Eles é que sabem navegar.

É dura a vida de botafoguense. Que o digam Zatonio Lahud, Pedro Neiva, Bruno e Lucas Mello. Estes dois últimos, inclusive, vieram reforçar a torcida da poltrona da minha casa, e a única coisa boa da tarde foi um café fresquinho que dona Jane coou.

O resto foi para ser esquecido!

MÁRTIR DE SI MESMA

O homem é o único animal pretensioso. Não há outros, ainda que lhe sejam mais fortes, mais capazes, mais aptos, mais adaptados ao meio ambiente – se é que os há –, que tenham a pretensão como um de seus componentes psicológicos.

Julgamos tudo, afiançamos verdades insofismáveis, contestamos opiniões contrárias com argumentos imbatíveis e, comumente, condenamos o diferente, o estranho, o estrangeiro.

Pretendemos sempre estar com a razão – até mesmo eu agora, com esta argumentação.

Porém isto tudo me vem à consideração, após ler notícia no sítio UOL, de ontem, sobre a morte de uma jovem mulher australiana, Caroline Lovell (36 anos), após um parto em sua residência. Tendo passado mal, durante o nascimento de seu segundo bebê, foi levada às pressas para o hospital próximo, mas não resistiu e faleceu no dia seguinte.

Ela era uma das defensoras do parto doméstico. E se batia para que o governo australiano desse condições a que as mulheres pudessem ter seus filhos em casa.

Ora, meu caro leitor, este estágio – ter filhos em casa – já foi ultrapassado pelas conquistas médicas modernas. Tal prática só deve ser admissível, se não houver alternativa de melhor assistência médica para mãe e filho.

E a jovem mãe acabou sendo imolada pela defesa de um comportamento que, salvo melhor juízo, não dá as condições ideais para dar à luz um filho. Ela mesma é a dolorosa prova disto. Não que não morram mães em hospitais, mas há sempre a possibilidade de que os melhores recursos estejam mais à mão.

Às vezes, pagamos caro por aquilo que pretensamente temos como o melhor, como a verdade.

Foto de Andrey Yakovlev (em apm65.blogspot.com).

H. PYLORI, ESSE VILÃO INCOMPREENDIDO

Dizem por aí que a bactéria Helicobacter pylori, conhecida pelo vulgo H. Pylori, infesta metade da população mundial. É mais efetiva que a miséria, a guerra e as religiões que arrancam até o último centavo de seus crentes.

E, melhor que nossos políticos, o que ela promete cumpre: gastrites de todos os tipos, úlceras gástricas e duodenais, linfoma gástrico e, até mesmo, carcinoma do estômago, vulgo câncer no estômago. Enfim é um bichinho arretado, cheio de nó pelas costas.

Eu mesmo já fui seu paciente, ou seu subserviente, ou seu hospedeiro. Sei lá!

Uma época, fui fazer uma endoscopia digestiva e o especialista constatou, ao mesmo tempo, gastrite, duodenite e  úlcera gástrica cicatrizada. A biopsia posterior constatou a presença dela no interior da minha pessoa, como se diz por aí.

O mais interessante de tudo isto: jamais tive um desconforto estomacal. Nunca precisei tomar sal de frutas ou bicarbonato de sódio. Mas fui constrangido a tomar uma medicação potente e de alta octanagem, pior que ação de despejo por falta de pagamento, para desalojar o bicho do meu sistema digestivo. Dizem que ele estava lá lépido e fagueiro, fazendo das suas.

O tratamento deixa o paciente com o paladar metalizado, como se tivesse lambido uma velha placa de ferro oxidada pela chuva. Tudo que se bebe ou come fica afetado por este sabor, do café da manhã, à última refeição do dia.

Tenho a impressão – o tratamento já tem anos – que foram quatorze dias tomando uma batelada de remédios.

Hoje não sei se ela está comigo ou foi debelada. Mas aconselho a você, leitor amigo, se ainda não a tem, fique longe dela, que a bicha é entisicada.

Abaixo, você tem o retrato falado da meliante, obtida em infoescola.com. Qualquer semelhança com qualquer outra parte da anatomia humana será mera concidência. O trem feio, sô!

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PS: Não sei se deu para notar, mas não toquei em futebol. Passo batido, como Botafogo e Nova Iguaçu passaram na partida de ontem: não houve futebol ali. Foi uma pelada de dar sono. 0x0 foi até demais para o resultado final.

NOTÍCIAS COMENTADAS IV

1. O tabloide sensacionalista inglês The Sun, do grupo Ruppert Murdoch, teve quatro jornalistas presos, suspeitos de terem subornado policiais. Agora eles vão ver o sun nascer quadrado. Porém mais interessante é a manchete a ser estampada pelo jornal: Here comes the Police!, num plágio deslavado à música dos Beattles, inclusive com inserção não autorizada de outro grupo britânico, The Police. Caso para a Scotland Yard.

2. Notícia do JB online de sábado dá conta de que a modelo (A sublinha está no sítio do jornal; não fui eu que a inventei; não estou sugerindo nenhuma leitura maliciosa do termo; a culpa é do jornal, já disse!) Ângela Bismark foi visitar a feira erótica que acontece no Riocentro. Foi dar cursos? Foi expor-se como modelo? Foi comprar equipamentos para uso pessoal? Taí uma questão transcendental que muito está a me preocupar.

3. A crise no Flamengo atingiu o time de reservas que jogou ontem como titular contra o Macaé, na cidade do mesmo nome, e não passou de um reles 0x0. Deve-se ressaltar que a equipe interiorana jogou melhor, pelo menos, durante oitenta minutos. Este era o único segmento do clube da Gávea que ainda não tinha sofrido com o festival de confusões que o fatídico 2012 trouxe para o rubro-negro. O time titular está-se recuperando do mal das alturas.

4. Não sei por que o estranhamento de algumas pessoas com relação à prisão do traficante FB numa casa de luxo, alugada por dezoito mil reais ao mês, na aprazível cidade de Campos do Jordão. Se a polícia der uma geral na cidade, vai pegar mais um monte de gente endinheirada, que pode muito bem estar com as costas cheias de artigos do Código Penal, da Lei das Contravenções Penais e por aí afora.

5. O ser humano tem a capacidade de ser canalha até nos momentos em que a solidariedade é a virtude mais reclamada. Vimos isto no caso da tragédia da Região Serrana do Rio de Janeiro, com prefeitos canalhas desviando dinheiro destinado a minimizar o sofrimento das populações. Agora, com o episódio do desmoronamento de três edifícios no centro do Rio de Janeiro, trabalhadores com uniforme de Secretaria do governo estadual saqueavam pertences das vítimas da tragédia. Tenho a impressão de que nem as hienas são capazes de atos semelhantes.

6. Meter o bedelho em assunto religioso é a maior fria, mas vou fazê-lo. A “bispa” Sônia Hernandes da Igreja Renascer foi condenada a devolver aos cofres públicos 785 mil reais e a pagar multa de outros 100 mil. O dinheiro a ser devolvido foi repassado a uma ONG sua e deveria ter sido usado em alfabetização de jovens e adultos. Alguns seguidores da “bispa” poderão alegar que Cristo também foi julgado e condenado pela justiça da época. Só que ele não foi acusado por desvio de dinheiro público. Aliás, esta “bispa” é useira e vezeira em problemas envolvendo dinheiro. Pelamordedeus!