TRÊS HOMENS EM CONFLITO*: OS TRÊS MENTEM

                  Cartaz original do filme Três homens em conflito (em horrorhouse.altervista.org).
 

Não tenho procuração para defender nenhum dos três envolvidos na questão recente da pressão que o ex-presidente Lula teria feito ao ministro do STF, Gilmar Mendes, no escritório do dr. Nelson Jobim, ex-várias coisas.

Também não tenho alvará para acusar nenhum dos três. Deles, o que me é mais simpático é o ex-presidente, depois o dr. Nelson e, por fim, o dr. Gilmar. Na verdade, prefiro dizer, menos antipático. Nunca se deve achar político e/ou autoridade simpático/-a, porque, na primeira esquina, um deles lhe arma um bote.

Mas, aqui pra nós, acho que os três mentem. E mentem conscientes de que mentem, porque é da natureza de político e autoridade mentir. Mentem por profissão e por determinismo. Parece que, em nossa terra, não é possível dissociar essas atividades da filosofia da mentira. Quando deveria ser a Ética o princípio ativo delas!

Preferia não pensar assim, de forma tão desabonadora, acerca dessas personalidades (e de quase todas as outras), mas os fatos não me deixam saída.

Lembram-se da cara do Demóstenes Torres Caídas durante toda a sua vida parlamentar? Não era a um cidadão acima de qualquer suspeita? E olhem no que está dando! E continua a mesma agora, diante da comissão que apura seu desvio de conduta.

O ministro, para voltar aos três personagens iniciais, tem uma das caras mais inconfiáveis dentre nossos ministros. Não sei por que, mas quando o vejo falar, daquele jeito pausado, como que procurando a palavra certa, me dá a sensação de que busca esconder alguma coisa, tenta escamotear com a frase aquilo que lhe vai no íntimo.

Sabemos que quem não tem nada a esconder fala com desenvoltura e fluência, as palavras saindo de forma espontânea, sem parecer cavalo pulando obstáculo de prova hípica.

O que, no entanto, me deixa encasquetado é por que o dr. Gilmar veio a público, através da revista Veja e diante de câmaras de tevê, dizer coisa de tal gravidade. O fato de ter sido a suposta pressão há um mês não tira da ocorrência a gravidade que possa ter.

E é óbvio que tanto Lula quanto Jobim iriam negar. Ou eles seriam tão trouxas em admitir em público que houve tal pressão? Se até moleque de escola pego em flagrante delito de bagunça nega, não seriam eles a não negar.

Por isso é que, possivelmente, os três estejam mentindo.

Só não me perguntem o porquê desta minha conclusão. Eu também não sei. Só sinto!

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* Caso tenha a oportunidade, pegue no videoclube  o filme Três homens em conflito (or. Il buono, il brutto, il cattivo), western spaghetti de 1966 da melhor qualidade, com Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach, dirigido por Sergio Leone e música primorosa de Enio Morricone.

ÀS AVESSAS

O nojento do Brad Pitt, que coabita maritalmente (Oh, dor!) com a teteia Angelina Jolie, desde 2005, e com a qual já tem seis filhos arranjados por aí, mundo afora, sendo metade de produção própria e metade de adoção, anunciou finalmente que está noivo dela.

Daqui mais uns anos, com certeza, começará a namorá-la.

Depois de alguns anos de namoro, dirá que são apenas bons amigos e que tudo não passará de insinuações da imprensa de fofocas. E se esconderá de alguns paparazzi.

Então, daqui a dez/quinze anos, mais ou menos, trocará olhares com ela, durante as filmagens de mais um grande sucesso de Hollywood.

E está inventado o casamento de marcha a ré.

Ficheiro:Angelina Jolie Brad Pitt Cannes.jpg

Angelina e Brad (em pt.wikipedia.com).

FALANDO DE MUSICAIS

Ninguém é perfeito. Nem mesmo eu! Embora tenha cá minhas dúvidas. E, além de não ser perfeito – vá lá! –, também tenho minhas manias, minhas antipatias e implicâncias, como qualquer pessoa.

Algumas manias atrapalham outras pessoas; algumas, não. Atrapalham apenas a quem as tem. É possível que você possa minimizá-las ou mesmo fazê-las desaparecer, para que viva mais confortavelmente.

As antipatias são mais difíceis de ser apagadas. Sobretudo as antipatias gratuitas. Você tem uma antipatia gratuita por determinada coisa ou pessoa e é quase como ter um calo ósseo, um esporão no espírito – mesmo quem não tenha espírito, como eu –, de remoção quase impossível.

E tanto as manias, quanto as antipatias e implicâncias, têm por característica a falta de lógica. É mais ou menos como ter fé em algo. Não faz parte do departamento lógico do ser humano.

Por exemplo: tenho uma antipatia solene por musicais – filmes e peças teatrais, embora goste muito de música, de shows. Aqueles filmes em que os atores cantam, em lugar de falar, então, acho um saco. Jamais tive a mínima vontade de ver a maravilhosa Catherine Deneuve em Os guarda-chuvas do amor (1965, no original Les parapluies de Cherbourg), de Jacques Demy. Contudo, minha antipatia solene toma ares majestáticos quando se trata de filmes musicais com dança, com aqueles atores saltitando “na rua, na chuva, na fazenda”¹.

Cheguei mesmo, tempos atrás, a dizer que filmes assim são a manifestação mais bem acabada da decadência da civilização capitalista ocidental. Acho até que, na época da União Soviética, os comunistas tinham a certeza de que venceriam a Guerra Fria, porque o Ocidente era dado a essas frescuras.

Por exemplo, aquela cena do Gene Kelly dançando e cantando na chuva (no original Singin’ in the rain, 1952, de Stanley Donen e Gene Kelly), agarrando-se a postes, de guarda-chuva na mão, e rodopiando “ao longo da sarjeta, na enxurrada”², acho um horror. E é uma cena clássica. E Gene Kelly é um dos melhores no gênero.

Nunca suportei – e eis outro exemplo (Não me crucifiquem, por favor!) – A noviça rebelde (1965, no original The sound of music), de Robert Wise. Jamais vi o filme. Ou antes, jamais consegui passar das primeiras cantorias. Não sei até onde Julie Andrews rodou sua baiana naquela história. Nem quero saber!

Amor, sublime amor (1961, no original West side story), também de Robert Wise, com uma das minhas musas da juventude, Nathalie Wood (1938-1981), suportei, porque era apaixonado por ela. Mas achei um porre aquele troço!

E agora, recentemente, já passadas várias décadas na minha existência, é que fui descobrir a razão desta minha ojeriza a este tipo de arte. Que trauma desencadeou isto!

É que, quando jovem, tive o desprazer de ver Um americano em Paris (1951, no original An american in Paris), de Vincente Minelli, com a linguiça feia e presunçosa de Fred Astaire, já coroa, conquistando a deusa Leslie Caron (*1931), na flor de sua idade – e de seus lábios carnudos e de seus seios empinados e de seus tornozelos roliços e de sua beleza estonteante –, numa trama ridícula, sem a mínima verossimilhança, que é a base de qualquer obra de ficção. Sem a tal verossimilhança, não se constrói um discurso ficcional plausível.

Veja como era Leslie Caron, à época (cinemaemcena.tumbir.com).

Pois muito bem! Lá na história do filme, aquele americano bobo, feio, magro como um esqueleto e velho, conquista o amor da maravilhosa Leslie Caron, só porque sabia fazer aquele sapateado ridículo e desconchavado. Não vi o resto do filme. Saí indignado da sala, com aquela baboseira hollywoodiana, a exaltar o pretenso encanto que o american way of life despertava numa Europa recém-destroçada pela guerra.

Veja agora Frede Astaire, também à época (cemiteriosfamosos.blogspot.com).

Aquilo foi demais para mim.

A partir de então tenho a maior rejeição a musicais.

E, aproveitando minha bílis ativa, quero dizer também que acho um desfavor à cultura brasileira essa enxurrada de musicais estrangeiros que para cá trazem Cláudio Botelho e Charles Moeller (não vou usar o trema no nome dele, pois sou proibido de usá-lo em linguiça).

Se gostam tanto assim de musicais, que incentivem nossos autores a fazerem musicais. Talvez até passe a gostar deles.

Aliás, obrigado por minha mulher a ir ver Emilinha & Marlene, no Teatro Maison de France, embora não fosse admirador de nenhuma das duas, devo dar o braço a torcer: este musical é muito interessante.

Vejam como implicância é uma coisa sem a mínima lógica!

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¹ Direitos autorais intelectuais depositados em favor de Hyldon.
² Do soneto Barcos de papel, de Guilherme de Almeida.