PREVISÃO DO TEMPO HETERODOXA

Sempre que ouço/vejo previsão do tempo nos meios de comunicação, com a linguagem própria dos profissionais da área, fico imaginando que, de repente, sob um forte estresse do informante, vai sair uma frase meio maluca. Nunca se sabe onde vai parar a loucura humana, não é mesmo? Como, na verdade, nunca houve um deslize de tais profissionais, me dei ao trabalho de imaginar, por exemplo, a informação ao vivo, no rádio ou na tevê, das condições atmosféricas em alguns lugares e com o repórter com sobrecarga de trabalho.

Aí vão algumas delas.

– Durante o verão, às treze horas (horário de verão), na estação de Bangu, subúrbio do Rio de Janeiro:

Aqui em Bangu, na Zona Oeste da cidade, tempo bom, céu de brigadeiro, sem uma nuvem, portanto sem previsão de chuva. Temperatura em alta, na casa do cacete.

– Durante manifestação de black blocs na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro:

São dezenove horas no Rio de Janeiro. Céu de nuvens carregadas, temperatura em alta. Tempo sujeito a chuva intensa com pancadas, porradas, gás de pimenta e vandalismo.

– No Morumbi, em São Paulo, um pouco antes do clássico entre São Paulo e Fluminense:

Noite amena no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, com céu nublado, garoa fina, vento frio, muita frescura e veadagem.

– Na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, durante ação do Bope:

No complexo da Maré, às margens da Linha Vermelha, tempo quente, mas com previsão de chegada de frente fria, com rajadas de vento, de metralhadoras e fuzis automáticos.

– Na alcova do casal Mamede e Deolinda, no Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro:

Diretamente da casa de seu Mamede e dona Deolinda: atmosfera abafada, mas com temperatura em baixa e previsão de geada, frigidez e inesperada dor de cabeça.

 

Imnagem em guiky.com.br.

O VERÃO E SUAS QUEIMADURAS

O verão começou em dezembro, mas ainda não tinha dado as caras com a contundência que dele se espera em terras tropicamericanas.

Foi só romper o Ano Novo, para ele se manifestar. Eu estava em Campos do Jordão entre 30 de dezembro e 1° de janeiro e não senti nenhum desconforto que via publicado no Facebook dos amigos. Lá o verão é, como diz meu amigo Eduardo Campos, civilizado. Aliás, ele mesmo se homiziou em Visconde de Mauá para passar seu aniversário, que ocorreu na véspera de Santos Reis, a fim de fugir dessa falta de civilidade do tempo.

Depois que desci a montanha, é que pude aquilatar os efeitos da onda de calor que nos esbraseia. Tenho suportado estoicamente, a poder de ar condicionado e cerveja gelada, o que a tresloucada natureza nos impõe. Contudo devo confessar que não suporto essa novidade de sensação térmica. Não aguento ouvir falar em, por exemplo, quarenta graus de calor com a sensação de cinquenta. Quem é que comprova isso? A quem interessa esse tipo de terrorismo meteorológico? Já não basta a sensação causada pelos quarenta graus, e ainda vem uma besta quadrada para dizer que o troço ainda é pior. Estou muito propenso a processar ou os fabricantes de termômetros ou os pregoeiros do caos. Ou bem sinto os quarenta, ou quero o meu dinheiro de volta.

Há alguns anos não havia nada disso. O troço era batata! Ou fazia aquela temperatura, ou não fazia. Não ficavam nesse negócio de dizer que não é bem assim, o senhor está sendo ludibriado em sua boa-fé calorífica.

Até mesmo no inverno, entram tais anunciadores para dizer que a sensação é maior do que o termômetro indica. Que merda é essa? É tudo uma empulhação só? Além dos políticos, os termômetros também nos enganam? Estou chegando à conclusão de que não se pode confiar mais em nada. Mas não admito nem um grauzinho a mais ou a menos naquilo que estou sentindo.

Façam-me o favor!

Termômetro em Campos do Jordão no dia 30/12/2013 (foto do autor).
Termômetro em Campos do Jordão no dia 30/12/2013 (foto do autor).

MUDANÇA DE ESTAÇÕES

O interessante das mudanças de estações no Brasil, especificamente na região do Rio de Janeiro, é que elas mudam e você quase não percebe.

– Ué, já mudou?! Nem senti! Estava distraído.

Até poeticamente se pode cometer alguma coisa falando de outono, inverno, primavera e verão, embora não sintamos verdadeiramente na carne alterações substanciais de uma para outra.

Agora mesmo entrou o outono. Saudei-o com mais um poema a ser postado em breve em Asfalto&Mato. Mas percebe-se que, na realidade, ele não entra de sola, como beque ignorante. Talvez no Hemisfério Norte, na Islândia, por exemplo, destino preferido de minha sobrinha Sheila, para ver fendas geológicas e catástrofes naturais eternizadas em gelo e neve, tais câmbios se façam mais sensíveis. Aqui, não!

Aqui, pelo menos por enquanto, tudo continua como dantes. Andou até fazendo uma temperatura um pouco melhor, isto é, mais branda. Contudo, neste verão, também ocorreram dias de termômetro civilizado. Em dezembro, por exemplo, nem tanto calor fez. Apenas em alguns poucos dias, o bico do maçarico ficou ligado, sobretudo em janeiro e fevereiro.

Vi, certa vez, num jornal televisivo local, diante do mar do Arpoador, um meteorologista falando sobre a chegada do outono. Dizia ele, então, que essa estação é um tanto sem personalidade: ora quer ser verão, ora quer ser inverno. Pode ser. Não sou psicanalista ou psicólogo, para chegar a esse ponto de análise.

Possivelmente as pessoas alérgicas sintam, com um pouco mais de intensidade, a chegada do outono. Diziam-me no curso primário, lá em Carabuçu, na década de 50, que é o tempo dos frutos, que o ar estaria cheio de pólen para a fecundação das plantas. Realmente nunca prestei muita atenção a isto. Quando a goiaba estivesse madura, eu aproveitava. Ou jenipapo! Porém nunca sabendo a época em que isto se dava.

O inverno, por seu lado, como diz Priscilla Ann Goslin, em seu livro How to be a carioca, destinado a turistas que vêm ao Rio de Janeiro, dura uma semana. Quando é muito rigoroso, dura duas. E sempre com temperaturas suportáveis para suecos e finlandeses, siberianos e esquimós.

Depois do inverno vem a primavera. E eu nunca notei nada de diferente. Talvez aquelas duas semanas de inverno rigoroso não aconteçam mais. Porém a profusão de flores, a explosão colorida da natureza, nunca se percebe. A não ser que você seja trabalhador em floriculturas em Holambra, Nova Friburgo ou Barbacena. Ou trabalhe no CADEG, em Benfica, vendendo flores e plantas. Daqui do décimo terceiro andar onde moro, nada se nota de primaveril no ar.

Provavelmente apenas o verão seja a nossa grande estação, apesar de algumas vezes aprontar com dias mais suaves. Ela começa logo depois do fim das férias escolares do meio do ano e termina um pouco antes das festas de São João do ano seguinte. A trégua, no interregno, tenho a impressão, é só para permitir que se possa acender uma fogueira, assar uma batata e botar para dentro do peito algumas doses de quentão.

Ah! e também encher de biquínis mínimos nossas praias.

Acho que vou oferecer meus conhecimentos meteorológicos para uma emissora de tevê por aí. Sou muito bom nisso!

Inverno em Carabuçu (imagem em hypescience.com).

PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO

 

Imagem em blog.ibero.it.

Como diz o músico poeta, “Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos…”, setembro está pelo meio e, oficialmente, ainda estamos no inverno. A cada ano, o seu anúncio traz a esperança da primavera.

Quando criança pequena lá em Carabuçu – e aluno do Grupo Escolar Marcílio Dias –, gostava muito desse nome: primavera. Ele me sugeria uma prima bonita, morena, por nome Vera, que chegaria a qualquer momento. A professora, ao nos ensinar sobre as tais estações do ano, garantia que ela era a das flores, a preferida dos poetas e dos amantes. Menino, nunca notava muito nelas, a não ser no inverno, em que a temperatura costumava cair mais.

Naquele tempo, lembro-me de que – deveria ter meus oito ou nove anos –, num mês de julho, o termômetro do meu pai marcou oito graus. Acho que, depois, nunca mais fez tanto frio assim. O que mais nos afligia, o que mais regulava nossas vidas, era a alternância de chuvas torrenciais e estiagens prolongadas.

Aqui no Brasil as estações do ano são semelhantes às estações de trem de subúrbio: tudo mais ou menos parecido, sem muitas distinções e charmes especiais. Basta dizer que, nesta semana mesmo, houve uma sucessão delas: segunda-feira foi verão; terça, primavera; quarta, outono; e ontem, quinta-feira, inverno. Hoje, sexta-feira, ainda não sei bem qual a predominante. Olhando pela fresta da janela, presumo que seja outono, com cara de inverno. Ou inverno, com cara de outono.

Talvez por isso é que encontro alguns vizinhos de narizes vermelhos congestionados, olhos mortiços, reclamando de gripes monumentais, com duração de mês e tal. Até mesmo as gripes são diferentes.

Eu mesmo nunca fui muito chegado a gripes e resfriados – por que não sei – e, agora também, uso de minha prerrogativa de terceira idade para tomar a tal vacina antigripal, que deve funcionar realmente.

Daqui a pouco entrará a primavera com suas promessas retóricas, já anunciando o calor do final de 2012 e do princípio de 2013, com as catástrofes das tempestades.

Talvez a natureza saiba distingui-las perfeitamente e faça sua parte. Nós que estamos aqui na superfície, fazendo o diabo para atrapalhar, é que teremos de pagar pelas intervenções danosas ao planeta, que tentará, de todas as formas, fazer valer o que ele tem planejado para funcionar há bilhões de anos: a diferença entre as estações. Como as dos metrôs de Moscou e Estocolmo, em que cada estação é completamente distinta uma da outra.

ASSIM NÃO DÁ PÉ, PEZÃO!

No jornal televisivo de ontem de manhã, rolou matéria sobre as encostas que rolaram na Serra Fluminense há exato um ano, e o vice-governador Pezão apareceu, com aquela sua cara imensa, meio bexiguenta, – cenário atrás ainda desmoronado –, para responder a algumas questões do repórter.

Foi constrangedor ouvi-lo. Não havia explicações a dar à população daquelas três cidades – Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis – que viram a tragédia se abater implacável sobre suas gentes.

O trabalho dos governos dos três níveis é, para sermos educados, ridículo. Pouco ou quase nada se fez. Muito se prometeu. Outro tanto se desviou.

E o Pezão, instado pelo repórter, renovou as promessas de um ano atrás para o atendimento dos que ficaram sem casa, dos que perderam seus bens, dos que perderam seus entes queridos.

Sentado em meu sofá, senti uma vergonha danada do que ouvia, da cara deslavada do vice-governador, que, naturalmente, foi mandado à reportagem, porque o governador não quis passar por tal constrangimento. Bem feito, quem mandou ser vice!

Tive, ainda, mais vergonha de nossas tristes autoridades.

Pergunto ao meu amigo leitor: E na tragédia de agora do Norte e do Noroeste do Estado, quanto tempo se gastará para minimizar os efeitos do tempo enlouquecido? Qual será a paciência a ser cobrada dessas outras populações, para que elas aguardem as providências em ritmo de tartaruga de nossos governos? Qual é o prazo que os governos se darão, para fazer voltar ao status quo a vida dessas comunidades?

É bom os governos se irem preparando, pois, pelo que temos observados nesses últimos cinco anos, as catástrofes climáticas estão agendadas anualmente. O que pode diferir é o local de ocorrência e a maior ou menor gravidade.

O tempo está enlouquecido e, como disse certo especialista em clima, isto acontece periodicamente no planeta. Assim temos de estar preparados para viver esses novos tempos, com ações preventivas sérias, a fim de que, a cada ano, não tenhamos nossos semelhantes sacrificados pelas catástrofes naturais.

E não precisemos ver, com vergonha e nojo, a fala inócua de autoridades que têm, em função de seus cargos, de socorrer de imediato e com eficiência a população que paga seus impostos e que as elege a cada quatro anos.

Enchente do Rio Muriaé (imagem em voluvia.com).

QUOSQUE TANDEM?

Ouvi ontem no rádio o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, dizendo que a recuperação dos estragos provocados pelas recentes chuvas em Nova Friburgo deverá durar mais de um ano.

Há menos de um ano, para ser rigoroso, desceu sobre a Serra Fluminense, aí também incluídos os municípios de Teresópolis e Petrópolis, uma catástrofe nunca vista no país. O saldo de mortos até hoje é incerto. As obras para a recuperação dos estragos não chegou, talvez, a vinte por cento do que se perdeu. E agora Sua Excelência vem dizer que os estragos menores destes dias não serão recuperados até a próxima estação chuvosa?

Com toda a sinceridade, ao ouvir isso da autoridade máxima do Estado, senti uma prostração como nunca experimentei.

É uma vergonha sem precedentes que nosso governante diga, diante do acúmulo de mais uma tragédia, que o estado fará as coisas homeopaticamente, em pequenas doses.

O que é isto, governador?

Imagem em robertoromero.blogspot.com.

Lembro-me que, a alguns meses do pleito em que ele foi reeleito, em comício naquela cidade serrana, prometia construir a estrada de contorno da RJ-116, a fim de aliviar o tráfego intenso que corta a cidade e seu distrito de Conselheiro Paulino.

Passo com frequência por esta estrada, que foi severamente afetada pela catástrofe do ano passado, e até mesmo as obras de sua recuperação andam em passo de tartaruga.

E agora ele vem dizer que levará mais de um ano para resolver os atuais problemas?

Vai-se deixar acumular problema sobre problema, numa espiral infinda de incúria e desprezo pela dor daquelas populações?

O que sente o governador, verdadeiramente, acerca do sofrimento e do desespero que se abateram sobre os moradores dessa região tão bela do Estado?

Pois eu acho que não sente absolutamente nada! Não está nem aí!

Quando aparece na mídia é porque há um constrangimento.

Mas, creio, está pouco se lixando para os que perderam tudo ou quase tudo.

Há pessoas que, até hoje, não receberam nenhuma ajuda para reconstruir o que perderam.

E isto nos envergonha de uma forma avassaladora!

Até quando?

PENSAMENTOS BEM-PENSADOS VII

Imagem em quin-teto.irreverente. zip.net.

Continuamos com a saga filosófica empreendida por minha cabeça de aposentado, que tem muito tempo para pensar bobagem.

Como há vários autores de livros aí cheios de bobagens presunçosas, ponho-me também a presumir máximas, mínimas e médias, assim como as ondas hertzianas da radiodifusão nacional.

Espero, mais uma vez, que se possa tirar desses pensamentos que, confesso, levei muito tempo para elaborar uma lição para a vida prática, senão para a galhofa e o motejo.

Ei-los aí.

  1. Sabe-se que Salvador era Dali, que o Leonardo da Vinci e que o Pepino di Capri. Mas de onde é mesmo que eu te conheço?
  2. No futebol feminino, toda vez que uma jogadora mata a bola no peito, a bola morre apenas metaforicamente, embora o peito seja peito mesmo.
  3. Numa viagem de metrô ou trem no horário de pico, aquele que tira o pé do chão parece que, de imediato, entra em estado de santidade: fica flutuando até o fim da linha.
  4. Minhoca distraída vira comida de peixe.
  5. Será que alguma vez na vida Catherine Deneuve, Demi Moore ou Juliana Paes tiveram qualquer incômodo intestinal?
  6. Assim que o mago imortal morrer, seus maktubs terão vida curta. É o que está escrito.
  7. Para o palhaço, não há a menor graça em fazer graça de graça.
  8. A lei da seleção natural – descobri – não é politicamente correta: só prejudica os mais fracos. Os fortes continuam com sua vida refestelada.
  9. Desde que Galileu foi condenado por dizer que a Terra não era o centro do Universo, passei a não acreditar na ciência. Na religião, já não acreditava desde os tempos de Zoroastro. E na justiça, desde o episódio de Caim e Abel.
  10. O raio que cai duas vezes no mesmo lugar assim procede apenas no intuito de debochar da sabedoria popular.
  11. Tenho alma de mineiro: quanto a atolado, prefiro a vaca ao caminhão.
  12. Boiada pouca, meu filé à Osvaldo Aranha primeiro.
  13. Buenos Aires até que é uma cidade interessante, pena que se localize na Argentina.
  14. Ele é conhecido como Francisco Cuoco, mas faz merda como qualquer um.
  15. No Rio Grande do Sul, ultimamente só há duas estações do ano: na primeira, as prefeituras decretam estado de emergência por falta de chuva; na segunda, por excesso. E no ano seguinte o Ministério Público instaura inquérito para apurar desvio de verbas.

GAMBÁ CONTINUARÁ A TOMAR CONTA DOS OVOS DE OURO DA GALINHA

Ao que tudo indica, o PR (Partido da Rapinagem) continuará a comandar o Ministério das Trapaças, desculpe, dos Transportes. Pelo menos é o que dizem uns e outros por aí.

E a presidente (não vou escrever presidenta, nem que a vaca soluce) disse que mandará apurar tudo, nos mínimos detalhes, e punirá os possíveis culpados. Isso se, ao fim de todo o processo apuratório, previsto para terminar após a Copa do Mundo de 2020, for comprovada alguma culpa dos inocentes suspeitos de agora.

Só faltou dizer como um outro presidente de não saudosa memória: “Duela a quién duela!”

Eu, que sou descendente próximo da velhinha de Taubaté, criação magistral do magistral Luís Fernando Veríssimo, diante da tevê acredito em tudo. Por mim é que não deixarão de punir os responsáveis por essa falcatrua tamanho Brasil.

Caso nada ocorra, como sói acontecer, a culpa deve ser desses incrédulos contumazes, que sempre estão desconfiando da boa vontade de nossas autoridades em fazer valer a ética.

Por outro lado, isto o lado deles, andei sabendo que o senador cacheado Magno Malta (a que malta será que ele pertence?) do PR (vejam parênteses no primeiro parágrafo, que não vou repetir o sentido da sigla) daquele magro estado da moqueca capixaba garantiu que o senador de cabelos tingidos e ex-ministro demissionário terá a oportunidade de defender sua honra.

O Brasil, parece, além das ondas de frio sucessivas, entrou na onda do faz-me rir.

(Postagem feita diretamente de uma lan-house insuspeita do centro da cidade, vez que minha máquina voltou à oficina mecânica, como acontece a cada semestre.)

UM OUTONO MUITO LOUCO

Ontem, segunda-feira, dezesseis de maio (Estou indicando com detalhes, para não dizerem que acuso vagamente.), fez, no espaço de vinte e quatro horas, todas as estações do ano, várias vezes seguidas, sem a menor sequência natural, pelo menos aqui na região do Rio de Janeiro e adjacências. Choveu fraco, deu toró, esquentou, esfriou, ventou à beça, tudo isso nas parcas vinte e quatro horas que compõe o tal dia. Foi pouco dia para muita estação, não é mesmo?

Hoje começou do mesmo jeito!

Esses tempos andam mesmo da pá virada.

O grande Tom Jobim gastou talento para fazer Águas de março e agora vem a Natureza descalibrada para mostrar que não tem nada a ver com a Arte. Por isso é que aquela velha história de que a Arte imita a Natureza nunca valeu mesmo. Esta última não admite isso pacificamente.

Eu mesmo já havia dito que, se o Maestro vivo fosse, teria de adaptar sua música para Águas de abril. No entanto, já tenho cá minhas dúvidas. É melhor não ficar dando opinião, diante da Natureza ensandecida.

Há uns cinco anos, no início do outono, um climatologista foi explicar para um jornal televisivo o que era o outono e disse uma frase que achei engraçada:

– O outono é uma estação sem personalidade: às vezes quer ser verão; às vezes, inverno.

Guardei a frase, porque acho que foi a melhor explicação científica para o outono. Insuperável.

Mas vamos combinar uma coisa: este outono está além de todas as maluquices.

Quem sobreviver verá!

Le quattro stagioni (blog-ibero-it)