SALADA DE BACALHAU COM FAVAS

Como sou o gestor onipotente deste blog, que recebe tudo que for de minha vontade, resolvi diversificar o tema desta vez. Então, vamos lá!

Nem só de pão vive o homem, mas também de um bom vinho, de uma boa talagada de cana (sem o estilhaço na estrada), de uma carne, de uma salada. Por isso hoje, com espírito culinário, vou dar a vocês a receita de uma salada de favas que fiz por ciência própria, sem que dela tenha visto ou sabido pratrasmente. Todos sabem que não sou chef de cuisine, mas dou minhas cacetadas, como se diz popularmente.

A fava é uma leguminosa, que produz vagens, dentro das quais se desenvolvem grandes sementes, bem maiores que os feijões. Cheia de sabor, a fava se presta a diversos pratos, tanto quentes quanto frios, em saladas. Nem sempre é fácil encontrá-la em mercados e quitandas. Às vezes, é encontrada congelada – normalmente importada – ou em grãos secos, como os feijões. A última foi adquirida no Hortifruti, embalada em saco plástico de 1kg.

A receita que lhes passo foi um experimento que deu certo. Ficou saborosíssima.

Ingredientes:

500g de favas secas – 750g de bacalhau de boa qualidade – cebola, cebolinha verde, salsa, tomate – azeitona verde picada – alface lisa – 2 dentes grandes de alho – caril (curry) – azeite extravirgem.

Modo de fazer:

1. Dessalgue o bacalhau com 48 h de antecedência. – 2. Deixe a fava de molho na noite anterior à feitura do prato. – 3. Cozinhe o bacalhau no dia da feitura do prato. Retire as espinhas, limpe-o e desfaça-o em lâminas ou lascas não muito grandes. A consistência do bacalhau vai guiá-lo naturalmente nessa tarefa. – 4. Cozinhe a fava em pressão, com um pouco de sal, como feijão, por 30 ou 40 minutos. Ela não deve ficar muito cozida, mantendo-se o grão íntegro. – 5. Após o cozimento, escorra e dê um choque com água fria, para que se suspenda o cozimento dos grãos. Deixe esfriar. – 6. A cebola, a cebolinha verde, a salsa e o tomate devem ser picados como para o molho vinagrete. – 7. Os dois dentes de alho devem ser picados ou triturados. A seguir, leve-os ao fogo, com um pouco de azeite (meia xícara), até dourar. Quando estiverem dourando, acrescente uma colher de sobremesa de caril (curry). A seguir, acrescente as lascas de bacalhau para uma ligeira fritura. – 8. Num recipiente grande, deite as favas cozidas, acrescente os temperos picados, mais a azeitona e o refogado com as lascas de bacalhau, alho e caril. Misture com cuidado e acrescente mais azeite extravirgem conforme o gosto. Também se gostar, polvilhe mais um pouco de caril. – 9. Por fim, coloque numa travessa e circunde com a alface cortada em tiras finas.

Para quem gosta, sugiro acrescentar uma boa pitada de pimenta-do-reino.

Sirva com arroz branco e pão francês fatiado. Se fizer um arroz de lulas e camarões, aí é só correr para o abraço. A bebida fica por sua conta, mas como sou fã de vinho tinto, posso garantir que um bom tinto acompanha muito bem esse prato.

 

Favas secas (em portuguese.alibaba.com).

BOICOTE GERAL

Quero avisar à praça, para depois não ser acusado de nada, que não compro mais cerveja com propaganda cretina, ainda que nela estejam incluídas lindas garotas de roupas sumárias. Tomar a dita cerveja só em caso extremo: ir a uma festa com boca-livre e ser ela o único líquido oferecido.

Vamos combinar: a propaganda brasileira para cerveja abusa do mau gosto (apesar das garotas jeitosas, repito!). Os personagens masculinos, então, são de uma boçalidade só. Parecem retardados.

O que é que os publicitários que bolam tais campanhas pensam com isto? Querem fazer programa humorístico ou querem vender um produto com qualidade?

Esse tempo todo em que bebo cerveja, nunca me ocorreu ficar cretino como nenhum dos que aparecem ali. Também nunca fui a lugar nenhum em que se beba a loura gelada e haja um bando de retardados como aqueles. Nem mesmo naqueles antigos festivais de cerveja, que aconteciam sempre no inverno aqui por nossas bandas.

As propagandas de marcas estrangeiras, que já vêm prontas do exterior, pelo que se nota, não lançam mão de tantas bobagens, de tantos chavões machistas, tanto clima de oba-oba, como ocorre na propaganda do produto nacional.

E olhem que a publicidade brasileira é reconhecida internacionalmente pela excelência, pela qualidade!

Então o que me ocorre é que – como sempre acontece com as peças publicitárias, que visam a públicos específicos, conforme seu conteúdo e o interesse do fabricante – ela considera o consumidor uma besta quadrada, um imbecil sem cérebro que funcione além do Tico e do Teco, cuja única função fosse o consumo. Aliás, deve ser isso mesmo.

Ora, me poupem!

Parei, então, de comprar essas marcas (algumas já nem comprava mesmo).

Em todo caso, logo mais vou tomar uma gelada, para também não ficar xiita. Mas não dessas de propaganda cretina!

 

Imagem em hypescience.com.

SAMEDI AU CADEG

Esta postagem de hoje tem título em francês, para que uns e outros aí não torçam o nariz, como certas pessoas metidas a besta que vi há tempos, para o programa deste último sábado. E, para os que não são familiarizados com a língua de Brigitte Bardot, traduzo logo no primeiro parágrafo: Sábado no CADEG.

Rua central do CADEG (foto do autor).

O CADEG – Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (estado que não existe mais desde 1975) – está fazendo cinquenta nos.

Localizado no bairro de Benfica, no Rio de Janeiro (Rua Monsenhor mi Félix, 110), e agora oficialmente transformado em mercado municipal da cidade, é um centro de compras de flores e produtos de decoração afins, secos e molhados, com destaque para bacalhau, azeites e bebidas, sobretudo vinhos. Além disso, tem um bom número de bares e restaurantes, com insuspeita tendência à culinária lusitana, o que, convenhamos, faz a delícia dos seus frequentadores.

Há também lojas especializadas em embalagens, em plásticos, em temperos e guloseimas, em frutas, legumes, verduras, cereais, roupas e calçados, etc.

Comecei a ir ao CADEG levado por minha mulher, quando ela fazia curso de ikebana – arranjo floral de origem japonesa – e ia todas as quintas-feiras, bem cedinho, com a professora, para comprar as flores fresquinhas que chegavam das regiões produtoras. E, confesso, não gostava muito de ir lá pelo simples fato de que o horário é, para mim, bastante insalubre: cinco da manhã.

Passada a fase ikebanística dela, nossas idas lá se tornaram esporádicas. E, ao longo desse tempo, vimos alterações na frequência do público e nas ofertas dos comerciantes.

Antes, os restaurantes eram muito simples e prestavam-se, principalmente, a atender os trabalhadores que por lá circulam desde o início da madrugada. Às vezes, chegávamos antes das seis da manhã e encontrávamos alguns almoçando, enquanto nós pedíamos café com leite e pão com manteiga.

As galerias entre os prédios que compõem o complexo agora estão com cobertura, de modo que ninguém mais precisa se esconder quando chove: as “ruas”, portanto, são cobertas. E por elas alguns novos e mais bem cuidados restaurantes e bares espalharam suas mesas e cadeiras que, por volta do meio-dia, começam a receber um sem-número de visitantes.

Não mais se veem por lá aqueles antigos restaurantes que serviam fumegantes pê-efes, mas vários até muito bem instalados, com ar condicionado, garçons uniformizados, ambientes menos confusos e mais aconchegantes. Nada, porém, que lembre luxo, pelo menos naqueles a que já fomos fazer refeições.

Oferta de bacalhau em frente à loja (foto do autor).

Ontem, sábado, minha mulher e eu estivemos lá. Fui para comprar vinhos, vendidos por preços cerca de vinte a trinta por cento menores que nas lojas de vinho de Niterói ou Rio de Janeiro. Há várias lojas especializadas na bebida. Algumas só aceitam pagamento em dinheiro ou cartão de débito e, como abrem bem cedo, por volta das três horas da tarde já estão fechando.

E algumas delas, muito bem instaladas, com variada oferta da bebida, também oferecem degustação no interior da loja ou na “rua”.

Loja de vinhos oferece degustação (foto do autor).

Depois do passeio tradicional e da compra do vinho, fomos almoçar no restaurante Barsa, localizado na “rua” 4, já referido por Danúsia Bárbara em seus comentários e recomendado vivamente pelos amigos Mário André e Carla Teles Oliveira.

Rua 4, com as mesas do Barsa (foto do autor).

Sentamo-nos a uma mesa na “rua” e rapidinho fomos atendidos pelo correto e eficiente garçom Marlon. Escolhemos de entrada bruschetta mista (três unidades: funghi, tomate e salaminho com queijo) e, como prato principal, arroz de pato à Barsa (confit ao vinho com ervas, cebolas portuguesas, azeitonas verdes e linguiça portuguesa picante).

Como aperitivo, pedi uma dose da boa cachaça Da Tulha Ouro, produzida em Mococa/SP, e água mineral gasosa.

Tanto a entrada, quanto o prato principal estavam corretíssimos e muito saborosos. Encerrei com um cafezinho encorpado.

Se eu fosse francês, certamente iria dar o título que aí está. Não sou, embora meu nome o seja. Mas é por certa inveja positiva dos amigos Mário André e Carla, que, neste momento, desfrutam dos sabores de Paris.

ROTEIRO ÉTILICO E GASTRONÔMICO DE MIRACEMA (I)

Vista noturna da Igreja Matriz de Miracema (foto do autor).
Vista noturna da Igreja Matriz de Miracema (foto do autor).

Para início de conversa, devo dizer que não sou especialista em Miracema. Mas darei alguns palpites sobre alguns aspectos saborosos da cidade.

Miracema não é minha cidade natal, como alguns já devem saber. Mas a de minha mulher, Jane. Lá ainda moram meus sogros, já avançados na casa dos noventa. Por este motivo, temos compromisso mensal com eles.

A par desse compromisso, quando não há nada mais sério a se resolver, como felizmente é o mais comum, aproveito para andar à solta, aqui e ali, atrás de pequenas coisas que nos podem trazer algum tipo de prazer inocente, abstraídas aqui as taxas de colesterol, triglicérides, ácido úrico e glicose.

Se quiserem mais informações oficiais da cidade e do município, aconselho e pesquisarem na Wikipédia. O que me move aqui é certa integração que pude desenvolver com a cidade, em não sendo filho da terra.

Isto talvez até se constitua em ponto favorável, pois não sou movido por simpatias ou antipatias, tão comuns em lugares pequenos do interior.

Tenho um pequeno e sincero círculos de amigos, todos amigos de minha mulher, através da qual estabeleci esses laços de amizade.

Embora seja uma cidade pequena de interior, Miracema oferece algumas coisas muito interessantes para seus moradores, ou os visitantes contumazes como eu, ou mesmo para os esporádicos, que por lá apareçam vez ou outra. E difere de minha cidade natal, Bom Jesus do Itabapoana, em alguns aspectos, embora seja menor e menos movimentada.

Miracema tem – e eu não conheço em minha terra – dois bons açougues especializados em carne de porco: o do Norton e o do Colombinho. Lá se conseguem comprar todos os cortes do suíno fresco, recém-abatido, e outros já preparados por eles, prontos para assar. Os dois produzem os melhores chouriços que já comi na vida (o sabor do que minha vó fazia já se perdeu nos escaninhos de minha memória gustativa). Fazem linguiças de qualidade, puro porco, frescas, curtidas, defumadas. Produzem uma pele de porco frita, crocante, que é melhor que caviar (já comi os dois e o paladar do caviar não chega perto do da pele). Além disso, o açougue do Colombinho também vende outros tipos de carne: rocambole de frango, de lombo de porco, língua recheada, linguiça de frango e sarapatel (minha próxima investida).

Aliás, no quesito linguiça, há outros dois açougues: do Padinha e do Salvador. O primeiro, talvez o mais bem montado da cidade, sobretudo para churrascos, produz uma linguiça fina, soberba na forma frita ou assada. Salvador capricha na pimenta em uma sua, que, no entanto, me parece um pouco carregada na gordura.

No Mercado Municipal, onde se localiza o açougue do Norton, há também o do Chakib (não sei se a grafia é esta), que faz uma deliciosa cafta, que já trouxe para Niterói, depois de experimentá-la, assada, no pé-sujo do Melado. É tão boa quanto a do Al Khayam, do Beiruth, do Damasco, do Cedro do Líbano, no Rio de Janeiro. E infinitamente mais barata: oito reais o quilo.

Por falar em comida árabe, há um restaurante, sem nome, sem letreiro, na rua que margeia o córrego Santo Antônio, referido como Quibe, de propriedade do libanês Assad, casado com uma moça da terra, que para lá foi morar. Quem faz a comida é a esposa dele, mas é de um sabor inesquecível: o homus-bi-tahine, o quibe cru, o quibe frito com carne ou com coalhada (labne), o charuto de repolho (merche) e a cafta. Não há nada mais ou menos: todos são deliciosos. E só abre a partir das dezenove horas.

No centro da cidade, na Rua Direita, há o bar Kiskina, com chope e salgados fresquinhos a toda hora. Os fregueses devoram espetinhos de frango empanado, quibes, pastéis, italianos, pizzas e, aos sábados, frango assado aos pedaços, cujo cheiro se espalha pela rua e é praticamente irresistível.

No Mercado Municipal, há um bom número de botequins pés-sujos que, entre uma dose de pinga e um copo de cerveja, servem uma grande variedade de tira-gosto: pastéis, quibes, bolinho de mandioca, pele de porco, torresmo, língua assada, passarinha, miúdos cozidos, caldo de feijão, bifes de carne de porco e de boi, cafta do Chakib assada, angu molinho com sarapatel. E ainda permitem que os fregueses façam seu próprio churrasco em grelhas oferecidas para isso.

No entanto, o pequeno bar do Marquinhos e de dona Eliane, na Rua João Pessoa, é imbatível nos sabores. Dona Eliane é uma cozinheira de muitos méritos, e tudo aquilo em que põe suas mãos mágicas sai no mínimo saborosíssimo: jiló recheado, costela com batatas, rabada, dobradinha com feijão branco, fígado e moela de frango cozidos e ao molho, pedaços de frango fritos, mocotó com legumes e, às sextas-feiras, um joelho de porco cozido que não há eisbein que vença. Vou aproveitar para dar um recado para o venerável Bar Luís: Ô, Bar Luís, o joelho de porco de dona Eliane é mais gostoso que o seu eisbein! E olhem que o eisbein do Bar Luís é soberbo – já o comi algumas vezes.

Marquinhos tem reservada para os que conhecem uma cachaça de excelente qualidade, cuja origem ainda não me revelou. Mas é só pedir “a da diretoria”, para que ele lhe sirva em copinho apropriado um néctar de cor âmbar, de paladar especial. Enquanto as servidas nos bares do Mercado Municipal pequem pela qualidade, a oferecida pelo Marquinhos está em outro patamar.

Para que meu prezado leitor não tenha uma indigestão, paro por aqui. Mas volto numa próxima oportunidade, porque há mais coisas a revelar.

ÀS VEZES DÁ GOSTO VIVER

Dia desses, andando pela praça de Miracema, vi uma carrocinha de pipoca adormecendo pela manhã, abandonada.

Naturalmente deve ter tido muito trabalho na noite anterior e teria outro tanto mais tarde. Porém, naquele instante, ela estava melancolicamente encostada a uma árvore, com corrente de proteção fechada a cadeado. Até mesmo em Miracema, não se pode deixar um bem assim dando sopa.

E, ainda que ela não exalasse aquele típico cheiro de pipoca quentinha, minha memória tratou logo de reproduzi-lo e, num passe de mágica, voltei à infância e às coisas que me davam prazer.

De repente, descobri, como num filme projetado aceleradamente, que, durante toda a nossa vida, temos esses dados gustativos a nos marcar de uma forma indelével.

Por vezes é mais fácil lembrar-se de um prazer do paladar do que de outro sentido. A visão, tenho a impressão, é um pouco mais efêmera que o paladar. O olfato, ainda mais que esses dois; e deve estar ao par com a audição. E o tato, coitado, praticamente não tem memória.

E consegui construir um catálogo rápido, na memória, durante a travessia da praça, das coisas que me marcaram pela boca, desde a infância na vilazinha natal.

Então comecei pela mironga da dona Mocinha, da padaria do seu Chico Furtado, já referida por mim na crônica Vou comprar uma mironga na padaria do Chico Furtado. E emendei com o pé de moleque de açúcar batido que minha mãe fazia, para reforçar o faturamento da pequena venda de meu pai. Em seguida, veio-me certo bife acebolado com molho ferrugem, que minha tia Alda fez numa tarde, para lancharmos na Vala, antes de voltar a Carabuçu. Eu e Zé Fábio, filho dela. É só me concentrar um pouquinho, para sentir novamente aquele sabor.

E um prato das artes de minha outra tia, a Toninha, hoje conhecido como bolo de batata com carne moída, mas que, na época, ela chamou de cuscuz – não sei por quê. Era outra delícia, que sempre pedíamos repetir.

Um tempo depois, da dureza do primeiro ano ginasial em regime de internato, no Colégio Bittencourt, em Campos, ficou o ajantarado de domingo, refeição com certo gosto de pompa, oferecida pela escola como a única do dia. Havia um arroz de forno inesquecível. E nem devia ser tão bom assim. Afinal, era comida de escola! Mas vai explicar isso para o apetite de um menino de treze anos, com a voracidade dos nascidos logo após a Segunda Guerra.

Por essa época, também, houve o robalo recheado preparado na casa do primo Edalmo, que morava em Campos, em comemoração ao batizado de seu filho Carlos Augusto. Jamais comi um peixe assado, recheado, como aquele.

Já um pouco mais galalau, de volta a Bom Jesus, vez em quando filava a sopa pedaçuda que tia Colola fazia para o jantar, na época de frio. Era tão saborosa quanto quente, e tínhamos tanta pressa de ir para o curso noturno, que eu e Zé Fábio colocávamos duas pedras de gelo no meio do prato. Tal técnica garantia não chegarmos atrasados ao Colégio Coronel Antônio Honório.

Já morando em Niterói, numa viagem a Minas, paramos em Sete Lagoas para almoçar em restaurante localizado à beira de um lago – era 1974. Após feijão tropeiro, lombo e carré de porco, torresmo, linguiça assada, couve à mineira, tutu, arroz molhadinho, fomos até à cozinha dar um abraço na cozinheira, que ficou toda vaidosa por ter agradado aqueles “cariocas” com sua comida tradicional.

Já casado, na volta da viagem de lua de mel meio alternativa, pelos países do Cone Sul – denominação que ainda não existia –, em 1976, depois de trinta dias sem a culinária brasileira, adiamos a viagem de volta em Foz do Iguaçu só para comer arroz com feijão. E foi uma experiência restauradora das nossas raízes. Como o feijão nos fizera falta!

Em 2003, numa viagem com o casal de amigos Rogério Fernandes e Laura Dutra, restou inesquecível o prazer do polvo grelhado com batatas ao murro, durante o jantar no Restaurante Adega do Morgadito, em Torres Vedras, Portugal. Convocamos o cozinheiro ao salão, para agradecer-lhe pelo prato.

Restaurante Adega do Morgadito (em onossoutroprazer.blogspot.com).

Há poucos anos, a quitanda metida a besta Hortifruti andou promovendo degustações harmonizadas de comidas típicas e vinhos de países produtores. E não me esqueço jamais do gosto maravilhoso do toucinho do céu – doce português de nome esquisito – com vinho do Porto. Até hoje, foi o doce mais saboroso que já comi.

Mais recentemente – e com certa frequência –, reúno-me com os amigos Rogério Barbosa e Eduardo Campos para degustar o maravilhoso bacalhau à lagareiro do Restaurante Alentejano, na Rua São José, no Centro do Rio de Janeiro.

E ainda há a cabritada à napolitana de minha irmã Elizabeth; a inusitada salada quente com batatas cozidas, tomate, ovo cozido, alface e molho refogado de cebola de minha mãe; o refogado de jiló com quiabo de minha sogra; o arroz com frutos do mar de minha mulher e a poderosa feijoada que eu mesmo faço, sem a mínima falsa modéstia.

O mal não é o que entra na boca do homem. É aquele maldito dente que dói só à noite e nos fins de semana.

Até a próxima.

DO DIREITO AO PITACO IV

1. Não bastasse a música chinfrim da banda Rebelde, seu show ainda acabou em confusão em Bauru, na noite de sábado. Além de corromper o gosto musical dos adolescentes, participar do evento ainda coloca em risco a segurança da galera. Assim ninguém aguenta. É mais uma preocupação para os pais da garotada.

2. Choveu forte novamente na Serra Fluminense, principalmente em Teresópolis, onde houve cinco mortes por soterramento. O que aconteceu até agora com os canalhas que desviaram verbas e doações da população, para socorro às vítimas da catástrofe de 2011? Onde estarão esses criminosos agora, enquanto parentes e amigos levam seus entes queridos para o cemitério?

3. O nível de violência em Niterói chegou às raias do absurdo. A antiga cidade tranquila (Até certo ponto, é bom que se diga!) está agora transformada num campo de batalha, em que o cidadão é a vítima e o bandido é o algoz. Mata-se sem cerimônia. E a população está acuada, com medo de sair às ruas, embora não possa deixar de fazê-lo. Até quando as autoridades assistirão ao massacre do morador da cidade, sem tomar uma atitude eficaz?

4. A decisão do STJ que não reconheceu o crime de estupro em três meninas para um acusado, sob a alegação de que elas já praticariam sexo há algum tempo, deixou estarrecida a opinião pública nacional e internacional. Não entendo as leis do país. Li a notícia com as alegações que orientaram a decisão daquele tribunal. Porém a decisão, ainda que juridicamente correta – a tal observância à letra da lei e à prova dos autos –, causa um mal-estar terrível.

5. A Gabriela, personagem de Jorge Amado, a ser recriada na novela por Juliana Paes, é competente em culinária – acarajés, abarás, pamonhas e tapiocas –, conforme conta a Folha online. É algo inverossímil. Há cerca vinte anos ou mais, tivemos uma assessora para assuntos domésticos oriunda de Pernambuco. Quando soube disso, fiquei todo esperançoso em adicionar à minha dieta alguns pratos nordestinos. Então lhe perguntei se sabia fazer galinha de cabidela. E ela: não! Então, buchada de bode? E ela: não! Sarapatel? E ela: também não! Descobri, depois, que ela era tão pobre lá – como a Gabriela –, que quase não tinha o que comer, quanto mais saber como fazer algum prato. Como Gabriela é ficção, pode ser cozinheira de mão cheia e, além disso, bonita e gostosa como Juliana Paes.

Juliana Paes "enfeada", para o início da novela Gabriela (em folha.com.br).

6. A Prefeitura de Niterói resolveu contra-atacar através dos meios de comunicação, com propaganda, a onda de rejeição que o prefeito Jorge Roberto Silveira angariou neste seu mandato. Seu prestígio desceu com o Morro do Bumba, na tragédia de abril de 2010, e jamais foi recuperado, ainda que obras no local tenham sido realizadas. A lentidão em atender as demandas da cidade é o que se vê, quando se anda por aí. Na propaganda, está tudo muito bonito. O problema é que isto não é percebido.

7. O Botafogo jogou, ganhou, mas não deu tranquilidade à torcida. A defesa estava doidinha para entregar o ouro: fez um pênalti (na verdade, não existiu!), andou entregando o jogo (o gol do Friburguense foi demérito nosso) e estava mais confusa que enredo de escola de samba. Assim que Herrera entrou no lugar de Loco Abreu, aos 18min do segundo tempo, meu amigo Zatonio Lahud, botafoguense lúcido e equilibrado, me ligou para reclamar (é sempre assim) e o argentino fez dois gols. Já estamos combinados (um pouco de superstição na faz mal a botafoguense nenhum): ele sempre me ligará, tão logo o Herrera entre. É tiro e queda: o gringo faz, no mínimo, um!

QUEM NÃO PODE COM MANDINGA NÃO CARREGA PATUÁ

Já pensei em doar para a ciência, tão logo desapeie deste corpo físico que me pertence, o meu paladar. Ele é digno de estudo.

Costumo dizer que eu sou um, meu paladar é outro. Somos duas pessoas habitando um só corpo: a consciência e o paladar. Este, reconheço, soa às vezes estranho para um bom número de outras pessoas que convivem comigo. Mas me proporciona grande conforto por onde quer que eu vá. Nada há que eu não coma!

Para princípio de conversa, não conheci ainda o que desagradasse meu paladar. Até coisas que, de início, causaram estranheza, com insistência, passaram a fazer parte do rol daquilo que como. Neste ponto, acho que encarnei espírito antigo de chinês: andou, voou, rastejou, nadou ou estacionou em hortas e pomares, eu como.

Mas, sobretudo, tenho umas preferências que, ao juízo alheio, são estranhas. Por exemplo: pimenta malagueta. Mas tem de ser da forte. Molho de pimenta industrializado, só como último e único recurso. Mais um: café forte natural, sem açúcar e sem gotinhas. Laranjas, tenho preferência pelas de paladar doce-amargo, com alguma acidez, tipo baía. E um cheio de controvérsias: jiló. Troco qualquer comida por jiló. Cozido, frito, cru, só ou acompanhado de qualquer coisa.

Anteontem pela manhã, minha mulher chamou por mim, para que visse no programa Mais Você um mineiro apresentar receita de bolinho de jiló.

Postei-me diante da televisão para apreciar, com os olhos, a iguaria do rapaz, dono de um bar em Belo Horizonte. Ana Maria Braga leu a receita, em que o jiló seja talvez a menor parte. Além de todos os outros ingredientes, o cozinheiro destacou que o orégão e o espinafre entravam na composição, com a finalidade de abrandar o paladar do jiló.

Já não gostei! Quem aprecia jiló gosta do gosto amargo, forte (Que, na verdade, nem é tão amargo assim. Chicória é muito mais é não sofre o preconceito do jiló!). Por isso é que não achei a mínima graça em doce de jiló. Parece tudo, menos o fruto do jiloeiro.

Lembro-me de uma senhorinha que estava junto ao balcão de uma padaria de Icaraí, em Niterói, e pediu uma empada de camarão com pimenta. Eu sempre vou a essa padaria, justamente para comer da tal empada. Então, por prudência, avisei a ela que a empada tinha muita pimenta. Ela, da altura de toda a sua idade, me disse:

– Mas é assim mesmo que eu gosto. Pimenta tem de arder, caso contrário não presta.

E lhe dei total apoio. Quem gosta de pimenta tem de segurar o repuxo. Quem gosta de jiló aprecia o paladar. Assim, não me venham com essa falsa boa intenção de abrandar a ardência ou o amargo, de uma e de outro.

Certa vez, resolvi fazer uma feijoada para meus colegas de trabalho. Antes procedi a uma pesquisa entre os convidados, para saber se todos gostavam de feijoada. Uma das colegas me disse que gostava sim, mas só com paio e linguiça. Então lhe disse brincando que ela não gostava de feijoada; mas sim, de feijão com linguiça e paio.

Voltando ao programa da Globo, tão logo a apresentadora, que também dissera não gostar de jiló, provou e aprovou o bolinho, minha mulher ficou toda desejosa de ir a Belo Horizonte só para experimentar a iguaria. Já eu, peguei birra.

Comigo é assim: quem não pode com mandinga não carrega patuá.

(A imagem abaixo foi colhida em pt.wikipedia.com.)

SEGUNDA-FEIRA COMO OUTRA QUALQUER

Hoje não amanheci com muita disposição para escrever nada.

Às vezes isto ocorre.

Mas, sobretudo hoje, depois do jogo de ontem entre Botafogo e Vasco, fiquei triste, acabrunhado, macambúzio. Coisas desta natureza, mais ou menos por aí.

É que ontem havia comprado no mercado um pacote de bacalhau gadus morhua, bonito, lombo de dois a três dedos de espessura, sem levar em conta o jogo da noite contra o time de São Janu. Então examinava a mercadoria com certos olhos cobiçosos e já imaginava o prato saboroso que iria fazer com o bacalhau na Semana Santa, como é da nossa tradição.

Até aí estava inocentemente comprando um bacalhau. Mesmo eu sendo botafoguense de três gerações: meu saudoso avô Chico Albino, meu querido pai com seus noventa e quatro anos e eu, com meus sessenta e tais (A coisa segue para meu filho e meus netos). Enfim, ali eu não era o botafoguense. Era apenas um apreciador do peixe.

Então olhava, girava o pacote para examinar de um e outro lado, sentia a consistência da carne, cheirei para conferir a qualidade, e achei tudo muito bom, tudo muito bem.

E olhem que, até então, eu estava fazendo tudo isso inocentemente.

Trouxe o pacote com cerca de dois quilos para casa, mostrei-o à minha mulher vascaína, que gostou da peça e logo foi dizendo como iria fazê-lo:

– Vou fazer aquela mousse de bacalhau de que todos gostam! – disse entusiasmada.

E reparem que ela também não havia atentado para que, daí a algumas horas, a bola iria rolar no Engenhão.

Resolvi guardar o bacalhau bem embrulhado, para que não cheire, na geladeira e saímos para almoçar num restaurante, acompanhados de meu sobrinho-neto, também botafoguense, já referido por mim em postagem anterior.

Mas alguma coisa me levava por onde não atentava e acabei comendo um lombo de bacalhau assado, com molho de ervas finas, cebola, alcaparra, alho frito, tudo mergulhado num espesso azeite extravirgem. Confesso que estava muito bom.

Porém até aí eu, minha mulher e meu sobrinho continuávamos inocentes, sem prevenções de nenhuma espécie, deslembrados de bola rolando e coisa e tal.

Até que chegou a hora do jogo e fui entender por que razão o destino, a moira, o fatum, o que lá seja, me encaminharam desde cedo – desde a gôndola do supermercado, passando pelo almoço – até o fim da partida: traçamos um bacalhau com cabeça e tudo. Inclusive até contra a má intenção de um árbitro muito do suspeito, como comentei com o amigo Zatonio Lahud, botafoguense equilibrado como ele só (v. Interrogações).

Se desse tempo de dessalgar o que trouxe do supermercado, certamente estaria comendo novamente bacalhau no almoço desta segunda-feira. Que não é como outra qualquer em hipótese nenhuma!

Se você for botafoguense!

Dá-lhe, Fooooogo!

 

Imagem em fogaonet.wordpress.com.

A EXPERIÊNCIA DE COMER NO RESTAURANTE D. IRENE

Há alguns anos, minha colega de trabalho e amiga Carla Telles contou-me que estivera em Teresópolis com o marido, Mário André, para almoçar no Restaurante D. Irene. E recomendou vivamente o Frango à Kiev, carro-chefe do restaurante, como uma boa pedida. Informou também que, caso me dispusesse a ir até lá, deveria fazer reserva com antecedência e informar a escolha do prato.

Correram os anos sem que me passasse pela cabeça subir a serra daquela cidade, para comer no D. Irene, casa de tradição na cozinha russa. Mas a recomendação nunca se apagou de minha memória.

Agora, no entanto, por ocasião da passagem do aniversário de outra amiga, Rosa Helena, já referida por mim em outra postagem, minha mulher e eu fomos convidados a dividir com ela, seu namorido e também meu amigo Rogério Barbosa, suas filhas Luzia e Cecília e as amigas Zezé, também minha conterrânea, e Jandira, um almoço no D. Irene, no último sábado.

Então saltou-me às papilas gustativas a lembrança da recomendação de Carla Telles para o Frango à Kiev. Sem mesmo saber do que se tratava e sem consultar minha mulher, encomendei o prato e partimos, no sábado, para o restaurante à hora marcada.

O restaurante fica numa casa antiga, muito bonita, no bairro Bom Retiro. Recebidos por uma garçonete, fomos encaminhados a uma sala com uma grande mesa redonda, que acomodou confortavelmente os oito comensais.

Em primeiro lugar, deve-se dizer que não se trata simplesmente de um almoço, mas de um “banquete russo”, com a casa diz, já que há uma sequência de comes e bebes de tirar qualquer um de regimes e cuidados com a balança.

Basta dizer que, de início, são servidos de entrada cerca de doze a quinze bocadinhos – zakuskis –, cada uma mais interessante que o outro. Vou destacar apenas alguns: arenque marinado, caviar de berinjela, pasta de berinjela, queijo, ovo cozido recheado com atum, caviar com torradas, canapé de tomate, algumas pastas, carpaccio de salmão.

A mesa servida com as entradas - zakuskis - do restaurante D. Irene.

Para este início, foi servida uma dose supergelada de vodka produzida pelo próprio restaurante.

Passada esta fase, foi servida uma sopa de beterraba – borscht –, acompanhada de pasteizinhos de carne à moda russa – pirozhkis.

A seguir vieram as entradas quentes: blini, abobrinha com creme de queijo, suflê de berinjela e asinhas de frango gratinadas.

E a comilança não parou aí. Vieram, então, os pratos principais, escolhidos de véspera: Frango à Kiev, Varénique, Podjarka e Caquille*.

Para que tudo não ficasse sem o fecho tradicional, o pantagruélico almoço foi encerrado com sobremesa e café. Eu, particularmente, fiquei com uma generosa rodela de abacaxi, encimada por um raminho de hortelã.

Uma atitude muito simpática a se destacar foi o fato de o restaurante aceitar servir o vinho que Rosa Helena levou para nós, o tinto alentejano Paulo Laureano 2008 Reserve DOC, sem cobrar a taxa de rolha, como é comum aos estabelecimentos congêneres.

E o melhor: a conta, embora não tenha sido simplesinha, não foi exagerada para o prazer de que desfrutamos, a tal da boa relação custo-benefício.

Saímos de lá mais do que satisfeitos e nos dirigimos à pousada para um merecido descanso.

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*Se quiserem maiores informações sobre os pratos e o serviço, consultem o sítio eletrônico do restaurante em http://www.donairene.com.br/.

CERVEJA NA SERRA DE TERESÓPOLIS

Subimos a serra de Teresópolis, eu e Jane, na sexta-feira para comemorar o aniversário da amiga Rosa Helena, namorida do meu amigo de fé irmão camarada Rogério Barbosa.

A esbórnia estava marcada para o sábado, mas resolvemos antecipar, por conta de reportagem da revista Viagem do jornal O Globo, de alguns dias atrás, sobre um novo espaço na cidade para os amantes da cerveja.

Alertado por Rosa, fiz reserva, antecipadamente, para mim e minha mulher para a sexta-feira, às 19 horas.

Porém não estou aqui para falar de nossas peripécias pela serra teresopolitana. Estou para recomendar a ida a quem gosta de cerveja, chope e demais derivados para uma visita a este novo espaço, inaugurado em novembro do ano passado: a Vila St. Gallen, do grupo da Cervejaria Terezopópolis.

O complexo, formado por duas casas e mais alguns espaços menores, está localizado na Rua Augusto do Amaral Peixoto, 166, no Bairro Alto.

Para os apreciadores da cerveja há dois espaços principais: o Bierfest, coberto, e o Biergarten, aberto, com proteção de guarda-sóis junto às mesas.

No conjunto, há uma pequena capela com bancos, mas sem imagens, onde se pode sentar e ouvir canto gregoriano saindo dos alto-falantes do teto. Há loja para venda de vários tipos de canecas e taças e também de cervejas da Terezópolis. Um café, uma boutique de roupas femininas e um quiosque da Fazenda Genève, com queijos, pastas, conservas, doces, sucos e outras guloseimas.

O acesso a qualquer dos dois espaços é controlado por recepcionista, que guia os clientes até a mesa. Os garçons são atenciosos e gentis e o atendimento é rápido.

Há dois cardápios com apresentação bem diferente: o de bebidas – chopes, cervejas (algumas importadas) e alguns tipos de drinques – é em forma de caneca de chope; o de comidinhas variadas é em forma de pato, ambos em tamanho grande. É um tanto engraçado consultar as ofertas, manipulando aqueles objetos grandes demais para a finalidade.

Bota de chope de um litro.

Atacamos, inicialmente, com uma ripa de degustação, composta por quatro copos de 150ml de diferentes tipos de chope: gold (tradicional), weissbier (de trigo), stout (escuro e encorpado) e um sazonal,um golden ale (de cor âmbar e sabor intenso). A garçonete que traz o pedido explica cada um deles, ordenados pelo teor alcoólico. Minha mulher e eu os experimentamos alternadamente para sentir os distintos sabores, odores e intensidades. Para acompanhar, pedimos um prato de minissalsichas cozidas, com dois tipos de mostarda.

A partir daí, Jane ficou com o tradicional, que vem em várias medidas e tem menor teor alcoólico, e eu recomecei com o stout encorpado e com ligeiro sabor de café e chocolate. Passei depois para um golden ale, ligeiramente frutado, e fechei com o chope de trigo. Esta fase foi acompanhada por macio filé aperitivo acebolado e farofinha de bacon.

No dia seguinte, após a chegada dos demais convivas para o aniversário de Rosa, comemorado com uma pantagruélica refeição no Restaurante Dona Irene (depois falo alguma coisa sobre), eu e minha mulher demos as boas referências do local: muito bonito, bem instalado, arquitetura interessante, atendimento de primeira. Resumimos dizendo que não parecia Brasil, não fosse a cortesia dos garçons e a nossa sonora língua portuguesa. Um lugar de cair o queixo, como se diz comumente.

E partimos todos de volta no sábado à noite, depois de um bom descanso pós-almoço, para uma reinação a oito, cada um com seu interesse, seu paladar, sua preferência. Acomodamo-nos, desta vez, no Biergarten, porque não conseguimos fazer reserva para a parte coberta, o Bierfest.

Então rolaram costelinha de porco, servida num pequeno balde, sopa de shitake, caldinho de feijão, uma massinha parecida com nhoque, mas de nome estranho que, no meio de tantas cervejas e chopes, ficou esquecido. Terminaram eles lá – tenho minhas limitações com açúcar – com dois strudels de maçã, flambados ao vivo, diante dos olhos de todos. Com certeza estavam muito bons, porque as sete colheres que se lançaram sobre os doces os destruíram em poucos minutos.

Ao final, depois de comprar queijos da Genève, taças e cervejas, Rosa Helena deu por muito bem comemorado seu aniversário e, assim, voltamos à pousada, porque também ninguém é de ferro!

Nessa altura, em pleno verão tropical, corria um friozinho que fez com que as mulheres cobrissem os braços.

Ah! quase ia-me esquecendo de dizer: a trilha sonora que rola no sistema de som é de primeira qualidade.

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Vila St. Gallen, Rua Augusto do Amaral Peixoto, 166, Bairro Alto, Teresópolis. Telefone: (21)2642-1575. É bom ligar para fazer reservas, sobretudo se for chegar após as 20h e se o grupo for grande.