O TURBANTE AFRICANO E A COR DA ESTAÇÃO

Há coisa de duas semanas, três no máximo, entrou na moda o tal turbante africano para cabeça de mulheres, que, imagino, não teriam muita coisa na cabeça e necessitam preenchê-la com esse troço. No dia seguinte ao ver tal notícia, fui almoçar no restaurante do clube ao lado do meu prédio e lá estava a Fátima Bernardes, com seu chato programa, e todas as mulheres com o maldito turbante na cabeça.

Acho o turbante um acessório étnico muito interessante nas africanas e descendentes, mas branquelas desbotadas com aquele bagulho – lá estava a bela Debora Secco, da minha mais alta admiração – ficam realmente risíveis.

E o mais interessante é que a apresentadora informou que já havia uma página na Internet para congraçar todas as seguidoras da moda.

Com toda sinceridade, nesses momentos fico lembrando o comentário que José Ramos Tinhorão fez do primeiro disco do Ave Sangria, grupo de rock pernambucano lá dos anos 70, que tinha o novato Robertinho do Recife como guitarrista: “Ah, uma enxada na mão desses caras!”. E arrematava sua observação, dizendo que o baterista estava muito longe do que seria o rock, estilo de sua mais alta ojeriza, parecendo mais um tocador de chacadum.

Outra coisa também hilária é o pessoal que se pretende ditador de moda estabelecer, a cada estação, a cor dominante. Que diabo é isso?! O verão, então, é a estação mais propícia a essas bobagens. Parece que o calor do sol amolece o pouco miolo que vai na cabeça de uns e outros, e somos submetidos a este tipo de inutilidade para a vida comum e normal. Um picolé do china, sob o sol, é muito mais adequado. Ou um copo de mate geladinho!

O pior, no entanto, é que um bando de gente vai atrás desses caras, achando que estão up to date, como se dizia há tempos.

Tinhorão, com sua metralhadora giratória, poderia muito bem repetir: “Ah, uma enxada na mão desses caras!”

Imagem em ricardodalai.blogspot.com.

O PAÍS ESTÁ NO ATOLEIRO!

Estou enganado ou o Brasil está virando um país de baderneiros, celerados, corruptos e bandidos de toda laia, que atuam acintosamente, sem medo nenhum da nossa lei pífia e de autoridades passivas?

Aqui não está um temor de esquerda, de direita ou de centro. Apenas a apreensão de um cidadão comum que, a cada dia, se espanta com os níveis da insurreição social e de corrupção generalizada que assolam o país de norte a sul.

O calendário não termina amanhã! O planeta não se destruirá por cataclismo no mês que vem! E que país queremos para o segundo semestre, para o próximo ano, para as futuras gerações? O que viveremos nós mesmos e o que legaremos a nossos filhos e netos?

Não desejo nenhum tipo de ditadura, de regime obscurantista e repressivo como solução para nossa severa crise atual. Não espero nenhum salvador da pátria, porque eles não existem. Mas há que se fazer alguma coisa imediatamente, a fim de que o tênue tecido social em que estamos enredados não se rompa definitivamente.

Todos temos o direito de sair de casa e de saber que voltamos. Vivos, sãos e felizes. Com os deveres cumpridos, mas com os direitos todos em dia, garantidos. Não podemos ficar à mercê de nenhum tipo de grupo que age contra o interesse maior da sociedade. Nenhum direito de grupos pode prevalecer sobre o direito da sociedade como um todo. Embora os direitos individuais e de grupos sociais constituam o direito maior do país. Há reivindicações justas. Mas baderna é outra coisa!

Em Pernambuco, durante a greve da polícia, o que se viu foi uma vergonhosa ação de parte da população transformada em saqueadores de ocasião, unicamente pela falta do cassetete. Que merda é essa, que parte de nós só não vira celerado se houver um policial a vigiar? Que tipo de cidadão é esse que vai para a barbárie tão facilmente, quando não sente a força bruta fungando no seu cangote? Só pela ausência da polícia, eu estou autorizado a invadir, depredar, roubar? Que tipo de ética é essa?

E as greves de parte dos motoristas de ônibus nas grandes cidades, como em São Paulo agora? Quem lhes disse que eles podem transformar a vida de milhões de pessoas num inferno e levar a cidade para o caos?

Por que grupos de cinquenta, cem, duzentas pessoas fecham estradas, avenidas, ruas, impedindo o trânsito de bens e pessoas, como se bloqueassem um corredor de suas casas à passagem de animais domésticos?

Nunca reclamei aqui, mas já fiquei parado na BR-040, próximo a Juiz de Fora, durante quase uma hora, porque cerca de oitenta-cem pessoas se manifestavam pela aprovação da PEC número tal, anunciada em faixas, mas que não sei do que se tratava. E imagino que a maioria esmagadora dos que por ali transitavam também não sabia. E eles, os manifestantes soberanos, nos deixaram passar, um a um, num funil estreito da pista, à medida que lhes dava na telha. E imediatamente me tornei um ferrenho opositor àquela maldita PEC, cujo conteúdo até hoje desconheço.

Tenho a impressão de que nada disto é político, ideológico, no sentido básico por que se entendem tais conceitos. Tenho a triste impressão de que isso revela o ponto de degradação a que estamos chegando na escala do conceito civilização em nossa sociedade.

Imagem em metafisicaportal.blogspot.com.

O TREM TÁ FEIO, MAS AINDA HÁ SALVAÇÃO!

1. MÉDICOS FAZEM GREVE PARA EXIGIR MELHORIAS NA SAÚDE – O governo, para atender aos grevistas, enviou uma carga de complexos vitamínicos e antipiréticos.

2. TIÃO VIANA DECRETA SITUAÇÃO DE CALAMIDADE PÚBLICA NO ACRE – Até que enfim! O Acre já está em calamidade pública há muito; bem antes do transbordamento dos rios que cortam o estado.

3. MORADORES DE CIDADE DE GOIÁS FECHAM A BR-040 EM MANIFESTAÇÃO CONTRA A GREVE DE RODOVIÁRIOS – Em Aparecida de Goiás, um grupo fechou a rodovia. Já que os rodoviários estão em greve, ali também ninguém passa. Nunca vi disso, mas o Brasil é um país surpreendente.

4. UM DEPUTADO CHAMADO ANDRÉ – O deputado André Vargas, que está no olho do furacão, já providenciou um colírio analgésico para o furacão: pediu licença para tratar de assuntos particulares. Quando, na cerimônia da Câmara, ele fez o gesto de Genoíno e Zé Dirceu ao serem presos, já antecipava o que lhe pode acontecer. Seus cumpinchas, aliás, correligionários, acham que sua situação é pior que o daqueles dois. Ele vai fugir, gente! Já deve ter muito dinheiro no exterior. Segurem o homem!

5. O SENADOR GIM ARGELLO (PTB-DF) É INDICADO A OCUPAR UMA VAGA NO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO – O TCU, não importa sua composição, será sempre suspeito de votar com o governo. Mas indicar o senador PINGA COM GELO, que tem contra si nove processos, já é, como dizíamos na terrinha, meio muito, né não? É aquela história de confiar o galinheiro à raposa, a chave do cofre ao ladrão, ou o TCU a político. Dá tudo no mesmo!

6. A PACIFICAÇÃO NA MARÉ CONTINUA NA BASE DA PORRADA, DO TIRO E DA VIOLÊNCIA. – Nada a comentar!

7. NOVO TREMOR DE TERRA EM MONTES CLAROS-MG – Montes Claros não para com essa mania de querer aparecer na mídia. É mineira, mas não trabalha em silêncio. Gosta muito de aparecer. Eh, Montes Claros!

8. FELIPÃO DIZ QUE VAI LIBERAR O “SEXO NORMAL” DURANTE A COPA DO MUNDO – Aí! atenção, donas de casa! O pau vai cantar durante a Copa. Não sabia que o poder do Felipão chegasse a tanto: técnico de sexo normal. Aliás, o que seria sexo normal: papai-mamãe, são pedro-são paulo, frango assado? Que horror!

9. HUNGARO SEM ACENTO ELOGIA JORGE WAGNER – O mundo está mesmo perdido! E nós botafoguenses seguimos com cara de tacho. Jorge Wagner conseguiu alguém que o elogie. Será que deu parte do salário que não recebe ao técnico? Tenho cá minhas dúvidas!

10. EMPRESÁRIO DE JOGADOR DO FLAMENGO É PRESO POR TRÁFICO INTERNACIONAL – Droga é droga, não importa o time em que jogue, mesmo sendo o Urubu! Isso não lhe dá garantias de que seja coisa limpa. Ou será exatamente por isso? Nunca se sabe! Por isso é que o empresário acabou preso: traficando droga, naturalmente. Hahaha!

 

Irmãos Metralha, criação Walt Disney.

O PROFETA

Cada tempo, cada terra, cada povo têm o profeta que merecem.

Aqui, com todas as nossas vicissitudes, temos o Marcos Feliciano profetizando. É o que nos sobra.

É, como dizíamos em Carabuçu, meio muito! Marcos Feliciano, o deputado federal evangélico, também é profeta. E profetiza catástrofes escatológicas: está prevendo o fim dos terreiros de santo, que ele chama de macumba, e o sepultamento de todos os pais de santo do país. E, eu diria, quiçá da Bahia.

Claro que essa profecia há de acontecer um dia, a se dar ouvido a todas as previsões catastrofistas que pululam mundo afora. Por exemplo, em 21/12/2012, às 21 horas, o mundo acabou, conforme previram os sábios maias. O que vivemos agora é pura ilusão virtual, alguma coisa projetada pelo Demo para nos iludir.

Contudo a profecia desse profeta do absurdo soa muito mais como intolerância religiosa, como ódio religioso.

Não sei os deuses de todas as religiões, mas seus seguidores aqui em baixo são pessoas que, comumente, pregam o extermínio dos infiéis. E isso desde que o mundo é mundo, desde que apareceu o primeiro deus. Se bem que, na religião hinduísta, eles se digladiem o tempo todo. Ou pelo menos já se digladiaram, como ocorria nas mitologias antigas, tipo grega e romana. Eles mesmos, os deuses, metiam ferros uns nos outros, como nós humanos fazemos aqui embaixo, replicando seus comportamentos.

O infeliz do Feliciano apenas repete a mesma coisa. Só que, atualmente, nosso Estado que se pretende laico entende que tal postura é tida como crime. Então, ferro nele também. Meta-se-lhe o rigor da lei, a despeito de sua carapaça de deputado federal e não se fala mais nisso!

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PS: Não tenho religião nenhuma, mas defendo o direito de cada um ter a sua e exercê-la com liberdade e respeito a todas as demais.

Cartum de Glauco (em momentodereflexao.blogspot.com).

O REI COME CARNE

 

O rei Roberto Carlos, primeiro e único, virou carnívoro novamente. Nem sabia que ele fosse herbívoro. Em princípio, o ser humano é onívoro, com as famosas exceções. Dizem que isto se deu por conta de investimentos em gado de corte, o que o levou a emprestar seu sorriso envernizado para a propaganda da Friboi. Aí o boi tá frito! Se é o rei que diz que o está comendo presentemente, nada mais há a se fazer. O Toni Ramos, peludo primeiro e único, ficou sorumbático ao lado da foto do rei com um belo corte de boi suculentamente ao ponto. É bem verdade que o filmete de propaganda parou aí e não vimos os dentes do Roberto mastigarem a carne. Por isso acho precipitadas todas as ofensas que lhe foram ditas pelos vegetarianos de plantão.

Aliás, vamos ser sinceros: andamos brigando até pelo modo que cada um tem de comer. Estamos ficando chatos. Eu, por exemplo, que sigo o rito humano natural não ponho reparo em quem só coma folha. Cada um sabe de si. E me deixem comer em paz!

Esta é a razão por que não tenho nada contra o Roberto comer carne, bem como comer couve, ovo ou camarão. Como o passarinho que come pimenta, cada um sabe o fiofó que tem e come o que lhe apraz. Qualquer coisa que comamos, estaremos comendo um ser vivo, animal ou vegetal. O resto é conversa para boi e couve dormirem.

Agora que ficou esquisito pra caramba a propaganda, ah!, isso ficou! O Roberto é o cara mais sem graça do show business nacional. Está na mídia há mais de não se quantos anos (Sei, mas não vou dizer aqui para não ser processado.) e continua com aquele sorrisinho idiota nos cantos daquela boca cheia de dentes. Só tem opinião formada sobre o que rende direitos autorais e, nas entrevistas, não demonstra ter nenhuma ideia interessante. Assim ficou um garoto propaganda canhestro, mal-ajambrado, fora do figurino.

Coitado do boi da Friboi, merecia coisa melhor. Azar o dele!

Rango, de Edgar Vasques (em zonabranca.blog.uol.com.br).

VOCÊ SABE O QUE É CALABAZA?

Comendo e aprendendo.

Acho que o portenho é o povo que mais come calabaza no mundo. Nem o nordestino, que é chegado a um jerimum com carne-de-sol, vi comer tanta calabaza.

Aqui em Buenos Aires a calabaza é a rainha da cocada preta. Come-se a boa carne argentina com calabaza. Eu mesmo comi. Há tortilhas de calabaza. Recheiam-se quiches com calabaza. Vi, em vitrines de sanduíches, alguns deles montados com calabaza saindo pelas beiradas.

E, o mais interessante, normalmente amassada, em forma de purê.

O argentino – pelo menos o portenho – é chegado a um purê de abóbora, a um quibebe. Embora coma jerimum de outros modos.

Calabaza é abóbora em espanhol. Morreria de fome sem saber disso, se não tivesse vindo a Buenos Aires, para tomar conta de neto. O qual, diga-se de passagem, também é bem chegado a uma calabaza.

Vai ver Francisco tem alguma coisa de argentino, como o Papa.

Eu mesmo não viajaria tantas milhas para comer jerimum. Se me convidassem, declinaria do convite. Diferentemente de se ir comer ova de esturjão em algum botequim próximo ao Mar Cáspio.

 

Aí está a prova: calabaza con matambre (em tendenciosaweb.blogspot.com).

BUENOS AIRES NÃO É MAIS A MESMA

Tirante as novidades, Buenos Aires continua sendo aquela cidade mais europeia fora da Europa. A sua arquitetura, suas ruas e avenidas largas são marcas registradas. Dá até uma inveja danada, se pensarmos na maioria das cidades brasileiras. E o que há de parques, jardins e escolas por aqui! Algumas destas últimas invadidas por estudantes que protestam e fazem parrilha diante de suas escadarias, como pudemos ver na Avenida Córdoba.
Já brinquei algumas vezes, dizendo que o que prejudicava Baires era o excesso de argentinos. Pois quero retirar o que disse, quero retratar-me sem embargos declaratórios e infringentes: o tratamento que estamos recebendo aqui não tem nada a ver com aquele de janeiro de 1976. Houve uma mudança escandalosa. E para melhor! Mas dá até para entender, se pensarmos na época e em todos os desdobramentos por que passou o povo.
Aquela antiga soberba não a encontrei mais. Diferentemente, o portenho tem-se mostrado simpático e solícito, com raríssimas exceções. Até conversei sobre futebol agradavelmente com um orgulhoso torcedor do San Lorenzo.
Contudo as calçadas do bairro onde estamos não estão bem conservadas: várias com depressão, com defeitos no piso, com entulhos, o que dificulta o deslocamento, sobretudo, de idoso, deficientes e mães com carrinhos de bebê. Ou avós, como é o meu caso e o da Jane.

Também os preços não estão nada bons para os padrões brasileiros. Não sei para os próprios habitantes o estão. Quando, da outra vez em que aqui estive, um jovem me perguntou sobre o valor de um prato de bife com fritas e se espantou com os valores brasileiros de então. Hoje está justamente o contrário: espantamo-nos com os preços daqui. Roupas e calçados, então…

Apesar de tudo isso, a cidade continua portentosa em seu urbanismo. Andamos por muitos lugares, ruas e avenidas e não percebemos a crise de que eles reclamam: os cafés, restaurantes e lojas andam cheios.

Floralis genérica, escultura doada à cidade de Buenos Aires pelo arquiteto Eduardo Catalano (foto do autor).
Floralis genérica, escultura doada à cidade de Buenos Aires pelo arquiteto Eduardo Catalano (foto do autor).