ACHO QUE O TROÇO NÃO É SÉRIO

Disse em postagem anterior, em 7/4 (Educação: Será que desta vez vai?), da boa impressão que causou a Presidente Dilma, em seu pronunciamento em rede nacional, em favor da Educação, acentuando os propósitos de seu governo em promover um choque de qualidade em nosso ensino. Na fala, destacava inclusive a melhoria dos salários dos professores como um dos pilares.

Pois muito bem!

Na quinta-feira passada, dia cinco, deparo-me com manifestação diante do Palácio Tiradentes, realizada por professores da rede federal, sobretudo do Colégio de Aplicação da UFRJ, em greve, através da qual davam a conhecer aos passantes a verdadeira situação do ensino.

Segundo a oradora que ouvi, 60% dos professores do CAP são contratados temporários, por, no máximo dois anos improrrogáveis, o que leva a uma renovação do quadro docente periodicamente, com graves reflexos no plano pedagógico.

Denunciava, ainda mais, o não pagamento dos salários desses professores desde o mês de fevereiro. Imagino eu que salários inclusive menores que os dos professores efetivos.

Senti-me como a velhinha de Taubaté, criação do grande Luís Fernando Veríssimo. Eu acreditei na Dilma e tenho minha boa fé desmascarada vergonhosamente um mês depois.

Os governos vivem de marketing e este não é diferente. O discurso não condiz com a prática, mas ficou a impressão, pelo discurso da Presidente, que desta vez seria diferente.

Acho que não será!

E A ABL, HEM?!

Machado de Assis, certamente, estará dando cambalhotas no túmulo. Nunca vi coisa mais estapafúrdia do que a concessão da medalha de seu nome a Ronaldinho Gaúcho. A ABL se perde por seus próprios deméritos. E, lembrem-se, ela sempre negou vaga a um gaúcho muito mais importante em termos literários: Mário Quintana.
O que é que o marquetingue não faz?!

EDUCAÇÃO: SERÁ QUE DESTA VEZ VAI?

Vamos combinar uma coisa: nenhum país sairá do estágio de subdesenvolvimento ou de emergente senão pela Educação. Isso é coisa mais que sabida, mais que comprovada pela história dos países que hoje têm status de desenvolvidos.

Darcy Ribeiro (em unipli.com.br).

O grande Darcy Ribeiro, em seu livro A universidade necessária (1969), demonstra cabalmente isso, ao fazer um estudo comparativo de países com tal status. Todos eles, em algum momento de sua história, resolveram investir maciçamente na Educação.

Há algum tempo, o embaixador da Coreia do Sul no Brasil, inquirido sobre o que teria alavancado o desenvolvimento de seu país, disse que, tempos atrás, o governo coreano tomou tal tarefa como prioritária e, ao procurar qual a riqueza de que o país dispunha, constatou que tal riqueza era seu povo. Investiu no povo, em sua educação, e hoje a Coreia do Sul é reconhecida internacionalmente por seu desenvolvimento.

Agora o governo brasileiro, através da presidente Dilma, manifesta disposição de investir em Educação, em valorizar o professor. Tal iniciativa, apesar de extremamente louvável, já vem atrasada em muitos anos.

“Descobriram”, finalmente, a necessidade de escolas em horário integral, em educação integral, o que foi bandeira de lutas e programa de governo de Leonel Brizola.

A Escola é a instituição democrática por excelência, sobretudo a de caráter público, já que nela a sociedade tem oportunidade de aparar diferenças e integrar socialmente jovens de origens, religiões e condições sócioeconômicas distintas, a par de educar e capacitá-los para os desafios futuros.

Esperemos que, de uma vez por todas, esta disposição se converta em ações concretas, para que daqui a alguns anos o Brasil possa ser, efetivamente, um país desenvolvido em todos os seus aspectos, sobretudo no social.