RECEIO

Como botafoguense
Estou com muito receio de ser excomungado
Batemos corimba
Arriamos despachos
Matamos um galo
Para vencer o San Lorenzo de Almagro
O time do Papa
Só espero que o Sumo Pontífice
Não fique chateado
E com a humildade que o cargo exige
Abra seu coração argentino
Para os gols que metemos
Felizes sorrindo
Mas com o respeito devido

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O GIGANTE VOLTOU

A paixão por um time de futebol é inexplicável, do ponto de vista da paixão. Ela própria, por si só, inexplicável. Por que gostamos tanto de um time? Por que o Botafogo tanto me emociona? Sei que há milhares de outros times que emocionam outros tantos milhões de torcedores. E isto é uma coisa humanamente inconcebível, inexplicável. Alguns até poderão justificar por algum fato, como o português seu Alfredo, já falecido, pai do meu amigo Paulinho das Barcas, este mesmo tricolor. Disse-me ele certa vez que, tendo chegado ao Brasil ainda jovem, foi levado por um tio para uma partida entre Vasco e Botafogo no Maracanã. O intuito do tio era duplo: que ele conhecesse o maior do mundo e que se agarrasse à galeota vascaína de tradições lusitanas. Saiu de lá encantado com Garrincha e disse para seu tio: Vou torcer para o Botafogo por causa do Garrincha. E morreu – há cerca de dez anos – botafoguense dos quatro costados e mais o alambrado e as videiras e os montes que estavam em sua alma lusitana.

Eu tenho o Botafogo como herança familiar: meu avô e meu pai eram também botafoguenses. E não tenho memória de quando isso começou em mim. Eu já nasci predestinado geneticamente. E tenho hoje idade que me autoriza a dizer que vi o Botafogo gigante do futebol. Um time que teve Nilton Santos, Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha, Manga, Paulo Valentim, Marinho Chagas, Jairzinho, Roberto, Zagalo, Paulo César Caju, Rogério, dentre tantos outros, fez história no futebol brasileiro e mundial.

Pois ontem, no Maracanã, assim que os jogadores entraram em campo, os torcedores do setor Sul fizeram um painel em preto e branco em que estava escrito O GIGANTE VOLTOU. Confesso que me emocionei, de súbito, porque me veio o Botafogo Glorioso e gigante dos tempos em que éramos a base da Seleção Brasileira.

Óbvio que o time atual não chega aos pés daquele ali lembrado pelo painel, mas isso significava um injeção de ânimo tanto no elenco, com alguns jovens talentos vindos da base, quanto na torcida que encheu o estádio. Fomos um pouquinho mais de cinquenta mil torcedores. O Maracanã já viu público alvinegro bem maior que esse – o dobro certamente –, porém o de ontem estava particularmente inspirado e não parou um instante de cantar e incentivar o time.

O jogo não seria lá essa dificuldade toda. O time equatoriano é bem limitado e se vale da altitude, ao jogar em casa. Mas na vargem, como dizemos lá na minha terrinha, as coisas ficam equânimes para ambos os lados e a lei da gravidade não entra para sustentar quem tem um futebol pífio, sem inspiração e com técnica apenas mediana. Claro que não jogamos essa maravilha toda. Sobretudo no primeiro tempo, em que o nervosismo de alguns dos nossos atletas estava aparente, pela necessidade que tínhamos de impor nosso jogo, para fazer o placar que nos fosse favorável. Porém, no segundo tempo, já arrombada a meta adversária com o primeiro dos três gols de Wallyson, o serviço transcorreu de forma mais fácil, apesar do calor terrível daquela noite.

Evidentemente que este time não é gigante, como sugeriu o painel da torcida ontem. Mas tem de jogar com o peso da nossa tradição, da nossa história, do nome glorioso do Botafogo. E isto foi realizado!

 

Imagem em jocapereira.wordpress.com.
Imagem em jocapereira.wordpress.com.

SOCORRO, CADÊ O FUTEBOL?¹

Cada vez mais me convenço de que futebol é propriamente um tipo de estupefaciente – tal como cachaça, por exemplo, só que não deixa bafo e não é flagrado na Lei Seca.

Há quantos dias não temos a bola rolando no tapete verde, Brasil afora? Há quantos meses, senhor Deus da bola, o Botafogo não dá um pontapé na redonda, mesmo que seja para a linha de fundo? Tenho a impressão de que uma infinidade, um tempo astronômico sem fim. Ontem, no entanto, vi uma postagem do meu amigo Zatonio Lahud, no Facebook, com um vídeo em que se homenageia o Glorioso. Se lhes disser que uma furtiva lágrima, como diriam os poetas, assomou à porta dos meus olhos, não estaria fazendo versos. Ou, em minhas palavras: minou água nos meus olhos. Sou dado a isso, devo confessar. O próprio Botafogo já me produziu algumas lágrimas furtivas, alguns gotejamentos, ao longo da vida. Sempre, no entanto, de felicidades, pois, quando a derrota nos sufoca a garganta, o que vem é uma raiva danada. Assim só chorei – vá lá! – de alegrias alvinegras.

No entanto, contudo, entretanto, com o desfolhar do calendário, sinto incômodo por passar tantos dias sem ver futebol. Ao vivo, é bem verdade. Repeteco só presta se for de gols do meu time. O resto – todas as projeções, lucubrações, teorias e hipóteses – não me faz a mínima coceira. Ando até achando um tanto chato. Ontem também no Canal Brasil vi uma mesa redonda apenas por cinco minutos e julguei tudo uma grande bobagem, principalmente quando começaram a tecer conjecturas sobre os problemas de Felipão com a Seleção. Problemas ele terá se não conseguir ganhar em casa!

Mas também a Seleção não me dá arrepios, rictos, tremores ou frenesi quanto o Botafogo. Se o Brasil ganhar, bom! Se não ganhar, também estará bom. Certamente ganhará outro. Só com o Botafogo é que não admito isso, embora esteja cansado de engolir sapos. Mas isto também faz parte deste desvio de conduta que é torcer pelo alvinegro de General Severiano.

Estou pronto para o primeiro pontapé do Cariocão. E não venham me dizer que tal campeonato não vale nada. Quando intenso, até jogo de porrinha dá onda.

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ESSE CAMPEONATO BRASILEIRO ESTÁ ME DEIXANDO TONTO

Dormi no G4, de sábado para domingo, e hoje estou fora da Libertadores.

Hoje fiz um esforço danado para torcer pelo Flamengo contra o Grêmio. E outro tanto, pelo Internacional contra o Goiás. E foi tudo em vão! Foi como puxar bode pra dentro d’água, como meu querido pai sempre dizia, repetindo a sabedoria popular.

Você contar com o desempenho alheio é uma complicação. Contar com o próprio já não é tarefa fácil, quando o time é o Botafogo, que alterna ótimas atuações com partidas bisonhas, de um desinteresse só.

Aí me apeguei a São Judas Tadeu e não deu! Andei até alternando os canais da tevê para torcer por e contra os times gaúchos, já que lá no Rio Grande, durante noventa minutos fui colorado desde criancinha.

Os times vermelhos me deixaram colorados de vergonha.

Pode-se argumentar que o time carioca entrou com um misto frio, para enfrentar o vice-líder do Brasileirão, e não seria páreo para ele. Está o Flamengo guardando munição para a Copa do Brasil. Mas as coisas não funcionam muito bem assim. Uma partida de futebol é um universo temporal único, que independe muito do que venha antes ou depois dos comentários trepidantes. Você concentra o time, faz planejamento, mete a moçada num regime quase espartano, e vai lá o outro e lhe enfia alguns pepinos rede adentro. Vai-se o planejamento por água abaixo. Por isso me parece que não está nada garantido para o rubro-negro carioca, que enfrentará o rubro-negro paranaense na final da CdoB.

Mas como há coisas que só acontecem ao Botafogo, não me valeu de nada a torcida.

Aí fiquei com a segunda opção, a torcida verdadeira, essa que vai na alma de um botafoguense, que era para o time do Flamengo se lascar em vermelho e preto. E não deu outra.

Mas confesso que, assim que o Goiás fez o terceiro, voltei para o canal que transmitia Grêmio x Flamengo e vi o gol do João Paulo. Fiquei razoavelmente feliz, sem, contudo, esboçar nenhum sorriso a me comprometer.

Logo em seguida, entretanto, aquele uruguaio franzino, Maxi Rodriguez, fez o segundo dele e do Grêmio sobre o Urubu. E, já que estava na torcida – tanto para que o Flamengo vencesse, quanto para que ele perdesse –, fiquei satisfeito ao final da partida.

Meu coração torceu confortavelmente: queria ambos os resultados. Coisa difícil de acontecer em um único jogo de futebol. Mas penso que vascaínos e tricolores hão de me entender muito bem. Já meus amigos flamenguistas, a quem já peço perdão por essa infidelidade, devem estar urubus da vida. Ainda mais porque a zona está próxima e todo cuidado é pouco!

Por isso é que cheguei à conclusão de que nem mesmo a excelente tequila Herradura, que meu amigo gringo Kenneth me ofereceu sábado pelo thanksgiving, me deixou tão tonto quanto esse campeonato brasileiro me deixa.

Imagem em lancenet.com.

UM TREM DE CARGA PASSOU SOBRE MEU TIME

Fui ontem ao Maracanã e saí com a sensação de que um trem de carga tenha passado sobre meu time. Na ida e na volta.

O Botafogo não jogou absolutamente nada. Mas o Flamengo não estava nem aí para isso. Tirou nosso time para dançar e a dama não se fez presente. Aí deu no que deu. Foi o baile de um só parceiro.

Mas como sou um torcedor com certo nível de paixão e algum outro de razão, assim que Hernane, o maldito, fez o terceiro de cabeça, eu e meus amigos Zatonio, Silvia e Zé Sérgio houvemos por bem abandonar o local da carnificina, para que não respingasse sangue em nossas camisas.

Dentro de campo, um time apático de um lado e, do outro, um time decidido a ganhar a final do campeonato.

Há resultados em que a paixão não tem de dar pitaco. 4×0 é um deles. É um chocolate, um vareio, um sapeca-iaiá. Injustificável mesmo para um apaixonado. É o equivalente ao batom na cueca, na relação amorosa.

O time do Flamengo – e todos sabem disso, até o mais empedernido flamenguista – não é lá essas coisas tecnicamente. Contudo o que lhe possa faltar nesse aspecto sobra em garra e determinação. O que não ocorreu com o time do Botafogo, que, segundo alguns, é a cara de sensaboria do seu técnico OdeO. Em que pese o piripaque cardíaco de uns dias atrás, quando parecia demonstrar algum sentimento mais profundo pela profissão.

Fiquei até imaginando, ao ouvir do lado de fora do Maraca o urro da torcida pelo quarto gol – sem meu testemunho ocular –, que o Osvaldinho estivesse sendo carregado numa maca, um desfibrilador já entrando em ação, diante da vergonha apresentada por seu time.

O Flamengo nos deu um passeio, mas o melhor de tudo é que a vida continua a mesma. Apesar de um desgraçado gosto de cabo de guarda-chuva na boca.

É bom que se reconheça, para o bem do esporte, o triunfo alheio por seus próprios méritos. Parabéns, flamenguistas!

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HOJE TEM JOGÃO NO MARACA

Pelas quartas de final da Copa do Brasil, hoje será o jogo da volta, como chamam os especialistas, entre Botafogo e Flamengo, no Maracanã.

Ouvi mais cedo, no rádio, que a torcida rubro-negra, indiscutivelmente muito maior que a nossa, já esgotou a parte que lhe cabe no latifúndio do estádio. Cabe à nossa tomar um pouco de vergonha na cara, de entusiasmo, e fazer a sua parte.

É até engraçada a nossa torcida: há muito o Botafogo não faz campanha tão boa em todos os campeonatos de que participa – fomos campeões cariocas nos dois turnos e estamos bem tanto no Brasileirão, quanto na Copa – e a torcida é aquele arremedo que mal suja as arquibancadas do ex-maior do mundo.

Estive em vários dos últimos jogos lá e, em todos eles, fiquei decepcionado com o fraco comparecimento.

Lembro-me, por exemplo, de quando pusemos cem mil torcedores pela final da mesma Copa, contra o Juventude, e desgraçadamente não fizemos um mísero gol que nos daria a taça.

Pensei, então, com meus botões que jamais conseguiríamos repetir o feito. Daí mais um tempo, fizemos a mesma coisa, se bem que compartilhando o estádio com o Flu.

Então torcida existe. Pode até não ter os milhões que alardeiam para o Flamengo e o Corinthians, mas somos milhões. Por que, então, não aparecerem uns trinta e cinco mil hoje?

Saia de casa, botafoguense, e vá ao Maraca apoiar o time. O elenco merece, o clube pelo qual você torce merece. E, principalmente, a campanha que este grupo está fazendo merece.

Ao Maraca, pô!

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ESTE É O BOTAFOGO QUE EU CONHEÇO

O Botafogo anda dando mais alegria à sua torcida que palhaço em circo de cavalinho, à meninada.

Ontem foi a Santos, para jogar no alçapão da Vila Belmiro, e parecia jogar em casa. Desconheceu a torcida contra, o momento de certa ascensão da equipe praiana, apesar da derrota contra o Flamengo no jogo anterior, no Maracanã. E quebrou um tabu – coisa tão cara à crônica esportiva – de doze anos sem vitória naquele acanhado estádio, que já viu dias gloriosos de Pelé e companheiros.

Em nenhum momento, no recesso do meu lar, aboletado em meu sofá, corri risco de enfartar. Vi o jogo com calma e paciência, achando que, a qualquer momento, poderíamos fazer nossos gols.

E é de se ressaltar, mesmo que eu leve uma espinafrada do amigo Zatonio Lahud, que o Seedorf não está jogando bem há alguns jogos. Parece cansado, sofrendo o peso da idade. Mas logo agora, Seedorf, que estamos embalados em direção ao título? Aguente mais um pouco! E também livre minha cara, Zatonio, por este comentário.

Ainda assim – e também com algumas bolas perdidas por Rafael Marques pela esquerda, que motivaram contra-ataques do Santos – estivemos soberanos na partida, sem que isso se tenha mostrado de forma avassaladora.

O Santos até que tentou, mas estávamos atentos. E é melhor ser atento que tentar, já que tentar tem em si implícita a ideia de não consecução, de não realização.

E Elias, que passa boa parte da partida como um songa-monga, na hora decisiva mostrou que é oportunista e corajoso, pois até enfiou a cabeça no pé do zagueiro santista, para fazer o segundo gol.

Apesar da implicância de meu filho Pedro com Renato, desta vez ele jogou bem, fazendo, inclusive, o lançamento que resultou no nosso último gol: viu Hyuri entrando pela direita e meteu a bola com precisão, permitindo ao jovem xodó do time cruzar com perfeição para a cabeçada do Elias.

O gol santista, eu vi, mas não vou dizer quem fez. Tenho a maior má vontade com o time adversário. Tanto que, quando vejo os jogos, só reconheço nossos jogadores. Os outros são como jogadores de pebolim: todos iguais.

Fizemos os necessários três pontos, para que não deixemos que os Smurfs, como diz meu filho, se distanciem demais e entrem na floresta de que só eles, possivelmente, podem conhecer a trilha.

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MELHOR DO QUE BANANA SÃO TOMÉ COM QUEIJO

Postei ontem aqui um arremedo de poema – Botafogo no coração – como que me preparando para o jogo da noite contra aquele time grande daquela grande e estranha cidade mais ao sul, onde não garoa mais, porém chovem balas, tal qual nesta linda e maravilhosa cidade de São Sebastião.

E depois, insuflado por meu filho desde Vitória, por meu amigo Zatonio Lahud, ali da Alameda Carolina, e por meu sobrinho-neto Lucas, do bloco B aqui do condomínio, parti para o Maracanã para acompanhar o jogo.

Pedro me garantia, lá das terras capixabas, que seria macuco no embornal. Ele mesmo não se expressou assim, como se fosse meu saudoso pai a falar. Mas a segurança era tanta, que fiquei com receio de não estar presente num momento histórico do clube da Estrela Solitária. E, se tal acontecesse, eu talvez não me perdoasse.

Como tenho o privilégio de não pagar mais, vez que atingi a faixa etária necessária para essas mimosuras da lei, fui com eles, sem convidar meu primo Roberto Bedu, que me passara há algum tempo mensagem para que o convidasse a conhecer o novo Maracanã.

Deixamos o carro a uma distância quase maratonística e partimos para invadir o ex-maior do mundo, que está um brinco. Como disse o amigo Zé Sérgio, ao entrar por um túnel de acesso às antigas arquibancadas, “o velho Maracanã que me perdoe, mas este está muito mais bonito”.

E ficamos lá, cerca de vinte e poucos mil torcedores – número ridículo para a campanha que o time vem fazendo – , gritando, cantando, incentivando, declarando amor a plenos pulmões, durante todo o jogo.

A partida transcorreu meio em banho-maria, com o Botafogo dominando mais a bola, tentando mais a finalização. Para o Corínthians – o tal time grande supracitado –, parecia que o zero a zero com que se inicia qualquer partida já estava de muito bom tamanho, dada a cera que seus jogadores faziam para repor a bola em jogo. Cássio, o feio e mal ajambrado, então, era um mestre nesse tipo de arte antidesportiva, que tanto agrada a torcida adversária, sobretudo se Sua Senhoria, o execrável, não pune com cartão amarelo a artimanha.

E o Corínthians, entre uma tentativa frustrada de ataque e um retardo na reposição da bola, foi tentando cozinhar o jogo, até que a Estrela Solitária brilhou no céu do Maraca, através de um passe de três dedos de Edmilson, que encontrou Hyuri, o novo xodó da torcida, entrando velozmente pelo bico da grande área. Bastou-lhe que desse um sutil toque sobre o feio e mal ajambrado goleiro Cássio, para que a bola fosse morrer no fundo do gol.

A torcida, que em nenhum momento desanimou, entrou em delírio. Inclusive eu, até então praticamente um monge budista diante de uma partida quase insossa, saí abraçando os torcedores adjacentes, dos quais era possível ver inclusive a úvula tremelicando de felicidade.

Hyuri, um jovem afrodescendente com nome russo de grafia japonesa e chuteiras cor-de-rosa, operou o milagre de nos dar a esperança que move todo torcedor apaixonado: a vitória por um único gol, marcado no minuto final da partida.

Melhor do que isso, outra vez lembrando meu saudoso pai, nem banana São Tomé com queijo!

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BOTAFOGO NO CORAÇÃO

Se o Fogo ataca
Eu me arrepio
Se se defende
Eu me retraio
Se mete um gol
Vou ao delírio
Se leva um
Quase desmaio
Se há derrota
Choro um rio
Mas se ele vence
Entro no cio
Não perco a fé
Sempre confio
Qualquer que seja
O desafio

Pois de uma coisa
Não abro mão
É Botafogo
No coração

botafogo

VITINHO PODE PERDER

Vitinho – pequeno vencedor, literalmente – pode perder. Ou pior, perder-se, ao deixar o futebol brasileiro, com a idade que tem.

Perder-se porque não vai para um grande centro do esporte. A Ucrânia, em que pese suas belas louras que tiram a roupa por vários motivos, não é um país em que o futebol esteja no nível de muitos outros da Europa. Enfim, a Ucrânia não é vitrine desse esporte.

Além do mais, a mudança é radical. Primeiro, Vitinho não vai entender nem bom dia, nem obrigado, naquela língua extremamente diferente da nossa. Segundo, o clima é bem diferente do do Brasil. Terceiro, há de estranhar a comida. Quarto, há de se adaptar ao estilo de jogo dos ucranianos. Se é que os ucranianos tenham um estilo de jogar futebol.

Não estou aqui torcendo contra ele. Quero que ele vença. Não seja um Vitinho, pequeno vencedor, mas um Vitão, grande e poderoso.

Acontece que as perspectivas que agora se me apresentam não são tão boas. E o que pode acontecer é ele ficar esquecido dos nossos olhos.

O deslumbre que começou a causar nos que apreciam futebol não tem três meses. Se muito, dois ou um. Ele parecia um jovem esforçado. Apenas nas últimas partidas começou a ser reconhecido como um verdadeiro talento. E, como o Botafogo não teve disposição, possibilidade, determinação – o que quer que seja -, deixou escapar sua mais fulgurante promessa dos últimos anos.

Pode ser que fiquemos órfãos de um futuro e completo craque. Tomara, para ele. Mas pode ser que Vitinho tenha dado um tiro n’água, com sua ânsia em ganhar muito dinheiro, assim tão novo. Assim tão Vitinho ainda!

Imagem em esporte. uol.com.br.