FUGINDO DA MORTE

 

Nascemos já com o compromisso de resistir, de tentar ficar longe da morte, a inominada, a Dama Branca de Manuel Bandeira, que o espreitou, tuberculoso que era, desde jovem até o seu passamento, já com oitenta e dois anos. Eu não fujo à regra. Adentrei os setenta com o vigor da idade, a despeito da avaliação de menoscabo do esculápio que me submeteu a uma prova de esforço nos primeiros dias do ano, numa esteira ergométrica miserenta, e revelou que meu preparo físico é fraco. Não precisava disso. Eu já sabia. Abuso na preguiça, por conta de não haver cardíacos na família. Morremos de câncer, normalmente, ou de diabetes. O que vier primeiro. Sem preferências. Por isso me cuido. Ao meu modo, evidentemente. Tudo porque, como disse alhures, não almejo a paz dos cemitérios tão cedo.

Vou aqui, então, relatar aos amigos as providências, condutas e jeitinhos para adiar o mais que puder a morte, através da explicação de seus diversos torneios vocabulares, a fim de que possa orientá-los em suas vidas. Minha família tem o péssimo hábito de ser longeva.

Vamos a eles.

ABOTOAR O PALETÓ: Não tenho mais paletós. Minto. Até tenho, para cerimônias formais, mas não lhes dou confiança. Aliás vou doá-los, assim que termine este texto. Se não conseguir me desvencilhar deles tão logo, vou arrancar-lhes os botões, a fim de não correr risco de abotoá-los inadvertidamente.

ESPICHAR AS CANELAS: Sou renitente! Não espicho! Tenho o cuidado de sempre manter meus joelhos dobrados, até mesmo quando durmo, no intuito de prevenir qualquer incidente grave.

COMER CAPIM PELA RAIZ: Raiz? Não tenho comido nada. Nem aipim, beterraba, batata, inhame, cenoura. Minha glicose anda saliente, e estou me abstendo de consumir coisas subterrâneas. Todas, invariavelmente, viram açúcar.

VESTIR O PALETÓ DE MADEIRA: Se estou abrindo mão dos paletós de tecido, muito mais confortáveis, por que iria usar paletó de madeira? Seria, inclusive, pouco ecológico. E, também, porque o caimento não fica bem. A madeira não se conforma à minha anatomia um tanto irregular, na parte situada nas imediações do ventre. Se é que me entendem.

PASSAR DESTA PARA MELHOR: Não comprei nenhuma passagem para melhor. Portanto não vou passar para lugar nenhum. Se houver vale transporte para isso, pode ser que eu estude a possibilidade, num remoto futuro. Caso contrário, fico por aqui mesmo: nesta!

VIRAR PRESUNTO: Não fui criado com bolotas, nem nasci em áreas demarcadas propícias, o famoso terroir. A não ser que Carabuçu seja considerado um terroir caboclo! Assim minha carne e minha gordura não se prestam a virar um bom presunto de Chaves, Barroso, Barrancos, Vinhais, Pata Negra, de Parma, dentre outros menos conhecidos. Nem mesmo acredito que sirvam para mortandela.

TER AS HORAS CONTADAS: Não uso relógio desde a juventude. Assim que terminei o curso primário, no saudoso Grupo Escolar Marcílio Dias, em Carabuçu, ganhei um relógio de presente do prefeito do município. Foi o único. Nem sei onde anda mais. Por isso, não conto as horas. Deixo para os mais preocupados com o tempo.

IR PARA A CIDADE DOS PÉS JUNTOS: Como no caso de partir desta para melhor, não comprei passagem. E, ademais, não encontrei tal cidade no planisfério. Nem mesmo o GPS, o Viber ou o Google Maps conseguiram localizá-la. Estou abortando a viagem sempre.

ENTRAR NO SONO ETERNO: Não consigo dormir muito, embora goste bastante. Um pouquinho só, umas oito horas, me basta a cada dia. Esse negócio de sono eterno não faz minha cabeça. Prefiro acordar sempre no dia seguinte e beber um generoso e fumegante gole de café amargo. Assim também vale para o tal descanso eterno. Como diz o vulgo, prefiro viver cansado, embora aposentado em tempo integral.

ESTAR COM O PÉ NA COVA: Não sou couve, alface ou rúcula, para enfiar o pé em cova nenhuma. Talvez um pouco hidropônico. Sou desenraizado. Plano acima da linha do chão por dois centímetros de sola de sapato ou de sandálias de dedo, que me hão de evitar enfiar o pé na cova. Estou fora!

BATER AS BOTAS: Desde os dezoito anos, época em que servi o glorioso exército nacional, não uso botas. Nem nunca comprei. Já há bom tempo só tenho mocassins, que não servem para bater em nada, nem em ninguém. E, quando entro na areia da praia para fotografar, lá mesmo bato os mocassins na beira do calçadão, para me livrar dos grãozinhos que penetram sem convite.

DAR COM OS COSTADOS NA CERCA: Acerca, sem trocadilho, desta expressão, já me expressei aqui em outra postagem (Clique aqui para ver.). Nem chego perto de cerca, a fim de evitar, se falsear a passada, que eu possa esbarrar em qualquer tipo de cerca, de madeira, bambu, cerca-pinto, arame farpado, ou mesmo e sobretudo elétrica. Minhas costas estão incólumes até hoje.

DAR O ÚLTIMO SUSPIRO: Esta expressão é dúbia. Suspiro é também o nome de um doce muito apreciado, feito de clara de ovo, açúcar e tenras farpelas de casca de limão, que se desmancha na boca milagrosamente, mas que também eleva a taxa de glicose aos píncaros. Quem compra um pacote de suspiros dá qualquer um deles, menos o último, que é justamente o que encerra, enfeixa, potencializa seu derradeiro paladar. Ninguém dá o último suspiro. Eu, por questões já ditas acima, nem compro o pacote. Ainda mais dar o último suspiro! Quanto ao suspiro propriamente dito, esse que movimenta o ar que entra e sai dos pulmões, quero informar que vai bem obrigado. Meu fole anatômico tem funcionado muito bem. Os pulmões continuam livres e desimpedidos. Espero, assim, dar o último suspiro só depois de morto.

Por hoje é isso! Até a próxima encarnação!

 

Imagem relacionada

Ilustração de Albrecht Dürer (1471-1528),

FAZER OU NÃO FAZER

Mesmo que você seja um preguiço contumaz – e não vou aqui enumerar alguns que me conheço –, sempre terá o que fazer do ponto de vista linguístico. Nossa língua nos provê de um bom número de expressões do fazer que, propriamente, podem não produzir nenhuma obra que se preze, mas, ao contrário, servirão para expressar muitos e variados conceitos. Aliás, conceitos pertinentes a respeito das coisas do dia a dia (Até hoje não concordo muito com a reforma ortográfica que suprimiu o trema e escorraçou o hífen de muitas palavras de forma inexplicável.).

Consegui arrolar algumas delas para a sua apreciação, caro leitor.

Aí vão.

Fazer a vida – Trabalhar; exercer certo ramo de atividade; sair do estado de inatividade para o de produtividade.

Fazer água – Romper-se o casco, com a consequente entrada de água na embarcação. Produzir resultado pífio ou aquém da expectativa; resultar uma ação em consequência desprezível.

Fazer barulho – Alardear; manifestar-se em altos brados; propagar; tornar público.

Fazer beiço/beicinho – Chorar; começar a chorar; fingir chorar a fim de comover o outro.

Fazer bobice – Fornicar; manter relações sexuais. Agir de forma debochada, ou com brincadeira. / Também na forma popular interiorana: fazer bobiça.

Fazer cara de paisagem: Fingir distanciamento do que acontece; mostrar-se alheio ou indiferente à situação.

Fazer caminho – Viajar; ir em busca de realizar algo; sair. Procurar um rumo na vida.

Fazer cera – Demorar propositadamente a fazer algo, na intenção de ganhar tempo; remanchar; retardar a execução de uma tarefa. No futebol, demorar na reposição da bola em jogo, a fim de ganhar tempo, quando o próprio time está com o placar favorável.

Fazer chacota – Zombar; tratar com desconsideração ou desprezo.

Fazer comichão – Instigar; incentivar; motivar.

Fazer (cu) doce – Colocar-se acima da situação, fingindo não se interessar por aquilo que acontece; fingir distanciamento; fingir superioridade.

Fazer das tripas coração – Transformar, pelo trabalho exaustivo, algo negativo em positivo. Produzir bom resultado, a partir de dados negativos.

Fazer de conta – Fingir; fabular.

Fazer feio/ bonito – Realizar algo com bom/mau resultado; errar/acertar na execução de uma tarefa.

Fazer figa – Tentar precaver-se de maus resultados; Fingir não dar importância a algo.

Fazer figura/cena – Fazer pose; fingir um estado de espírito; mostrar-se; pavonear-se.

Fazer filho – Engravidar alguém (o homem); engravidar-se (a mulher).

Fazer firula – Expressão oriunda da linguagem do futebol: tentar ou executar jogada de efeito bonito, mas sem aplicação prática na partida. Fazer algo sem praticidade, apenas na tentativa de aparecer para o outro.

Fazer gato e sapato – Tratar de maneira irresponsável reiteradamente; abusar.

Fazer mal – Manter o homem relações sexuais com mulher inexperiente, normalmente virgem.

Fazer merda/cagada – Fazer algo que produza resultado negativo, por imperícia ou precipitação; fazer algo malfeito, inútil ou sem bom acabamento.

Fazer mundo – Viajar; viajar sem roteiro pré-programado; sair em busca de realizar algo; viver vida errante.

Fazer o diabo – Agir de forma abusada e excessiva. Exercer muitas atividades; fazer muitas coisas.

Fazer onda – Mostrar-se superior diante do outro em determinada situação. Também se diz tirar onda.

Fazer ouvidos de mercador – Fingir que não ouve algo que é dito, a fim de não se obrigar a reagir.

Fazer piada/troça – Zombar; não levar a sério um assunto; ridicularizar.

Fazer pouco – Desconsiderar; levar em pouca conta ou consideração.

Fazer presença – Estar presente; comparecer; estar em determinado lugar ou situação, sem se comprometer com o que ocorre.

Fazer-se ao mar – Partir em viagem marítima; navegar.

Fazer-se de morto – Não participar de determinada atividade ou opinião, para não se compromete; omitir-se.

Fazer-se de vítima – Aparentar inocência para fugir à responsabilidade de sua própria ação; dissimular.

Se você, leitor, quiser aplicar algumas dessas expressões a alguém que conheça, da vida pública ou privada, esteja à vontade. Não sou proprietário delas; é a língua que nos provê deste vasto repertório de palavras e expressões de que podemos dispor, para exprimir nosso conceito do mundo que nos cera. E pelos sete lados, como numa aposta do jogo de bicho.

Até a próxima, que tenho mais o que fazer!

 

Tiziano, Sísifo, 1549, Museu do Prado (em pt.wikipedia.org).

BRASIL DE CABO A RABO (III)

Continuando nossa saga de maledicência, escárnio e maldizer dos brasileiros, aí vão mais dez frases de (d)efeito, segundo a minha visão deturpada de nossa pátria mãe gentil e seus asseclas. Devo dizer aos queridos leitores que O Boca do Inferno, Gregório de Matos, muito mais já disse, em piores termos e há muito tempo. Portanto tenho precedentes que me justificam. Aliás, sou até soft, se é que me entendem.

  1. Em Mato Grosso do Sul há norte ou o estado é desnorteado?
  2. Falta alguma coisa na identidade de Mato Grosso, em comparação ao vizinho do sul.
  3. Rondon rondou Guaporé por tanto tempo que acabou descobrindo Rondônia.
  4. No Pará os paraenses não param nem para descansar.
  5. Nas Alagoas, alagoano distraído se afoga até em Cacimbinhas.
  6. Paraíba já era moderna desde Luiz Gonzaga: “Paraíba masculina, muié macho, sim, sinhô!”.
  7. São Paulo vive entre as chuvas copiosas e as secas sequiosas.
  8. O Rio de Janeiro, além de lindo e maravilhoso, é um horror nos outros quesitos do desfile.
  9. De charque em charque, o gaúcho tem seus achaques.
  10. Em Tocantins, se toca mais boi que instrumentos afins.

Até a próxima!

 

Gregório de Matos Guerra (ilustração em pt.wikipedia.org).

BRASIL DE CABO A RABO (II)

Estou dando sequência à série de frases sobre os mais distintos brasileiros. Espero que não arranje inimizades interestaduais e regionais. Logo eu que gosto tanto de andar por todos os lados deste país de dimensões sentimentais!

Aí vão mais dez observações sobre os brasileiros.

  1. Todo carioca é fluminense; alguns, porém, são botafoguenses, vascaínos, flamenguistas. Até americanos há!
  2. No Ceará, não tem disso, nem daquilo; tem é Padim Padre Ciço; mas também tem Cid, mas tem Ciro. E olhe lá!
  3. No mapa do Brasil, o Piauí é um odre de couro de bode, repleto de piauienses.
  4. Em Brasília, vale o neoditado: Aqui se faz, aqui se paga a propina.
  5. No Maranhão, se há sarna não sei, não é, Sarney?
  6. Creia: o Acre existe, apesar dos acreanos incréus.
  7. Roraima, para os jornalistas da Globo, é apenas uma questão de prosódia.
  8. Desde que Sarney se elegeu senador pelo Amapá, o estado vai de mal a pior, sem parar.
  9. Goiás está afundado em superprodução de duplas sertanejas.
  10. Um jeito besta de ser do contra em Sergipe é ser gente.

Até a próxima!

 

Mapa do Brasil de 1822, ano da Independência (imagem em bloguito.com.br).

DEUS E O DIABO (II)

Dando continuidade a algo que nem deveria ter começado, trago hoje mais dez pretensiosas observações acerca da eterna disputa entre Deus e o Diabo, na verdade Criador e Criatura, cujas consequências recaem sobre nós, pobres mortais.

Espero que com essas frases a vida de meus leitores se torne menos amarga, ou, pelo menos, mais risível.

Aí vão elas.

  1. Deus criou o azeite de dendê; o Diabo, a diarreia.
  2. Deus criou a compra a prestação; o Diabo, o SPC e o SERASA.
  3. Deus criou as licitações do governo; o Diabo, a delação premiada.
  4. Deus criou o paraíso; o Diabo, a demarcação de terras.
  5. Deus criou o pudim de leite condensado; o Diabo, o diabetes.
  6. Deus criou o cinema mudo; o Diabo, o filme musical.
  7. Deus criou o asfalto liso; o Diabo, as estradas brasileiras.
  8. Deus criou os rios, os lagos e os açudes: o Diabo, a SABESP.
  9. Deus criou os livros e as bibliotecas; o Diabo, a traça.
  10. Deus criou as férias; o Diabo, o câmbio e o preço dos hotéis.

 

Ilustração em joaoparanista.blogspot.com.

DEUS E O DIABO

Glauber Rocha (1939-1981), gênio irrequieto da cena cultural brasileira e cineasta multívoco, criou alguns dos filmes mais representativos do cinema brasileiro, naquilo que se convencionou chamar de Cinema Novo. Dentre suas obras mais importantes, está Deus e o Diabo na terra do sol, espécie de faroeste caboclo, como diz a letra daquela música daquele grupo daquele menino que morreu daquilo.

Glauber era um gênio, até mesmo incompreendido. É que vários espectadores saíam das salas de cinema sem entender muito bem o sentido de suas obras.

Mas não é isso que eu quero dizer aqui para você, meu caro leitor.

É que, estimulado pelo filme famoso – e só agora, mais de cinquenta anos do seu lançamento (1963) – venci certa preguiça baiana que me acompanha e produzi um série de frases de (d)efeito com o tema. Trago algumas delas hoje aqui, para sua apreciação. Ou não! – como diria outro baiano famoso. Você pode muito bem achar tudo uma grande bobagem. E não estará errado. É tudo mesmo uma grande bobagem.

Aí vão as dez primeiras da série DEUS E O DIABO.

  1. Deus criou o dente; o Diabo botou azeitona com caroço na empada.
  2. Deus criou a buchada de bode; o Diabo, a pimenta malagueta.
  3. Deus criou a nudez feminina; o Diabo, a cegueira masculina.
  4. Deus criou o futebol; o Diabo, a FIFA, a CBF, as federações estaduais e seus dirigentes.
  5. Deus criou a seleção brasileira; o Diabo, a alemã.
  6. Deus criou o dinheiro; o Diabo, o sistema bancário.
  7. Deus criou o trabalho; o Diabo, o patrão.
  8. Deus criou a aposentadoria; o Diabo, o fator previdenciário.
  9. Deus criou o sexo; o Diabo, o preservativo.
  10. Deus criou a adesão; o Diabo, o PMDB.

 

Até a próxima!

 

Cartaz do famoso filme de Glauber Rocha.

ALGUMAS VERDADES QUE ESTOU FORMULANDO PARA CRIAR UMA RELIGIÃO, UMA FILOSOFIA, UM PARTIDO POLÍTICO OU UM PAPO DE BOTEQUIM

  1. A natureza humana é tão desumana, que – penso – nem chega a ser natural.
  2. Quando dois intrusos se metem em negócio alheio, podem ter certeza de que eles é que lucrarão.
  3. A pior espécie de canalha pode ser mais letal que cicuta, veneno de surucucu ou chumbinho para rato.
  4. Numa sociedade desequilibrada, não há balança que resista.
  5. A violência gera violência, assim como a impaciência é um empecilho à paciência. Ora, tenham paciência!
  6. Quanto mais ideias pululam na cabeça de um desocupado, mais cabeças hão de rolar em nome delas.
  7. Uma premissa bem pensada pode levar um sábio a gastar bom tempo para despremissá-la.
  8. A urna não tem mais boca. Tem tela. E tenho a impressão de que nunca teve juízo perfeito. Nem mesmo quando pensávamos que ela estaria certa.
  9. Alguns políticos não resistem nem mesmo a uma análise morfológica. Quanto mais a uma análise ética.
  10. É preciso muito amor para suportar ser brasileiro. (Desculpe, Noca da Portela e Tião da Miracema!)
  11. Quando me distraio muito, é porque estou prestando atenção ao que não interessa aos outros. Quando estou concentrado, podem saber que lá vem bobagem. Mais ou menos por aí.
  12. Já compus muita música embaixo do chuveiro. Pena que a tecnologia não tenha inventado um chuveiro com gravador. O mundo não sabe o compositor que perde.
  13. Todo lucro é capitalista. Todo imposto é socialista. Todo prejuízo é do povo, mesmo!
  14. Misericórdia é um coração miserável que está de acordo com quase tudo de errado que se faz no mundo.
  15. Athina Onassis, imagino, nunca atinou bem com o montante da herança que recebeu do avô e fica dando pulinhos de cavalo mundo afora.
  16. É bom que se diga que Aristóteles Onassis não foi aluno de Platão. Mas, de John Locke e Adam Smith, certamente foi um dos melhores.
  17. Podem ter certeza: todo grande pensador jamais teve um eito de lavoura para carpir, nem uma mulher exigindo que ele consertasse o gotejamento do chuveiro todo santo dia. Não há filosofia que resista a tanto!
  18. Toda formulação de prioridades governamentais é precedida da composição de uma comissão específica e, quase sempre, regiamente remunerada. Depois de formuladas, as prioridades são esquecidas em nome da governabilidade, que se constitui em distribuir cargos aos correligionários de primeira e última hora.
  19. Houve um presidente que disse que governar é abrir estradas. De lá para cá, todos os demais presidentes têm o cuidado de abrir buracos nas estradas que aquele lá idealizou.
  20. Sempre votei. Nunca me omiti. Nunca votei em branco. Sempre compareci às eleições e indiquei os candidatos que me pareciam os melhores. Hoje não tenho muita certeza de nada. Acho que andei votando como nossos políticos votam no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores. Isso, quando votam!

 

Ficheiro:Aristotle Altemps Detail.jpg

Aristóteles, não-Onassis (em pt.wikipedia.org).