PENSANDO EM CAIXA ALTA

1. DA MINHA IMPLICÂNCIA CONTRA O CICIO 

Soube que o ex-presidente Lula está fazendo tratamento com fonoaudiólogo. Naturalmente que deve ser pelo problema do câncer na garganta.

Mas quero aproveitar a ensancha oportunosa para solicitar ao profissional que cuida dele que também acabe com aquele jeito linguinha de falar.

Se conseguir, que ele estenda o tratamento para todo o Partido dos Trabalhadores, a maior concentração de ciciamento em língua portuguesa que se conhece.

Depois que o Lula chegou ao poder, ciciar virou a marca fonética da legenda. Palloci, por exemplo, chega ao cúmulo de ciciar até em fonemas oclusivos, como /p/ e /b/, quando, então, solta perdigotos para todos os lados.

No entanto, é bom que se diga que, se no espanhol ibérico isto é um traço da fonética da língua, em português tal ocorrência é um defeito de pronúncia, tratado pela Fonoaudiologia.

No português arcaico, era usual, mas isto se perdeu há mais de seiscentos anos. Nem Camões e seus contemporâneos ciciavam mais!

Quanto à sintaxe estropiada do PT, aí já é um problema mais complicado! Só com anos de boa instrução…

2. ANDO PREOCUPADO COM A SAÚDE DO SENADOR 

A respeito da internação do senador Sir Ney (uso a grafia do jornal O Pasquim), ocorrem-me algumas “reflexões sem dor”, para seguir o que ensinava o grande Millôr Fernandes.

a) Vaso ruim não se quebra.
b) O título de imortal parece que começa a perder valor.
c) A peregrinação de políticos ao leito do hospital ocupado pelo senador é maior que a empreendida a certa manjedoura em Jerusalém há 2011 anos. Só que o caráter dos peregrinos de agora é semelhante ao do visitado. Isto é, tudo farinha do mesmo saco. E ali ninguém leva ouro, incenso ou mirra. Mas, antes, só subtrai! Só surrupia!
d) Corremos o risco de que ele tenha alta ainda com mais saúde do que quando entrou. É da natureza dele aproveitar as oportunidades. E não será esta que ele vai perder.
e) Na foto ao lado de Lula publicada nos jornais, ele sorri placidamente. E isto me dá um medo desesperado!
f) A tintura do cabelo está defasada, precisando urgentemente de um retoque. Na alta, com certeza, sairá recauchutado.
g) Praga de urubu magro não pega em boi gordo.

3. “PNEUMOTÓRAX” PARA A ARGENTINA

A Argentina, aquele país presunçoso mais ao sul, anda querendo movimento, já que está vivendo uma pasmaceira tanguera.

Porque qualquer governo é o seguinte: quando está sem grana, de mãos atadas, começa a inventar moda, isto é, a produzir factoides.

Primeiro tentou um calote internacional amplo, geral e irrestrito. Ficou à meia bomba.

Depois pensou em repetir a tentativa ensandecida de reconquistar as Ilhas Malvinas/Falklands, como fez a ditadura militar nos anos 80, com um insucesso estrondoso.

Agora, resolveu expropriar em 51% a empresa espanhola Repsol em sua participação na petrolífera argentina YPF.

Finalmente acho que o troço anda. Arriba, Argentina!

Em “Pneumotórax”, Manuel Bandeira, constata através do médico, diante da situação inelutável do paciente tísico: “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

“Que el mundo fue y será una porquería, ya lo sé…”

Imagem em pt.wikipedia.com.    

AINDA O CASO VALCKE

Vamos transformar a Copa do Mundo 2014 na copa do Valcke.

Tenho a impressão de que, como o episódio da Copa de 50 que ficou conhecido como maracanaço – a trágica derrota na final para o Uruguai -, o que ficará para os brasileiros, caso a Seleção fracasse dentro de casa, será o affair com o secretário da FIFA.

Parece briga de comadre, tantas são as picuinhas que vêm ocorrendo.

Para início de conversa – vamos combinar -, o homem foi infeliz, grosseiro e desrespeitoso com o que disse há algum tempo. Não se pode admitir que, publicamente, uma autoridade como ele se valha de expressões de cunho nitidamente popular – o tal “chute no traseiro” -, para se referir às autoridades de uma nação.

Conversando com amigos, que até tentavam justificar a frase de Valcke, dei como exemplo, em português, para indicar a localização de um país longínquo, que um representante de nosso governo dissese que “o Timor Leste fica lá no cu do conde”. E depois alegasse que o termo “cu” não tem aí o sentido referencial, primário, de “ânus”.

Ora, às autoridades exige-se o uso da modalidade formal da língua em seus discursos, e não outro, sob pena de erro linguístico, por inadequação.

Por isso, a celeuma gerada pela frase inadequada do boquirroto secretário.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, está mais do que evidente que as obras estão atrasadas, as providências esperadas estão em passo de tartaruga, estamos demonstrando uma preguiça caymmíca exagerada, para o que urge. Se, como povo, isto é um atavismo folclórico, como governo é descabível.

E pode haver, por trás desse atraso todo, manobras escusas para que os espertalhões de sempre faturem ainda mais.

O Brasil está habituado às obras de igreja, que demoram séculos e, por vezes, não se completam. O próprio Maracanã, palco da final de 50, foi inaugurado incompleto. E permaneceu assim por décadas. Nem sei mesmo se o projeto inicial chegou a termo, em algum momento da sua existência.

Agora está ele ameaçado de não ficar pronto para a Copa das Confederações em 2013, espécie de test-drive para o evento maior do ano seguinte.

O que de concreto temos até o momento é a briga com Mr. Valcke, Jérôme, o boquirroto, posto para escanteio pelo Congresso nacional como interlocutor.

Para os senhores parlamentares brasileiros, Valcke que vá gastar seu latim – aliás, o seu argot – em outra freguesia. Não querem saber dele nem pintado por Monet!

E aproveite, que estamos calmos, Valcke!

Eh, Brasilzão lascado, sô!

A CASA DA MÃE JOANA

Casa: construção que se presta a habitação humana; lar; estabelecimento comercial. Casa de cômodos: habitação coletiva, não necessariamente de uma mesma família, e frequentemente simples, para locação. Casa de farinha: lugar de uma propriedade rural em que se produz farinha de mandioca. Casa de bagaço: lugar de uma propriedade rural que recebe o bagaço da cana que é moída. Casa de máquinas: local ou parte de um navio em que se localizam os motores que impulsionam a embarcação. Casa encantada: álbum musical do grupo brasileiro O Terço, lançado em 1976 e um marco do rock progressivo tupiniquim. Casa de tolerância, casa da luz vermelha, casa suspeita: construção utilizada para o comércio carnal; zona de prostituição; guaxa. Casa noturna: boate; inferninho. Casa de banho: banheiro. Casa da Moeda: repartição pública responsável pela impressão e cunhagem do padrão monetário do país. Casa de câmbio: local em que se faz troca de moedas. Casa de penhor: estabelecimento que empresta dinheiro, exigindo como garantia o depósito de objetos de valor. Casa de saúde: estabelecimento hospitalar que atende pacientes de doenças. Casa funerária: ou simplesmente funerária, estabelecimento que comercializa caixões e promove enterros, caso a casa de saúde não faça seu trabalho direito. Casa dos milagres: local anexo a um templo em que os devotos depositam os ex-votos, em pagamento de promessas, como, por exemplo, não pegar uma infecção generalizada numa casa de saúde. Casa Civil e Casa Militar: setores do governo responsáveis pelos assuntos civis e militares. Casa popular: construção desenvolvida pelo governo, para atendimento de famílias de baixa renda. Quando ela fica pronta é outro problema. Casa de correção e casa de detenção: estabelecimentos penais com funções diversas, mas que, via de regra, não corrigem, nem detêm ninguém. Casa de caboclo: onde um é pouco, dois é bom, três é demais, segundo a canção popular. Casa dos entas: época da idade a partir dos quarenta anos, de que se costuma dizer que quem entra na casa dos entas dela não sai vivo (Minha bisavó Mariquinha, Oscar Niemayer e Barbosa Lima Sobrinho, ao contrário, passaram para a do ento.). Casa de orates: lugar confuso; o mesmo que casa de doido. Casa do car… ou do cac…: lugar longínquo, para onde se manda alguém indesejado. CASA DA MÃE JOANA: o Engenhão!

Só o Botafogo ainda não comemorou título nenhum em sua própria casa. Os outros três grandes clubes do Rio de Janeiro já deram a volta olímpica lá. E aí, Botafogo? Vai ou não vai tomar tenência na vida? Já estou com vergonha! De que adianta termos uma casa bonita, para que só os vizinhos – às vezes maus vizinhos, péssimos vizinhos – venham tirar onda, dar festas, fazer furdunço? O Engenhão não pode ser uma casa da mãe Joana!

Já nem sei mais de onde tirei este cachorro louco.

CARNAVAL: ANOTAÇÕES FERINAS

Esta postagem de hoje reúne várias maledicências que disse sobre o carnaval ao longo do tempo.

Quero deixar claro aos brasileiros e estrangeiros adeptos da folia, a possíveis mas improváveis desafetos,  a amigos meus, a parentes distantes e próximos – até mesmo de dentro da minha casa -, que não tenho nada contra o carnaval. Contudo, também não tenho nada a favor, a não ser aquela profusão de mulheres bonitas, saudáveis, vitaminadas, porém sem montanhas de silicone. Estou na onda das coisas orgânicas, do chuchu à passista!

Aí vão elas.

1. As Escolas de Samba esquentam tanto no carnaval, que acabam pegando fogo, literalmente. (A&M, 3/3/11)

2. No carnaval da Bahia, o trio elétrico percorre o longo circuito Barra-Ondina; no carnaval de Minas Gerais, o curto-circuito é que percorre o trio elétrico. (A&M, 22/4/2011)

3. LEI GERAL DOS SAMBAS-ENREDO: Todo samba-enredo é igual a qualquer outro samba-enredo, independentemente de seus autores, da GRES que representa, bem como de sua letra e do andamento em que é executado, não havendo também distinção do ano em que tenha sido composto, assim como do espaço geográfico de sua feitura. Resumindo: é tudo igual! (A&M, 6/5/11)

4. PRINCÍPIO BÁSICO DE DESFILES DE ESCOLAS DE SAMBA: Diferentemente do que pretendem os especialistas convocados a cada ano pelos meios de comunicação, qualquer desfile de carnaval, de qualquer agremiação, em qualquer tempo e lugar, é exatamente igual a qualquer outro que se lhe compare, incluídos aí alegorias e adereços, carnavalescos, puxadores de samba, bem como mestres de bateria, mestres-salas e porta-bandeiras e os geniais coreógrafos das espetaculares comissões de frente. As únicas distinções idiossincráticas dignas de nota, durante o tríduo momesco, são as rainhas de bateria: cada uma mais linda que a outra! O resto, resumindo, é tudo igual! (A&M, 6/5/11)

5. PROFECIA SILAS DE OLIVEIRA-MANO DÉCIO DA VIOLA: À medida que, através dos anos, os sambas-enredo vêm perdendo qualidade em seus aspectos rítmicos, melódicos, harmônicos e poéticos, paradoxalmente aumenta o número dos autores envolvidos na criação de uma única obra, de tal forma que, no Carnaval de 2020, serão necessários tantos quantos os que compõem um time de futebol – onze. Aí, então, será preciso agregar a tal equipe um técnico que entenda de música, que chamará um auxiliar para ajudá-lo na tarefa. Nesse momento, então, teremos a volta à boa, velha e eficiente dupla de compositores, que, para salvação da música carnavalesca por excelência, dispensará aquele bando de incompetentes, que serão constrangidos a batucar samba nas mesas de botequim, de onde nunca deveriam de ter saído. (A&M, 6/5/11)

6. Engraçado: nos ensaios técnicos das escolas de samba nunca vi técnicos de qualquer especialidade; apenas sambistas de todas as qualidades. E algumas mulatas que põem todo o esforço a perder. Pelamordedeus! (A&M, 9/3/11)

7. Burro velho, como se diz no interior, não pega marcha. Pegar esses sambas-enredo acelerados de hoje em dia, então, nem pensar! (A&M, 9/3/11)

8. A proliferação de escolas de samba dos mais diversos grupos no Rio de Janeiro periga transformar a antiga Cidade Maravilhosa na Roma de Nero. (A&M, 9/3/11)

9. O Carnaval em São Paulo dura apenas dois dias, sexta-feira e sábado, quando ocorre o desfile das escolas de samba. Nos outros 363, os cortejos seguem vagarosos pelas marginais Tietê e Pinheiros. (G&B, 3/4/11)

10. Quando Cabral chegou ao Brasil em abril de 1500, viu tanta gente pelada, de penachos, cocares e de corpo pintado, que pensou que fosse carnaval fora de época, ainda mais porque estava na Bahia. (G&B, 3/4/11)

Passagem quase meteórica da bateria do bloco Cara na Lata, Miracema-RJ, em 18/2/2012.

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Obs.: Nos parênteses, vão indicados o local e a data da postagem:  A&M asfaltoemato.blogspot.com; G&B, aqui mesmo neste blog.

7 HISTÓRIAS INTERESSANTES

1. Certa vez, Groucho Marx (1890-1977), comediante norte-americano, afirmou, após ser informado de que ganharia o título de sócio de um clube de Los Angeles:

– Não frequento clubes que me aceitem como sócio.

Groucho Marx (pt.wikipedia.org).

2. Ao ser indagado sobre o lugar mais estranho em que já fizera amor, o humorista carioca Bussunda (1962-2006) respondeu de pronto e sem pestanejar:

-Em São Paulo.

3. Falando sobre a solidão, o escritor carioca Nelson Rodrigues (1912-1980) disse que “a pior espécie de solidão é a companhia de um paulista”.

4. O jornal O Pasquim tinha uma coluna em que fazia comentários, quase sempre desairosos, sobre os lançamentos de discos. Belchior e Djavan estavam lançando novos discos, de uma carreira ainda no início. O comentarista juntou os dois em um comentário só: “Um não sabe fazer música, outro não sabe fazer letra: por que não se juntam os dois?”

5. Era uma exposição de cartuns de humor no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, lá pelos anos 70. Após pegar o programa impresso sobre os cartunistas expostos, parti para conseguir autógrafos de cada um deles. Millôr Fernandes não comparecera, por estar adoentado na ocasião. Ao chegar junto ao Jaguar, como sempre ele estava com um copo à mão e houve aquela dificuldade de segurar o impresso, dar o autógrafo e segurar o copo. Dispus-me a segurar o copo para ele, para facilitar as coisas, quando ele, colocando o copo embaixo do braço, junto ao corpo, disse;

– Pra segurar o copo, nem na minha mãe eu confio!

6. Um domingo, após a missa da manhã na igreja de São Jorge que fica próxima, o poeta Olavo Bilac (1865-1918), como de costume, foi sentar-se em um banco do Campo de Santana (atual Praça da República), para ver o movimento dominical. Avistou num banco em frente, distante alguns metros, um casal de amigos e seu filho pequeno, que comia uma fatia de pão. O garoto, assim que reconheceu o “tio”, veio correndo em sua direção e fez-lhe festa nas pernas da calça. O poeta, de imediato, tirou do bolso do paletó papel e caneta, escreveu alguma coisa, colocou-a sobre o banco e se despediu do casal, saindo inopinadamente. O casal, intrigado, foi até o banco e viu escrito no papel:

“Criança meiga e bonita,
Para os pais anjo celeste,
Para os outros uma peste,
Que emporcalha de manteiga,
As calças que a gente veste.”

7. Paula Nei (1858-1897), jornalista, boêmio e poeta carioca, que fazia muito sucesso nos jornais da época, foi a um teatro de revista e ficou sendo paquerado por uma bailarina que participava do espetáculo. Assim que terminou seu número, a bailarina, muito saída, muito dada, foi sentar-se ao lado de Paula Nei. Ele, incomodado por sua presença, olhou para trás e verificou que havia lugares vagos. Então, em alto e bom som, disse a seguinte frase, ao pular sobre as fileiras:

– Atriz atroz, atrás há três!

PENSAMENTOS BEM-PENSADOS XII

Imagem em valdosta.edu.

Aproveitando que, neste fim de ano, nada funciona muito bem neste país, trago aos meus prezados leitores mais alguns pensamentos bem-pensados que quase queimaram a minha mufa, mas que também não servirão para nada.

A não ser que nada possa significar aquilo que os escritores clássicos nomeiam por esgar.

Ei-los aí!

1.       Se você começa a fazer algo e pressente que vai dar errado, mas assim mesmo vai até o fim e dá errado, é sinal de que os dois estavam errados desde o início.

2.       Todas as catástrofes que tanto nos apavoram já estavam elencadas nas leis da natureza, que previu, até mesmo, o ovo passar pelo cu da galinha, a despeito das evidências em contrário.

3.       Pior cego é aquele árbitro miserável que não vê a penalidade máxima sobre o atacante do seu time, no último minuto de jogo.

4.       Para cada condenado à morte em qualquer país do mundo, há milhares de condenados à vida, sem a mínima perspectiva de morrer tão cedo.

5.       Os acidentes de trânsito no Brasil já chegaram ao nível de epidemia descontrolada.

6.       O meu passado foi tão bem passado, que me fez um presente todo amarrotado.

7.       Não é que São Paulo trabalhe mais do que o Rio de Janeiro. É que lá o marketing é mais bem feito.

8.       Minha crença inquebrantável se baseia na desconfiança geral de toda verdade monolítica. Porém nisto também não creio muito.

9.       Maria mole em toucinho do céu, pastel de Belém em sarapatel.

10.   Galinha não faz galinhagem, assim como peru não vive dando peruada por aí.

11.   Dizem que a vida na Terra já foi extinta algumas vezes. Não sei se isso que temos agora pode ser considerado propriamente “vida”.

12.   Caso você morra de rir, seu atestado de óbito será assinado por um humorista?

13.   A metade das coisas que eu suponho é falsa. A outra metade é só de bobagens sem a mínima utilidade.

14.   Apesar de todas as dúvidas que tenho, minha mulher ainda me ultrapassa neste quesito: duvida de todas elas e mais de mim também.

15.   Pode ser que control+s salve, mas não dá nenhuma segurança de te levar para o Paraíso. Tal qual qualquer religião!

PENSAMENTOS BEM PENSADOS XI

Imagem em williamcox.org.

Andei pensando mais umas coisas aqui que gostaria de compartilhar com meus leitores, a quem não exijo fidelidade, porém apenas um pouco de boa vontade.

Não desejo com essa profunda filosofia que eles traduzem interferir em suas vidas, até porque o imposto de renda faz isso de um modo muito mais eficaz e contundente.

Assim, que eles prestem a seu lazer.

Vamos a eles.

1. Os defensores da teoria do aquecimento global estão usando manga comprida em pleno novembro tropical.

2. As previsões de que o mundo vai acabar estão acabando com minha paciência, que pode chegar ao fim antes mesmo da hecatombe final.

3. Nem mesmo o câncer suporta políticos. Quando suas células detectam que o hospedeiro é alguém da classe, elas dão logo um jeito de sair de fininho.

4. Chego às vezes a duvidar de que João Gilberto seja genial. Mas, de que é genioso, disso não tenho a menor dúvida.

5. Para sempre nos lembrar de nossa frágil condição de mortais, a própria vida nos mostra que tudo está pela hora da morte, até mesmo o preço daquela que matou o guarda.

6. Para morrer basta ser vivo.

7. A condição de vivo de todo ser vivo cessa imediatamente após este assumir a condição de ser morto, que infelizmente é irreversível, como comprova o mais comezinho atestado de óbito.

8. Como é fato nas brigas, quando duas pessoas querem, chegam até mesmo às vias do casamento, o qual, com frequência, os acaba levando às vias de fato.

9. Em seus contos, Dalton Trevisan diz que todo filho é uma prova clamorosa contra o pai. Digo que, às vezes, no entanto, tal prova é tão cheia de defeitos, que nem mesmo se presta para a condenação daquele.

10. Por mais que o médico seja competente e tenha a auxiliá-lo a mais moderna tecnologia, ao auscultar seu peito, ele jamais encontrará, na chiadeira de seus pulmões ou na arritmia do seu coração, qualquer resquício de seus amores perdidos ou de seus suspiros sonhadores.

11. Assim como Aricanduva não tem nada a ver com Arimateia, assim também a ariranha não é parenta da aranha. E, muito menos, da piranha! O que não chega a ser uma coisa estranha.

12. Ando duvidando tanto ultimamente, que estou em dúvidas de que isto vá me levar a alguma certeza.

PENSAMENTOS BEM-PENSADOS X

Imagem em guilima.blogspot.com.

A facilidade com que cérebro apaziguado de aposentado tem de pensar bobagens é imensurável. Agora, por isso, estou trazendo para vocês mais vinte pensamentos bem-pensados que tratam, praticamente, de toda a gama de interesse da humanidade. Eles vão da política à politicagem, do malandro à malandragem e da roubalheira à gatunagem. Sem sacanagem!

Espero que, se não gostem, sirvam para citações em momentos de aborrecimentos em suas vidas, em volta de uma mesa de botequim, onde a filosofia aflora sorrateiramente.

Aí vão:

1. À briga atual entre Orlando Silva e João Dias, ambos do PCdoB – Põe na Conta do Banco –, preferia o quebra-pau entre as macacas de auditório da Rádio Nacional nos idos dos anos 50.

2. A diferença entre uma crise no governo e uma crise renal é que, nesta última, um chá de quebra-pedra pode resolver tudo; naquela, só um transplante de ministros.

3. Para um mau entendedor, meia palavra é bosta.

4. Não há registro de protestos de galinhas ao Criador sobre o calibre do cu e o tamanho do ovo; portanto, aguente o tranco e siga em frente sem reclamar.

5. Há certos ministros do esporte que não aguentam o jogo duro do Segundo Tempo e pedem para sair.

6. Um dia é da calva, o outro é da Loção Pindorama

7. Macaco que quebra galho tem problemas com o IBAMA.

8. Todo Ricardão tem seu dia de Viagra.

9. A alegoria de mão daquela passista boazuda é o anel de esmeraldas que o presidente da escola lhe deu.

10. A Educação no Brasil é tratada por pessoas mal-educadas que não lhe dão a mínima importância.

11. Quando um canhoto entra com o pé direito no gramado, isto é sinal de má sorte.

12. Há igrejas por aí em que os milagres são agendados para todos os dias às mesmas horas, como se Deus batesse ponto tal funcionário de empreiteira.

13. Miséria pouca, minha bancarrota primeiro.

14. Nem todo homem que claudica desiste de perseguir a perseguida.

15. Será que Fernando Botero, o pintor dos gordinhos, ao ouvir falar em regime alimentar, perde a inspiração?

16. Não se faz omelete sem se adquirirem os ovos, ou, pelo menos, roubá-los no quintal do vizinho.

17. Queria escrever uma enciclopédia sobre a história da roubalheira no Brasil, mas alguém já me roubou a ideia.

18. Osvaldo Cruz, num tempo mais difícil, com tecnologia menos desenvolvida e com a descrença geral da população, conseguiu debelar do Rio de Janeiro a febre amarela e a varíola. Hoje, com recursos infinitamente maiores, nossas autoridades não conseguem fazer frente ao mosquito da dengue. Ai que saudades do Osvaldo Cruz!

19. Aprendi com os baianos que toda preguiça é pressa, assim como toda rede embaixo de coqueiros pode ser um bólido da F1.

20. Quando, em meados do século XIX, o Brasil passou a tomar banhos regularmente, apareceu logo um espertalhão que inventou a prática da lavagem de dinheiro.

PENSAMENTOS BEM-PENSADOS IX

Imagem em mais.uol.com.br.

A despeito do que dizem as más línguas, meu cérebro continua funcionando. Nem que seja no tranco! Por isso, ocorreram-me mais estes pensamentos bem-pensados, que, pensando bem, ficaram quase muito bons, um pouco assim mais ou menos. Sem falsa modéstia, que de falso não tenho nem pivô ou ponte fixa.

Ei-los!

1. Quando um imortal do porte de Sarney constrói um mausoléu para si, imaginando um dia poder morrer, isto dá um desespero em todos os outros reles mortais, que tomam consciência de que não terão a mínima chance de sobrevivência.

2. Em casa de minhoca, não se come espaguete.

3. Bala perdida sabe a sangue.

4. Aquele gramático é tão metódico, que, até na hora do sexo, é próclise, ênclise e mesóclise.

5. Chega certa idade que ler o Kama Sutra é assim como um diabético folhear um livro de receita de doces: é comer com os olhos e lamber com a testa.

6. Nesta hora, onde estão as pessoas no Cazaquistão? Naturalmente que é em casa que estão! Até porque lá deve ser de madrugada. Já o que fazem as pessoas do Curdistão é coisa que me eximo de dizer.

7. Quando chegar a sua hora, de nada adiantará o fato de você viver sempre atrasado para seus compromissos, nem alegar que esqueceu o relógio sobre a cômoda.

8. Mineiro gosta de queijo por uma questão de bairrismo mal direcionado.

9. A despeito do que muitos pensam, no galinheiro não há galinhagem. Isto fica para nós, humanos.

10. A situação grega está tão preta, que andam procurando Diógenes com lanternas mágicas.

11. No Capitalismo, quando o capital capitula muitos capitalistas são decapitados.

12. Quando o Comunismo russo ruiu, nem só os ruços riram. Riram alguns morenos, alguns ruivos e diversos romenos.

13. Do jeito que vai indo o espírito de tolerância entre os intolerantes, daqui a pouco não haverá mais nada para intolerar.

14. A Cochinchina era uma terra tão distante, mas tão distante, que, para se aproximar um pouco de qualquer outra, trocou seu nome para Vietnã.

15. É engraçado: a interjeição não introjeta nada, como o nome pode falsamente sugerir. Aliás, muito ao contrário, ejeta sentimentos e espantos com uma sem-cerimônia gramatical.

16. Ao corrigir o aluno, dizendo “mim não faz nada; só eu é que faz”, o professor destrata o aluno, espanca a gramática, mas mostra que a língua é muito mais flexível do que dizem as regras. E acaba por exercer seu dever didático!