MAIS UM FIM DO MUNDO À VISTA

O mundo vai acabar outra vez, no próximo dia 23 de setembro. É o que calculou o numerólogo britânico David Meade, com base na leitura da Bíblia.

Estou-me preparando para mais este fim do mundo.

Não aguento de tanto preparo! Toda vez que anunciam a extinção da vida no planeta, reúno todas as minhas memórias, faço um balanço das minhas culpas, omissões e preguiças, vejo que tenho muito mais débito do que crédito e fico torcendo para que o transcendente seja apenas uma ilusão humana. Caso contrário, estarei lascado na eternidade.

Como sei que numerólogos, astrólogos, magos, bruxos, economistas e comentaristas de futebol jamais acertam em suas previsões, dormirei tranquilo até a véspera da catástrofe. No dia 23 acordarei em pânico, irei correndo à nova cafeteria aberta na Miguel de Frias, em frente à banca de jornal do Antônio, beberei o último cafezinho do universo e ficarei à espera da derrocada final e irreversível do nosso planeta.

Não sei se o tal entendedor de números calculou que o Universo que conhecemos também entrará em colapso, ou se só a Terra está com esta nuvem negra sobre ela. Apenas li a notícia até ver seu nome, na terceira ou quarta linha, para que o trouxesse aqui para você, leitor, pois, caso seja mais uma mentira desse tipo de gente, poderemos mover, num tribunal em Londres, processo contra ele por falsidade, prejuízo moral e pânico infundado.

Mas o interessante é que ainda não tinha visto notícias de que o mundo deveria ter acabado neste ano. Comumente somos assaltados, assim que começa o desfolhar dos dias, com algumas notícias deste jaez (Manja jaez, leitor amigo?)

Segundo a notícia, o tal entendido nos algarismos arábicos fez o cálculo a partir do último eclipse solar no hemisfério norte. Nele estariam os indícios de que iremos para o beleléu. Espero que apenas o hemisfério norte, já que os que vivem abaixo da linha do Equador não tiveram a ventura de ver tal fenômeno.

Enfim, esperemos. Mais uma vez, esperemos estoicamente se a previsão de mais este idiota se concretizará. Caso ela se concretize, retiro o idiota. Mas, aí também, já não dará mais tempo para nenhum tipo de retratação.

E seja o que o eclipse quiser!

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Imagem em super.abril.com.br.

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ACERCA DA PRISÃO DE EIKE BATISTA

Finalmente o senhor Eike Batista foi preso preventivamente, por conta de inúmeras suspeitas com seus negócios.

Na verdade, ele já deveria ter sido trancafiado no xadrez desde quando conquistou, sabe-se lá com que argumento$, a Luma de Oliveira no auge de sua exuberância. Ali ele já se tornou réu!

Mas, enfim, após mais uma fase da operação Lava-Jato (Só não apoio integralmente esta operação pela falta da preposição a.), que apura a corrupção no Estado do Rio de Janeiro, Eike foi convidado a se recolher a um dos lugares a que não pretendia ir nessa sua vida de luxo e fraude: uma aprazível cela de um presídio elegante no ameno bairro de Bangu.

É claro que, quando ele se escafedeu para os Estados Unidos dois dias antes da deflagração da operação, ficou evidente que alguém o havia alertado de que a jiripoca ia piar, a cobra ia fumar, a coisa ia catingar chamusco. Contudo, talvez aconselhado por seu advogado, resolveu reconsiderar a fuga, que transformou em viagem de negócios, e voltou à terra.

Ainda no aeroporto de Nova Iorque declarou apoio ao trabalho que se tem feito para passar o país a limpo e disse, candidamente, que voltava como um bom cidadão, a fim de prestar conta de seus feitos e malfeitos. Não chegou a dizer, ao ser perguntado, se tinha agido de forma ilegal. Entretanto, pelo olhar desviado para o lado, no instante da pergunta, confessou tacitamente. E, por sua “conduta cidadã”, espera-se que vá soltar a língua, dar com a língua nos dentes, botar a boca no trombone, trombetear aos quatro ventos tudo aquilo que sabe, a fim de não pegar uma cana mais dura.

E deve ter muita coisa a dizer.

Há alguns anos, o governo federal, via BNDES, resolveu transformar o senhor Eike Batista no maior milionário do planeta, certamente com a intenção de mostrar ao mundo a pujança da economia nacional. E soltou a grana que pertence aos trabalhadores, a juros subsidiados, para erguer o edifício mítico de Eike Batista, que como um Midas ao revés começou a transformar em lama todo o empreendimento grandioso em que se meteu.

Fazer isso com o dinheiro alheio é o que mais tem acontecido no Brasil.

Hoje o senhor Eike Batista, réu desde a conquista da Luma de Oliveira, foi conduzido ao xilindró, e a primeira providência da polícia foi remover aquela perucazinha ridícula que ele portava sobre sua cabeçorra desavergonhada.

Tenho a impressão de que também ela foi adquirida com recursos do BNDES, que deve ser ressarcido dos prejuízos que sofreu com os negóciox das empresax do senhor Eike Batista.

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Imagem em craqueneto10.com.br

VERSOS DE CIRCUNSTÂNCIA

Tinha entre os rascunhos uns versinhos despretensiosos, como aliás tudo que faço, sobre a figura do desalojado presidente da Câmara dos Deputados. Mas não os publiquei então, tomado de certos pudores que ainda trago comigo. Hoje, contudo, diante da providência do ministro Teori (Não vou escrever seu sobrenome porque estou com preguiça de pesquisar no Google.), resolvi postá-los aqui, tal como é da tradição da poesia de escárnio e maldizer em língua portuguesa. Apenas me permiti usar um asterisco incoveniente, para não ficar extremamante inconveniente.

Aí vão.

O seu Eduardo Cunha
Será cunhado afinal
Receberá uma cunha
No orifício retal
De tal jeito que tal cunha
Lhe cause tão grande mal
Assim como nos causou
Com o desvio da estatal
De um dinheiro chorado
Em volume colossal
De modo que ao ser cunhado
Sinta-se ele afinal
Cunhado com a cunha no c*
Etecetera coisa e tal.

Imagem em pt.dreamstime.com.

TRAGÉDIA AMERICANA

(Para Zatonio Lahud Neto, que tocou na fritura.)

Depois de “Beleza americana” e “Noite americana”, cientistas norte-americanos, sem coisa mais importante que fazer, acabaram de descobrir uma tragédia americana: a população ianque do país foi dizimada por vários tipos de câncer há dezenas de anos, vítima de linguiça, bacon e outras carnes processadas. A descoberta, infelizmente, chegou tarde e, portanto, não pôde evitar que a tragédia já tivesse sido consumada.

O povo norte-americano, todos sabem desde o fim da Guerra Fria, das guerras quentes e de outras batalhas menores, era – não é mais! – chegado a um bacon, sobretudo o frito, que é mais mortal que “bala de carabina, veneno estricnina, peixeira de baiano, atropelamento de automóver e bala de revórver”, como o mestre Adoniran Barbosa já havia mencionado anteriormente em pesquisa encomendada por um tal Álvaro e feita no Bairro do Bixiga, em terras da garoa. O que se vê pelas ruas, parques e avenidas daquele imenso país ao norte do Equador é tão-somente uma população de zumbis ou, na melhor das hipóteses e até prova em contrário produzida pelo programa “Alienígenas do passado”, um bando de ETs que assumiu a forma humanoide estadunidense moderna, na versão Calvin Klein.

Aliás, via de consequência, mas ainda necessitando de validação empírica, também a população chinesa foi considerada extinta – vai comer carne de porco assim na Cochinchina! -, aí incluído o venenoso bacon, mesmo à moda Mao Zedong.

Não se livrou da catástrofe alimentar até mesmo a população das Minas Gerais e quiçá a de Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Até estou com receio de ao chegar lá, neste fim de semana, não encontrar viv’alma, nem no botequim do Marquinhos, nem no quiosque do Xapoca. O resto não sei, porque minha pesquisa parou neste exato momento, vez que vou fazer uma farofa de bacon, para acolitar uma feijoada completa, com todos os pertences a que faz jus.

Do túmulo, Stanislaw Ponte Preta manda efusivos cumprimentos aos nobres cientistas daquele país irmão.

Aliás, uma pergunta que não quer calar: como eles ainda estão vivos, para chegar a tão brilhante conclusão?

 

A foto do criminoso (em singledadiving.com).

PREPARANDO A VIAGEM

Vou-lhes dizer que estou preocupado com a próxima viagem que o Sr. Eurico “O Respeito Voltou” Miranda, com seus charutos, empreenderá em direção à Sibéria. E já comecei a procurar um lugarzinho aprazível e agradável, pequeno, porém decente, para que ele repouse a sua empáfia, tão logo a nau vascaína dê com os cascos no fundo do poço.

É que também quero fazer a minha parte. Já que não consigo resolver os sérios problemas por que passa nosso país, nem minimizar as agruras dos povos submetidos a guerras e misérias, desejo demonstrar a fraternidade que nos une a nós todos, torcedores do balipodismo, do pebolismo, do futebol, do nobre esporte bretão, enfim.

Quando o Eurico Miranda voltou com o discurso monofrásico do respeito que voltaria com ele, fiquei preocupado, pois que não há hipótese de que isto fosse ser levado a cabo de maneira cristalina, meridiana, legal e ética. Dele se pode esperar tudo o que não queremos que aconteça. E, dita a tal monocórdia frase, acendeu um dos seus charutos, a fim de mostrar poder alcapônico, de que os comuns dos mortais devem ter o maior respeito.

Como diria um meu conterrâneo, depois de algumas doses daquela que matou o guarda, Eurico se lascou-se. Isto é se ferrou de frente e de fundos. Seu time anda pior que carro atolado, é motivo de chacotas até de torcedores de equipes da segunda divisão, cujos nomes não citarei aqui para não me denunciar, nem ao meus amigos Zatonio Lahud Neto, Zé Sérgio, Ricardo Baresi, Fábio Neves, Sílvia Brito, Sueli Senna, para ficar só nos mais comedidos e equilibrados.

Por isso tudo é que estou pesquisando um bom lugar para que ele ancore seu “Respeito voltou”, e encontrei um bom sítio, como dizem nossos amigos lusos, que aí vai até mesmo com o código de endereçamento postal, para facilitar a que lhe passemos telegramas de boa chegada: Billings, Chukotka Autonomous Okrug, Russia, 689380. Aproveito, também, para apresentar o mapa de onde encontrar Billings.

Boa viagem, Eurico “O Respeito Voltou” Miranda! Vaya com Dios, querido! Vaya com Dios, amor!*

Map of Russia - Chukotka Autonomous Okrug (2008-03).svg

Billings fica em algum lugar ao norte daquela mancha vermelha, na Sibéria (imagem em pt.wikipedia.org).

Биллингс.jpg

Eis Billings (em pt.wikipedia.org).

 

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* Refrão do bolero Vaya com Dios, de autoria de Larry Russel / Inez James / Buddy Pepper.

PISAR EM FALSO

O senhor Henrique Pizzolato pisou em falso e agora não quer sujar seu belo sapato de couro italiano na lama brasileira, que ele ajudou a aumentar. Está com a extradição prontinha para ser executada e disse preferir morrer a cumprir pena nas prisões do Brasil. Pensasse nisso, antes de fazer as merdas que fez, emporcalhar ainda mais a imagem deste país tropical e ir desfilar sua pessoa impoluta, de dupla nacionalidade, na terra da pizza e da mozzarela. Agora Inês é morta, sr. Pizzolato, e pode ser que sua reverendíssima pessoa tenha que puxar uns anos de cadeia, nas masmorras fétidas e degradantes do seu país natal, embora tenha tintas italianas a correr nessa sua cara deslavada.

Tenho pena da família desse cara, que deve estar passando por maus bocados. Mas fazer o quê? Ele que fez, ele que pague. Mais ou menos assim como qualquer escroque que tenha sido pego pelo nosso mui benéfico sistema jurídico.

Mas, caso me seja possível ajudá-lo, aí vão algumas sugestões para dar cobro à vida. Algumas mais caras; outras bem baratinhas.

1. Precipitar-se com seu carro conversível num dos penhascos de Cinque Terre, ouvindo La donna è mobile.

2. Ingerir uma dose de chumbinho com uma taça de Brunello di Montalcino.

3. Cortar os pulsos com um caco de vidro de Murano.

4. Mergulhar nas águas do Mediterrâneo com uma pedra amarrada nel collo.

5. Jogar-se da parte mais alta do Monumento a Vittorio Emanuele II, em Roma.

6. Entrar com a camisa da Fiorentina na torcida Drughi Ultras da Juventus.

7. Chamar de bonito um cappo napolitano da Camorra.

A escolha é sua, senhor Pizzolato!

Imagem em brasilacimadetudo.com.br.

 

O REI COME CARNE

 

O rei Roberto Carlos, primeiro e único, virou carnívoro novamente. Nem sabia que ele fosse herbívoro. Em princípio, o ser humano é onívoro, com as famosas exceções. Dizem que isto se deu por conta de investimentos em gado de corte, o que o levou a emprestar seu sorriso envernizado para a propaganda da Friboi. Aí o boi tá frito! Se é o rei que diz que o está comendo presentemente, nada mais há a se fazer. O Toni Ramos, peludo primeiro e único, ficou sorumbático ao lado da foto do rei com um belo corte de boi suculentamente ao ponto. É bem verdade que o filmete de propaganda parou aí e não vimos os dentes do Roberto mastigarem a carne. Por isso acho precipitadas todas as ofensas que lhe foram ditas pelos vegetarianos de plantão.

Aliás, vamos ser sinceros: andamos brigando até pelo modo que cada um tem de comer. Estamos ficando chatos. Eu, por exemplo, que sigo o rito humano natural não ponho reparo em quem só coma folha. Cada um sabe de si. E me deixem comer em paz!

Esta é a razão por que não tenho nada contra o Roberto comer carne, bem como comer couve, ovo ou camarão. Como o passarinho que come pimenta, cada um sabe o fiofó que tem e come o que lhe apraz. Qualquer coisa que comamos, estaremos comendo um ser vivo, animal ou vegetal. O resto é conversa para boi e couve dormirem.

Agora que ficou esquisito pra caramba a propaganda, ah!, isso ficou! O Roberto é o cara mais sem graça do show business nacional. Está na mídia há mais de não se quantos anos (Sei, mas não vou dizer aqui para não ser processado.) e continua com aquele sorrisinho idiota nos cantos daquela boca cheia de dentes. Só tem opinião formada sobre o que rende direitos autorais e, nas entrevistas, não demonstra ter nenhum ideia interessante. Assim ficou um garoto propaganda canhestro, mal ajambrado, fora do figurino.

Coitado do boi da Friboi, merecia coisa melhor. Azar o dele!

Rango, de Edgar Vasques (em zonabranca.blog.uol.com.br).