SOU UM HOMEM SÉRIO, MAS DADO A FROUXOS DE RISO

Os jornais, às vezes, se transformam em veículos de humor.

Não sei se a realidade é que é hilária, ou os meios de comunicação que a fazem assim. Das duas, uma. Ou as duas ao mesmo tempo.

O Brasil, no entanto sabemos, é um país risível. Dizem mesmo que o velho general De Gaulle, do alto de sua empáfia francesa, afirmou certa vez que “Le Brésil n’est pas um pays sérieux!”.

Verdade ou não, tenha ele dito isso ou não, temos muito de humoristas; quando não, de palhaços.

Vejam, por exemplo, alguns casos.

O Jornal do Brasil online de domingo trouxe duas manchetes, uma sobre a outra, que justificam este meu ponto de vista. Ambas tratam do mesmo calo carioca: a violência urbana. Reparem só! “Tiroteio atrasa largada para o ‘Desafio da Paz’ na Vila Cruzeiro” e “UPPs não conseguem conter a violência em comunidades pacificadas”.

Já o Estadão online, também de domingo, é mais poético, no sentido amplo da palavra, ao criar a manchete para a primeira notícia destacada pelo JB: “Tiroteio atrasa corrida ‘Desafio da Paz’ no Complexo do Alemão, no Rio”. Vejam que o mancheteiro do Estadão jogou com a oposição atrasar/correr (‘atrasa corrida’), além, evidentemente, do paradoxo contido na dupla tiroteio/paz, também presente na manchete do JB.

Afinal, há ou não há paz? As manchetes estão cheias de antíteses, de ideias antagônicas, de paradoxos. Como é possível, haver paz em meio a tiroteios? Como haver convivência entre violência e comunidades pacificadas? E a sigla UPP significa realmente o que suas iniciais representam ou é apenas mais uma sigla num país dominado por siglas? Há polícia? Há pacificação?

Ou seria a realidade carioca, tão dada a paradoxos, antíteses, ambiguidades, ironias, oximoros?

Ou todos esses são textos irônicos, humorísticos, e estamos pensando que são sérieux?

Fico sem saber.

Mas há outros casos. Vejam mais esta: “Transnordestina vai atrasar cinco anos e custar quase o dobro”, também do Estadão.

Já nesta quer-me parecer que a figura que se impõe não é de natureza antagônica, mas sim de pleonasmo, de tautologia, redundância, de obviedade, enfim de conversa de cerca-lourenço. Estamos cansados de saber que é assim mesmo, nesta pátria varonil. As obras públicas saem apenas no prazo não previsto e sempre custam muito mais do que o previsto. Ou vice-versa, nunca se sabe!

Agora, dura mesmo é a última que trago para vocês: “Ravel Andrade vai interpretar Paulo Coelho na cinebiografia do escritor”. Ninguém interpreta melhor Paulo Coelho do que ele próprio, embora o Mago seja um péssimo ator de si mesmo. Se é que isto seja possível! E aí teremos de tolerar a mídia falar sobre o Paulo Coelho ficcional, o da cinebiografia. Saber sobre o desempenho do falso Paulo Coelho, o tal Ravel de Andrade, e as consequências disto.

Olhem, há certos momentos em que sou um homem muito sério, embora tenha meus frouxos de riso.

Como agora, por exemplo!

Imagem em marcelotrilha.blogspot.com.

VÃO INSTALAR UMA UPP NO EDUARDO PAES

O prefeito do Rio de Janeiro foi jantar com sua esposa em um restaurante japonês da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Estava placidamente acomodado, quando foi incomodado por um jovem músico, que se dirigiu a ele e o ofendeu. Como postou no seu Facebook, o músico disse ao prefeito que ele é um bosta e vagabundo.

Não deu outra: o prefeito deu-lhe um soco na cara.

Veja só! Não votei no Eduardo Paes, não sou do seu partido e tenho algumas restrições à sua administração. Mas o soco foi bem dado.

O cara, isto é, o músico, como postou em sua página no Facebook, se acha cheio de razões em odiar o prefeito e lhe dizer na cara o que pensa.

O prefeito, naquele momento, era muito mais o cidadão do que a autoridade. Estava em momento descontraído, com a esposa, para usufruir dos prazeres da cidade. Igualzinho ao músico, que já se encontrava no restaurante e se julgou incomodado apenas porque não deve ter votado no prefeito, deve ser simpatizante de partido oposto ao do alcaide e se julga no direito de ofender. Enfim, se acha!

Se eu fosse o prefeito também desceria o braço nos cornos do cara.

Bem ou mal, o prefeito foi eleito pelo voto direto, secreto e democrático da maioria dos cariocas. Se eu e o músico não contribuímos para sua eleição, temos o dever de respeitá-lo como cidadão. Aliás, devemos respeitar todas as pessoas.

Qualquer homem – mesmo um bosta – a que ele dirigisse seu xingamento reagiria da mesma forma. Alguns até poderiam lhe dar um tiro na cara, por exemplo. A cidade do senhor Eduardo Paes não é um mar de tranquilidade, bem sabemos. E o carinha foi audacioso ao extremo.

Neste caso se pode aplicar a lei física da ação e da reação. Ou a espírita – a do retorno: foi o insulto, voltou a porrada.

O músico e sua mulher foram a exame de corpo de delito e ameaçam processar o prefeito. Por seu lado, o prefeito reconheceu que agiu de forma desmedida e pediu desculpas à população por seu gesto.

Já Mariano Beltrame, secretário estadual de Segurança, está estudando a possibilidade de instalar uma UPP no prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Mariano Beltrame anunciando a instalação da UPP em Eduardo Paes (imagem em rafaeloliveira-rj.blogspot.com).

O EMOCIONANTE CAMPEONATO PAULISTA E O VIRADÃO

O Botafogo foi-me fazer a desfeita de antecipar o fim do Campeonato Carioca 2013 e fiquei – ficamos, os botafoguenses – com carência futebolística nesses dois últimos fins de semana. Meu irmão Guth, inclusive, é que me chamou a atenção para o fato.

Então o que nos sobrou foi assistir ao jogo final do Paulistão, realizado na Vila Belmiro, entre o Santos e Curintcha, time de também pacata e ordeira torcida. Soube mesmo que doze torcedores do Timão deixaram de comparecer à Vila Famosa, porque não conseguiram pegar a van que sairia da Bolívia especialmente para a efeméride.

Sem outra alternativa, já que minha tevê por assinatura, a Vivo, teve uma síncope em 28 de fevereiro e me deixou órfão, submeti-me à tortura de ver o jogo. Mas, vamos combinar, foi um joguinho muito furreca, muito mequetrefe. Sem charme, sem emoção e com o time do Santos jogando como um bando de coroinhas ou, quem sabe, seminaristas.

Pelo menos, ao Curintcha restou o gostinho de ser campeão, após a eliminação da Copa Libertadores da América, em seus próprios domínios.

Consola, mas não resolve.

E eu fiquei com gosto de pano de guarda-chuva velho na boca.

Por outro lado, o tal Viradão Paulista virou Arrastão Paulista. Particularmente, prefiro o virado, um prato potente, mas gostoso, bem bolado, bem lipídico.

Dentre diversas coisas esquisitas – até mesmo musicais – que aconteceram durante o evento, ressalte-se a participação do senador Suplicy solicitando publicamente que os ladrões que lhe levaram carteira e celular os devolvessem “por favor”.

O senador é um inocente! Os ladrões, não. Duvido que eles tenham a disposição de devolver alguma coisa ao senador.

E eu fiquei agora com um gosto de chupeta de açúcar na boca.

Chega de falar de São Paulo!

Toni Belotto, preparado para o Viradão (imagem em entretenimento.uo.com.br).

VOU FUNDAR UMA IGREJA, PORQUE NÃO SOU BOBO

Lá por volta d 1988, tínhamos em casa uma funcionária de prendas do lar. Era uma jovem – tinha cerca de vinte anos –, era bonitinha, evangélica e tímida, embora gostasse de conversar comigo, sempre que eu chegava do trabalho.

Certo dia, me disse que estava com muita pena de um irmão que não podia mais frequentar a igreja. Perguntei-lhe a razão, imaginando algum problema de saúde, e ela me disse que ele estava desempregado e não podia pagar o dízimo. Assim não lhe era permitido frequentar regularmente os cultos.

Na época, já militava nas fileiras satânicas do ateísmo e lhe falei da minha estranheza em, justamente numa fase de agruras como aquela, a igreja se recusar a ajudar o irmão necessitado.  Ela ficou sem graça e não soube explicar as razões religiosas da interdição. Que eu sabia! Eram razões dizimais. Não pagou, não frequenta.

Um pouco depois, ocorreu o escândalo do pastor televisivo norte-americano Jimmy Swaggart, flagrado com prostituta num motel no Texas.

Ao chegar a casa, ela me disse um tanto espantada:

­- Seu Saint-Clair, o pastor foi pego com a irmã num motel.

Ela, então, achava que a prostituta, naturalmente paga em dólares, fosse uma irmã de fé. Do alto (ou do baixo, nunca se sabe!) da minha total apostasia, disse-lhe uma frase que, tenho para mim, foi uma das mais bem cunhadas nesta minha vida de mediocridades. E que lhe causou estupefação.

– O pastor também é filho de Deus!

Sempre fui um cara comedido, centrado. Isto não é, absolutamente, virtude. Sou assim e pronto. Como se eu fosse canhoto, zarolho ou capenga. É minha condição, que não tem mérito nenhum. Mas, nesse caso do pastor – a esbórnia e a luxúria –, creio que todo ser humano deveria ter direito a desfrutá-las. Não acredito na conta a se pagar depois.

É mais ou menos o que pensa o pastor que agora foi pego com a boca na botija – o Marcos Pereira –, em seu apartamento de oito milhões de reais e muitas fieis passadas a fio de pênis abençoado.

Multiplicam-se no país as notícias dos homens “devotados a Deus” e suas práticas desregradas. Aos “homens de Deus” exige-se um mínimo de compostura, de vergonha na cara, de recolhimento e abdicação de bens materiais e prazeres mundanos. Se não, por que se dedicaram à causa? Melhor seria seguir o desregramento normal de qualquer um.

No entanto há um bando que sai por aí criando, cada um, a sua própria igreja. Não porque pense um pouco diferente do outro e tenha lá uma interpretação particular da palavra sagrada. Mas simplesmente para não dividir com o outro o produto do botim, do assalto, do achaque que faz à credulidade de uma multidão de desesperados, que esperam que a solução de seus problemas caia do céu.

Minha mãe conta o caso de um conterrâneo nosso lá de Bom Jesus – Bejota, para os íntimos -, analfabeto de pai e mãe, que se metia a pregador. Uma vez, indagado como fazia para saber o teor do texto bíblico sobre o qual fazer suas pregações, disse do alto de sua proverbial ignorância:

– Minha muié lê, e nóis tepreta!

Hoje, no Brasil, a melhor forma de se ganhar dinheiro, com isenção de impostos e sem dar duro num eito de lavoura, é fundar uma igreja. Ninguém sabe nada mesmo de p* nenhuma e está disposto a acreditar no primeiro espertalhão que lhe venda a ilusão de um mundo melhor, sob o pagamento de dízimo.

Para você, leitor amigo, ver até onde chega a canalhice desta gente, digo-lhe que vi a propaganda de uma pastora que criou um perfume com o cheiro de Cristo, a ser vendido, naturalmente, para uma multidão de inocentes úteis. Que é isso?!

Aprendi com a vida que os espectadores nunca ficavam até o final das sessões de cinema gratuitas. Naquelas que eles pagavam para ver, ainda que fossem de péssima qualidade, ficavam até o final, para justificar o dinheiro gasto.

É mais ou menos o que ocorre com essas pessoas que compram o Paraíso a prestações e enchem o rabo de espertalhões de dinheiro. E, quanto mais dinheiro, mais sacanagem na vida, pois o poder corrompe inexoravelmente.

Millôr Fernandes disse algo mais ou menos assim (li há muito e não me recordo exatamente da fonte): Desconfie sempre daqueles que ganham dinheiro com aquilo em que acreditam. O que é matéria de fé não pode render dividendos, penso como consequência.

Em todos os casos, como ando meio necessitado de fazer um pé de meia, acho que vou criar uma igreja. Porque posso ser tudo nesta vida, menos bobo! Além do mais, ainda há a hipótese de passar na cara algumas fieis mais bonitinhas.

Meu guru Millôr Fernandes, um dos homens mais lúcidos deste país (imagem em veja.abril.com.br).

 

ANOTE AÍ, PARA COBRAR DEPOIS

Há certas autoridades, pessoas influentes no cenário político nacional ou mesmo qualquer zé ruela que se põem a dar declarações, fazer afirmações bombásticas e contundentes, prometer mundos e fundos, enquanto a moçada está vendo BBB, está participando de disputa de porrinha, briga de canário, ou prosaicamente tirando fiapo de carne dos dentes. Isto quando há carne e/ou dente.

Eu, não! Eu estou de plantão, pesquisando aqui e ali, para ver se acho o calcanhar de Aquiles dessa gente.

O Guido Mantega, por exemplo, já não desperta muito interesse, pois, durante todo esse tempo em que está no Governo, jamais conseguiu acertar uma previsão de crescimento do PIB, da taxa de inflação anual ou de flutuação do câmbio. Ele é, mais ou menos, como técnico de futebol antes e depois de uma partida. Ao final, sempre adapta seus comentários para o que se deu e tenta explicar onde estava o ponto de desequilíbrio do jogo, momento em que seu time perdeu as rédeas da partida.

Agora vem um outro ministro com a seguinte pérola (até deixei o link da Folha de SP, para que você, paciente leitor, passa conferir):

Nunca mais haverá racionamento de energia no país, diz ministro.

A frase bombástica e incrível foi dita pelo ministro Edson Lobão Mau Eu Pego a Criancinha pra Fazer Mingau, político daquele progressista estado daquele político de vanguarda, de bigode entintado, que construiu um mausoléu para sua imortal pessoa. Qual é mesmo o nome dele, que não me ocorre no momento?

Pois o ministro Lobão não engana mais nem Chapeuzinho Vermelho, quanto mais o sistema energético nacional. Senão vejamos. E veja que falo com a autoridade do palpiteiro, o que sabe nada de muita coisa.

Se as ocorrências de apagão e suspensão de energia elétrica vêm pipocando há alguns meses sistematicamente e não se fez nenhuma obra, nesse tempo, como é que ele vem dizer que “nem agora, nem nunca mais” faltará energia? Estará ele falando de outra energia, essa que cada brasileiro traz dentro do peito e o faz gritar, a plenos pulmões, cada vez que a Seleção Canarinho mete um gol no poderoso esquadrão da Bolívia? Ou daquela energia captada pela fotografia Kirlian? Ou a energia que emana dos corpos esculturais das morenas à beira mar em Ipanema ou no Recreio?

Vou-lhe dizer, caro leitor, que gostaria muito de crer no que diz o ministro Lobão, mas estou escaldado pelas histórias de Chapeuzinho Vermelho e dos Três Porquinhos.

Por isso é que estou anotando agora, para verificar daqui mais um tempo, se o Lobão merece confiança.

Sei não, hem, Lobão!

Prefiro o roqueiro, com sua nostalgia da modernidade.

Imagem em elo7.com.br.

NOTÍCIAS COMENTADAS X

Algumas manchetes de jornais eletrônicos pululam diante dos meus olhos e aguçam o lado palpiteiro da minha pessoa. Por isso é que nesta noite de domingo, em que vou dormir sobre os louros da vitória do Botafogo por 3×0 sobre o Olaria, “simpaticíssimo clube da Rua Bariri”, como disse na transmissão da tevê Globo o Luís Roberto, me prestei a comentar algumas. A postagem está programada para hoje, segunda-feira. É provável que eu até nem esteja acordado, quando estas bem traçadas linhas estiverem em linha (online).

Aliás, queria saber do Luís Roberto para que serve, em termos de bola rolando, de nobre esporte bretão, o título de “simpaticíssimo”. E foi justamente ao levar o primeiro gol, que ele me saiu com esta. Ora, vá te catar, Luís Roberto!

Aí vão meus pitacos. Nem todos debochados.

1. “Lula é o nosso pai, diz ‘herdeiro’ de Hugo Chávez na Venezuela (Folha de SP) – Talvez seja prudente não comentar, já que a primeira pergunta seria: Quem é a mãe? E aí a coisa poderia descambar para dúvidas acerca da possível mulher. Por outro lado, Dona Marisa pode ficar chateada, até mesmo ofendidíssima em saber que seu marido andou ciscando fora de casa. Sabemos que a Venezuela é o país das misses. E o ciúme logo assumirá seu papel neste imbróglio. Melhor me calar.

2. “São Paulo bate o Botafogo-SP e se consolida na liderança do Paulista” (Folha de SP) – Esta manchete foi produzida especialmente para os torcedores cariocas do Flamengo e do Vasco terem um pouquinho de esperança. Porém a esperança logo morre ao perceberem que, ao lado de Botafogo, está a sigla de São Paulo – SP – e é enterrada no final da frase, ao perceberem que se trata do campeonato paulista. Então voltam a chorar amargamente.

O chororô é livre.

3. “Fernando Haddad reconhece: governar São Paulo é difícil” (JB) – E vou te dizer mais uma coisa, Haddad, não dá para ficar penteando as madeixas. É barra pesada! Seria preferível ter ficado no Ministério, gerindo as crises do ENEM. Prefeito tem de arregaçar as mangas. Lembra-se de que Jânio Quadros começou a se descabelar, ao ser prefeito da cidade, lá pela década de 50? E nunca mais conseguiu colocar os cabelos em ordem!

Os cabelos do Jânio (em ppsiquiatria.blogspot.com).

4. “Botafogo goleia o Olaria, garante liderança e elimina equipe do Vasco” (O Dia) – Notícia mais velha que o rascunho da Bíblia. Já sabia disso, desde o início da Taça Rio. E aí eu rio: hihihihi!

5. “Morre o cantor Marku Ribas aos 65 anos” (O Dia) – Praticamente desconhecido da mídia, Marku Ribas era dono de uma poderosa voz, estilo personalíssimo de cantar e extremamente talentoso. Mas não aconteceu. Dele tenho os álbuns Marku (Beverly, 1973) e Cavalo das alegrias (Polygram, 1979) e o CD Zamba Ben (Dubas, 2008). Descanse em paz, Marku!

6. “Pitbull mata a dona no interior de SP” (Estadão) – O cão é o melhor amigo do homem. Já da mulher, tenho cá minhas dúvidas. Uma jovem de 35 anos, farmacêutica, que tratava o cão como um filho, foi morta pelo seu animal de estimação. Uma tragédia e tanto! E já ouvi de donos deste tipo de cão que ele é muito dócil.

7. “Balotelli é flagrado fumando em trem e é punido com suspensão pelo Milan” (Estadão) – E lhes digo mais, caros leitores, fumando um inocente cigarrinho de filtro de muito boa qualidade. Será que o Milan tem em sua direção o Dr. Dráusio Varela? Ou será um religioso que desaprova o pito? Já pensaram se é o Jobson? Era capaz de ser mandado para a Ilha do Diabo. Mas, no fundo, no fundo, tenho a impressão de que isto é racismo disfarçado de antitabagismo. Se ele fosse o bonitão do David Beckham, duvido que fizessem alguma coisa. Já com o afroitalodescendente…

8. “Presidente chinês: ‘Nenhum país deve ter permissão para jogar o mundo no caos’” (O Globo) – Desde Mao Tsé Tung, não concordava com um dirigente chinês tão completamente como agora. E, quando ele diz nenhum está incluindo aí o Grande Irmão do Norte, o Tio Sam. Esta minha concordância também não fará a mínima diferença para o presidente chinês, bem como para o príncipe comunista Kim Jong Un, o Fatídico. Infelizmente não posso dizer: eles que são brancos, que se entendam. Pois uns são brancos, outros amarelos e há até um afrodescendente metido nessa confusão toda. Se é que me entendem!

9. “Laudo do Instituto Adolfo Lutz confirma que suco Ades estava insatisfatório para o consumo” (O Globo) – Que é isso Adolfo Lutz? Insatisfatório, porque não estava saboroso? Ou não estava na quantidade anunciada? Ou poderia não agradar ao paladar? Insatisfatório, nesses casos, é eufemismo. Tenho a impressão de que deveria ser próprio ou impróprio. “É insatisfatório, mas eu vou levar assim mesmo!”, poderia dizer o consumidor diante da informação capciosa do Instituto.

10. “Vasco vence Friburguense e põe fim a jejum” (O Globo) – Agora? Depois da Semana Santa? Ah, sim, entendi: então não vencia, porque estava na Semana Santa. Não adianta mais! Já era, Bacalhau! Tua carne está tratada (a sal) e teu couro está vendido! Pelo menos, tu não irás correr o risco de ser vice novamente. Disto estás salvo, ô gajo

METENDO O BEDELHO AONDE NÃO SOU CHAMADO

1. A SITUAÇÃO CIPRIOTA – Já disse alhures que ando muito preocupado com a situação cipriota. Em primeiro lugar, porque lá todo mundo fala grego, o que já constitui uma dificuldade a mais para o entendimento mútuo. Na verdade, não é todo mundo. Há boa parte que fala turco. O que também não ajuda nada.

Vejam, então, que cipriotas gregos – falando grego – e cipriotas turcos – falando turco – geram uma balbúrdia pior do que na época da Torre de Babel.

Em segundo lugar, porque fica difícil saber quem foi que embolsou o dinheiro de que a ilha precisa para sanar seus problemas.

São dez bilhões de dólares!

E eu lhe pergunto, leitor benevolente: como é que uma ilhota minúscula daquela produz um rombo tão grande, muito maior que ela e ainda se mantém flutuando nas águas do Mediterrâneo?

Κυπριακή Δημοκρατία

Kıbrıs Cumhuriyeti

O nome oficial de Chipre em grego e em turco.

2. A SITUAÇÃO DO FLAMENGO E DO VASCO ­ – A situação desses dois times – pode ser que me engane – nem Pai Prudenço consegue resolver com reza forte. E a do Flamengo é até mais complicada, porque está de técnico evangélico, que tem o maior horror a despachos e ebós.

Aí, como me disse o próprio Pai Prudenço, “fica difice, zifio!”.

Framengo / Basco

Os nomes dos clubes na pronúncia dos torcedores.

3. MIANMAR NÃO SERVE DE EXEMPLO PARA NINGUÉM – Quando o país se chamava Birmânia, era menos confuso. Eu até tinha aprendido nas aulas de Geografia, na escola em Carabuçu, o nome da capital. Mas foi só instalarem lá uma ditadura há cerca de 50 anos, que resolveram trocar o nome do país para Mianmar. E a coisa não deu certo.

Agora, sob a égide de uma democracia vacilante, a maioria budista da população anda querendo dizimar a minoria muçulmana.

Logo os budistas, que têm do Ocidente o olhar admirado para seu badalado modo de vida pacífico.

E eu lhe digo, amigo leitor, nem Pacífico, nem Atlântico. É ferro na boneca!

Ficheiro:Myanmar long form.svg

O nome oficial de Mianmar em birmanês.

4. ESTOU PREOCUPADO COM A SÍRIA – O Papa Francisco falou com preocupação sobre a situação da Síria.

Eu também, Santidade, estou muito preocupado!

Como sói acontecer, os dois lados estão-se metendo o fogo e quem acaba sofrendo é o povo.

Depois é só questão de substituir uma ditadura por outra.

Ou você tem dúvidas de que assim será?

الجمهورية العربية السورية

O nome oficial da Síria em árabe.

5. “CÉSAR BORGES SERÁ O NOVO MINISTRO DOS TRANSPORTES” – Que São Cristóvão tenha piedade de nós!

Imagem em crystalarte.arribaweb.com.br.

DO DIREITO AO PITACO XI

O PSC ESTÁ-SE LIXANDO

O PSC – Partido Só pra Contrariar – resolveu manter o apoio ao deputado-pastor (ou pastor-deputado) Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. E, com isso, contraria a onda de protestos de todo o país contra o pastor.

É muita coisa contra e foi preciso contrabalançar com o apoio, já que o deputado-pastor (ou pastor-deputado) também se colocou contra homossexuais e negros, por suas declarações preconceituosas.

Mas ele continuará firme, porque nossos políticos, que nos vêm pedir votos durante o processo eleitoral, ao assumir seus cargos, cargam e andam para a opinião dos zéleitores. Tudo um bando de zé, que só serve para votar e olhe lá!

O que o PSC faz agora, as duas ilustres casas de representantes – Senado e Câmara dos Deputados – fizeram ao eleger seus atuais presidentes, também contra o protesto quase geral das pessoas de bom senso desta pátria desolada.

Deste modo, não está voando longe do pau, cavaco mal lascado que é, esse tal partido.

E tudo há de continuar assim, porque manda quem pode e obedece quem tem juízo.

 

VAI BASHAR NOUTRO TERREIRO

O corvo albino de nariz adunco, Bashar al-Assad, ditador hereditário da Síria, viu seu prestígio bashar entre seus confrades árabes. Na reunião da Liga Árabe, realizada hoje, as “brimas” receberam com palmas o representante dos rebeldes como autoridade do país das esfirras e caftas. Daqui a pouco, podem ter certeza, desanda o labneh lá dele. É só sair para dar uma mjadra, que não vai mais encontrar onde colocar seu quibe cru.

 

SERÁ QUE LALAU VAI-SE DAR MAL?

Estão dizendo que o ex-juiz do Trabalho Nicolau dos Santos Neto, o famoso Lalau, finalmente vai ver o sol nascer quadrado. Está, segundo parece, com a saúde em dia para puxar uma cana, pelo desvio de mais de 160 milhões de reais da construção do edifício do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Enquanto isso, outros réus – dentre eles o ilustre ex-senador Luís Estêvão – aguardam com ansiedade a prescrição do crime em 2014, ainda a tempo para assistirem a cerimônia de abertura da Copa da FIFA no novo Maracanã. Isso se, até lá, o estádio não for interditado para investigação de novos desvios de verba durante sua reconstrução.

É muito desvio para pouca estrada, né não?!

 

Charge de Manga (em osamigosdaonca.com.br)

O CADÁVER CONTINUA VIVO

O caso do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, aquele pastor-deputado, ou deputado-pastor, que andou falando m*rda sobre m*rda e, no entanto, ainda assim foi conduzido por seus pares e asseclas à presidência, agora parece insustentável. Virou caso de cadáver que ninguém quer carregar, a não ser ele próprio. Por isso é um cadáver ainda vivo, milagrosamente.

Acontece que, no Brasil, as minorias – que já estão ultrapassando as maiorias – fazem um barulho danado, quando pisam nos seus calos ou põem ventilador em sua purpurina. E foi só o que o indigitado deputado-pastor, ou pastor-deputado, fez.

O problema é que sempre que alguém produz um discurso equivocado, cada vez que tenta consertar, sai a emenda pior que o soneto.

E a briga que ele comprou é com a parcela da população mais disposta a brigar: os negros (não serei cretino aqui de chamar de afrodescendentes, porque não chamo os brancos de lusodescendentes, por exemplo), que foram massacrados através da história do país e ainda hoje pagam uma conta que não é deles, e os homossexuais, que também não são tantos assim, mas que são muito ativos (vê-se, por aí, que a ideia de passividade não tem nada a ver com a orientação sexual do cara).

Então está lá em desfile fúnebre pelos corredores do Congresso Nacional o cadáver vivo e insepulto do deputado-pastor Marco Feliciano, carregando no lombo a infelicidade de ser preconceituoso e racista, o que não se justifica, tendo em vista o encaracolado de suas madeixas e a tez de sua pele.

Mas é quase sempre assim. Diziam que os capitães d0 mato, alguns negros que saíam à caça de escravos fugidos, eram piores que seus patrões brancos no trato com os irmãos de cor.

Esse pastor-deputado está é lascado. Vai ficar zanzando por aí, sem noção, até que sucumba à campanha que lhe é movida.

 

Bruna Marquezine (em portaldenoticias.net).*

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*Não ia emporcalhar esta postagem com uma foto do citado deputado. Preferi ilustrar com a da bela atriz em um momento descontraído na praia.

 

OS APUROS DO PASTOR

Duas coisas há de pior para a vida de uma pessoa. A primeira, caso essa pessoa seja homem, casado, com cargo político, e se descase, é a ex-mulher. E Celso Pitta não está aí para me desmentir. A outra é o cara ser um desconhecido nacional, detentor de cargo eletivo, e chegar a ser indicado para a presidência de uma comissão legislativa qualquer. Neste caso, é a tal opinião pública. Que também é feminina, como ex-mulher.

O desconhecido pastor Marco Feliciano “levava uma vida sossegada, gostava de sombra”, dízimo e cartão de crédito de fiel. Pois só for ser eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos, que começaram a pôr seus podres para fora.

Bem feito para ele! Se tivesse ficado no seu canto, seu racismo, sua homofobia, sua predileção preferencial pelos dízimos dos fiéis, seus possíveis deslizes éticos não seriam hoje discussão nacional.

Até mesmo sua mansão em Orlândia, interior de São Paulo, muito parecida com um bunker, estaria estampada em folha de jornais. Ninguém estaria dizendo que as informações sobre o irreal valor da casa – 60 mil reais – feito à Justiça Eleitoral seriam suspeitas.

Ninguém estaria sabendo, por exemplo, que ele foi viciado em cocaína, na juventude. Nem que é filho de uma relação extraconjugal de seu pai, tendo sido criado apenas por sua mãe.

Tudo isso estava dormindo sob as cinzas frias da indiferença nacional, até que ele foi indicado para a tal comissão.

E o mundo caiu sobre sua cabeça. Manifestações contrárias à sua indicação – e agora à sua permanência na presidência da Comissão – se multiplicam país afora.

O problema todo começou com sua eleição a deputado federal e culmina agora com esta eleição entre seus pares – todos os deputados que votaram nele são da bancada evangélica. Talvez seus eleitores também o sejam.

De nada adiantaram os protestos de alguns deputados da Comissão, de nada estão adiantando os protestos e os abaixo-assinados. Ele parece inamovível na convicção de que é o homem certo, no lugar certo.

O Congresso tem mostrado isto ao povo: lá quem manda são Suas Excelências. E a gentalha pode gritar, espernear, que eles não estão nem aí.

 

A mansão do pastor em Orlândia, segundo informado por oglobo.globo.com.