A CARNE É FRACA, MAS A PROPINA É GORDA

 

A opinião pública brasileira ficou espantada com a operação Carne Fraca da Polícia Federal. Primeiro, porque passou a desconfiar, sem deixar de comer, da qualidade da carne brasileira. Segundo, porque não sabia que a inspeção federal, traduzida naquele carimbo azul na gordura da picanha, seria para valer. Achava que era tão-somente um elemento decorativo na peça carnal. Terceiro, porque aguardou por uma queda significativa no preço da carne e isso não aconteceu. O churrasco do fim de semana continuou valendo o mesmo cascalho que antes. Queda acentuada, apenas na vergonha nacional. Se bem que não sei se há mais como cair!

Por outro lado, ficou também preocupada com a repercussão internacional que a operação desencadeou. Vários importadores da carne nacional suspenderam seus pedidos, em nome da segurança alimentar de seu povo. Como a China, por exemplo.

O governo chinês, cioso de sua responsabilidade sanitária, foi um dos primeiros países a barrar a continuação da entrada de carne bovina brasileira no país. Ficou muito desconfiado de que nossa inspeção não seja confiável, mas apenas coisa para inglês ver. Mais ou menos por aí. E manteve a permissão de que seu povo continue a comer carne de cachorro, escorpião, cobra, grilo, gafanhoto e um bom número de outros insetos voadores e rastejantes, servidos em restaurantes populares e barraquinhas de feiras livres, com todo o cuidado higiênico possível.

Também a desenvolvida e rica Coreia do Sul voltou a comer cachorro, até que comprove que nossa carne não faça mal à sua população. Não o cachorro-quente, é óbvio, mas aquele canídeo quadrúpede, parente próximo do lobo, que nas altas esferas também atende pelo nome de cão.

Isso só para citar dois exemplos exemplares. Uns e outros países aí, inclusive, talvez não conheçam uma vaca em pé, como nossas crianças urbanas, que acham que galinha existe apenas na forma congelada e em gôndolas de supermercados.

Segundo nossas preocupadíssimas autoridades, apenas vinte por cento da produção de proteína animal, como gostam de dizer os técnicos do assunto, são exportados. Nós mesmos comemos os outros oitenta por cento, grande parte disso pelo povo gaúcho, com sua irrefreável paixão por uma carne churrasqueada, tchê!

Deste modo, se se baixar o preço em vinte por cento, os brasileiros, que jamais fogem à luta, se comprometem a comer os outros vinte por cento, e ninguém ficará no prejuízo. Não se fecharão frigoríficos, não se perderão empregos, aumentar-se-á – como é do vezo do presidente falar – também o consumo de cerveja, e o governo não deixará de recolher seus queridos impostos. Até o povo da propina poderá manter seu gordo e lucrativo cala-boca, o faz-me-rir, o pixuleco, na santa paz do jeitinho brasileiro de fazer as coisas.

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Imagem em youtube.com.

NIBIRU É O BICHO!

(Para minha irmã Cristina.)

O planeta Terra, de tão inglória história geológica e humana, será destruído mais uma vez – e agora por duas vezes – no corrente ano da graça e do humor de 2017.

No próximo dia 16, quinta-feira próxima, conforme profetizou um cientista russo – ou seria ucraniano? –, segundo noticiado por um sério pasquim britânico, será a nossa derradeira data de existência como corpo celeste íntegro. Passaremos, após a colisão prevista de um asteroide mixuruca, que atende pelo nome de 2016WF9, à condição de poeira cósmica. Ou não!

Estou muito preocupado com isso. Tenho algumas contas a vencerem em datas posteriores e serei obrigado a dar calote em meus credores. Não poderei fazer nada, já que serei o pó do pó do pó do pó do pó do traque do universo. Como não haverá mais SERASA, meu nome não irá para a lista dos inadimplentes. E isto já me faz ser desintegrado sem maiores preocupações.

E minha irmã Cristina, amiga do Toninho do Tupi, e versada em certas magias ocultistas, também me informou que, no final deste ano, outro cometa, este de proporções gigantescas, dará uma carambolada no nosso planetinha – se é que ele ainda esteja em sua rota solar -, não deixando átomo sobre átomo, íon sobre íon. É o tal do Niburu, de nome esquisito e de muitos maus bofes astronômicos.

Segundo consta, este corpo celeste, que assusta a raça humana desde os sumérios, assírios e acadianos, seria do tamanho da Terra e já teria causado estragos por onde passou. Ele vem lá do cu do universo, queimado gás, atropelando astros e, por sua índole nefasta, vai colidir com este simpático planeta azul que habitamos, ainda este ano, ou o mais tardar no princípio do século XXI. Quer dizer, exatamente agora. Tais informações foram prestadas por dona Nancy Lieder, uma sensitiva ianque, que imagino seja eleitora do Trump, a qual, sem nada a fazer, fica mantendo contato intergaláctico com os nibiruenses. E não adianta nada anotar a placa do bicho, porque ele vem queimando a reta, chamuscando o caminho, devastando as vias lácteas e os cinturões de asteroides. É coisa inapelável e jamais vista por aqui!

Deste modo, se o tal 2016WF9 passar pelo pedágio estelar sem causar danos, o Nibiru fará seu serviço sujo. Ou seremos destruídos duas vezes no mesmo exercício fiscal, tirante, é claro, o projeto do governo de arrochar ainda mais o cidadão brasileiro.

Só por isso, já fico morrendo de rir, antecipadamente, porque essa reforma da previdência proposta pelo governo federal vai dar em nada: estaremos todos pulverizados antes de completar o prazo para a aposentadoria.

Assim, consideradas essas duas destruições a que estaremos sujeitos num prazo de menos de doze meses, esta é a última crônica que posto aqui no blog.

Se, acaso, quem sabe, quiçá, aparecer outro texto posterior a este nesta página, considere que fica valendo a destruição do Nibiru para o fim do ano.

Adeus, amigo leitor! Tenha um feliz cataclismo celeste!

2016wf9

O tal 2016WF9 em seu passeio celeste (em uol.com.br)

TRAGÉDIA AMERICANA

(Para Zatonio Lahud Neto, que tocou na fritura.)

Depois de “Beleza americana” e “Noite americana”, cientistas norte-americanos, sem coisa mais importante que fazer, acabaram de descobrir uma tragédia americana: a população ianque do país foi dizimada por vários tipos de câncer há dezenas de anos, vítima de linguiça, bacon e outras carnes processadas. A descoberta, infelizmente, chegou tarde e, portanto, não pôde evitar que a tragédia já tivesse sido consumada.

O povo norte-americano, todos sabem desde o fim da Guerra Fria, das guerras quentes e de outras batalhas menores, era – não é mais! – chegado a um bacon, sobretudo o frito, que é mais mortal que “bala de carabina, veneno estricnina, peixeira de baiano, atropelamento de automóver e bala de revórver”, como o mestre Adoniran Barbosa já havia mencionado anteriormente em pesquisa encomendada por um tal Álvaro e feita no Bairro do Bixiga, em terras da garoa. O que se vê pelas ruas, parques e avenidas daquele imenso país ao norte do Equador é tão-somente uma população de zumbis ou, na melhor das hipóteses e até prova em contrário produzida pelo programa “Alienígenas do passado”, um bando de ETs que assumiu a forma humanoide estadunidense moderna, na versão Calvin Klein.

Aliás, via de consequência, mas ainda necessitando de validação empírica, também a população chinesa foi considerada extinta – vai comer carne de porco assim na Cochinchina! -, aí incluído o venenoso bacon, mesmo à moda Mao Zedong.

Não se livrou da catástrofe alimentar até mesmo a população das Minas Gerais e quiçá a de Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Até estou com receio de ao chegar lá, neste fim de semana, não encontrar viv’alma, nem no botequim do Marquinhos, nem no quiosque do Xapoca. O resto não sei, porque minha pesquisa parou neste exato momento, vez que vou fazer uma farofa de bacon, para acolitar uma feijoada completa, com todos os pertences a que faz jus.

Do túmulo, Stanislaw Ponte Preta manda efusivos cumprimentos aos nobres cientistas daquele país irmão.

Aliás, uma pergunta que não quer calar: como eles ainda estão vivos, para chegar a tão brilhante conclusão?

 

A foto do criminoso (em singledadiving.com).

DESPREPARADO

Tomei um banho ainda há pouco, vim bisbilhotar a Internet e descobri que o mundo será completamente destruído amanhã (hoje), sem falta. O horário não consegui saber, pois não terminei de ler a informação, preocupado que fiquei em traçar estas minhas últimas linhas, como derradeiro testemunho de um cidadão comum.

Diz o sítio eletrônico BOL que “A seita cristã online eBible Fellowship, com sede nos EUA, previu que o mundo será completamente destruído nesta quarta-feira (7)”.

Ontem (anteontem) mesmo, ao pagar a conta do condomínio, também pela Internet, aproveitei para agendar outras duas que estavam juntas. Perderei meu dinheiro, pois não estarei mais aqui entre nós, no convívio tranquilo desta Cidade Sorriso, e o maldito banco descontará do meu raso saldo o valor delas.

Ah! O banco também não estará aqui? Então menos mal. Vou desaparecer conformado.

Mas, especificamente, sobre mais esta previsão, tenho uma declaração bombástica a fazer, que há de explodir antes do planeta Terra: Vai tomar na olhota, maldita seita cristã online!

O que esses estúpidos profetas do caos pretendem com tais bobagens? O mundo vai acabar? Sei lá! Deve acabar, assim como deve ter começado. Tudo que começa finda. Pelo menos, é o que se sabe acerca das coisas: começaram, acabam! Até mesmo o dentifrício usado no dia a dia tem prazo de validade. Por que o mundo não teria? Possivelmente um pouco mais estendido: coisa de bilhões de anos. E não esse prazo exíguo, logo na época em que vivo!

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, daí aparecer um mané qualquer a dizer que tem o conhecimento de que o troço vai se esboroar com data marcada – a, ainda por cima, sem prazo prévio para que nos preparemos – vai uma distância desgraçada.

Assim como não me preparei, tenho certeza de que também até aquele meu vizinho nojento será pego no contrapé. Pelo menos, para ele, bem feito! Acordará na quinta-feira lá no meio do inferno, já espetado pelo ancinho do cramulhão, sem saber por quê. Desinformado como ele só!

E, ademais, todos os processos contra políticos, autoridades e funcionários públicos e de estatais serão extintos conjuntamente com o planeta. E todos morrerão impunes, como uns anjinhos, prontos a assumirem seu lugar no paraíso.

Nem mesmo o Pizzolato poderá experimentar o conforto das nossas prisões. Não terá tempo hábil para isto. Infeliz dele! Bem feito, também! Quem mandou protelar a volta ao Patropi?

Já o governo da Tia Dilma deixará de ser ameaçado diariamente com um pedido de impeachment, com o que ela terá tranquilidade para levá-lo a cabo, sem oposição, situação e PMDB. Isto será de muito bom proveito. Pena, talvez, que não existirá mais governo, governantes e governados. Mas o que se há de fazer? Não se pode ter o melhor de todas as situações.

Infelizmente também não veremos a Maitê Proença tal qual veio ao mundo – exceto por alguns pelinhos a mais (O que não me causa nenhuma contrariedade. Pelo contrário! Hahaha!). É que o Glorioso não conseguirá fechar a Segundona com a taça e a faixa de campeão, e isto a desobrigará de cumprir a promessa feita lá no início da disputa. Lamentável!

Enfim, ninguém está preparado!

Imagem em tecnodrom.com.br.

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PS 1: Este texto foi feito ontem, dia 6, porque não saberia se estaria vivo para fazê-lo hoje.
PS 2: Se você, leitor, conseguiu ler o texto, é porque fomos mais uma vez enganados pelos profetas do após calipso.
PS 3: Se você não leu, é porque o troço é sério e o mundo foi pro beleléu. Te vejo na eternidade!
PS 4: Caso queira mais detalhe e se estiver vivo, leia em: http://zip.net/bjr7Rn.

A CRISE GREGA

(Ao amigo Zatonio Lahud Neto, que não aguenta mais ouvir falar na crise grega.)

A crise grega está deixando meus parcos cabelos alvoroçados. Nunca estive na Grécia, mas tenho a maior simpatia pela cultura e pela história que moldaram a chamada Civilização Ocidental. Quero dizer de antemão que não cuspo no prato em que como. Não tenho vergonha de ser ocidental e um tanto civilizado à moda grega, romana, portuguesa, africana e índia. Minhas raízes, neste aspecto, são mais profundas que raízes da nobre mandioca. Nem mesmo da tal Civilização Cristã, embora hoje seja materialista e à toa, me causa engulhos. Somos o que somos. Não nasci em outra parte do mundo, nem sob outra cultura. Procuro, apenas, não ser mais um canalha na face da Terra.

Mas, como eu ia dizendo, estou deveras preocupado com a situação grega, que chegou a tal ponto, que talvez só permita ao país obter empréstimo na Crefisa, que, segundo sei pela propaganda, é a única entidade com fins lucrativos que empresta para negativados. E a Grécia já passou de negativada: já está com o nome no SERASA europeu.

E de quem é a culpa pela situação helênica (Viram como mudei o adjetivo para mostrar cultura?)? Trago aqui, na tentativa de entender quase tudo, mesmo que não entenda nada, parte da história.

Há milhares de anos atrás, conta o poeta, Esparta, cidade belicosa de uma Grécia constituída por cidades-estado, empreendeu uma guerra contra Troia, cidade da Ásia Menor, situada à entrada do Mar de Mármara, sobre o estreito de Dardanelos.

A História, com H maiúsculo, especula, contudo, outra versão. A posição estratégica sobre o estreito deu a Troia o controle de entrada e saída de todos os navios para as cidades no interior deste mar e do Mar Negro, contíguo. O governo troiano tirava boa parte de seus recursos da cobrança de uma espécie de pedágio de cada embarcação que por ali navegasse. A situação ficou insustentável para Esparta, uma potência marítima à época, e demais cidades gregas, quando Troia resolveu aumentar de forma exorbitante o valor cobrado. Aí se deu a famosa Guerra de Troia. Contudo esta história não mereceria um poema inteiro de Homero, tão prosaica que era a motivação do conflito. Então se criou a lenda do rapto de Helena, considerada a mulher mais bela de então, e a busca desesperada do marido, Menelau, que só a recuperou depois de destruir a cidade inimiga.

Para que se conseguisse a derrota definitiva de Troia, o espírito grego engendrou o tal Cavalo de Troia, um engodo grosseiro, em que os asiáticos caíram feito patos. A Grécia, então, passou a ter o controle total sobre todas as águas marinhas de sua costa e adjacências.

Pelo que se sabe, a tal guerra durou dez anos. Helena, ao ser recambiada para casa, já era dez anos mais velha. Não sei bem se já seria a mais bela humana da época. Vamos continuar supondo que sim, porque, se não, imaginem a frustração de Menelau, quando ela reentrasse no sacrossanto recesso do lar feito um chupe-chupe de laranja. Porque Páris, o ladrão de mulher alheia, não a raptou para que ela lhe lavasse as roupas ou lhe cozinhasse a skordalia. O pau deve ter quebrado nesses dez anos, entre os “lençóis macios, amantes se dão, travesseiros soltos, roupas pelo chão”.

Pois agora – voltando à situação egípcia em que a Grécia se meteu – o Cavalo de Troia que lhe puseram diante foi enviado pela comunidade econômica internacional, que não tem uma cara visível, nem risível, e cobra seus pedágios mais fortemente que Troia. A Grécia não tem mais a valentia dos aqueus que venceram a cidade da Ásia Menor, embora lute com todas as retóricas que criou há milênios, para que o bucho do cavalo não se abra e de lá saiam algumas dezenas de banqueiros com as letras de câmbio vencidas, querendo recebê-las até mesmo sobre o sangue do povo grego.

Parece, contudo, que chegaram a um acordo que pode manter Mikonos e Santorini, com suas casas de uma alvura exemplar, na rota dos navios de cruzeiros, e o povo grego, criador da Tragédia, possa superar seu pathos e atingir a katharsis dentro do prazo mais breve possível. Como na ação da tragédia clássica.

 

Helena de Troia, por Evelyn Morgan, 1898 (em pt.wikipedia.org.).

EM DEFESA DAS CALÇADAS DE PEDRAS PORTUGUESAS E DO QUEIJO DA SERRA DA ESTRELA

Hoje as tevês estão com dois itens na pauta de notícias que me preocupam bastante. Costumo ficar preocupado com questões menores. As maiores, aquelas cabeludas, deixo para os políticos que elegemos resolverem, pois sei que sempre vai rolar algum, e eu não estarei no bolo da divisão. E também porque sou muito miudinho para resolver grandes questões.

Porém uma das questões de hoje diz respeito a uma consulta pública que um bairro de Lisboa está fazendo aos seus habitantes, para saber se querem manter ou substituir as tradicionais calçadas de pedras portuguesas, por uma mais “moderna” feita de concreto. A outra é a recente implicância do Parlamento Europeu contra o queijo da Serra da Estrela.

Já de saída quero afirmar que sou contra a substituição das calçadas tradicionais, que se espalharam por outros países, sob a alegação de que são perigosas para os transeuntes. Substituí-las por calçadas de concreto não resolverá o problema das quedas, se nenhuma delas tiver manutenção. Os buracos produzidos em qualquer tipo de calçada devem ser tratados de imediato. O que se exige é uma manutenção preventiva, a fim de que não se desfigure uma cidade, em função da presunção de se proteger a saúde do seu morador. Em qualquer calçada, haverá quedas, pois somos propensos a cair, já que andamos com duas pernas. Necessário, então, é manter a calçada em ordem.

Quanto ao queijo, aí acho a coisa até suspeita! Alega o Parlamento Europeu que a flor do cardo, que é utilizado na fabricação do queijo como coalho, não é reconhecido como tal pelo douto Parlamento. À merda com a sabedoria do Parlamento! O queijo existe desde o século XII, é um dos produtos mais emblemáticos de Portugal, reconhecido no mundo inteiro por sua qualidade excepcional e paladar indescritível. Vem agora, depois de quase mil anos, o Parlamento Europeu dizer que desconhece a flor de cardo com esta função! E o que sabe de sabores, paladares, prazeres, o Parlamento Europeu? O que entende ele de culinária, queijaria e quejandos, para ficar cagando regras sobre a utilização popular e tradicional de uma cultura nacional?

Há alguns anos ele se meteu a cagar regras sobre a qualidade das bananas importadas pela Europa, o que praticamente impossibilitaria a entrada da fruta no continente. Os alemães, os maiores comedores de bananas do mundo, se revoltaram e o Parlamento Europeu retrocedeu nas exigências.

Às bananas o PE!

Há pouco, e já referi isto em postagem em Asfalto&Mato, a Secretaria de Saúde de Bom Jesus do Itabapoana, minha terra natal, se meteu na comercialização de queijos artesanais, proibindo sua venda no comércio local. É uma pretensão descabida! Que se faça a fiscalização sobre a higiene na produção, mas que não se leve um tradição culinária ser extinta por pretensa preocupação com a saúde pública.

Vejam esta rápida história, para notarem a diferença entre comportamentos. Quando tinha lá meus vinte anos, fui acometido por uma sinusite incomodativa. Meu tio avô Raul Figueiredo, quando soube, disse para minha mãe que tinha um remédio tradicional infalível: buchinha do norte. Fui, então, ao médico em Itaperuna – Bom Jesus não tinha médicos da especialidade, à época –, para me certificar de que, de fato, era sinusite. Feito o competente exame de raio-X, o médico confirmou a sinusite e passou uma receita, que, segundo ele, iria aliviar os sintomas, já que, àquela altura, a cura era difícil. Corajosamente lhe disse:

– Doutor, vim aqui ao senhor para confirmar se é realmente sinusite. Tenho um tio que faz uma infusão de buchinha do norte que é tiro e queda.

Sabiamente humilde, o médico me respondeu:

– Pode usar. Infelizmente não posso receitar, mas é a única coisa que cura sinusite.

Vejam a diferença de postura de um homem de ciência, que sabe reconhecer o valor das tradições e do saber do povo.

Agora, os pretensiosos deputados do Parlamento Europeu se metem a besta com uma das joias de Portugal!

Em defesa das calçadas de pedras portuguesas e do queijo da Serra da Estrela! Abaixo o Parlamento Europeu e o concelho do bairro lisboeta!

 

Queijo da Serra da Estrela (imagem em entrepratosecopos.xpg.uol.com.br.

BUENOS AIRES NÃO É MAIS A MESMA

Tirante as novidades, Buenos Aires continua sendo aquela cidade mais europeia fora da Europa. A sua arquitetura, suas ruas e avenidas largas são marcas registradas. Dá até uma inveja danada, se pensarmos na maioria das cidades brasileiras. E o que há de parques, jardins e escolas por aqui! Algumas destas últimas invadidas por estudantes que protestam e fazem parrilha diante de suas escadarias, como pudemos ver na Avenida Córdoba.
Já brinquei algumas vezes, dizendo que o que prejudicava Baires era o excesso de argentinos. Pois quero retirar o que disse, quero retratar-me sem embargos declaratórios e infringentes: o tratamento que estamos recebendo aqui não tem nada a ver com aquele de janeiro de 1976. Houve uma mudança escandalosa. E para melhor! Mas dá até para entender, se pensarmos na época e em todos os desdobramentos por que passou o povo.
Aquela antiga soberba não a encontrei mais. Diferentemente, o portenho tem-se mostrado simpático e solícito, com raríssimas exceções. Até conversei sobre futebol agradavelmente com um orgulhoso torcedor do San Lorenzo.
Contudo as calçadas do bairro onde estamos não estão bem conservadas: várias com depressão, com defeitos no piso, com entulhos, o que dificulta o deslocamento, sobretudo, de idoso, deficientes e mães com carrinhos de bebê. Ou avós, como é o meu caso e o da Jane.

Também os preços não estão nada bons para os padrões brasileiros. Não sei para os próprios habitantes o estão. Quando, da outra vez em que aqui estive, um jovem me perguntou sobre o valor de um prato de bife com fritas e se espantou com os valores brasileiros de então. Hoje está justamente o contrário: espantamo-nos com os preços daqui. Roupas e calçados, então…

Apesar de tudo isso, a cidade continua portentosa em seu urbanismo. Andamos por muitos lugares, ruas e avenidas e não percebemos a crise de que eles reclamam: os cafés, restaurantes e lojas andam cheios.

Floralis genérica, escultura doada à cidade de Buenos Aires pelo arquiteto Eduardo Catalano (foto do autor).

Floralis genérica, escultura doada à cidade de Buenos Aires pelo arquiteto Eduardo Catalano (foto do autor).