EU NÃO AGUENTO MAIS O THIAGUINHO!

Queria saber se alguém tem alguma simpatia forte, algum despacho, alguma mandinga poderosa, que possa desalojar o Thiaguinho da mídia.

Depois que esse cantor chato passou a namorar a atriz global Fernanda Souza, a Globo nos massacra com ele, com impressionante frequência. Em vários programas da Vênus Platinada, lá está ele, pontificando com sua presença avassaladora. E não adianta mudar de canal. Em todos os canais que sintonizo minha tevê, lá está o Thiaguinho! Num é entrevistado sobre os mais sérios problemas da atualidade; noutro está cantando aquele pagodezinho chumbrega e rastaquera, de apelo sentimentaloide; num outro aparece em comercial de seu show, de seu disco ou dvd. Agora, no canal do Silvio Santos, faz a campanha daquela loteria caça-níquel do senhor Abravanel.

Não estou dizendo que ele seja um mau cantor.  Longe disto! Apenas afirmo que é um chato de galochas e que caiu na minha mísera, porém sincera, e ínfima antipatia artística. Que também não tem valor nenhum para a carreira dele. Infelizmente!

Nesses meus arroubos de mau humor, necessariamente me vem à memória o saudoso jornalista José Ramos Tinhorão, especializado em música brasileira e reconhecido por suas posições extremadamente nacionalistas. Ele pretendia uma música brasileira autêntica, sem influências estrangeiras, sobretudo da música ianque. Certa vez, ao comentar o lançamento do primeiro álbum do grupo de rock pernambucano Ave Sangria, em que apareceu Robertinho do Recife, hoje um dos nossos maiores guitarristas, após desancar cada um dos membros do grupo, sobretudo o baterista, que, segundo ele, só tocava chacadum, encerrou seu demolidor comentário com a frase que jamais me saiu da memória: “Ah! uma enxada na mão desses caras!”.

Óbvio que não sou nenhum J. R. Tinhorão. Mas o meu mau humor é quase igual ao dele. Só meu sectarismo é um pouco mais brando.

Mas, quanto ao Thiaguinho, sou obrigado a repetir Tinhorão: Ah! uma enxada na mão dele!

Como já estou cheio de Thiaguinho, ilustro esta postagem com a foto que fiz recentemente a partir da avenida litorânea, em Niterói.

JON LORD E DEEP PURPLE

Assumo, logo de cara, sem a vergonha que seria típica para um senhor adentrado na terceira idade como eu, minha condição de purplemaníaco, aproveitando a notícia da morte de Jon Lord, tecladista, compositor e um dos fundadores do grupo inglês de hard rock, Deep Purple, ocorrida na segunda-feira.

Mas devo confessar, também, que não sou um fã típico. Quer dizer, não fui e não sou fissurado. Sou equilibrado. Abestadamente equilibrado!

Na década de 70 do século passado, comprei minha primeira bolacha do Deep Purple – Fireball – e senti que ali pulsava uma música interessante.

Alguns podem até me dizer que é estranho associar música a hard rock. Mas como amante de música, desde a música medieval e renascentista, passando por Vivaldi e Bach, meus compositores clássicos favoritos, vejo e sinto música no rock mais barulhento, mais estranho que possa haver. Aliás, a música está presente nos mais diversos estilos. É só ser feita com qualidade.

Concomitantemente, tinha o hábito de comprar, ler e colecionar a imprensa alternativa daquela época, aí incluída a versão pirata brasileira do jornal Rolling Stone, que difundiu o mito de que fãs do Deep Purple não poderiam ser fãs do Led Zeppelin. Seria uma incompatibilidade de gênios. E eu entrei nessa!

Contudo, não me arrependo disto, apesar de meu sobrinho-neto Lucas fazer um esforço danado para que eu “largue mão desta besteira”. Não que não reconheça qualidade na música do Zeppelin. Eu não seria abestado a este extremo, pois me considero uma pessoa razoavelmente esclarecida. Porém vamos dizer que não fui acostumado a ouvir a música do Led Zeppelin e fui iniciado na música do Deep Purple. Mais ou menos assim como religiosos de denominações cristãs diferentes, que acham que apenas a sua igreja seja a verdadeira e que as demais, apenas uma contrafação da verdade, apesar de cultuarem o mesmíssimo deus.

Como disse na postagem anterior sobre a morte de Jon Lord, que lamentei com toda a sinceridade, tenho quase toda a obra do Deep Purple em bolachas de vinil 33rpm e CDs, além de alguns DVDs de shows, e até mesmo o último de Jon Lord, com orquestra sinfônica, em uma peça de caráter erudito.

Quase todas as vezes que o Purple esteve no Brasil, no Rio de Janeiro, fui vê-lo, inclusive levando meu filho. Até mesmo num concerto com sua formação clássica, no Maracanãzinho de péssima acústica, lá pela década de oitenta/noventa – sei lá –, quando Pedro era ainda adolescente.

Até os discos mais recentes, Bananas (2003)e Rapture of the deep (2005), em que a formação é distinta, mantidos basicamente Roger Glover e Ian Paice, a pegada – ou o punch, como gostam de dizer os entendidos – mantém-se a mesma. São discos que não desmerecem o prestígio que o grupo adquiriu ao longo de sua trajetória.

Não citarei aqui a série de sucessos que o Deep Purple enfiou nas paradas. Apenas quero lembrar que os riffs de guitarra mais famosos – aqueles de que todos se lembram – pertencem à guitarra incendiária de Ritchie Blackmore.

E o Purple tinha um quinteto de músicos extremamente talentosos. Além de Balckmore, compunham a banda Ian Gillan, apelidado Silver voice, que atingia agudos e graves extremos com facilidade, como em Child in time; Ian Paice, que solava, com sua poderosa bateria, várias passagens musicais, com em The mule; e o baixo de Roger Glover, na pulsação acelerada de cada rock que o grupo debulhava nos discos e nos shows.

Relativamente ao órgão de Jon Lord, vou transcrever o que, no Facebook, meu amigo Rogério Fernandes, baixista de muitos méritos, dele falou, a respeito da inovação trazida à maneira de se executar o instrumento: “Ele era realmente extraordinário e seu som de Hammond que era único vai fazer falta. Ele tinha uma coisa bem curiosa na maneira de tocar o órgão. Ao contrário de outros organistas contemporâneos e roqueiros como ele, não passava o órgão diretamente pela caixa Leslie como todo mundo fazia. Ele ligava o instrumento num amplificador de guitarra com o botão de drive bem alto, para poder obter um som mais agressivo e distorcido do instrumento. Ele explica isso no DVD Classic Albuns do Machine Head. E fica a lembrança do solo matador, bem bachiano, em Highway Star, marca registrada dele. R.I.P, Jon!”

Salve Purple! Ave Lord!

O Deep Purple nos áureos tempos: Lord, Paice, Gillan, Blackmore e Glover (em vandohallen.com.br).

MORRE JON LORD

Do meu quase exílio mensal em Bom Jesus, soube agora à noite da morte de Jon Lord, tecladista e compositor do emblemático grupo de rock inglês Deep Purple, e posso dizer aos que me prestigiam com a leitura que fiquei realmente sentido.

A barulhenta e acelerada música do Deep Purple embalou minha juventude. E até hoje é, no estilo conhecido como Hard Rock, a minha preferida. E confesso que, mesmo na idade provecta em que me mantenho sobre a face do planeta, não passo muito tempo sem voltar a ouvi-la. Meu amigo, Rogério Fernandes, baixista dos bons, sabe muito bem disto e não opõe reparo. Até, inclusive, me deu dicas sobre coletâneas que não encontramos normalmente no mercado brasileiro, que tiveram de ser importadas.

Tenho sua discografia quase completa, em vinil e em cds, além de alguns dvs de shows.

Jon Lord colocou seu teclado nervoso a serviço da massa sonora do grupo. O longo solo inicial de Lazy, uma das faixas de Machine head, é um belo exemplo disto.

Diferentemente de outros da mesma linhagem estética, o Purple não abrandava a pegada vigorosa com alguma canção dolente, para permitir que o fã relaxasse por breve instante. Seus discos eram, com frequência, uma pauleira só, como costumávamos dizer, do princípio ao fim. E, o mais interessante, com melodias facilmente assobiáveis, malgrado o peso.

E, se o Purple teve na guitarra de Ritchie Blackmore um de seus pilares, teve também no órgão de Lord um nervo exposto a cada solo, assim como na voz inconfundível de Ian Gillan, assessorados pela cozinha de Ian Paice, na bateria, e Roger Glover, no baixo, em sua clássica formação.

O rock faz centenas, milhares de heróis. Alguns, tristes heróis, que se deixaram imolar absurdamente pelas drogas. Lord morre prosaicamente como um cidadão comum, acometido por um câncer de pâncreas, que o levou a uma embolia pulmonar.

A vida o deixou sem fôlego, como os seus rocks vibrantes, pesados, nos deixavam a cada audição.

Hoje, para mim, é uma noite negra, de um púrpura escuro, profundo. Mas Lord passa como uma bola de fogo pelo horizonte sacudindo minha preguiça de Bom Jesus.

Rest in peace, Jon Lord, the lord of keyboards!

Capa da primeira bolacha que adquiri do Deep Purple, Fireball, de 1971. Lord, ainda jovem, é o primeiro em cima.

DO TEMPO DO ONÇA

Há algum tempo (não muito, por certo!) publiquei no blog a postagem Lugares distantes, em que, de forma abreviada e superficial como é minha praxe, fiz um apanhado das expressões que denotam, nas frases, a noção de lugar. Aquilo que a gramática tradicional classifica como adjunto adverbial de lugar.

Como disse naquela oportunidade, pelo fato de ser interessado no fenômeno da linguagem, sempre vêm caraminholas linguísticas perturbar meu descanso remunerado de aposentadoria. Desta vez é a noção de tempo. E isto motivado por uma frase ouvida de pequeno falante de nossa mui bela língua.

Imagem em infoescola.com.

O tempo, do ponto de vista psicológico, pode ser bem diferente daquele que é medido pelo relógio e pelo calendário. As vinte e quatro horas do dia passam aceleradamente, caso você tenha muitos problemas a resolver, o que o leva a ansiar por um dia de vinte e cinco ou mais horas, por exemplo. Ao contrário, caso você esteja tranquilo, desfrutando de um ócio quase pernicioso – como se isso fosse possível –, é bem provável que aquelas mesmas horas lhe pareçam infinitas e maçantes. A este respeito, aliás, Millôr Fernandes tem uma frase excepcional, em que joga com a tensão entre essas duas percepções de tempo: “A cada mês, sobram mais dias no meu salário” (cito de memória).

No curso de Letras, aprendemos logo cedo a distinção entre o tal tempo psicológico – matéria básica da obra literária – e o tempo físico, astronômico, propriamente dito – aquele determinado para entrega dos trabalhos de literatura, por exemplo.

Mas a tradição da língua nos oferece algumas expressões interessantes, além dos óbvios hoje, ontem, amanhã, depois de amanhã, anteontem, trasantontem/ trasanteontem, agora, depois, logo, breve,, e por aí afora (Isto aqui não é aula de gramática!). Algumas dessas noções, lá em Carabuçu, dizíamos, por exemplo: onti, antonti ou antionti, tresantonti, istrudia (estoutro dia, há alguns dias) e dijaoje (hoje cedo, ainda há pouco).

As expressões que aqui me interessam estão impregnadas pelo caráter estilístico próprio de nossa língua. Vejam alguns exemplos e minhas impertinentes observações:

a)      Tempo do onça – Época antiga e imprecisa, mas bem antiga, que nos remete a um país menos povoado por gente e mais por onças e outros bichos do mato. Ou será que a falta de concordância da expressão do onça é por que já é um aportuguesamento do inglês once upon a time?

b)      Tempo do cagar de coque (de cócoras) – Tempo que precedeu à tecnologia do penico e, por consequência, à da casinha, à do vaso sanitário e, finalmente, à do water closet, com sua caixa de descarga ecológica, para xixi e cocô. Era também o tempo da frase “Vai cagar no mato!”, xingamento hoje muito brando, já que não inclui a progenitora do nosso adversário, como é próprio dos impropérios modernos. Às vezes, em determinadas situações e premido por certas circunstâncias intestinais que nem é bom lembrar, vamos da era da privada tecnológica ao tempo do cagar de coque num átimo. É só o intestino mandar!

c)       Tempo em que se amarrava cachorro com linguiça – Tempo antiquíssimo que nos remete aos primeiros dias do Éden, antes de Adão e Eva fazerem a m*rda que fizeram. Naquela altura, até mesmo os animais carnívoros eram educados e se podia facilmente amarrar um cão com este tipo de corrente.

d)      Tempo da Carochinha – Esse é um tempo em que até mesmo nossos avós, bisavós e tataravós eram criancinhas. Está lá perdido no meio daqueles livros de histórias infantis, na memória da gente. É tempo velho do tempo de nós meninos. Mais ou menos por aí. E talvez seja o que nos dá mais saudades.

e)      Tempo do ‘derréis’ (dez réis) e do vintém – Tempo bom, em que “se vivia muito bem, sem haver reclamação”, como diz o samba famoso*. E não serei eu a contestar a afirmação do sambista. Contudo penso que este tempo caro à memória era concomitante ao que vem logo a seguir.

f)       Tempo de Dondom** – Também cheio de coisas boas, segundo o sambista, pois “nossa vida era mais simples de viver”, cheio de cortesias e de boas lembranças. Até de um jogador que ninguém conhece, de um time desconhecido, o Andaraí. O bairro é logo ali mesmo, e o tempo deve estar perdido em suas ruas e vielas. Pode ser que o tempo esteja a andar aí.

g)      Naquele tempo – Expressão consagrada pela Bíblia, que dela faz muito uso, e é tradução do latim da Vulgata in illo tempore. Como os textos da Bíblia já são muito antigos, quando falam daquele tempo, deve ser coisa beirando o tempo da criação do mundo. Sei lá! Mas sempre soa como coisa antiquíssima.

h)      Tempo do rei – Este é um tempo fácil de ser encontrado nos antigamentes: é de quando houve rei. Acabou-se o rei, findou-se o tempo. Ruy Castro o utilizou em um de seus livros: Era no tempo do rei***, em que fabula peripécias de um D. Pedro I na adolescência, reinando pelas ruas do antigo Rio de Janeiro, do tempo do rei.

i)        Tempo de D. João caroço – Já este tempo é indefinível, mas bem anterior ao do rei. Pelo menos é o que se sente da expressão. E do caroço de D. João.

j)        Tempo das vacas magras – Este é um tempo atemporal, individual ou coletivo. Pode ter sido ontem, há um mês, há um ano, há muito tempo. Há um borbotão de pessoas que ainda vivem no tempo das vacas magras e ainda não têm a perspectiva de escapar dele. Vejam, então, que é um tempo sem tempo definido. Como o do trabalhador brasileiro que, segundo a propaganda do governo, saiu dele, mas, conforme notícias atuais, para lá volta daqui a pouquinho.

k)      Tempo do cinema mudo/do cinema preto e branco – Este é um tempo facilmente marcável. É só você ir à Wikipedia e ver lá. Não vou perder tempo com isso.

l)        Tempo do rádio de rabo quente – Um pouco anterior ao tempo do cinema mudo. Os chamados rádios de rabo quente apareceram no princípio do século XX e eram a alegria das pessoas. O problema é que deviam ser ligados um pouco antes, para que esquentassem e começassem a espalhar seus encantos e maravilhas modernas no ar.

Finalmente volto ao motivo inicial que me despertou estas considerações.

Pois não é que ouvi, dia desses, um menino dizendo para o outro que o seu pai era velho “do tempo em que o papel higiênico não rasgava no picote”, como se tal grande avanço tecnológico tivesse sido conseguido há décadas. O colega se espantou, pensando tratar-se da coisa mais antiga do mundo. Onde é que já se viu o papel higiênico não rasgar no lugar picotado?! Aos dois parecia um despropósito. E o coleguinha ainda falou:

– Aê, mané! Seu pai é velho pra caraca!

Ou, como diria o grande José Cândido de Carvalho, “pratrasmente de muitos anos”.

Fico por aqui, pois meu tempo acabou!

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* Saco de feijão, de Chico Santana, gravado por Beth Carvalho no elepê Nos botequins da vida (RCA, 1977).

** Tempo do Dondom, de Nei Lopes, gravado pelo autor no cd De letras e música (Universal, 2000).

*** CASTRO, Ruy. Era no tempo do rei. 1. ed. Ed. Alfaguara Brasil, 2000.

SE… DEZ MOTIVOS PARA CANTAR

1. “Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o sol”
E uma Estrela Solitária.

 

2. “Se acaso você você chegasse
No meu chatô e encontrasse”
Aquela faixa de campeão da Taça Rio 2012…

 

3. “Se você pretende
Saber quem eu sou
Eu posso lhe dizer:”
Sou um botafoguense feliz!

 

4. “Se você pensa que vai fazer de mim
O que faz com” o time do Urubu,
Está redondamente enganado!

 

5. “Se você pensa
Que o meu coração
É de papel,
Não vá pensando
Pois” ele é botafoguense!

 

6. “Se você disser que eu desafino, amor,
Saiba” que é porque estou rouco de gritar CAMPEÃO!

 

7.”Se uma noite eu viesse ao clarão do luar
Cantando e aos compassos” do hino do Fogão:
Botafogo, Botafogo,
Campeão, desde 1910.

 

8. “Se você jurar que me tem amor,
Eu posso me regenerar”
Mas o Botafogo eu não vou abandonar.

 

9. “Se um dia, meu coração for consultado
Para saber se andou errado”
Eu vou dizer que não. Botafoguense tem sempre razão!

10. “Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro”
Estaria feliz, porque sou botafoguense!

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Imagem em blogs.com.br.

1. Dia branco, Geraldo Azevedo e Renato Rocha.
2. Se acaso você chegasse, Lupicínio Rodrigues.
3. As curvas da estrada de Santos, Roberto e Erasmo.
4. Se você pensa, Roberto e Erasmo.
5. Coração de papel, Sérgio Reis.
6. Desafinado, Tom Jobim.
7. Cantar, Paulinho Pedra Azul.
8. Se você jurar, Ismael Silva.
9. Foi um rio que passou em minha vida, Paulinho da Viola.
10. Primeiros erros, Kiko Zambianchi.

AINDA O CASO VALCKE

Vamos transformar a Copa do Mundo 2014 na copa do Valcke.

Tenho a impressão de que, como o episódio da Copa de 50 que ficou conhecido como maracanaço – a trágica derrota na final para o Uruguai -, o que ficará para os brasileiros, caso a Seleção fracasse dentro de casa, será o affair com o secretário da FIFA.

Parece briga de comadre, tantas são as picuinhas que vêm ocorrendo.

Para início de conversa – vamos combinar -, o homem foi infeliz, grosseiro e desrespeitoso com o que disse há algum tempo. Não se pode admitir que, publicamente, uma autoridade como ele se valha de expressões de cunho nitidamente popular – o tal “chute no traseiro” -, para se referir às autoridades de uma nação.

Conversando com amigos, que até tentavam justificar a frase de Valcke, dei como exemplo, em português, para indicar a localização de um país longínquo, que um representante de nosso governo dissese que “o Timor Leste fica lá no cu do conde”. E depois alegasse que o termo “cu” não tem aí o sentido referencial, primário, de “ânus”.

Ora, às autoridades exige-se o uso da modalidade formal da língua em seus discursos, e não outro, sob pena de erro linguístico, por inadequação.

Por isso, a celeuma gerada pela frase inadequada do boquirroto secretário.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, está mais do que evidente que as obras estão atrasadas, as providências esperadas estão em passo de tartaruga, estamos demonstrando uma preguiça caymmíca exagerada, para o que urge. Se, como povo, isto é um atavismo folclórico, como governo é descabível.

E pode haver, por trás desse atraso todo, manobras escusas para que os espertalhões de sempre faturem ainda mais.

O Brasil está habituado às obras de igreja, que demoram séculos e, por vezes, não se completam. O próprio Maracanã, palco da final de 50, foi inaugurado incompleto. E permaneceu assim por décadas. Nem sei mesmo se o projeto inicial chegou a termo, em algum momento da sua existência.

Agora está ele ameaçado de não ficar pronto para a Copa das Confederações em 2013, espécie de test-drive para o evento maior do ano seguinte.

O que de concreto temos até o momento é a briga com Mr. Valcke, Jérôme, o boquirroto, posto para escanteio pelo Congresso nacional como interlocutor.

Para os senhores parlamentares brasileiros, Valcke que vá gastar seu latim – aliás, o seu argot – em outra freguesia. Não querem saber dele nem pintado por Monet!

E aproveite, que estamos calmos, Valcke!

Eh, Brasilzão lascado, sô!

FALANDO DE MUSICAIS

Ninguém é perfeito. Nem mesmo eu! Embora tenha cá minhas dúvidas. E, além de não ser perfeito – vá lá! –, também tenho minhas manias, minhas antipatias e implicâncias, como qualquer pessoa.

Algumas manias atrapalham outras pessoas; algumas, não. Atrapalham apenas a quem as tem. É possível que você possa minimizá-las ou mesmo fazê-las desaparecer, para que viva mais confortavelmente.

As antipatias são mais difíceis de ser apagadas. Sobretudo as antipatias gratuitas. Você tem uma antipatia gratuita por determinada coisa ou pessoa e é quase como ter um calo ósseo, um esporão no espírito – mesmo quem não tenha espírito, como eu –, de remoção quase impossível.

E tanto as manias, quanto as antipatias e implicâncias, têm por característica a falta de lógica. É mais ou menos como ter fé em algo. Não faz parte do departamento lógico do ser humano.

Por exemplo: tenho uma antipatia solene por musicais – filmes e peças teatrais, embora goste muito de música, de shows. Aqueles filmes em que os atores cantam, em lugar de falar, então, acho um saco. Jamais tive a mínima vontade de ver a maravilhosa Catherine Deneuve em Os guarda-chuvas do amor (1965, no original Les parapluies de Cherbourg), de Jacques Demy. Contudo, minha antipatia solene toma ares majestáticos quando se trata de filmes musicais com dança, com aqueles atores saltitando “na rua, na chuva, na fazenda”¹.

Cheguei mesmo, tempos atrás, a dizer que filmes assim são a manifestação mais bem acabada da decadência da civilização capitalista ocidental. Acho até que, na época da União Soviética, os comunistas tinham a certeza de que venceriam a Guerra Fria, porque o Ocidente era dado a essas frescuras.

Por exemplo, aquela cena do Gene Kelly dançando e cantando na chuva (no original Singin’ in the rain, 1952, de Stanley Donen e Gene Kelly), agarrando-se a postes, de guarda-chuva na mão, e rodopiando “ao longo da sarjeta, na enxurrada”², acho um horror. E é uma cena clássica. E Gene Kelly é um dos melhores no gênero.

Nunca suportei – e eis outro exemplo (Não me crucifiquem, por favor!) – A noviça rebelde (1965, no original The sound of music), de Robert Wise. Jamais vi o filme. Ou antes, jamais consegui passar das primeiras cantorias. Não sei até onde Julie Andrews rodou sua baiana naquela história. Nem quero saber!

Amor, sublime amor (1961, no original West side story), também de Robert Wise, com uma das minhas musas da juventude, Nathalie Wood (1938-1981), suportei, porque era apaixonado por ela. Mas achei um porre aquele troço!

E agora, recentemente, já passadas várias décadas na minha existência, é que fui descobrir a razão desta minha ojeriza a este tipo de arte. Que trauma desencadeou isto!

É que, quando jovem, tive o desprazer de ver Um americano em Paris (1951, no original An american in Paris), de Vincente Minelli, com a linguiça feia e presunçosa de Fred Astaire, já coroa, conquistando a deusa Leslie Caron (*1931), na flor de sua idade – e de seus lábios carnudos e de seus seios empinados e de seus tornozelos roliços e de sua beleza estonteante –, numa trama ridícula, sem a mínima verossimilhança, que é a base de qualquer obra de ficção. Sem a tal verossimilhança, não se constrói um discurso ficcional plausível.

Veja como era Leslie Caron, à época (cinemaemcena.tumbir.com).

Pois muito bem! Lá na história do filme, aquele americano bobo, feio, magro como um esqueleto e velho, conquista o amor da maravilhosa Leslie Caron, só porque sabia fazer aquele sapateado ridículo e desconchavado. Não vi o resto do filme. Saí indignado da sala, com aquela baboseira hollywoodiana, a exaltar o pretenso encanto que o american way of life despertava numa Europa recém-destroçada pela guerra.

Veja agora Frede Astaire, também à época (cemiteriosfamosos.blogspot.com).

Aquilo foi demais para mim.

A partir de então tenho a maior rejeição a musicais.

E, aproveitando minha bílis ativa, quero dizer também que acho um desfavor à cultura brasileira essa enxurrada de musicais estrangeiros que para cá trazem Cláudio Botelho e Charles Moeller (não vou usar o trema no nome dele, pois sou proibido de usá-lo em linguiça).

Se gostam tanto assim de musicais, que incentivem nossos autores a fazerem musicais. Talvez até passe a gostar deles.

Aliás, obrigado por minha mulher a ir ver Emilinha & Marlene, no Teatro Maison de France, embora não fosse admirador de nenhuma das duas, devo dar o braço a torcer: este musical é muito interessante.

Vejam como implicância é uma coisa sem a mínima lógica!

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¹ Direitos autorais intelectuais depositados em favor de Hyldon.
² Do soneto Barcos de papel, de Guilherme de Almeida.

RÁPIDAS ANOTAÇÕES DE ESPECTADOR

1. O primeiro show que vi, quando cheguei a Niterói e já um tanto habituado a circular por Niterói e Rio de Janeiro, foi o de Tim Maia. Isto se deu logo após o lançamento de seu primeiro disco, Tim Maia, de 1970. Foi no Teatro Opinião, que ficava num edifício da Rua Siqueira Campos, em Copacabana. Vi outros mais. Deve ter sido o artista de quem mais vi shows. E ele nunca faltou a nenhum deles. E não houve nenhum que tenha sido mais ou menos: todos ótimos!

Meu santo era mais forte do que as idiossincrasias do Tim.

2. Lá pela década de 80, eu e minha mulher subimos o Morro da Urca, para ver um show do mineiro Beto Guedes, já mais do que badalado.

Beto ficou famoso por sua timidez no palco.

A primeira parte rolava e, de vez em quando, alguém da plateia gritava:

– Aí, mineiro, manda Lumiar!

Ele, com aquele jeito sem jeito característico, passando a mão sobre os longos cabelos, dizia, com sua voz bastante nasalada:

– Vai rolar! Vai rolar!

Terminou a primeira parte e nada de Lumiar, certamente seu sucesso de maior apelo.

Voltam ele e a banda para o segundo set do show. Novamente a voz da plateia, agora mais incisiva:

– Aí, mineiro maluco, toca Lumiar!

Parece que foi provocação. Beto Guedes entrou com um arranjo rock’n’roll poderoso para sua música, que arrepiou todo mundo. Deve ter sido a execução mais poderosa que já ouvi.

Ao final, ouviam-se urros de aprovação da plateia.

3. Fomos eu e meu primo Roberto Bedu ver o show de Roger Waters – que ele sistematicamente chama de Rogério Águas –, na Praça da Apoteose, no Sambódromo do Rio de Janeiro, em 23/3/2007, em que o baixista e compositor do Pink Floyd apresentou o repertório da obra-prima The dark side of the moon.

Lá pela metade do show, cheio de recursos técnicos, um som poderosíssimo e efeitos especiais, no crescendo final de determinada música ouvimos um estrondo e as luzes se apagaram. Todo o público vibrou com o arranjo inusitado e ficou na expectativa da sequência da apresentação.

Passaram-se alguns minutos. Então Bedu e eu começamos a estranhar. Se era um recurso, um novo arranjo, o troço já estava demorando demais. Foi o que comentamos na hora.

Daí a alguns minutos, veio a informação do palco: um gerador do sistema elétrico não  suportara a massa sonora. Aquilo, portanto, não era mais uma invenção do rock progressivo. Foi um prosaico defeito técnico.

4. Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro. Show da Gal Costa, que tinha lançado recentemente o elepê Índia (1973). O grande teatro estava lotado, tanto que eu e Jane só conseguimos lugares no mezanino. Entra Gal, com uma saia de tiras. Senta-se num banquinho alto, ajeita o violão e começa a cantar: pontas dos pés apoiadas nas travessas inferiores do banco, as suas lindas e roliças pernas abertas, expostas pela saia de tiras, em movimento ritmado de abrir e fechar, acompanhando o canto. De repente, da parte de baixo da plateia, uma mulher urra com toda a força de seu útero, ou de seu clitóris, sei lá:

– Gostosa!

Aquela louca teve a ousadia de vociferar um elogio que, da boca de um homem, soaria uma ofensa, coisa de porco chauvinista grosseirão. Mas aqueles já eram tempos de muita tolerância, e não se ouviu um protesto sequer.

Houve alguns segundos de perplexidade. Gal deu um sorriso amarelo, retomou o fio da melodia e continuou balançando suas lindas e maravilhosas pernas para o deleite dos marmanjos e de mais um bando de sapatões, naturalmente.

Rumbeira style, babados de lamê, pernas abertas, flores nos cabelos e violão no colo: a primeira montagem de

Esta foi a imagem que tivemos no show referido (foto do arquivo pessoal da cantora, colhida em galcosta.com.br).

O RECANTO DA GAL

Capa do CD de Gal Costa, Recanto, em foto de Gilda Midani.

No final de 2011, quando Gal Costa lançou seu último trabalho, Recanto, com músicas de Caetano Veloso, procurei pelo CD em uma das lojas de que sou contumaz comprador, localizada no Centro do Rio de Janeiro.

Atendia-me, na oportunidade, um funcionário relativamente novo na casa e de quem já ouvira lamentações de sua vida pessoal, para as quais me solicitou, como velho e conhecido cliente, a paciência de o escutar. Naquela oportunidade, dei-lhe a atenção que me parecia necessária.

Agora, ali, ao perguntar pelo CD, ele, na função de conselheiro musical, me desaconselhou, embora a mercadoria estivesse esgotada na loja:

– É muito estranho. Está muito eletrônico. Só é recomendável para fãs da Gal. O senhor é fã da Gal?

Não quis confessar-lhe que sou fã de Gal Costa, desde que ela apareceu, meio descabelada, toda hippie, a boca carnuda debruada com batom vermelho e umas pernas maravilhosas; com todo aquele jeito estranho de cantar correndo pelo palco, revirando os olhinhos e dizendo que era filha de São Salvador.

Mesmo quando ela tomou certas atitudes inusitadas, pretensamente ousadas, como mostrar o seio – já então meio muxiba – num show, deixei de ser seu admirador.

Contudo não quis demonstrar esta minha quase devoção pela baiana para o vendedor, que, na verdade, não me conhece bem como consumidor de música.

Aliás, na minha vida de comprador de discos, que vem desde o final da década de 60 do século passado, só encontrei três vendedores que conheciam razoavelmente meu gosto: a Maria, da extinta loja Ultralar; a Graça, da também falecida Mesbla, que foi instruída por Maria a me atender, quando a Ultralar deixou de vender elepês; e Roberto, da Tropical Music do Plaza Shopping.

Porém aquela opinião do rapaz sobre o disco me deixou com certa má vontade, até que um dia, no rádio do carro, ouvi uma das músicas que fazem parte desse CD. A música me agradou muito, e quase o xinguei, por ter dado uma opinião bastante particular e discutível.

Anteontem, na Tropical Music, comprei o disco, que ontem ouvi com atenção.

São onze faixas, todas de Caetano Veloso, que divide a direção artística do trabalho com seu filho Moreno, para a Universal Music.

Não há créditos para os arranjos, mas se presume, pela parafernália eletrônica usada – sintetizadores, wurlitzer, bateria eletrônica, melotron e mais programação computadorizada –, que são os que manipulam tais instrumentos os responsáveis pela roupagem que os versos de Caetano assumem ao serem cantados por Gal.

Todas as faixas soam estranhas para a maioria dos nossos ouvidos. Eu, entretanto, como sempre gostei de novidades e estranhamentos, aprendi a aceitar esse tipo de coisa, em princípio, e, posteriormente, a gostar, com raras exceções.

Aprecio, por exemplo, e muito, a música incomum e complexa de Arrigo Barnabé, Tom Zé, Marlos Nobre, Karlheinz Stockhausen, Kraftwerk, King Crimson, Gentle Giant, Amon Duul II, para citar apenas alguns, na variada gama de MPB, Clássica e Rock Progressivo.

Deste modo, ouvi com prazer cada faixa esquisita, pontuada, sobretudo, por sintetizadores e melotrons, com participação mínima de guitarra, piano, bateria e percussão. Em todas as faixas, a voz da Gal, já denotando a idade – o seu recanto talvez esteja aí também -, segura a onda de uma melodia, por vezes, monocórdia, porém agradável, que diz um texto caracteristicamente à Caetano, também cheio de estranhamentos e lembrando, às vezes, sua aproximação com a Poesia Concreta. Todos, no entanto, muito bem construídos e resolvidos poeticamente. Caetano sabe fazer isto muito bem!

Diria mesmo que a participação instrumental é minimalista, quase incidental, porque – a mim pareceu – o que se quer destacar é o texto, a letra, a poesia. Não que, para a beleza do disco, se possa abstrair a participação de Kassin, Moreno e Zeca Veloso, Alberto Continentino, Luiz Felipe de Lima, Donatinho, Pedro Sá, Davi Moraes, a Banda Rabotinik, Bartolo, Léo Monteiro, Jacques Morelenbaum, Daniel Jobim, Gabi Gudes, Iuri Passos, Jaime Nascimento e o próprio Caetano, em uma única faixa. Como se vê, um time da pesada.

Muitos, talvez, não irão gostar; outros, até mesmo detestar.

Eu, que sempre fui chegado a novidades e estranhamentos, gostei muito do CD. E desculpo o vendedor, que não conhece este meu excêntrico gosto e não comunga dele.

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GAL COSTA, Recanto, Universal Music, 2011. – Faixas: 1: Recanto escuro; 2: Cara do mundo; 3: Autotune autoerótico; 4: Tudo dói; 5: Neguinho; 6: Menino; 7: Madre Deus; 8: Mansidão; 9: Sexo e dinheiro; 10: Miami maculelê; 11: Segunda (Todas as músicas são de Caetano Veloso).

COISAS INSUPORTÁVEIS

(A postagem de hoje é dedicada a meu filho Pedro.)

Quando chegamos a certa idade (forma eufemística de dizer que estamos mais pra lá do que pra cá), damo-nos o direito de achar certas coisas insuportáveis. Se somos jovens, isto é apenas frescura. Assim que nem eu, já passa a ser direito inerente, inalienável e irremovível.

Li a matéria de capa do segundo caderno de O Globo de ontem sobre Alceu Valença e as homenagens que lhe serão prestadas durante o carnaval deste ano, por seus quarenta anos de carreira.

Bicho maluco beleza (imagem em alceuvalenca.com.br).

Sou admirador de Alceu, de sua música, de sua arte. Tenho, praticamente, todos os seus discos, desde bolachas de vinil a cds. Vi seu primeiro show no Rio de Janeiro – Vou danado pra Catende – e outros mais. Admiro sua postura como artista engajado e comprometido com a cultura brasileira mais autêntica. E também gosto de sua incontinência verbal, seu humor e sua ironia.

Lá pelas tantas, na matéria do jornal, Alceu soltou sua metralhadora contra o panorama da difusão de música no país: se não é o estilo brega, é, segundo ele, o “americanalhado”, com cantores fingindo uma emissão anasalada em imitação aos norte-americanos.

Aliás, são vários os que fazem isso, sobretudo a teteia Paula Fernandes.

Desde que essa linda menina apareceu na mídia, apesar das louvações a ela, tenho criticado no meu círculo de amigos a falsidade de seu canto nasal, nitidamente forçado, claramente fake. Ela, ao falar, não apresenta qualquer traço de fanhosidade. Por que, então, cantar assim, a não ser por imitação aos ianques?

Por outro lado, ressalte-se a grita de Alceu contra esta ditadura do mau gosto que tomou conta da maioria de nossas emissoras de rádio, principalmente, e de televisão. Parece que a música brasileira se resume a este tipo de subproduto, de baixíssima qualidade harmônica, melódica e poética. Não é que não existam novos valores – se bem que poucos -, mas a mídia está comprometida com a difusão disto. Parece que há uma nítida intenção de se abastardar aquilo que já foi nosso orgulho: a música popular. Com que intenção? A quem interessaria isso?

As nossas emissoras também estão tomadas por uma profusão de seitas e religiões, com seus pregadores oportunistas (a própria cara os denuncia), gritando verdades suspeitas, fazendo campanhas para angariar dízimos, prometendo milagres, enfim, ludibriando a fé pública, com o beneplácito de nossas autoridades do setor, que concedem um serviço de utilidade pública para proselitismo religioso.

Para se constatar isso, basta que passeie pelo dial de seu aparelho de rádio. É difícil encontrar uma emissora com programação de qualidade. São pouquíssimas.

Quando se viaja pelas estradas deste país, fica até mais difícil ouvir as rádios regionais. Praticamente todas estão tomadas por este tipo de programação.

E isto acaba ficando insuportável, quando se chega a certa idade.