JUCA JUQUINHA JUCÁ

Da série CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER

Este poeminha estava pegando poeira no disco rígido do meu computador, mas nunca perdeu a atualidade. Então resolvi dá-lo a lume, como se dizia.

JUCA JUQUINHA JUCÁ

Ainda que eu seja jeca

Eu cá já não me iludo

Com jaca jacu jacá

Com preá e caramujo

Ou paca tatu gambá

Com tracajá e sabujo

Com pacová e gamela

Ou com político sujo

Ainda que ele seja

Muito vivo ou já de cujus

Juca Juquinha ou Jucá

E palmital de pupunha

Há esperanças no ar

Pois se o Cunha levou cunha

Os outros hão de levar

Se Deus quiser! Saravá!

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Imagem em elo7.com.br.

VERGONHA E TEMOR

Ainda me resta um pouco de vergonha na cara, aquele sentimento íntimo de dignidade que meus pais tentaram incutir em mim desde que meus ouvidos se abriram para o mundo. Por isso é que fico envergonhado em ouvir as mais esfarrapadas desculpas de muitos de nossos políticos tentando explicar o inexplicável, o chamado batom na cueca. Não há um único que tenha a dignidade de chegar a público, reconhecer o erro, submeter-se ao julgamento judicial e pedir desculpas à população por sua conduta. Por muito menos, já assistimos na tevê, em janeiro de 1987, o secretário de fazenda – Budd Dwyer – do estado da Pensilvânia matar-se com um tiro na boca diante das câmaras de tevê, envergonhado por ter sido pego em corrupção. E foram apenas 300.000 dólares a grana que embolsou! Troco, para os nossos padrões.

A consequência de uma série de atos de rapinagem que agora vem a descoberto é esse país mergulhado numa profunda crise econômica, social, política e ética, que deixa os cidadãos com um mínimo de prurido moral com vergonha de ser brasileiro.

Nós mesmos construímos isso que aí está. Somos os responsáveis diretos ou indiretos por fazer ascender aos cargos de mando do país uma corja de larápios do dinheiro público. E vemos, deste modo, hospitais em ruínas, escolas à míngua, infraestrutura em frangalhos, economia de pires na mão e o desemprego assolando milhões de lares brasileiros.

O ex-governador e atual presidiário Sérgio Cabral ainda teve o desplante de dizer que deixou o governo fluminense com a população quase em estado de euforia por sua administração. Além de corrupto, é um cínico! E alguns desses que estão presos continuaram a receber as propinas a “que faziam jus” por seus acertos escusos, como o doleiro Lúcio Funaro e o ex-deputado Eduardo Cunha.

E nenhum desses que aí estão com a carne exposta admite a mínima culpa. Nem mesmo explica a carona num jato particular. Como admitir, então, a suposta posse de imóveis, a existência de contas recheadas de dinheiro desviado, a ocorrência de acertos indecentes para o assalto ao bem público?

A se condenar apenas os que assumem a culpa e reconheçam sua conduta indevida e criminosa, não se inscreverá no rol dos culpados um único político. Todos eles alardeiam inocência, desconhecimento de fatos que pulam na nossa cara, tanto quanto as consequências de sua rapinagem, que levou o país a este estado de coisas.

E os nossos tribunais superiores, hem? Com os seus membros indicados pelos governantes, não há como esperar deles qualquer tipo de isenção. Desgraçadamente está enfim chegando à luz do dia a função básica para que foram criados: fazer o jogo do poder, numa política de troca de favores. É difícil pensar que um magistrado nomeado por um presidente ou governador tenha a isenção necessária de julgar algo que vá contra aquele que o nomeou. Seria necessário que ele se desse por suspeito, pelo menos no sentido jurídico do termo. Mas como esperar isso? Então os nossos tribunais superiores estão muito mais para órgãos de validação das ações do poder, do que para o exame isento de tais ações.

No fundo, fica a sensação de que a sociedade civil, representada por nossa classe política, perdeu a oportunidade de construir um país decente, a partir do fim da ditadura militar. Esbravejávamos contra a presença dos militares no comando do país, fomos às ruas e praças do país pedindo, exigindo o retorno do sistema democrático representativo, o direito a que nós mesmos escolhêssemos nossos mandatários, e escolhemos patrícios cheios de cupidez.

A nossa classe política, com seu comportamento imoral, que levou o país a isso que aí temos, dá munição para que os que têm horror à democracia de vir à tona bradando pela volta de regime de exceção. Os mais novos não têm noção do que seja isto, embora o panorama atual seja execrável.

Por isso, este misto de vergonha e temor. Aonde chegaremos?

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Hieronymus Bosch, detalhe de Cristo carregando a cruz, séc, XVI, Museu de Belas Artes de Ghent (em ufgrs.br).

CORDEL DA ESPERANÇA

Quanto mais vil a vileza
Maior é a vilania
Quanto maior a empresa
Mais o covil se amplia
É como se a certeza
De impunidade haveria.

Tanto mais a grana entra
Mais grana deve entrar
Se o covil tem cem ladrões
Outros há de comportar
Conquanto a fonte não seque
Não há ladrões a faltar.

Tanto mais o trem tá mole
Presume-se amolecer
Mas se o trem anda duro
Tá mais para endurecer
Se a cana não é caiana
Que cana ela há de ser?

E não se engane o esperto
Na presunção da certeza
De que é incerta a cana
Neste país de surpresa
Um dia a casa cai
E vai com ela a esperteza.

E não vão adiantar
Desculpas esfarrapadas
Diante de tantas provas
A serem apresentadas
Para que as penas enfim
Possam ser determinadas.

“Esse não sei, não conheço,
Aquele não sei quem é
Não tenho dinheiro em conta
Não vivo de capilé
Sou inocente eu juro
Minha profissão de fé.

Nem mesmo telefonema
Reconheço que eu fiz
Se meu nome está na lista
É coincidência infeliz
Sou puro desde a nascença
Inocente de raiz.

Nunca fiz um malefício
Nunca roubei da nação
Nunca traí meu país
Nem iludi cidadão
Sou pobre, simples e puro
Sou santo por profissão”.

Mas o desejo sincero
Do campo até a cidade
É conseguir pôr um fim
Nessa desonestidade
Para que a vergonha volte
À nossa sociedade.

Tomara que os corruptos
E a sua corrupção
Encontrem a cana pronta
E na mesma proporção
Dos malefícios causados
A esta triste nação.

Para que seja possível
Um dia o povo sorrir
E ver surgir no horizonte
Resplandecente porvir
Sem que se frustre a esperança
Que certamente há de vir.

Flor do Parque da Cidade; Niterói-RJ (foto do autor).

A CARNE É FRACA, MAS A PROPINA É GORDA

 

A opinião pública brasileira ficou espantada com a operação Carne Fraca da Polícia Federal. Primeiro, porque passou a desconfiar, sem deixar de comer, da qualidade da carne brasileira. Segundo, porque não sabia que a inspeção federal, traduzida naquele carimbo azul na gordura da picanha, seria para valer. Achava que era tão-somente um elemento decorativo na peça carnal. Terceiro, porque aguardou por uma queda significativa no preço da carne e isso não aconteceu. O churrasco do fim de semana continuou valendo o mesmo cascalho que antes. Queda acentuada, apenas na vergonha nacional. Se bem que não sei se há mais como cair!

Por outro lado, ficou também preocupada com a repercussão internacional que a operação desencadeou. Vários importadores da carne nacional suspenderam seus pedidos, em nome da segurança alimentar de seu povo. Como a China, por exemplo.

O governo chinês, cioso de sua responsabilidade sanitária, foi um dos primeiros países a barrar a continuação da entrada de carne bovina brasileira no país. Ficou muito desconfiado de que nossa inspeção não seja confiável, mas apenas coisa para inglês ver. Mais ou menos por aí. E manteve a permissão de que seu povo continue a comer carne de cachorro, escorpião, cobra, grilo, gafanhoto e um bom número de outros insetos voadores e rastejantes, servidos em restaurantes populares e barraquinhas de feiras livres, com todo o cuidado higiênico possível.

Também a desenvolvida e rica Coreia do Sul voltou a comer cachorro, até que comprove que nossa carne não faça mal à sua população. Não o cachorro-quente, é óbvio, mas aquele canídeo quadrúpede, parente próximo do lobo, que nas altas esferas também atende pelo nome de cão.

Isso só para citar dois exemplos exemplares. Uns e outros países aí, inclusive, talvez não conheçam uma vaca em pé, como nossas crianças urbanas, que acham que galinha existe apenas na forma congelada e em gôndolas de supermercados.

Segundo nossas preocupadíssimas autoridades, apenas vinte por cento da produção de proteína animal, como gostam de dizer os técnicos do assunto, são exportados. Nós mesmos comemos os outros oitenta por cento, grande parte disso pelo povo gaúcho, com sua irrefreável paixão por uma carne churrasqueada, tchê!

Deste modo, se se baixar o preço em vinte por cento, os brasileiros, que jamais fogem à luta, se comprometem a comer os outros vinte por cento, e ninguém ficará no prejuízo. Não se fecharão frigoríficos, não se perderão empregos, aumentar-se-á – como é do vezo do presidente falar – também o consumo de cerveja, e o governo não deixará de recolher seus queridos impostos. Até o povo da propina poderá manter seu gordo e lucrativo cala-boca, o faz-me-rir, o pixuleco, na santa paz do jeitinho brasileiro de fazer as coisas.

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ACERCA DA PRISÃO DE EIKE BATISTA

Finalmente o senhor Eike Batista foi preso preventivamente, por conta de inúmeras suspeitas com seus negócios.

Na verdade, ele já deveria ter sido trancafiado no xadrez desde quando conquistou, sabe-se lá com que argumento$, a Luma de Oliveira no auge de sua exuberância. Ali ele já se tornou réu!

Mas, enfim, após mais uma fase da operação Lava-Jato (Só não apoio integralmente esta operação pela falta da preposição a.), que apura a corrupção no Estado do Rio de Janeiro, Eike foi convidado a se recolher a um dos lugares a que não pretendia ir nessa sua vida de luxo e fraude: uma aprazível cela de um presídio elegante no ameno bairro de Bangu.

É claro que, quando ele se escafedeu para os Estados Unidos dois dias antes da deflagração da operação, ficou evidente que alguém o havia alertado de que a jiripoca ia piar, a cobra ia fumar, a coisa ia catingar chamusco. Contudo, talvez aconselhado por seu advogado, resolveu reconsiderar a fuga, que transformou em viagem de negócios, e voltou à terra.

Ainda no aeroporto de Nova Iorque declarou apoio ao trabalho que se tem feito para passar o país a limpo e disse, candidamente, que voltava como um bom cidadão, a fim de prestar conta de seus feitos e malfeitos. Não chegou a dizer, ao ser perguntado, se tinha agido de forma ilegal. Entretanto, pelo olhar desviado para o lado, no instante da pergunta, confessou tacitamente. E, por sua “conduta cidadã”, espera-se que vá soltar a língua, dar com a língua nos dentes, botar a boca no trombone, trombetear aos quatro ventos tudo aquilo que sabe, a fim de não pegar uma cana mais dura.

E deve ter muita coisa a dizer.

Há alguns anos, o governo federal, via BNDES, resolveu transformar o senhor Eike Batista no maior milionário do planeta, certamente com a intenção de mostrar ao mundo a pujança da economia nacional. E soltou a grana que pertence aos trabalhadores, a juros subsidiados, para erguer o edifício mítico de Eike Batista, que como um Midas ao revés começou a transformar em lama todo o empreendimento grandioso em que se meteu.

Fazer isso com o dinheiro alheio é o que mais tem acontecido no Brasil.

Hoje o senhor Eike Batista, réu desde a conquista da Luma de Oliveira, foi conduzido ao xilindró, e a primeira providência da polícia foi remover aquela perucazinha ridícula que ele portava sobre sua cabeçorra desavergonhada.

Tenho a impressão de que também ela foi adquirida com recursos do BNDES, que deve ser ressarcido dos prejuízos que sofreu com os negóciox das empresax do senhor Eike Batista.

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CABRAL VAI CUIDAR DE CABRAS

Por inúmeras vezes, em conversas com amigos, ou com o umbigo encostado ao balcão do Botequim Chalé, bem aqui ao pé de casa, ouvi dos interlocutores a estranheza de que, diante da gigantesca crise por que passa o Estado do Rio de Janeiro, até então um dos mais ricos da Federação, a imprensa não tocasse no nome do ex-governador Sérgio Cabral. E não podia discordar de nenhum deles. Eu mesmo já me havia manifestado assim com os amigos.

Era inimaginável que esse desastre em todos os campos da administração pública fosse produto apenas da virada do calendário. Virou a folhinha de um mês para o outro, abriu-se um gigantesco buraco em que o estado foi tragado. Parecia que a crise fosse de geração espontânea e não resultado de sucessivas ações inábeis, imorais e criminosas, até que o caos se tornasse o horizonte dos fluminenses.

Mas hoje fui acordado por minha mulher, que tem o péssimo hábito de pular da cama mal raiado o dia, aos gritos de “Cabral foi preso!”, “Acorde para ver a notícia!”. A contragosto, depois de ainda tentar ouvir pelo radinho de cabeceira as notícias recentes, me levantei, escovei os dentes, lavei o rosto e fui para a frente da tevê saborear as imagens da prisão do ex-governador. E posso lhes dizer que senti um misto de vergonha e prazer. Vergonha por assistir à cena tão lamentável: a maior autoridade pública por dois períodos ser retirada da cama pela Polícia Federal, a mando de dois juízes criminais. E prazer por constatar que as coisas, enfim, parecem mudar no país.

É bem verdade que todas essas ratazanas do dinheiro público estão caindo na ratoeira do MP, da PF e do Judiciário, porque seus cúmplices nas falcatruas resolveram dar o serviço, a fim de aliviar as chamadas “penas da lei”. É um sem mérito dedurando outro desmerecido. O roto falando do esfarrapado. Quadrilha que se esfacela à primeira porretada da lei, na linha daquele velho princípio do “cada um por si, e Deus por todos”. Se é que Deus esteja disposto a intervir nesses escabrosos casos.

E ontem mesmo foi outro ex-governador, Garotinho, por outras razões, mas também pela mesma falta de ética na condução da política. Se pesquisarem bem, acharão dele outros tantos delitos, pois não é de hoje que ele vem manipulando os fios obscuros da política fluminense.

Como está na moda dizer, eu não tenho corrupto favorito. Por mim, podem meter a ferros todos eles, da Esquerda à Direita; revolucionários ou conservadores; crentes ou ateus; gays ou héteros; homens ou mulheres; brancos ou negros; ricos ou pobres; principiantes ou velhas raposas da nossa cena política. O que não podemos é continuar a ter os serviços públicos que temos, porque a cobiça dos que exercem o múnus público estão de olho é no dinheiro que a todos nós pertence.

Ferro neles! Sem dó, nem piedade!

Cabral agora vai dar milho a bode. E Garotinho vai ver o sol nascer quadrado.

É o que todos desejamos!

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Cabra presa

ANÁTEMAS, ESCÁRNIOS E IMPRECAÇÕES

 

*Desfez-se a antiga aliança entre PT e PMDB. Agora os novéis opositores acusam-se mutuamente pelos erros na condução da administração federal. É um dos casos brasileiros de que os dois opostos estão abarrotados de razões.

*O PMDB desembarcou do governo federal. Nos estados e municípios, as alianças continuam as mesmas. Há sinceridade nisso?

*A coisa só não ficará mais feia com o Temer na presidência, porque a primeira dama é bonita que só ela.

*Vasco e Flamengo empataram novamente. Bem feito para os dois!

*O futebol brasileiro, depois de experimentar alguns anos de encantamento – entre 1958 e 1970 –, entrou definitivamente na Era Dunga, mesmo ainda com o Scolari na última Copa do Mundo.

*Solicitado pela professora a construir uma frase com três advérbios, Joãozinho cunhou esta: Sinceramente Cunha atualmente somente.

Diferente do que pensam os brasileiros acerca dos poderes da república, o único poder hoje entre nós é o do Aedes Aegypti.

*Qualquer decisão jurídica, por mais imparcial que seja, só presta se for a meu favor. Caso contrário, é deslavada injustiça.

*Durante anos, convivi com um amigo de trabalho que apoiava a ditadura militar, enquanto eu era contrário. Nunca deixamos de ser amigos. Só não tocávamos no assunto, que era um ponto de provável atrito entre nós. Em tempo: este meu amigo é uma das pessoas mais éticas que conheço e de uma lealdade inquestionável.

*Gostava mais da política que se fazia sem sectarismos e sem ódios. No fundo, todos os partidos políticos pretendem mesmo é o poder e sua manutenção.

*Nossa atual situação já estava prevista no título de uma antiga peça teatral de autoria de Ferreira Gullar e Oduvaldo Vianna Filho: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

*Há cerca de quinze dias, foi estendida, na grade da Praça Getúlio Vargas, em Niterói, uma grande faixa com fundo preto, letras garrafais brancas, com o a frase: NO BRASIL OS PARTIDOS POLÍTICOS SÃO FACÇÕES CRIMINOSAS. Havia, no canto inferior esquerdo, um número de protocolo do TRE-RJ, como que a autorizar sua exposição. Obviamente que, embora todos saibamos que nossos partidos estejam contaminados, a supressão deles necessariamente só ocorreria em uma ditadura, o que, convenhamos, é ainda pior do que o estado atual.

*A democracia é o único sistema político em que eu posso falar os maiores absurdos e não ser preso por isso. Nas ditaduras, até mesmo – e sobretudo – as verdades são perigosíssimas para a saúde do falante.

*Aquela cara de satisfação disfarçada que o Michel Temer tem apresentado com mais frequência em público não é porque esteja pretendendo a presidência. Aliás, longe dele fazer essa tramoia com a antiga aliada. É apenas para escarnecer de quem o inveja pela provável primeira dama.

*Maldito o que vem em nome do corruptor!

*Tenho certeza de que alguns beneficiários ilícitos da grana da Petrobras lamentam muito o fato de que o Pré-Sal não produziu fortemente antes da Lava Jato.

*A corrupção no Brasil se tornou tão corriqueira, que, em Fundão-ES, até auxiliar administrativo desviava fraldas geriátricas. Isso só poderia dar merda. Como deu, aliás!

*O Estado do Rio de Janeiro reinventou a velha situação estou-dentro-estou-fora, tão conhecida de todos. O Picciani pai, presidente da Assembleia fluminense, rompeu com o governo Dilma. O Picciani filho, ex-atual-futuro-ex-líder do PMDB na Câmara, apoia Dilma. Ambos são do PMDB.

 

 

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GOLPE OU NÃO?

O insuspeito, para os petistas, ministro Dias Tofolli disse, há pouco, à imprensa algo que tenho repetido domesticamente com meus amigos: o processo de impeachment não é golpe. É um instrumento constitucional previsto na Carta Magna brasileira. E não significa, apenas pela sua deflagração, que a presidente da república será impedida de terminar seu mandato. Ela só o será, se houver a materialidade necessária para a continuação do pedido e se não tiver a maioria na Câmara dos Deputados. Mas, mesmo ainda aqui, restará o julgamento definitivo no Senado da República, sob a presidência do ministro chefe do Supremo Tribunal Federal, em que ela também poderá sair vitoriosa. Vejam, então, que há todo um caminho jurídico e parlamentar a ser percorrido, até que se possa atingir o impedimento da presidente. E, ainda que ela sofra a pior consequência do processo, ainda assim, não será golpe. E significará, apenas, que ela perdeu o apoio que tinha, para continuar a gerir o país. Gerir, aliás, com extrema incompetência, neste segundo mandado.

Tudo está previsto na Constituição.

O que os defensores do governo acusam hoje como golpe são as articulações político-jurídicas que levem a efeito o processo de impeachment, aliás as mesmas articulações que ontem o PT e outros partidos de oposição a Collor fizeram em 1992.

Se àquela época, sobretudo a juventude cara-pintada liderada pela UNE, com o atual senador Lindberg Faria à frente, ia às ruas pedir o impeachment, hoje quem o faz é uma massa não-partidária que se mostra perplexa diante de vários fatos negativos a rondar nossa vida econômica e política. Meu amigo Zatonio Lahud me disse – e acho que ele tem fundadas razões – que, se a economia estivesse aquecida, o nível de emprego em ascensão, os índices sociais nas alturas, dificilmente o povo estaria na ruas a bradar contra o governo. Está ocorrendo com o país o que, mais ou menos, indica o velho provérbio: Em casa onde não há pão, todo mundo fala e ninguém tem razão.

E todo esse movimento “Fora Dilma” é o outro lado da moeda de velhos movimentos predecessores: “Fora Sarney”, “Fora Collor”, “Fora FHC”. E o amigo Zatonio veio lembrar-me de que também Itamar Franco teve essa cantilena a perturbar seus ouvidos, com o pedido de impeachment solicitado pelo então deputado Jaques Wagner do PT-BA (Mandou inclusive a página da Folha de São Paulo* da ocasião.), sem grandes efeitos.

Aqui no Brasil, dias depois de instalado um governo, a oposição já manda pintar as faixas e começa a bradar seus bordões de “fora”.

No entanto nosso grande problema é que só sentimos as pedradas, quando viramos vidraças. Enquanto estamos atirando as pedras, não sentimos a dor do seu impacto.

E, se chegarmos à tragédia da guerra civil – o que não espero –, todos choraremos muito mais do que o impedimento de um governo que está sendo, pouco a pouco, abandonado pelas suas próprias bases. O PT foi um dos que começaram a criticar o governo Dilma. Agora está apavorado com a possibilidade de ser desapeado do comando do Executivo.

Só desejo que tenhamos um pouco mais de serenidade.

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*Para ler a notícia do impeachment de Itamar Franco, clique no nome do jornal.

O PAÍS ESTÁ NO ATOLEIRO!

Estou enganado ou o Brasil está virando um país de baderneiros, celerados, corruptos e bandidos de toda laia, que atuam acintosamente, sem medo nenhum da nossa lei pífia e de autoridades passivas?

Aqui não está um temor de esquerda, de direita ou de centro. Apenas a apreensão de um cidadão comum que, a cada dia, se espanta com os níveis da insurreição social e de corrupção generalizada que assolam o país de norte a sul.

O calendário não termina amanhã! O planeta não se destruirá por cataclismo no mês que vem! E que país queremos para o segundo semestre, para o próximo ano, para as futuras gerações? O que viveremos nós mesmos e o que legaremos a nossos filhos e netos?

Não desejo nenhum tipo de ditadura, de regime obscurantista e repressivo como solução para nossa severa crise atual. Não espero nenhum salvador da pátria, porque eles não existem. Mas há que se fazer alguma coisa imediatamente, a fim de que o tênue tecido social em que estamos enredados não se rompa definitivamente.

Todos temos o direito de sair de casa e de saber que voltamos. Vivos, sãos e felizes. Com os deveres cumpridos, mas com os direitos todos em dia, garantidos. Não podemos ficar à mercê de nenhum tipo de grupo que age contra o interesse maior da sociedade. Nenhum direito de grupos pode prevalecer sobre o direito da sociedade como um todo. Embora os direitos individuais e de grupos sociais constituam o direito maior do país. Há reivindicações justas. Mas baderna é outra coisa!

Em Pernambuco, durante a greve da polícia, o que se viu foi uma vergonhosa ação de parte da população transformada em saqueadores de ocasião, unicamente pela falta do cassetete. Que merda é essa, que parte de nós só não vira celerado se houver um policial a vigiar? Que tipo de cidadão é esse que vai para a barbárie tão facilmente, quando não sente a força bruta fungando no seu cangote? Só pela ausência da polícia, eu estou autorizado a invadir, depredar, roubar? Que tipo de ética é essa?

E as greves de parte dos motoristas de ônibus nas grandes cidades, como em São Paulo agora? Quem lhes disse que eles podem transformar a vida de milhões de pessoas num inferno e levar a cidade para o caos?

Por que grupos de cinquenta, cem, duzentas pessoas fecham estradas, avenidas, ruas, impedindo o trânsito de bens e pessoas, como se bloqueassem um corredor de suas casas à passagem de animais domésticos?

Nunca reclamei aqui, mas já fiquei parado na BR-040, próximo a Juiz de Fora, durante quase uma hora, porque cerca de oitenta-cem pessoas se manifestavam pela aprovação da PEC número tal, anunciada em faixas, mas que não sei do que se tratava. E imagino que a maioria esmagadora dos que por ali transitavam também não sabia. E eles, os manifestantes soberanos, nos deixaram passar, um a um, num funil estreito da pista, à medida que lhes dava na telha. E imediatamente me tornei um ferrenho opositor àquela maldita PEC, cujo conteúdo até hoje desconheço.

Tenho a impressão de que nada disto é político, ideológico, no sentido básico por que se entendem tais conceitos. Tenho a triste impressão de que isso revela o ponto de degradação a que estamos chegando na escala do conceito civilização em nossa sociedade.

Imagem em metafisicaportal.blogspot.com.

O TREM TÁ FEIO, MAS AINDA HÁ SALVAÇÃO!

1. MÉDICOS FAZEM GREVE PARA EXIGIR MELHORIAS NA SAÚDE – O governo, para atender aos grevistas, enviou uma carga de complexos vitamínicos e antipiréticos.

2. TIÃO VIANA DECRETA SITUAÇÃO DE CALAMIDADE PÚBLICA NO ACRE – Até que enfim! O Acre já está em calamidade pública há muito; bem antes do transbordamento dos rios que cortam o estado.

3. MORADORES DE CIDADE DE GOIÁS FECHAM A BR-040 EM MANIFESTAÇÃO CONTRA A GREVE DE RODOVIÁRIOS – Em Aparecida de Goiás, um grupo fechou a rodovia. Já que os rodoviários estão em greve, ali também ninguém passa. Nunca vi disso, mas o Brasil é um país surpreendente.

4. UM DEPUTADO CHAMADO ANDRÉ – O deputado André Vargas, que está no olho do furacão, já providenciou um colírio analgésico para o furacão: pediu licença para tratar de assuntos particulares. Quando, na cerimônia da Câmara, ele fez o gesto de Genoíno e Zé Dirceu ao serem presos, já antecipava o que lhe pode acontecer. Seus cumpinchas, aliás, correligionários, acham que sua situação é pior que o daqueles dois. Ele vai fugir, gente! Já deve ter muito dinheiro no exterior. Segurem o homem!

5. O SENADOR GIM ARGELLO (PTB-DF) É INDICADO A OCUPAR UMA VAGA NO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO – O TCU, não importa sua composição, será sempre suspeito de votar com o governo. Mas indicar o senador PINGA COM GELO, que tem contra si nove processos, já é, como dizíamos na terrinha, meio muito, né não? É aquela história de confiar o galinheiro à raposa, a chave do cofre ao ladrão, ou o TCU a político. Dá tudo no mesmo!

6. A PACIFICAÇÃO NA MARÉ CONTINUA NA BASE DA PORRADA, DO TIRO E DA VIOLÊNCIA. – Nada a comentar!

7. NOVO TREMOR DE TERRA EM MONTES CLAROS-MG – Montes Claros não para com essa mania de querer aparecer na mídia. É mineira, mas não trabalha em silêncio. Gosta muito de aparecer. Eh, Montes Claros!

8. FELIPÃO DIZ QUE VAI LIBERAR O “SEXO NORMAL” DURANTE A COPA DO MUNDO – Aí! atenção, donas de casa! O pau vai cantar durante a Copa. Não sabia que o poder do Felipão chegasse a tanto: técnico de sexo normal. Aliás, o que seria sexo normal: papai-mamãe, são pedro-são paulo, frango assado? Que horror!

9. HUNGARO SEM ACENTO ELOGIA JORGE WAGNER – O mundo está mesmo perdido! E nós botafoguenses seguimos com cara de tacho. Jorge Wagner conseguiu alguém que o elogie. Será que deu parte do salário que não recebe ao técnico? Tenho cá minhas dúvidas!

10. EMPRESÁRIO DE JOGADOR DO FLAMENGO É PRESO POR TRÁFICO INTERNACIONAL – Droga é droga, não importa o time em que jogue, mesmo sendo o Urubu! Isso não lhe dá garantias de que seja coisa limpa. Ou será exatamente por isso? Nunca se sabe! Por isso é que o empresário acabou preso: traficando droga, naturalmente. Hahaha!

 

Irmãos Metralha, criação Walt Disney.