O CÃO COM TOSSE

 

Daqui de cima
Ouço um cachorro tossindo tosse de cachorro
Pelo que ouço
É um cachorro novo
Que tosse como se fosse um velho cão cheio de gogo
Daquele mesmo gogo  que pega velhas galinhas no choco
Esse cachorro, seu moço!
Precisa de um veterinário urgente
Ou acabará morto!

 

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MARIA ANDARILHA

(Para Maria, minha netinha.)

Um dia
Maria acordou andarilha
Andou da porta do quarto
Por uma trêmula trilha
Dos braços do seu irmão
– O Bruno então sorria
Ao ver o risco no chão
Tão invisível se via –
Até onde os olhos davam
O que fez a Gabriela
Que de tudo desconfia
Achar que a irmã mais nova
Não conseguisse a magia
De andar por suas pernas
Tão pequenina inda é ela
Mas a miúda Maria
Ciosa do que queria
Andou dos braços do Bruno
Até a porta da cozinha!
E foi a primeira vez
Que tal fato acontecia.
Agora anda por pátios
Playgrounds e companhia
Pisando passadas firmes
Enquanto o vento assovia
Nos seus cabelos penteados
Como maria-chiquinha.

 

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Diego Velázquez, As meninas, 1656; Museu do Prado, Madri.

JUCA JUQUINHA JUCÁ

Da série CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER
Este poeminha estava pegando poeira no disco rígido do meu computador, mas nunca perdeu a atualidade. Então resolvi dá-lo a lume, como se dizia.
JUCA JUQUINHA JUCÁ
Ainda que eu seja jeca
Eu cá já não me iludo
Com jaca jacu jacá
Com preá e caramujo
Ou paca tatu gambá
Com tracajá e sabujo
Com pacová e gamela
Ou com político sujo
Ainda que ele seja
Muito vivo ou já de cujus
Juca Juquinha ou Jucá
E palmital de pupunha
Há esperanças no ar
Pois se o Cunha levou cunha
Os outros hão de levar
Se Deus quiser! Saravá!
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VACINA

Me vacino contra isso
Logo aparece aquilo
Me previno contra um trio
Vem um quarto em desafio
A morte espreita fininho
Me faço de morto e desvio
Sigo na trilha da vida
No inverno e no estio
Mas vai chegar minha hora
Apontando meu destino
E não haverá vacina
Que me possa manter vivo.

 

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O DIA DE MARIA

(Para minha netinha Maria, em seu primeiro aniversário.)

 

Um dia
Chegou Maria
Veio tão cheia de graça
Trazia tanta alegria
Como coisa que não passa
Mais parecia a Maria
Uma ciranda na praça
De tão alegre que vinha

Um dia que não existia
Vindo de outra galáxia
Trouxe consigo Maria
E fosse uma estrela guia
Ainda assim não seria
Mais bela que esta Maria
Por toda via que traça
Por toda sua magia

Por isso é que todo dia
É o dia é de Maria

 

Maria com o chapéu (foto do autor, por celular).

POEMAS MÍNIMOS IV

 

POEMINHA SINESTÉSICO (com aliteração)

Ribombam cores tépidas
Sob lençóis sombrios
A pele recende a salgado
Que silva em rubros cios

POEMINHA ANESTÉSICO

Não sinto dor fome ou sede
Estou na rede deitado informe
Até que o tempo transforme em gente
Aquilo que me é apenas aparente

POEMINHA PROFÉTICO

Vai a lua a caminho do dia cedo
O sol vem a reboque fazer do medo
Da noite que passou soturna
O carnaval de um dia pleno

POEMINHA ÉTICO

Todo partido parece íntegro na cobiça
E não há parceiro que não ganhe o seu
A ética fraqueja nas dependências do poder
Enquanto a lua peja o sol rasteja e o cidadão moureja

POEMINHA COM RIMA E SEM SENTIDO

Embora em Bora-Bora a aurora surja
Pintando de cores a manhã
Agora em minha horta a desoras
Coaxam rãs nos canteiros de hortelã

 

Baía de Guanabara ao pôr do sol (foto do autor).

DIA DO AMIGO

Hoje é o Dia do Amigo
Amigo simplesmente, sem adjetivos
Amigo do peito
Amigo de fé
Amigo de infância
Coisa guardada debaixo de sete chaves
Amigo da fuzarca
Amigo do alheio
Amigo urso
Amigo da onça
Amigo traíra
Amigo da bebida
Amigo de bar
Amigo das horas incertas
Amigo mala
Amigo sensível
Amigo durão
Amigalhão
Amiguinho
Amigo sincero
Irmão camarada
Amigo com a cara mais deslavada de amigo

Que nada!
Qualquer amizade é para ser louvada
Ainda que com um travo amargo na boca
Pois que um dia a amizade foi doce
Como uma limonada