NÃO SEI O QUE FOI FEITO DO TORRESMO

Torresmo chegou à nossa vila por volta dos anos cinquenta do século passado. Era um moleque um pouco mais velho do que eu e trouxe um jeito de ser bem diferente de todos nós. Era alegre, divertido, brincalhão, de uma forma meio irresponsável, inconsequente. Nunca soube, de fato, seu nome. Nem mesmo se o apelido Torresmo ele trazia de onde veio, origem também que não sei, ou se foi colocado na própria vila.

Tínhamos, então, e quero crer que até hoje, o vezo de apelidar as pessoas. Este é um traço característico marcante das pequenas comunidades interioranas. Muitos moradores de Carabuçu eram chamados por seus apelidos, alguns deles derivados dos próprios nomes, como Tônio Pinto, Juca Jacó, Quincas Emiliano, Zé Carola; outros, de sua profissão, como Nequinha Capador, Mané Pindoba, Zé Oleiro; outros mais, sem uma explicação plausível, mas talvez por algum motivo que então me escapava, como Elias Penudo, Antônio Chambão, Pedro Moranga, Elias Pelanquinha, Toniquinho Lava-bunda; outro tanto, apenas com o apelido a identificar, como Solé, Caburé, Coberta Velha, Puri, Tatu, Memeco, Galo Cego, Escabufado. E por aí afora. A quantidade de pessoas com apelido era imensa.

Mas o Torresmo, tenho a impressão, já chegou pururucado a Carabuçu. Não foi frito lá.

Era um moleque dos seus treze-quatorze anos que trabalhava num bar da família, fazia obrigações pelo comércio local, e não tinha tempo útil para brincar conosco. Estava sempre calçado de tamancos, como aliás vários de nós, só que, ao caminhar, ele esfregava a ponta dos tamancos contra o piso das calçadas, tirando deste gesto uma espécie de ronco da madeira, um tanto assemelhado ao canto dos carros de bois, sem, contudo, a mesma beleza. O barulho dependia do estado do piso, se mais liso ou mais áspero, que lá dizíamos caracaxento. No piso caracaxento, o ronco do tamanco era mais grave; no liso, mais agudo. Era só a gente ouvir aquilo, para saber que o Torresmo tinha saído à rua, com alguma finalidade, e aproveitava a oportunidade para sua brincadeira barulhenta. Acho até que era, além de brincar, uma forma de o Torresmo marcar território, como fazem os animais no seu espaço físico.

– Lá vai o Torresmo!

– Lá vem o Torresmo!

Era o que passava em nossa cabeça, conforme o barulho crescesse ou diminuísse.

Pouco tempo convivemos com ele. Assim como não sabia de onde tinha vindo, não soube também para onde foi. Um dia a família se mudou, e lá se foi Torresmo com seus tamancos barulhentos, seguramente a aprontar em outras calçadas em algum lugarejo perdido por esse interior afora.

Por isso, até hoje, não sei o que foi feito do Torresmo.

 

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CAÇOADAS E CAÇOADORES

Um dos divertimentos preferidos da minha Carabuçu da infância e da adolescência era a caçoada. Havia na vila um bom número de moradores cujo entretenimento predileto era caçoar dos outros.

Talvez aqui algum leitor citadino, sem a experiência das coisas do interior, não atine bem para o que seja este tipo de divertimento ou esporte, sei lá.

É que, por aquela altura, a vila não oferecia muitas opções de lazer. A folhinha marcava os anos cinquenta e sessenta do século passado. Então algumas pessoas se divertiam em caçoar dos outros.

Mas você, leitor amigo, não sabe o que é caçoar? Vou esclarecer, transcrevendo as definições do dicionário Michaelis, a fim de que você entenda como isso poderia funcionar.

No Dicionário Michaelis (michaelis.uol.com.br/moderno-portugues) estão registradas as seguintes acepções da palavra: “1 Dizer ou fazer algo para causar riso ou chacota; fazer troça a, zombar de; cachetar, ridicularizar, zoar: Caçoava os adversários políticos. Não caçoo de ninguém. Você caçoa, sim.

2 Mentir de brincadeira: Vai caçoar pra lá; matou nada!

3 COLOQ Desacreditar; não dar importância, duvidar: Não podia acreditar; afinal, a vida toda caçoara de histórias de fantasmas.

4 Fazer caçoadas com a intenção de provocar alguém ou apenas para brincar; atiçar, implicar, instigar: Caçoa do apelido do irmão até provocá-lo para briga.”

Alguns carabucenses (cuidado com a palavra) se destacavam.

Niltinho Pontes, por exemplo. Bancário do extingo BERJ – Banco do Estado do Rio de Janeiro, que tinha um posto na vila, Niltinho era uma pessoa culta, para a média da população local, o que lhe permitia caçoadas inteligentes. Ou Paulinho Sucanga, meu tio, e um dos maiores jogadores de futebol que já vi atuar, com seu jeito moleque de encarar a vida. Havia o Elias Pelanquinha também. Meu primo de terceiro grau, meio-campista do Liberdade Esporte Clube, e grande carnavalesco. Gostava de sair, durante a folia momesca, fantasiado de bebê, com um fraldão, chupeta pendurada ao pescoço, levando na mão um penico com cerveja e algumas salsichas boiando, numa sugestão nojenta para olhos mais sensíveis. Ele tirava a salsicha do líquido amarelo e a comia na frente de mulheres envergonhadas. Os irmãos Renato e Antônio Milton, irmãos do meu amigo Cabeção, grandes jogadores de sinuca, que debochavam sempre dos parceiros mais fracos. O Coberta Velha, que se destacava pela risada escandalosa, motivo do apelido, logo após suas caçoadas. Parecia uma coberta velha sendo dilacerada à força. O Elias Penudo era outro caçoador emérito. Com uma cara de sujeito sem graça, o andar meio desengonçado de marreco, vivia de caçoar o que estivesse mais próximo. Outro era o Dadá Machado, também meu primo, e cheio de deboches e brincadeiras com seus fregueses do bar. Mas do Dadá era de se esperar isso. Sua cara já o denunciava de antemão. O Moreninho barbeiro era outro brincalhão. Muito falante, como é comum aos barbeiros, cinéfilo de carteirinha, Moreninho fazia do seu salão o ponto de encontro para uma conversa descontraída e cheia de humor. Durante dois anos, fui aprendiz do ofício que ele exercia com extrema maestria e pude desfrutar daquele ambiente de saudável descontração, embora fosse um ambiente de trabalho como outro qualquer. O China alfaiate talvez fosse o maior deles. É impossível lembrar do China, hoje residente em Bom Jesus do Itabapoana, sem que venha à memória as brincadeiras que aprontava com todos. Do seu ateliê saíam tanto roupas muito bem cortadas, quanto caçoadas afiadíssimas. Aliás, China me disse há algum tempo que foi meu pai quem lhe deu o apelido, que lhe substituiu completamente o nome, Otoniel. E meu pai era um homem sisudo, de poucas palavras e ainda menos sorrisos. Mas um apelidador de marca maior.

O interessante desse tipo de brincadeira é a de que era inconsequente. Não produzia nenhum malefício ao outro, que, no fim, também acabava caindo na gargalhada – ou, como se diz lá ainda hoje, pocando de rir – e se divertindo. Era um jeito lúdico e descontraído de se estreitarem relações sociais numa vila tão pequena, em que todos se conheciam e se estimavam. Claro que havia escaramuças raras, mas, no geral, na normalidade, todos viviam em paz, no sossego das casas e das ruas. E cuidando para não cair na próxima caçoada de um desses conhecidos gozadores.

 

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Militão dos Santos Lima, Paisagem rural (em pinterest.com).

DOZE RETRATOS VERBAIS

 

  1. Meu pai está comigo ao colo no banheiro, que fica do lado de fora da casa simples. Aquilo era o que chamávamos de quartinho, de paredes de madeira. É final do dia, e tomamos um banho frio, na tarde quente.
  1. Meu pai chega de viagem do Rio de Janeiro, onde fora submeter-se a cirurgia de apêndice. Abre sua pequena mala de couro, de onde sai inesquecível cheiro de maçã, que me impregna as narinas até hoje.
  1. Meu pai traz para casa e solta no terreiro uma capivara. Durante certo tempo, foi o nosso bicho de estimação – do meu irmão e de mim.
  1. Meu pai sofre terríveis episódios de cólica, que o deixam transtornado. Pensei que fosse perdê-lo, então. Era uma úlcera duodenal, extirpada posteriormente em Itaperuna. Felizmente viveu até seus noventa e cinco anos.
  1. Meu pai planta um pé de jamelão, na divisa do nosso quintal com o do tio Nalim. Fico triste quando me diz o tempo em que a árvore começaria a dar frutos. Muito antes do meu tempo psicológico, meu irmão e eu já nos lambuzávamos de roxos jamelões suculentos.
  1. Meu pai faz salada de frutas, que coloca numa fruteira de vidro azul, estilo art déco, tempera com açúcar e vinho moscatel. Com uma única colher, serve seus então três filhos, que se revezam na fila: Gute, Eliza e eu.
  1. Ao fazer doze anos, meu pai me autoriza a andar em sua espetacular bicicleta inglesa Humber, com a recomendação de que não o fizesse sobre as calçadas da vila, nem caísse com ela. Os meus arranhões o Zé da Farmácia curaria facilmente. Os dela, só na Inglaterra, para repetir a pintura.
  1. Meu pai pede que o ajude a levantar o saco de arroz a ser vertido no caixote da venda que tinha na parte da frente da casa. Ao fim da ação, pergunta se eu tinha feito força. Digo que não. Ele diz que a fez sozinho.
  1. Na dúvida entre assumir cargo no Banco do Brasil, fruto de concurso público, ou vir para Niterói fazer faculdade, ele me diz, contrariamente a todas as outras opiniões de amigos e conhecidos: “Filho, se você aceitar, ficaremos felizes por estar com um bom emprego e tristes por ir para longe. Se for para Niterói, estaremos felizes por realizar seus sonhos e tristes por ir para longe. A vaga do banco é sua. Você faz o que seu coração mandar”. Vim para Niterói.
  1. Caminhando em direção à rodoviária para vir em definitivo para Niterói, ainda que à época não percebesse isso, ele, empurrando sua bicicleta, me diz: “Filho, não tenho dinheiro para sustenta-lo lá, apenas esta ajuda aqui. Mas cuide sempre do seu nome, da sua honra, que é o que temos de nosso. E isso ninguém pode nos tirar”.
  1. Um mês após o fim da Copa do Mundo da África do Sul, chego a Bom Jesus para visitá-lo, e ele me pergunta um tanto entusiasmado: “Meu filho, você conhece a Shakira?”. Com noventa e três anos, ainda lhe movia algo bem lá no âmago.
  1. No fim da vida, já com a consciência em frangalhos, meu pai me pede que o leve até nossa vilazinha de Carabuçu, porque precisava encontrar sua mãe e falar com ela. E me confessa, menino: “Eu, sem ela, não sou nada, meu filho!”. E morre alguns meses mais tarde.

Hoje ele faria 99 anos.

Saudades, meu velho e saudoso pai!

 

Café tarde na casa paterna (foto do autor).

Café da tarde na casa paterna (foto do autor).

A GERAÇÃO DO CANIVETE

 

Meu pai era um homem da geração do canivete. Aliás todos os homens da geração dele e talvez de uma geração posterior certamente o fossem.

Eu fiz o maior esforço para não ser da geração canivete, dois degraus após na escala geracional.

Vou-lhe explicar, leitor amigo.

Algumas peças já fizeram parte do vestuário das pessoas, as quais peças o tempo se incumbiu de dar fim. Do homem, por exemplo, na primeira metade do século XX, o chapéu e a bengala, ainda que não se claudicasse, ou que não houvesse sol queimando a cabeça. Eram componentes da elegância masculina, sobretudo do habitante das cidades mais cosmopolitas. É comum verem-se em fotografias antigas, em que se juntam muitos, vários – ou todos eles – de chapéu, paletó e bengala.

No interior, até o momento em que lá estive, os homens – quase todos, sem exceção, repito – possuíam um canivete, que carregavam num bolso apropriado das calças, na algibeira. O bolso era feito exatamente com tal finalidade: acomodar o canivete.

E para que servia este objeto? Ora, eram várias as suas utilidades: desde descascar uma fruta, picar o fumo para o cigarro, como cortar as unhas e executar pequenos trabalhos em madeira. Às vezes, em desavenças, ele poderia entrar como arma branca. Mas isto era muito raro.

Os meninos, depois de certa idade, ganhavam um canivete de presente. Eu também tive o meu, que me servia para descascar as laranjas da chácara do tio Alcides Almeida, para onde eu ia, a seu convite, me sentar sob as árvores carregadas, com meu primo Carlinhos, filho dele, a me fartar daquelas frutas de um paladar inesquecível.

Minha primeira calça comprida, feita por minha mãe para os meus doze anos, tinha lá o bolsinho do canivete.

Depois que cresci mais um pouco, já em plena puberdade – a cara cheia de espinhas – resolvi não carregar mais aquele objeto, embora o tivesse guardado em alguma gaveta de casa.

Ao terminar o Curso Científico, antigo Segundo Grau, decidi vir para Niterói, na intenção de fazer o meu sonhado Curso de Letras.

Ao arrumar a mala com alguns apetrechos de higiene pessoal e a pouca roupa que tinha, meu pai se lembrou de que eu deveria trazer o canivete. Naquele momento, eu rompi a corrente e lhe disse que não o queria trazer. Ele se admirou pela recusa e insistiu. Mas me mantive firme e rejeitei a oferta de um seu canivete bonito, lâmina inoxidável, ponta fina, cabo de chifre, corte afiado.

E ele me perguntou um tanto espantado, daquele jeito engraçado como costumava falar, sempre introduzindo sua frase com a expressão que ainda hoje ouço no silêncio da minha memória:

– Deus tal não permita, e se você quiser chupar uma laranja?

– Se não estiver descascada, eu não vou chupar, pai.

Um pouco decepcionado, guardou o canivete, que talvez para ele representasse um elo físico entre nós dois, na longa distância a se abrir entre Bom Jesus e Niterói. Não tive, então, a sensibilidade para perceber isto. Só muitos anos depois é que este fato, até hoje martelando na minha memória, produziu este sentido, este significado escondido.

Me libertei do canivete, para não parecer um moço da roça a chegar na cidade grande – Niterói era, por essa época, a capital do estado. Bastariam, para que meus colegas de faculdade me identificassem, um certo jeito tímido e o sotaque, cujo erre amineirado não tinha essa aspiração do daqui, que mais parece a respiração ofegante de uma crise de asma, como posteriormente fui saber pelo olhar crítico dos goianos, para quem dei um curso nos idos de 80.

E nunca mais tive um canivete. Meu filho, tenho a impressão, nem sabe o que é isto.

 

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VAI DAR BODE!

Tenho uma prima, hoje uma senhora, que, na sua juventude, além da beleza estonteante, era uma jovem rebelde. Vivia dando problemas nas escolas por onde passava. Até que nenhum dos dois estabelecimentos de ensino de Bom Jesus do Itabapoana a aceitou mais em seus pátios e corredores. Foi ela estudar em São José do Calçado, cidade próxima e terra natal do amigo Zatonio Lahud, que me contou a história.

Na prova final de inglês, exame oral, chega sua vez de ser arguída pelos dois professores, um deles, também pastor da Igreja Presbiteriana de Bom Jesus e seu velho conhecido, que se dirigiu a ela, desafiante:

– Muito bem, dona fulana (Os professores nos tratavam com irônica reverência então.)! Aqui estou eu, professor Cordeiro. Ao meu lado, o professor Carneiro, de Itaperuna, compondo a banca examinadora. O que a senhora tem a dizer?

Ela, mais esperta que os dois:

– Vai dar bode, professor!

E foi reprovada mais uma vez na escola. Na vida, no entanto, é uma mulher de muito sucesso.

 

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NENA E ANQUIMAR

Imagem em preciolandia.com.br.

Nena e Anquimar trabalhavam no velho caminhão Chevrolet Gigante da fábrica de manteiga de Libelton Boechat, lá em Carabuçu, pelos idos de 60 do extinto século. Anquimar, o motorista; Nena, o ajudante, incumbido de tirar e colocar latões de leite na carroceria. Anquimar tinha o olho esquerdo desviado mais para a esquerda, estufado, inconfiável para golpes de vista. Nena era fanho, gago, completamente caolho, cabeça achatada na testa, como se tivesse levado uma pancada ao nascer, dentição irregular, queixo embutido, meio pancado das ideias.

Viviam lá os dois às voltas com o trabalho. Enquanto Nena carregava e descarregava o caminhão, Anquimar ficava cofiando a bigodeira preta, logo abaixo do olho esquisito e de uma bem nascida pinta escura na bochecha esquerda. Nena trabalhava e cantava músicas que até hoje nenhum ouvido ainda conseguiu decifrar. Enfim, cantava.

Determinada manhã, após a coleta do leite pelas fazendas e sítios próximos, o velho Chevrolet Gigante garbosamente adentra o pátio da fábrica para a descarga dos latões. Nena, sobre a alta calçada no mesmo plano da carroceria, fanhosamente orienta a manobra de marcha a ré de Anquimar:

– Vem, vem mais; pode vim; vem mais que dá! Vem! Vem mais, Anquimar!

Até que o caminhão bate na calçada.

Anquimar, furioso, bigode desalinhado, sai da boleia do bitelo e repreende o ajudante, aos gritos:

– Isso é modo de guiar a gente, Nena? Tá vendo: o caminhão bateu!

Nena, no seu quase inocente juízo avariado, argumenta cheio de fanhas razões:

– Bem feito! Quem manda ocê ser caolho?

APONTAMENTOS DE VIAGEM

Inicio hoje a postagem de alguns poemas breves que fiz há alguns anos, a partir de uma viagem empreendida pelo hoje chamado Cone Sul. Embora tenha durado cerca de um mês, ela gerou, no entanto, impressões ligeiras que triscaram o emocional, mas que permanecem até hoje, sobretudo quando revejo os textos que aqui irão.

Abaixo, os dois primeiros.

Espero que gostem!

 

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i. TREM PANTANEIRO

tanto trem de ferro pelo pântano
pelo pântano que se cruza pantanal
tanto trem
tanto vai tanto vem
tanta gente pouca gente
tanto gado pela terra amealhado
tanto sol tanto bem
fazendeiro tanto vai tanto vem
pelo pântano tanto mal tanto bem.

ii. CORUMBÁ

Corumbá resfolega seu casco senhorial
à beira do Paraguai
que há muito aportou suas águas
na Cidade Branca
e de lá não sai
com medo de que o futuro
lhe pregue uma peça en guarani.

 

Velho trem do Pantanal (em portali9.com.br).