APONTAMENTOS DE VIAGEM

Inicio hoje a postagem de alguns poemas breves que fiz há alguns anos, a partir de uma viagem empreendida pelo hoje chamado Cone Sul. Embora tenha durado cerca de um mês, ela gerou, no entanto, impressões ligeiras que triscaram o emocional, mas que permanecem até hoje, sobretudo quando revejo os textos que aqui irão.

Abaixo, os dois primeiros.

Espero que gostem!

 

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i. TREM PANTANEIRO

tanto trem de ferro pelo pântano
pelo pântano que se cruza pantanal
tanto trem
tanto vai tanto vem
tanta gente pouca gente
tanto gado pela terra amealhado
tanto sol tanto bem
fazendeiro tanto vai tanto vem
pelo pântano tanto mal tanto bem.

ii. CORUMBÁ

Corumbá resfolega seu casco senhorial
à beira do Paraguai
que há muito aportou suas águas
na Cidade Branca
e de lá não sai
com medo de que o futuro
lhe pregue uma peça en guarani.

 

Velho trem do Pantanal (em portali9.com.br).

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QUEM É O AUTOR “DAQUILO”?

Campos dos Goytacazes, 1960, internado do Colégio Bittencourt, na Rua Gil de Góis, próximo ao jardim do Liceu de Humanidades de Campos.

Era um calorento sábado à tarde, quando os poucos que ali estavam, já que era dia de folga dos alunos do regime de internato, começaram a ouvir Lúcio de Lauro a vociferar impropérios, a urrar pelos corredores dos dormitórios, à procura de quem fizera “aquilo”.

Lúcio era rapaz formado, quando eu tinha lá meus treze anos, e estudava no antigo curso Técnico de Comércio, equivalente hoje ao Segundo Grau. Pistonista dos bons, tendo inclusive aparecido numa chanchada brasileira da década de 50, que víramos na sessão de cinema na noite anterior, que o Prof. Clóvis Bittencourt sempre promovia para os alunos, Lúcio também exercia a função de monitor de disciplina dos alunos mais novos do antigo curso ginasial.

Ele tinha acabado de sair do banho e, ao voltar para o quarto, viu “aquilo”, o que motivou toda a sua explosão de ódio. Saiu como um possesso pelos corredores a querer saber de outros monitores que ainda estavam por ali o autor “daquilo”. Quem viu? Quem sabe? Quem fez?

Como é normal, nesses casos, “aquilo” não teve testemunhas: ninguém sabia de nada, ninguém tinha visto nada. E ele, como se possuído, gritava, xingava, vociferava, querendo matar o desgraçado autor “daquilo”.

Naquela tarde, eu estava de bobeira na escola e fiquei assustado com a reação do Lúcio, rapaz um pouco gorducho, educado, detentor de um bigodezinho fino a lhe desenhar o lábio superior, que nunca levantara a voz para nós. Aos gritos, dizia ele, então, para que não mexessem em nada, deixassem tudo do jeito que encontrara ao voltar para o quarto, pois iria mostrar o “malfeito” ao Dr. José Bittencourt, o outro vice-diretor, conhecido pelo rigor com que tratava as travessuras dos alunos.

Só por essa ameaça, fiquei com pena do travesso autor da façanha, pois sabia o que lhe esperava. Mas só fui avaliar mesmo a gravidade do ocorrido e as consequências daí decorrentes, quando, ao entrar no corredor onde ficava o quarto do Lúcio, vi, sobre a mesa de cabeceira, o porta-retratos com a foto de sua bela noiva adornada por um jato de esperma, que o cruzava na direção de sudoeste a nordeste, com respingos em outros pontos cardeais da rosa dos ventos.

Apesar de todas as sindicâncias, nunca soubemos ao certo quem fizera “aquilo”, mas, por via das dúvidas, deram um gancho no Zeca, aluno do segundo ano ginasial, cara de sonso, useiro e vezeiro em aprontar as mais diversas reinações no internato. Pela reação dele ao castigo, até hoje sou muito propenso a reconhecê-lo como o criminoso vertedor de esperma em porta-retratos alheio. E sempre me passou pela cabeça que a atitude foi mera retaliação do Zeca, motivada pela inveja por ter visto Lúcio de Lauro, pistom em punho, todo garboso, tocando num baile de carnaval no filme da noite anterior.

 

Imagem em mercadolivre.com.br.

QUEM É ESSE CADÁVER?

Luciano é seu nome civil. No batistério, consta José Luís, pois o padre se recusou a batizá-lo com o nome que alegou ser pagão. No entanto era simplesmente o Pipa, apelido que fazia jus à sua silhueta arredondada. Na roda de amigos, era reconhecido por sua alegria, sua descontração e o prazer que tinha em fazer galhofas com os demais. Quando começou a trabalhar na Organização Construtora, comércio de material de construção, localizada na Rua Abreu Lima, era um jovem sem experiência e, por isso, foi exercer a função de boy.

Na época, corria por Bom Jesus uma gíria nova, que os rapazes estavam utilizando para se referir a outra pessoa: cadáver. Era comum, então, um amigo passar pelo outro e dizer:

– E aí, cadáver? Que vai fazer hoje, cadáver? Viu o cadáver do Zé Américo aí?

Um tanto esquisito, mas era isso o que acontecia.

Um dos sócios da empresa era conhecido pelo diminutivo de seu prenome, Joãozinho, ou seu Joãozinho, como os empregados o tratavam.

Lá uma tarde, seu Joãozinho determinou que se fizesse um depósito bancário em sua conta pessoal na agência do Banco do Brasil. Chamei o Pipa, já com a ficha de depósito preenchida e o dinheiro correspondente, e pedi que ele fosse até o banco.

– Pipa, por favor, faça esse depósito na conta de João Batista Ferreira Borges, no Banco do Brasil.

Gaiato como sempre, cheio de dentes na boca debochada, perguntou do topo da escada que dava acesso ao escritório, ao lado da mesa do patrão, que lá estava:

– Quem é esse cadáver?

Da mesa detrás, apontei discretamente para o patrão, que teve a cor das orelhas passada, em fração de segundos, do rosa para o roxo.

Daí em diante, com o arrependimento atravessado na goela, Pipa tratou de baixar sua bola e ter mais concentração no trabalho, senão iria parar no olho da rua.

No entanto, na verdade, seu Joãozinho deu boas gargalhadas, depois que o funcionário boquirroto saiu para o banco.

 Desenho de Leonardo da Vinci.

NO TEMPO EM QUE NÃO HAVIA PSICOLOGIA

Há cerca de uns oito/dez anos, reclamei com minha mãe sobre o fato de não ter aprendido a nadar, em moleque, lá em Carabuçu, por culpa dela. Minha irmã Cristina, psicóloga, disse-me certa vez, em tom de pilhéria, que para uma pessoa ter problemas na vida basta que tenha mãe, o que, convenhamos, significa haver problemas o tempo todo, para todo mundo. Ninguém nasce de chocadeira!

Naquela época, Dona Zezé proibia os filhos – eu e Guth – de ir para os valões, sem um adulto responsável. Nos seus cuidados de mãe, não queria ser surpreendida por notícia de afogamento de menino em algum poço traiçoeiro. Seria dor demais para seu coração materno, moldado na canção de Vicente Celestino.

Sou mais velho que o meu irmão dois anos e pouco. Eu jamais fui para a beira dos valões que contornavam a vila. Guth nunca deixou de ir. Por isso, ele aprendeu a nadar; eu, não. Sempre fui obediente; o Guth flexibilizava um pouco o ato de obedecer. Vejam que não estou dizendo que eu tivesse méritos e ele fosse o filho desesperado. Eu era assim e pronto. Cada um a seu talante.

Então reclamei com ela o fato de sempre dar uma ordem única para os dois filhos, bem diferentes entre si. E lhe atribuí diretamente a culpa:

– Mãe, não sei nadar até hoje por culpa sua. Eu era obediente e não ia para os valões. A senhora tinha de saber que eu e o Guth éramos bem diferentes.

Minha mãe, embora não tenha tido educação formal, sempre foi uma mulher sábia e me respondeu com o seu proverbial bom humor:

– Meu filho, na época não havia psicologia. Aí era uma única ordem para os dois.

E ai de quem não cumprisse e fosse pego em flagrante delito!

Claro que já havia psicologia por aí, pelos estrangeiros ou nas cidades grandes. Talvez nas casas de gente rica e metida a besta. Naqueles cafundós que era Carabuçu, numa família simples de interior, isto era matéria desconhecida. Tempos depois a escolarização das pessoas começou a difundir algumas dessas ideias estranhas ao viver tradicional, e as famílias passaram a, canhestramente, aplicar seus postulados. Em lugar de boas chineladas, de mandar a castigo com a cara para a parede, os pais experimentaram dialogar com os filhos. Passaram a levar em conta as diferenças individuais. Flexibilizaram, por seu turno, a antiga lei de chineladas, tapas na bunda e castigos.

Aí a coisa desandou.

O que há de gente complicada hoje em dia, por conta dessa flexibilização é um despropósito! Nunca os consultórios de psicologia estiveram tão cheios de gente mal adaptada à existência, sem condições de, por si só, levar uma vida mais ou menos normal, naquilo que se pode entender por normalidade. Se é que haja normalidade nisso!

Felizmente, eu mesmo nunca necessitei de lançar mão de conselheiro externo. Vou caminhando conforme os caminhos se fazem, sem turbulências que não possa suportar.

Só não sei nadar até hoje. Por isso é que gosto tanto de banho de chuveiro.

E a culpa é da minha mãe!

 

Foto de Silva Júnior/Folhapress (em www1.folha.uol.com.br).

MEMÓRIA RICA DE OURO PRETO

Em julho de 1974 conheci Ouro Preto. Esta história está mais ou menos contada na crônica Devo ter sido inconfidente, publicada aqui em Gritos&Bochichos (clique no título para vê-la).

Hoje, estranhamente, acordei um tanto saudoso daquela minha primeira vez na cidade mineira. E me voltou à memória um fato engraçado.

Fui à cidade com Jane, então minha namorada, e os amigos Rogério Barbosa e Eduardo Campos, a bordo do fusca que atendia pelo nome de Acidentes do Parto, de propriedade deste último.  Ficamos no Camping Club do Brasil, um pouco antes de chegar à cidade. Rogério era o sócio do CCB e tinha duas barracas, uma maior, em que os dois ficaram, e uma pequena – que dizíamos ser a barraca do cachorro – em que eu e Jane dormimos.

Também lá estava outro grupo de jovens que incluía um francês, pela primeira vez no Brasil.

Por essa época, Ouro Preto, efervescente cidade universitária, sediava o Festival de Inverno, manifestação estudantil a tentar fazer certa resistência pacífica à ditadura militar, no auge do obscurantismo sob a vigência do famigerado AI-5. Na praça principal, a Tiradentes, reinava sombriamente um caveirão da polícia política DOPS, como a avisar a todos: “Estamos de olho”.

Uma dos eventos do Festival era a apresentação dos músicos baianos do Bendegó, liderados por Gereba. O grupo havia lançado um elepê – Bendegó/Gereba – com relativo sucesso entre os alternativos. Eu mesmo, que não sabia bem o que era, mas apaixonado por música, tinha – e tenho – a bolacha em minha coleção.

Fomos à noite ao Teatro Municipal Casa da Ópera, um belo prédio colonial restaurado havia pouco, para o show do Bendegó. Ficamos no mezanino, de frente para o palco.

O francês e suas amigas foram conosco, e me sentei ao lado dele, porque do grupo era o que arranhava melhor a língua de Descartes, a fim de lhe dar um suporte ao que ocorria durante o espetáculo.

Faziam parte da banda baiana, além de Gereba, seu primo Zeca, na viola e no violão, Vermelho, nos teclados, Capenga, na bateria e no bandolim, e Djalma Correa, já um nome de certo prestígio na percussão, fato este que destaquei para o francês ao meu lado.

Embora estivesse frio, Djalma Correa estava sem camisa, exibindo um físico de nordestino esfaimado, as costelas a se desenharem ao longo das laterais do tronco magricela, cabelos black-power, barbicha embaraçada, e a pantomima clássica dos percussionistas, a se destacarem, às vezes, mais que o restante da banda. Era moda os percussionistas se portarem histrionicamente.

Em determinada música, Djalma Correa assumiu a frente do palco, pegou uma meia cabaça gigante, apoiou-a sobre o tronco, que ficou todo encoberto. Era cabaça demais, para pouco tronco! Postou as mãos lateralmente, segurando o instrumento, e a música teve início. Ficou por alguns minutos parado, até que chegou sua vez do grande solo da noite. Singelamente, tamborilou com os dedos das duas mãos, alternadamente, um sonzinho miudinho, mixuruca, inexpressivo, em nada condizente com toda a presepada que ele armou na cena, nem com o tamanho da cabaça, parecendo apenas justificar a presença do único músico conhecido ali, naquela noite fria de julho.

– Turutu-tutu! Turutu-tutu! – soou suavemente o barulho feito por ele na grande cabaça.

Ficamos esperando mais e não veio!

O francês, do alto de sua presunção civilizada de francês, exclamou espantado:

– Très sophistiqué! Très sophistiqué!

Duda, Rogério, Jane e eu, então, soltamos uma sonora gargalhada com a observação dele. E só não fiquei constrangido com o desempenho do meu compatriota, porque o francês era très sophistiqué aussi.

 

Interior do Teatro Municipal Casa da Ópera, Ouro Preto-MG (imagem em oglobo.globo.com).

MOMO ESTÁ ME CHAMANDO

Momo já começou a sacolejar as suas banhas e está piscando o olho para mim. Ponho-me um tanto arredio no meu canto, sem muita disposição, mas, pelo que ando vendo, as mulheres turbinadas, siliconadas e/ou malhadas, mais uma vez, se dispõem a alterar meu batimento cardíaco, minha pressão arterial e as minhas taxas de colesterol, glicose e triglicerídeos. Assim como minha conta bancária!

Leio nas folhas que o famigerado curral do carnaval baiano, em que quem paga fica, quem não paga dá linha na pipa e vai para a pipoca, se instalou no carnaval do Rio de Janeiro.

O prefeito da cidade, Eduardo Paes, resolveu, desde o ano passado, organizar um pouco a balbúrdia da folia e estabeleceu cadastramento obrigatório para todos os que quiserem desfilar pelas ruas em grupo. Tem alvará, sai; não tem, não sai!

Então, alguns espertos empresários da festa momesca se adiantaram e trouxeram essa velha novidade baiana para nossos desfiles de blocos: o curral de cordas, onde vai quem já pagou. Os demais ficam de fora.

Estou prevendo um tempo em que, além do abadá, do cordão de isolamento e do banheiro químico desfilante, eles passarão a vender headphones individuais, para permitir apenas aos pagantes ouvir o estridente som que grassa durante os dias de carnaval. Talvez aí a folia fique realmente bem organizada. E lá não porei meus pés. Já os pus muito na época da desorganização e achei tudo bem esculhambado mesmo. Tudo bem brasileiro, baiano e carioca.

Pelo que não gosto de carnaval, já brinquei demais, já sofri demais, já fiz o que quase ninguém faz. Já vi o pré-carnaval do Recife no Pátio de São Pedro, já fui à abertura do carnaval em Maceió, já vi desfile de campeãs, de grupo de acesso, de primeiro grupo, do Simpatia é Quase Amor, do Bloco da Segunda, do Cordão do Boitatá, do Cacique de Ramos, do Bafo da Onça, de Grandes Sociedades (Alguém aí sabe o que é isso?), do Bloco do Boi, dos Filhos da Pauta e de inúmeros outros bailes carnavalescos a que compareci, porque, como digo com frequência, sou casado com comunhão de carnavais.

Durante este tríduo momesco, se o dileto leitor que, por bobeira, passar aqui pelo blog e não me encontrar com textos atualizados, pode ter certeza de que fui atrás de algum trio elétrico, com minha mulher. Pois, nesses casos, só não vai quem já morreu.

Bom carnaval a todos!

 

Imagem em virtualiaomanifesto.blogspot.com.

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PS: Também já fiz algum retiro espiritual, enquanto o pau quebrava nas ruas.

ENQUANTO MINHA GUITARRA CHORA SUAVEMENTE

Uma das minhas frustrações na vida é não ser guitarrista. Mas não um guitarrista qualquer. Queria ser um senhor guitarrista, como David Gilmour, para mim o maior de todos (Não me venham com razões técnicas, porque isto é coisa de sentimento, inexplicável.)

Quando jovem, tentei aprender a tocar violão. Eu e meu irmão Gutenberg compramos um, à prestação, na loja que era sua xará, Gráfica Gutenberg, em Bom Jesus, nos áureos anos 60.

Quando cheguei a Niterói, em 67, dedilhava alguma coisa despretensiosa e alguns dos antigos companheiros de pensão imaginam até hoje, como já me disseram, que eu soubesse tocar.

Meu irmão hoje, além de compor, toca bem. O pouco que eu sabia acabou. A única música de que ainda me lembro é The house of the rising sun, canção folclórica norte-americana também gravada pelos ingleses The Animals, de Eric Burdon, coqueluche à época: There is a house in New Orleans / They call the rising sun

E música, como qualquer outra arte, funciona mais ou menos assim: ou você é chamado por ela, e desenvolve um caso sério, ou é meramente um espectador. Pois, quanto à música, sou um mero espectador, ou melhor, ouvinte. Talvez até um pouco mais atento. Mas parei por aí. Se não podia ser um David Gilmour, melhor seria não tentar. Preferi permanecer na plateia, deixando que ele e todos os grandes guitarristas façam isso por mim. Por nós!

E, como sempre ocorre, às vezes uns fazem e outros executam. Uns compõem, outros interpretam. Felizes os que compõem e interpretam ao mesmo tempo. Na Itália, pela década de sessenta, com o surgimento de diversos compositores que também cantavam suas músicas, criou-se a palavra cantautore, para distingui-los dos que eram apenas intérpretes.

Porém, este papo quase furado com que preambulo este texto é apenas para dizer para vocês que a célebre e magistral canção dos Beatles While my guitar gently weeps, de autoria do meu beatle preferido, George Harrison (Também não me perguntem por quê!), com diversas gravações espetaculares, recebeu de Peter Frampton talvez aquela mais bela, mais sensível a que seu título alude. Sua guitarra chora suavemente na gravação feita para seu álbum Now, de 2003. Tanto o riff inicial, quanto o solo no meio da canção são das coisas mais belas que a guitarra pôde fazer. Parece que, ali, Frampton entrou em estado de graça. Fez um pacto com o Cramulhão para executar como o fez.

E reparem que, além dos Beatles e de Frampton, há outras interpretações sensacionais, como de Eric Clapton e o próprio Harrison; de Tom Petty, coadjuvado por Prince, Jeff Lynne, Dhani Harrison e Steve Winwood, dentre outros, no tributo a Harrison no Royal Albert Hall; de Santana, com o vocal fantástico de Indie Arie e o violoncelo clássico de Yo-Yo Ma; de Jeff Healey e sua surpreendente guitarra tocada sobre o colo; da versão explosiva de Toto com a guitarra incendiária de Steve Lukather; da versão impressionante de Jake Shimabukuro no ukelelê, dentre outras que não repassei ou não conheço.

Para mim, no entanto, se sobressai a interpretação dada por Peter Frampton, hoje um senhor calvo, mas com a sensibilidade para fazer chorar sua guitarra de tal forma, que me leva ainda a pensar, como nos anos 60/70, que um dia a música possa nos salvar da estupidez da guerra e da violência.

É o que sinto.

E também não me perguntem por quê!

Capa do cd Now, de Peter Frampton, de 2003.

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Se quiser ouvir a gravação de Frampton, clique aqui.