FIM DO MUNDO

Estou com certa nostalgia daqueles fins de mundo, anunciados periodicamente alguns anos atrás, por um sem-número de malucos. Ficava contando com eles, para ver o fim de boletos e impostos, taxas e governos, deputados e senadores, esquerda e direita, intolerâncias e tolerâncias.

Nem mesmo o meteoro desgovernado, anunciado recentemente pela NASA, de credibilidade científica até então intacta para mim, cumpriu a previsão de passagem triscante com a Terra, que se daria entre o Natal de 2019 e o Dia de Reis de 2020. Foi um fiasco completo, de nem ser noticiado. Passou batido por aqui, de não deixar nem uma poeirinha tóxica, nem uma pequena catástrofe localizada. Nada que se pudesse comparar àquela outra, de alguns milênios atrás, que acabou com os dinossauros e seus companheiros de fauna e flora.

Aí fico nostálgico de sobressaltos e medos. Nunca fui testemunha de uma catástrofe natural de grandes proporções. Só mesmo a nossa política me dá certa sensação dela. Parece que este mundo não se irá acabar mesmo. Perco até a esperança de um futuro zero-gente, zero-natureza, como diz meu netinho Francisco.

Que pena que o mundo não se tenha acabado! Tinha tantos planos por não realizar!

 

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Imagem em newsrondonia.com.br.

FELIZ NATAL E BOM ANO!

Ando com muita preguiça de desejar os mesmos desejos a cada fim de ano. Por isso, tomei a liberdade de repetir aqui um poema lá dos idos de 2011. Que sejam eficazes tais votos, embora um tanto velhos.

Vejam:

O Natal aí vem vindo,

A seguir um novo ano,

E, a cada fim de jornada,

Todos os novos planos

Para o que vem pela frente,

Cheio de augúrios,

Desejos

E renitentes promessas,

Que quase nunca cumprimos.

Mas o que se há de fazer,

Se somos todos humanos?

Assim,

Na medida do impossível,

Desejo aos meus amigos,

Aos meus possíveis leitores,

Aos meus queridos parentes,

Do mais usado ao mais jovem,

Do mais tristonho ao contente,

Do mais magrinho ao mais fofo,

Os votos de que para o ano

Possamos estar por aí

Para reclamar de novo.

 

Feliz Natal e Bom Ano!

HISTORINHAS RÁPIDAS VI

11, HISTORINHA DESCARADA

 

Era lá pela década de 90 do século passado. Jane e eu fomos com minha irmã e seu ex-marido assistir a um show do Ed Motta, numa casa de show em Ipanema hoje inexistente, o Jazzmania.

Daí a pouco começa o show, e Ed Motta começa a cantar:

– Eu não nasci pra trabalho…

Da mesa atrás de mim, cantou uma voz masculina, no ritmo e no tom do artista:

– Nem eu!

Todos nos voltamos na direção da voz. Era um rapaz, cara de pau, tipo rato de praia, acompanhado de uma senhora generosa, que sorria com a situação. Ela estava feliz com o seu protegido.

 

12. UMA HISTORINHA DE BOM JESUS

No domingo à tardinha, tinham jogado Ordem e Progresso e Olímpico, as duas forças antagônicas no futebol das duas Bom Jesus: o primeiro, do ES; o segundo, do RJ. O Progresso, como dizemos sempre, aplicou um 4×1 impiedoso no time de Bom Jesus do Itabapoana.

Zé Cabeça, por essa altura, tinha um bar, em salão único, comprido, junto de sua casa, na Rua Ten. José Teixeira, a que vai dar na ponte. Ex-jogador e torcedor fanático do Progresso, de Bom Jesus do Norte, escreveu a tinta, no grande espelho da parede do fundo do seu bar, o placar desmoralizante.

E conversava com outros três amigos, sentados à volta de uma das mesas da casa, quando chegou o Alceste Sá Viana, pai do meu colega de escola Altever e amigo de todos os que ali estavam, mas torcedor também fanático do Olímpico.

Ao ver o placar estampado no espelho, Alceste nem colocou o segundo pé na soleira do bar. Puxou o revólver que trazia à cintura, deu três tiros no espelho e disse para o grupo à mesa:
– Está empatado o jogo!

E, de imediato, saiu do local indignado.

Passado o susto, dizem as más línguas que o Zé Cabeça, também pai de outro contemporâneo meu, o Gaiola, perguntou aos outros trocadores de prosa:

– De quem mesmo a gente estava falando mal?

 

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A arquibancada do Estádio Carlos Firmo, em Bom Jesus do Norte-ES (imagem em reliquisdofutebol.blogspot.com).

CONTOS EM LIVRO

Incentivado e quase exigido pelos amigos Eduardo Pacheco de Campos e Rogerio Andrade Barbosa, resolvi juntar alguns contos que posto aqui e no meu outro blog Asfalto&Mato e publicá-los. Orientado pelo também amigo Hilário Francisconi, trago agora publicamente, pela editora Clube de Autores, ASFALTO & MATO, em formato impresso e em e-book.
Os leitores desta página que tiverem interesse em adquiri-lo é só se dirigirem ao endereço da Editora Clube de Autores.
Espero que gostem.

Editora Clube de Autores.

ANÁTEMAS, ESCÁRNIOS E IMPRECAÇÕES

 

*Desfez-se a antiga aliança entre PT e PMDB. Agora os novéis opositores acusam-se mutuamente pelos erros na condução da administração federal. É um dos casos brasileiros de que os dois opostos estão abarrotados de razões.

*O PMDB desembarcou do governo federal. Nos estados e municípios, as alianças continuam as mesmas. Há sinceridade nisso?

*A coisa só não ficará mais feia com o Temer na presidência, porque a primeira dama é bonita que só ela.

*Vasco e Flamengo empataram novamente. Bem feito para os dois!

*O futebol brasileiro, depois de experimentar alguns anos de encantamento – entre 1958 e 1970 –, entrou definitivamente na Era Dunga, mesmo ainda com o Scolari na última Copa do Mundo.

*Solicitado pela professora a construir uma frase com três advérbios, Joãozinho cunhou esta: Sinceramente Cunha atualmente somente.

Diferente do que pensam os brasileiros acerca dos poderes da república, o único poder hoje entre nós é o do Aedes Aegypti.

*Qualquer decisão jurídica, por mais imparcial que seja, só presta se for a meu favor. Caso contrário, é deslavada injustiça.

*Durante anos, convivi com um amigo de trabalho que apoiava a ditadura militar, enquanto eu era contrário. Nunca deixamos de ser amigos. Só não tocávamos no assunto, que era um ponto de provável atrito entre nós. Em tempo: este meu amigo é uma das pessoas mais éticas que conheço e de uma lealdade inquestionável.

*Gostava mais da política que se fazia sem sectarismos e sem ódios. No fundo, todos os partidos políticos pretendem mesmo é o poder e sua manutenção.

*Nossa atual situação já estava prevista no título de uma antiga peça teatral de autoria de Ferreira Gullar e Oduvaldo Vianna Filho: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

*Há cerca de quinze dias, foi estendida, na grade da Praça Getúlio Vargas, em Niterói, uma grande faixa com fundo preto, letras garrafais brancas, com o a frase: NO BRASIL OS PARTIDOS POLÍTICOS SÃO FACÇÕES CRIMINOSAS. Havia, no canto inferior esquerdo, um número de protocolo do TRE-RJ, como que a autorizar sua exposição. Obviamente que, embora todos saibamos que nossos partidos estejam contaminados, a supressão deles necessariamente só ocorreria em uma ditadura, o que, convenhamos, é ainda pior do que o estado atual.

*A democracia é o único sistema político em que eu posso falar os maiores absurdos e não ser preso por isso. Nas ditaduras, até mesmo – e sobretudo – as verdades são perigosíssimas para a saúde do falante.

*Aquela cara de satisfação disfarçada que o Michel Temer tem apresentado com mais frequência em público não é porque esteja pretendendo a presidência. Aliás, longe dele fazer essa tramoia com a antiga aliada. É apenas para escarnecer de quem o inveja pela provável primeira dama.

*Maldito o que vem em nome do corruptor!

*Tenho certeza de que alguns beneficiários ilícitos da grana da Petrobras lamentam muito o fato de que o Pré-Sal não produziu fortemente antes da Lava Jato.

*A corrupção no Brasil se tornou tão corriqueira, que, em Fundão-ES, até auxiliar administrativo desviava fraldas geriátricas. Isso só poderia dar merda. Como deu, aliás!

*O Estado do Rio de Janeiro reinventou a velha situação estou-dentro-estou-fora, tão conhecida de todos. O Picciani pai, presidente da Assembleia fluminense, rompeu com o governo Dilma. O Picciani filho, ex-atual-futuro-ex-líder do PMDB na Câmara, apoia Dilma. Ambos são do PMDB.

 

 

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