ANOTAÇÕES À MARGEM DO JOGO

 

Ontem o Botafogo não jogou bem contra a Portuguesa, mas ganhou. Três pontos e a liderança do Brasileirão.

No primeiro tempo, não entramos no Canindé. Quiçá não tenhamos desembarcado em Congonhas ou no Terminal Tietê (a grana do time anda um tanto curta). Até mesmo Seedorf, sempre destaque por sua técnica refinada, não jogou nada e reclamou além da conta com os companheiros, chegando a dar um tapa no braço do Gilberto, enquanto discutia com ele.

Embora o holandês seja um jogador diferenciado – e muito rodado – não tem o direito de tratar assim um colega de clube, ainda que este seja um garoto inexperiente.

Outro que tem deixado a desejar – e já há alguns jogos – é o uruguaio Lodeiro. Sempre que ele é convocado para a seleção do seu país, volta sem reconhecer a bola. Sua saída coincidiu com a melhora do time no segundo tempo, mas não sei realmente se foi isso.

O que me parece que ocorreu foi que, com a saída de Lodeiro, Rafael Marques se deslocou para a esquerda e deu melhor seguimento às jogadas que estavam ocorrendo por ali.

Então melhoramos um pouco. Soubemos superar a desorganização do primeiro tempo e certa apatia de alguns, para construir um placar em que já não acreditava mais: 3×1. Talvez mesmo a Portuguesa, apesar de seu fraco desempenho no campeonato, não merecesse neste jogo tal placar. Porém o futebol não tem complacência, desde que não ajam forças estranhas ao jogo, e a Lusa paulista sucumbiu à melhor equipe.

Ganhamos e somos líder.

Não vemos ninguém na nossa frente!

Imagem em jocapereira.wordpress.com.

Imagem em jocapereira.wordpress.com.

ESPANHA APANHA

Minha mãe sempre diz que desgraça pouca é bobagem.

Isto me remete à situação da Espanha. Não só a econômica e social, como também aquela relativa à bola rolando pelos verdejantes gramados da Europa.

Pois não é que, à desgraça econômica, sobreveio a ignomínia esportiva. Os times de Angela Merckel- Bayern de Munique e Borussia Dortmund – aplicaram uma sova vergonhosa nas duas maiores forças do futebol peninsular. E os craques fulgurantes Cristiano Ronaldo e Lionel Messi praticamente não justificaram a viagem até a Alemanha.

Isto talvez venha na esteira da penúria por que passa a terra de Cervantes. Ao pobre, não cabe apenas o pão cair no chão: tem de cair com a manteiga para baixo. E, no caso dos espanhóis, ainda aparecer um cachorro vira-lata para roubar a fatia que tiraria a fome.

Resta agora aos espanhóis esperar pelo milagre, que só o futebol é capaz de permitir: o Barcelona derrotar o Bayern por um placar com cinco gols de diferença, e o Real Madrid com, pelo menos, 3×0, ou outras combinações possíveis.

Para encerrar esse breve comentário com a mesma observação filosófica inicial, lembro ao leitor que para pobre, todo castigo é pouco.

 

Imagem em quasetudofutebol.com.

A VIVO TV MORREU

O que vou dizer aqui, como sempre, não vai mudar uma vírgula no andamento do mundo. Nem mesmo o corvo albino do nariz adunco, Bashar al-Assad, vai renunciar por causa disto. Mas vou dizer assim mesmo.

Recebi, por duas vezes, mensagem do 8001 no meu celular, informando que a Vivo TV, por determinação da ANATEL, iria suspender o fornecimento do pacote de serviços de tevê por assinatura. E indicava um sítio para a obtenção de maiores informações.

A princípio, achei tratar-se de uma mensagem de vírus. E não cliquei o endereço que aparecia no smartphone, com receio. Resolvi, então, ir via Google até o sítio da Vivo e me conectei pelo chat da empresa.

O funcionário que me atendeu, Davi, disse então, por digitação, que a ANATEL tinha determinado a desocupação da frequência MMDS, através da qual a Vivo TV nos fornecia o sinal, para que ela fosse destinada ao 4G. A partir, então, do dia 28 de fevereiro, só forneceria o pacote básico de canais abertos. Segundo ele, no mês de março, não será cobrada nenhuma taxa, mas a partir de abril a continuação da assinatura da mesma gama de canais irá custar R$20,00 por mês.

Os amigos devem saber que a Vivo TV comprou há menos de um ano a TVA. Não creio que a empresa adquirente não soubesse dos planos do governo para a faixa de frequência em que a adquirida operava. Uma empresa de grande porte não faz negócios no vácuo, sem consultar a agenda para o setor, ainda mais que seu tipo de negócio é a exploração de concessão de serviço público. E governos minimamente democráticos – que é o que me parece ser o atual – não administram por supetões, na base do pescoção, embora até possa ocorrer assim.

Quando falava (ou digitava) com Davi, disse-lhe, textualmente, que isto era uma sacanagem com o cliente. Era como se passar de um Mercedes para um Fusca, com todo o respeito ao bravo Fusca.

Hoje a Vivo TV está reduzida a um mero cardápio de fome, com canais abertos comuns, sem o mínimo charme.

Os clientes foram tratados como um bando de manés sem a mínima importância.

Morte à Vivo TV!

Iagem em in.ufes.br.

MEU VÔ INVENTOR

Meu querido pai, Argemiro, faleceu na última segunda-feira, 14/1.

 Queria escrever um texto em sua homenagem. Porém meu filho Pedro se antecipou a essa minha vontade e produziu um texto comovente, que reproduzo aqui, para que os amigos leitores que não o viram no Facebook, onde apareceu inicialmente, possam ler.

 Eu não conseguiria fazer melhor.

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 MEU VÔ INVENTOR

Meu avô foi um grande inventor de coisas. Não foi um cara criativo ou pensador. Foi um homem comum. Era prático e introspectivo, mas mesmo assim inventou muitas coisas. Não teve fama nem grana. Nem seu nome escrito na patente destas coisas, mas foi ele quem as inventou, garanto.

Ontem, enquanto me despedia dele, fiz uma lista destas invenções fantásticas. Vejam que vocês conhecem todas elas. Foi o meu avô quem as inventou.

Foi meu avô quem inventou a bicicleta! Uma marrom da Monark. Ela tinha um selim com escudo do Botafogo e franjinhas pretas e brancas. Saía de casa com ele para o trabalho toda manhã. Também com ele, vinha apontando na equina da rua às 17h. Era hora de parar o futebol no quintal e tocar os vizinhos para suas casas pra ele entrar com a bicicleta sem sustos. Nunca tinha visto uma bicicleta tão bonita. Nunca mais vi uma bicicleta assim. Foi meu avô que fez.

Foi meu avô quem inventou o leste europeu! Nunca esteve lá ou em qualquer país europeu, mas no seu atlas, com as pontas dos dedos, descortinou o ferro e inventou países que ainda não existiam. Foi assim que nasceu a Romênia do Drácula, a Hungria de Puskas e a Tchecoslováquia que tinha uma capital com nome do assistente de palco da Xuxa. Ninguém, nem eu nem meus primos, nunca ouvimos falar destes países até o meu avô tê-los inventado.

Foi meu avô que inventou o futebol arte! Nunca o vi jogar bola. Já era um senhor quando nos conhecemos. Mas o futebol arte também não nasceu de seus pés, mas de sua boca. Coisa de inventor. Foi ele que entortou as pernas do Mané, mitificou Pelé, emoldurou Nilton Santos, temeu Fontaine, idolatrou Paulinho Valentim, fez os gols do Quarentinha. Foi o Vô quem criou a folha-seca e a bicicleta. Criou todos eles sentado em sua cadeira de balanço no quintal em Bom Jesus.

Meu avô foi um homem comum, exceto pelas coisas que inventou. Vi todas elas serem concebidas ali na minha frente. Vi todas elas nascerem. Nada disso existia antes do meu avô. Foi ele quem as fez pra mim.

Bjs, Vô!

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Minha irmã Verônica e meu pai (foto da família).

Minha irmã Verônica e meu pai (foto da família).