ACORDEI CEDO!

Sempre que um aposentado folgado e preguiçoso como eu acorda cedo é porque a providência divina tem um plano especial para o recalcitrante. Nunca há de ser à toa!

Não é para caminhar e colocar as taxas salientes em dia, nem para sair a pescar peixe que não caiba numa foto de celular.

Porém algo deve acontecer para justificar o sacrifício.

Explico-lhes, pacientes leitores.

Tendo, portanto, acordado antes do combinado, para não sei que providências que não poderiam ser adiadas, vi na tevê da casa de minha sogra, que está ligada à tal antena paranoica, um canal da Globo que jamais vi (Em Niterói não tenho acesso a ele.), que transmitia o programa Estúdio I, apresentado por uma bela mulher morena, Maria não sei das quantas, que apresentava um jovem músico capixaba, de nome Silva.

Segundo a reportagem, Silva está lançando seu cd Claridão, gravado em casa. E mostrou três ou quatro músicas de sua lavra que estão no disco.

Vou-lhes dizer algo desassombrado: o garoto – deve ter vinte e poucos anos – é um fenômeno, é magistral, é talentosíssimo. Ele e outro menino, ainda com cara de bebê e tocador de cavaquinho, bateria eletrônica e outras percussões, mostraram que nem tudo está perdido na música popular brasileira. Nem tudo se resume a esta porcariada que a tevê aberta e as rádios tentam impingir à população, a poder de muito jabá. Nem tudo é Thiaguinho e esse sambanejo de baixa extração. Nem tudo é tecnobrega, sertanejo universitário com diploma de analfabeto e forró da mesma laia.

Salve Silva, o capixaba que vem mostrar que há inteligência na MPB.

Só vi isto e já estou achando que o mundo não mais acaba no dia 12/12/2012 ou 21/12/2012, sei lá! Os maias vão ter de esperar um pouco mais!

Se não tivesse acordado cedo, não teria conhecido o garoto Silva e sua música maravilhosa.

A providência divina tem cada uma: me incomodar na manhã de segunda-feira!

Veja aqui o clipe de uma das músicas que ele apresentou ao vivo no programa: A visita.

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EU NÃO AGUENTO MAIS O THIAGUINHO!

Queria saber se alguém tem alguma simpatia forte, algum despacho, alguma mandinga poderosa, que possa desalojar o Thiaguinho da mídia.

Depois que esse cantor chato passou a namorar a atriz global Fernanda Souza, a Globo nos massacra com ele, com impressionante frequência. Em vários programas da Vênus Platinada, lá está ele, pontificando com sua presença avassaladora. E não adianta mudar de canal. Em todos os canais que sintonizo minha tevê, lá está o Thiaguinho! Num é entrevistado sobre os mais sérios problemas da atualidade; noutro está cantando aquele pagodezinho chumbrega e rastaquera, de apelo sentimentaloide; num outro aparece em comercial de seu show, de seu disco ou dvd. Agora, no canal do Silvio Santos, faz a campanha daquela loteria caça-níquel do senhor Abravanel.

Não estou dizendo que ele seja um mau cantor.  Longe disto! Apenas afirmo que é um chato de galochas e que caiu na minha mísera, porém sincera, e ínfima antipatia artística. Que também não tem valor nenhum para a carreira dele. Infelizmente!

Nesses meus arroubos de mau humor, necessariamente me vem à memória o saudoso jornalista José Ramos Tinhorão, especializado em música brasileira e reconhecido por suas posições extremadamente nacionalistas. Ele pretendia uma música brasileira autêntica, sem influências estrangeiras, sobretudo da música ianque. Certa vez, ao comentar o lançamento do primeiro álbum do grupo de rock pernambucano Ave Sangria, em que apareceu Robertinho do Recife, hoje um dos nossos maiores guitarristas, após desancar cada um dos membros do grupo, sobretudo o baterista, que, segundo ele, só tocava chacadum, encerrou seu demolidor comentário com a frase que jamais me saiu da memória: “Ah! uma enxada na mão desses caras!”.

Óbvio que não sou nenhum J. R. Tinhorão. Mas o meu mau humor é quase igual ao dele. Só meu sectarismo é um pouco mais brando.

Mas, quanto ao Thiaguinho, sou obrigado a repetir Tinhorão: Ah! uma enxada na mão dele!

Como já estou cheio de Thiaguinho, ilustro esta postagem com a foto que fiz recentemente a partir da avenida litorânea, em Niterói.

BOICOTE GERAL

Quero avisar à praça, para depois não ser acusado de nada, que não compro mais cerveja com propaganda cretina, ainda que nela estejam incluídas lindas garotas de roupas sumárias. Tomar a dita cerveja só em caso extremo: ir a uma festa com boca-livre e ser ela o único líquido oferecido.

Vamos combinar: a propaganda brasileira para cerveja abusa do mau gosto (apesar das garotas jeitosas, repito!). Os personagens masculinos, então, são de uma boçalidade só. Parecem retardados.

O que é que os publicitários que bolam tais campanhas pensam com isto? Querem fazer programa humorístico ou querem vender um produto com qualidade?

Esse tempo todo que bebo cerveja, nunca me ocorreu ficar cretino como nenhum dos que aparecem ali. Também nunca fui a lugar nenhum em que se beba a loura gelada e haja um bando de retardados como aqueles. Nem mesmo naqueles antigos festivais de cerveja, que aconteciam sempre no inverno aqui por nossas bandas.

As propagandas de marcas estrangeiras, que já vêm prontas do exterior, pelo que se nota, não lançam mão de tantas bobagens, de tantos chavões machistas, tanto clima de oba-oba, como ocorre na propaganda do produto nacional.

E olhem que a publicidade brasileira é reconhecida internacionalmente pela excelência, pela qualidade!

Então o que me ocorre é que – como sempre acontece com as peças publicitárias, que visam a públicos específicos, conforme seu conteúdo e o interesse do fabricante – ela considera o consumidor uma besta quadrada, um imbecil sem cérebro que funcione além do Tico e do Teco, cuja única função fosse o consumo. Aliás, deve ser isso mesmo.

Ora, me poupem!

Parei, então, de comprar essas marcas (algumas já nem comprava mesmo).

Em todo caso, logo mais vou tomar uma gelada, para também não ficar xiita. Não dessas de propaganda cretina!

 

Imagem em hypescience.com.

A MATÉRIA DOS HERÓIS

De que são feito os heróis? Quais são os heróis? Mudam os heróis com os tempos? Heróis podem ser covardes?

Todas essas questões vieram-me à mente ao ver, mais uma vez, reportagem do Fantástico sobre aventureiros audaciosos que gastam parte de suas vidas, energias e, naturalmente, recursos financeiros, em desafio às forças naturais, aos limites da capacidade humana.

Já vimos reportagens sobre alpinistas denodados, subindo montanhas em que a existência humana é impossível por períodos maiores que dias, devido ao ar rarefeito, às condições climáticas, dentre outros componentes inóspitos.

Muitos acabam por morrer em escaladas, cujo único objetivo é pôr-se à prova, desafiar a natureza.

O repórter Clayton Conservani voltou àquele programa com reportagens em que se inclui entre tais desafiadores. Passa por situações em que coloca sua vida em risco. Como, aliás, ocorre com todos os que o acompanham em suas aventuras.

Há cerca de dois meses, noticiou-se que um casal de brasileiros morreu em um mergulho em perigosas cavernas submersas na costa do México.

Já assistimos a resgates desesperados de alpinistas em situações extremas.

E eu lhes pergunto: o que há de heroico nisto? A quem serve este tipo de desafio, senão ao próprio e ao seu grupo? Qual a finalidade prática, social, de utilidade pública, de tal empresa? São todos os que se dedicam a isto heróis?

Com exceção dos estudiosos que se aventuram em situações assemelhadas, para entender a vida sobre a Terra, suas implicações, seus desdobramentos, com os possíveis benefícios para a humanidade, o resto é exercício estéril. É mera vaidade pessoal. É satisfazer a egos inchados.

E todo aquele que morre em tal situação é, em princípio, um irresponsável.

Para mim, herói é o cidadão comum que luta diuturnamente para seu sustento e o sustento de sua família, sob as condições mais adversas, geradas por um sistema injusto, que permite que uma minoria acumule riqueza imensa, contra a penúria de milhões.

Esses são os heróis. Heróis feitos da prosaica matéria comum aos seus semelhantes, que não têm de provar para si, nem para os outros, que sejam capazes de desafiar as forças naturais, fincar bandeiras no cimo de montanhas geladas, ou descer de bote inflável as corredeiras de um rio traiçoeiro, cheio de jacarés.

Estes últimos são estúpidos. Aqueles são heróis, e por eles choro, quando perdem a batalha da vida.

 

J. Miguel, Os retirantes (em geografia.seed.pr.gov.br).

QUEM VIU O PROGRAMA DO BIAL?

Devo informar aos meus amigos leitores que não irei ver o programa do Bial. Já não vejo o BBB, que até reputo menos ruim. Neste, pelo menos, há sempre belas mulheres em trajes miúdos, em cenas tórridas, em situações ai-ai-ui-ui, como diria Paulo Silvino. E eu tenho cá meu lado voyeur, se é que me entendem: não estou fazendo nada mesmo, que me custa olhar?

É que, não sei por que, tenho certa resistência a entrevistas. E um programa com um monte de entrevistas, então, é um programa meio intragável para a minha má vontade.

O programa da Fátima nunca vi, embora a tevê, por vezes, esteja ligada justamente nele. Passo pela sala e, de rabo de olho, sinto mal com o formato, com a cara de sem graça dela.

Nem sempre as pessoas podem dar conta de recados que se atribuem. É o que acho de Fátima, que era uma excelente apresentadora do Jornal Nacional. Mas o formato do programa dela é chato. Até li que os telespectadores estão com saudades do Bob Esponja. Eu, por exemplo, já vi alguns episódios do Esponja e dei boas gargalhadas. É um desenho inteligente. Não sei se o programa dela chega a esse nível.

O Bial tem – ou teria – a seu favor certo brilho intelectual, o fato de ser poeta, escritor. Nem tudo isso pode ser carreado para o programa.

Imagem em raipes.com.

Vou aproveitar a ensancha oportunosa também para dizer que a ação entre amigos da Globo está exagerando um pouco com o Thiaguinho, né não?

Foi só o rapaz começar a namorar a Fernanda Souza, atriz da casa, para aparecer como uma enchente avassaladora em toda a grade de programação.

Vou ser sincero: já estou de saco cheio do Thiaguinho. Depois, a música dele é ruim pra caramba. A voz é chata. Só porque está pegando a Fernanda, eu é que pago o pato. Estou fora!

Não basta a profusão de sertanejo, sambanejo, sambabrega, tecnobrega? O Brasil produz um número imenso de bons artistas, que não estão tendo espaço na mídia. Estou quase apostando que há um jabá forte para nos empurrar goela abaixo essa xaropada musical de baixa categoria.

E, no gancho da espinafração, aproveito também para dizer que não vejo programa sanguinário, tão ao gosto dos jovens (meu filho, por exemplo, gosta à beça). Assim fico a salvo da gritaria do Galvão Bueno, que sei por outros meios.

Aliás, Galvão Bueno também é outro!

Pelamordedeus!

Acho que estou ficando velho e chato, mas tenho a impressão de que não perdi o bom gosto completamente.

AFASTEM DE MIM ESTE CÁLICE

A Globo colocou ontem no ar, em horário avançado, a nova edição da novela Gabriela, baseada no romance Gabriela cravo e canela, de Jorge Amado, trinta e sete anos após a primeira versão.

Este texto foi escrito, na verdade, antes da estreia desta releitura, portanto expresso aqui tão somente uma preocupação que me vai ao espírito, por antecipação.

Sempre que possível acompanhava a primeira versão, encantado com Sônia Braga no papel principal. Na época, aquela nova e bela atriz chegou de modo acachapante na cena televisiva nacional. De imediato, ela se tornou xodó de todo o público masculino, principalmente, e teve uma carreira cheia de sucessos no Brasil, até se aventurar em terras de Tio Sam, onde suas atividades foram limitadíssimas.

É que Sônia Braga era, de maneira clara e insofismável, o tipo mais bem acabado da beleza brejeira brasileira, cujo padrão não necessariamente agradaria ao gosto americano. Além disso, creio que houvesse também certa má vontade com estrangeiros, como em qualquer outro país. E os norte-americanos, é preciso reconhecer, têm, além disso, uma poderosa indústria de entretenimento, com seus astros nacionais. Se necessário, contudo, também importam os que lhes interessam. E tenho a impressão de que não chegou a ser este o caso de Sônia Braga.

Aí ela como que se apagou no cenário artístico brasileiro. Porém deixou na memória dos que a viram em várias atuações – em Gabriela, na televisão, ou em A dama do lotação, no cinema – a marca forte de sua estonteante beleza morena.

Agora a Globo destaca Juliana Paes para o papel que coube a Sônia Braga na primeira versão.

Juliana é outra de nossas lindas atrizes, também com a marca da brasilidade no corpo e no jeito, e tem todas as indicações para que faça uma Gabriela competente e sedutora. Não lhe faltam os instrumentos para tal.

Por ela e por Sônia Braga, vou tentar ver esta nova novela – coisa que não faço comumente –, apenas para saborear a doce visão desta nova Gabriela e poder compará-la com a de Sônia.

Porém não me peçam que me decida por nenhuma das duas.

É tarefa por demais dolorosa para mim.

Afastem de mim este cálice!

Sônia Braga e Juliana Paes, como Gabriela (em click-click-pose.blogspot.com).

O FIM DO LIXO ELEITORAL

Ontem à noite, quando fui lanchar, como sempre liguei o rádio. Gosto de ouvir rádio, um hábito que adquiri em Carabuçu, em criança. Por aquela altura, o rádio era o entretenimento mais à mão que tínhamos por lá. Cinema, só de vez em quando. Não havia televisão, nem aparelhos de som, que apareceram um pouco depois com os nomes de radiola, vitrola, radiovitrola, eletrola, toca-discos, dentre outros. Estes, no entanto, eram aparelhos caríssimos, proibidos para a maioria das pessoas da vila.

Por isso é que estou sempre ligando o rádio.

E tocava naquele horário a Voz do Brasil.

É outra coisa também que devo confessar a vocês: às vezes ouço a Voz do Brasil. Algum maldoso aí pode dizer que isso é coisa de gente da minha idade. Até pode ser, mas me lembro de que ouvia a Voz do Brasil lá mesmo na terrinha. Não é que eu não tenha nada melhor a fazer, contudo, quando posso, ouço o programa oficial do Governo Federal. E aproveito para dizer que também sou favorável à sua manutenção, apesar de toda a campanha contrária feita pelos donos das emissoras. Todos eles são concessionários de um serviço público, portanto devem atender aos interesses do governo concessor.

Pois, ao ligar o rádio na Voz do Brasil de ontem, já ouvi a notícia iniciada: “TSE escolheu empresa para eliminar o lixo eleitoral”. Tomei um susto! Aliás, um bom susto, porque imaginei que, finalmente, o Tribunal Superior Eleitoral iria dar fim a um bom número de políticos que são um lixo e ficam tornando a vida pública uma privada.

Puro equívoco! Como diria Jaguar, “Ledo Ivo engano”!

Na sequência da notícia, é que tomei ciência integralmente do que se tratava: o TSE contratou empresa para dar fim às urnas obsoletas e inservíveis, a disquetes de eleições antigas e a mais de uma tonelada e meia de refugo eletrônico usado em processos eleitorais passados.

Por alguns segundos, achei que o país começaria a ser passado a limpo, começando pelo lixo que os eleitores colocam nas diversas funções públicas, através do voto. Porém ainda não foi isso!

É possível que isso ocorra algum dia? Será difícil. Mas a Voz do Brasil, por brevíssimo instante, me deu imenso prazer em ouvi-la. Ora, se deu!

Imagem em limeira2cr.com.