CHEGUEI E ACHEI TUDO NA MESMA

Há uma anedota que diz que certa pessoa passou dez anos sem ir a Paris e, assim que voltou, constatou que a cidade não havia mudado em nada, estava na mesma. E isto a fez exclamar: Graças a Deus, Paris não mudou!

Estive por dez dias fora do país. Fiquei praticamente sem saber de notícias daqui. Quando voltei, também encontrei quase tudo na mesma: na mesma esculhambação, na mesma confusão, na mesma improvisação de sempre.

Saí depois da Copa das Confederações e voltei em meio à Jornada Mundial da Juventude, e o que me pareceu, logo de saída, pelas notícias, é que o Rio de Janeiro – não sei de outras cidades – não tem capacidade de receber um número muito grande de visitantes de uma única vez. Os transportes públicos não atendem bem nem os moradores daqui, imaginem se atenderão mais milhares de usuários. Nossa improvisação, nas mais diversas situações, não funciona quando o bicho pega, quando o pau quebra, quando a cobra fuma. Aí não é possível dar um jeitinho.

Como dar um jeitinho à saída de um milhão e meio de pessoas de uma concentração em Copacabana? No réveillon esse troço funciona? Não sei!

Devo confessar que, no último réveillon a que fui, as regras eram outras. Cheguei cedo, estacionei o carro numa garagem, fui para a casa de um amigo, depois à praia e, assim que o trânsito foi liberado, voltei a casa. Não precisei do transporte público. Mas quem o utiliza deve passar seus apertos. É que nossa administração pública não existe para facilitar nossas vidas. Antes existe, para tirar nosso dinheiro em forma de impostos e, posteriormente, nos pedir compreensão, sacrifícios e abnegação.

E, se nossas autoridades não dão atenção a quem lhes dá a grana diretamente, também não dará a quem vem aqui esporadicamente para atrapalhar ainda mais a vida na cidade.

Vi, por exemplo, um jovem carioca falando da vergonha que sentia pela falta de transporte ao final de um dos eventos da JMJ. Ele se fazia acompanhar por vários visitantes e não tinha como lhes explicar o fato. Impotente, só podia sentir vergonha.

Não sei onde vi, mas parece que o abestado do Joseph Blatter, presidente da suspeita multinacional FIFA, já estava arrependido de ter escolhido o Brasil como sede da próxima Copa do Mundo. Bem feito! Quem mandou entrar no esquema? Agora tem de aguentar! Na época, em 2014, veremos o que se pode fazer. E, como agora, as autoridades vão lamentar o ocorrido e prometer providências para que tal não se repita. Como vêm dizendo há anos, diante das mais diversas situações.

Nossas autoridades não administram, não previnem situações, não resolvem problemas. Quando esses se manifestam, de forma contundente, elas vão a público lamentar o corrido e prometer ações preventivas num futuro que nem Deus sabe se virá.

E dizer, com um tom humorístico de muito mau humor, como o fez o prefeito Eduardo Paes, que o Papa provoca engarrafamento. Como se isso fosse uma grande novidade: a visita de uma pessoa com sua estatura pessoal e religiosa. O prefeito do Rio de Janeiro não soube disso antecipadamente. Ele é um abestado!

Eh, Brasilzão lascado, sô!

Imagem em geogente.wordpress.com.

OS PROTESTOS JÁ COMEÇAM A CAUSAR EFEITOS COLATERAIS

Foi só o povo ir para as ruas, protestar, arruaçar, esculhambar, para que os políticos, como vestais inocentes e surdas, começassem a ouvir o grito das ruas – imagem mais do que gasta.

Na votação da PEC 37, apenas nove deputados tiveram coragem de votar por sua aprovação. Nem mesmo os representantes das polícias, que antes se apresentavam diante das câmaras a defender seu direito exclusivo de investigar, aparecem mais. Ao contrário, vi policiais louvando a participação do MP na parceria.

Vi também alguns homens públicos se orgulharem de votar contra a PEC 37. Quase uma hipocrisia!

É melhor tentar salvar a pele, enquanto ainda a têm.

Esses são os verdadeiros políticos, no mau sentido, é claro. Aqueles que têm a cara da situação. Se o pau quebra, estão com quem quebra o pau. Se o céu é de brigadeiro, fazem cara de paisagem e continuam no ramerrão de sempre.

O noticiário, por exemplo, informou ontem que vários projetos de lei de interesse social que estavam hibernando nos escaninhos do nosso legislativo estão voltando à ordem do dia.

Voz discordante, como se vê n’O Globo de hoje, é a do Zé Dirceu, que se diz favorável à PEC 37. Aliás, por causa da iniciativa do Ministério Público, é que ele e os demais incluídos no processo do Mensalão estão hoje condenados, embora em liberdade e alguns nos seus cargos eletivos.

Já era, Zé Dirceu! A PEC 37 mó… rreu! E é bom botar as barbas de molho, pois o Supremo, também ouvindo o clamor popular (Eta, imagenzinha velha!), resolveu mandar trancafiar um corrupto que se elegeu deputado federal (Quer dizer, o próprio eleitor foi quem o colocou lá!).

Zé Genoíno também não está nada confortável naquela cadeira confortável do Congresso Nacional. Começa a ver sua vó pela greta.

Os antigos, lá em Carabuçu, minha vilazinha natal, diziam que, nesses casos, é sempre melhor enfiar a viola no saco e baixar noutro terreiro. Não sei se nossos ínclitos corruptos sabem disso. Talvez até saibam, mas, enquanto não são pegos com a boca na botija e se arrependam dolorosamente diante das câmaras e dos flashes, continuam na sua refestelada vida de desvios e açambarcamentos, numa demonstração inegável do grande poder extrativista de dinheiro público nunca visto na história deste país.

Espero que esses efeitos colaterais dos protestos públicos não sejam apenas uma urticariazinha superficial, sem grandes consequências.

Barbas de molho (em ipuceara2010.blogspot.com).

QUEBRA ESSE GALHO AÍ PRA MIM!

No Brasil, país do jeitinho, quebrar o galho é uma instituição nacional. Dá-se o jeitinho e quebra-se o galho. No varejo e no atacado. Eu, tu, ele, nós, vós, eles. Não há pessoa do discurso que não tenha quebrado o galho para outra pessoa. E vice-versa: não tenha tido um galho quebrado por outra. Parecemos todos macacos gordos.

O jeitinho é outro caso de expediente nitidamente das cores verde e amarela. Jeitinho que, muito provavelmente, vá resultar em xabu, como com aquele bonde de Santa Teresa, cujo freio recebeu o jeitinho de um arame. E deu no que deu!

Mas, como sobreviver num país de burocracia até a loucura, se não tivéssemos essas sagradas instituições nacionais: quebrar o galho e dar um jeitinho.

E pode, às vezes, mesmo, tratar-se de alguma coisa não dentro da ética e da correção política. Quebrar o galho vale para qualquer coisa, assim como dar um jeitinho.

E o brasileiro é muito jeitoso para essa coisa de quebrar o galho.

Ao contrário, não imagino um paquistanês quebrando galho de compatriota. Lá não se quebra galho. É pão pão, queijo queijo. É adaga adaga, cimitarra cimitarra. Não tem essa! Paquistanês não se dá a desfrute de quebrar galho de ninguém.

E um afegão dando um jeitinho? A não ser que seja um talibã, que dê um jeitinho de mandar alguém para o espaço a poder de um petardo explosivo. Talibã dá o jeitinho lá dele. Mas quebrar galho nem pensar!

E os súditos da Rainha Elizabeth têm, pelo menos, cara de que saibam quebrar galho? Duvido muito! Os Beatles e os Rolling Stones podem ser tudo, até doidaços, menos quebradores de galho. Jeitinho, então, nem pensar! A fleuma britânica não foi contemplada com o DNA do jeitinho. Haja vista o entrevero das Malvinas – ou Falklands – com os argentinos. Também não quebraram o galho dos Hermanos. Partiram para a retaliação à invasão às ilhas.

Francês historicamente não é dado a casser le branche – nosso famoso quebrar galho. Caso contrário, teriam aliviado a guilhotina para Maria Antonieta e Luís XVI. E para Danton e Robespierre, os mesmo que não aliviaram para os monarcas. Até mesmo um médico lionês – JMV Guillontin – de mesmo sobrenome e profissão do inventor da máquina, o Dr. Joseph-Ignace Guillontin, cuja intenção seria minimizar o sofrimento do condenado, foi guilhotinado. E deve ter dito ao verdugo, naquele momento fatídico, antes de a lâmina implacável descer e apelando para seu parentesco:

– N’est-ce pas possible casser ce branche à moi?

Mas o verdugo, com cara e alma de carrasco desde tempos imemoriais, cortou a corda que prendia a lâmina no alto da guilhotina. E lá se foi a cabeça do aparentado do inventor da máquina de morte suave.

Aqui no Brasil, no entanto, quebra-se o galho desde a mais simplória situação, como pedir um açucareiro que realmente libere o açúcar do cafezinho no pé-sujo:

– Aí, parceiro, quebra o galho: me vê um açucareiro que funcione!

até o jeitinho para resolver o problema do grande empresário numa concorrência pública de interesse nacional, em que rolem milhões de reais.

Nesse último caso, então, o barulho que fazem os galhos sendo quebrados é de não deixar ninguém dormir.

Aí ficamos nós absolutos nesses quesitos. Somos imbatíveis na arte de quebrar o galho e dar um jeitinho.

Por isso é que, enquanto não se resolvem de vez vários e sérios problemas de natureza estrutural do país, o governo também dá seu jeitinho e vai quebrando o galho de milhões de nacionais, inventando expedientes que os ajudem a suportar as mazelas que temos pela frente.

O que pode não resolver, mas já quebra um galho danado!

 

Imagem em blogs.estadao.com.br.

VÃO INSTALAR UMA UPP NO EDUARDO PAES

O prefeito do Rio de Janeiro foi jantar com sua esposa em um restaurante japonês da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Estava placidamente acomodado, quando foi incomodado por um jovem músico, que se dirigiu a ele e o ofendeu. Como postou no seu Facebook, o músico disse ao prefeito que ele é um bosta e vagabundo.

Não deu outra: o prefeito deu-lhe um soco na cara.

Veja só! Não votei no Eduardo Paes, não sou do seu partido e tenho algumas restrições à sua administração. Mas o soco foi bem dado.

O cara, isto é, o músico, como postou em sua página no Facebook, se acha cheio de razões em odiar o prefeito e lhe dizer na cara o que pensa.

O prefeito, naquele momento, era muito mais o cidadão do que a autoridade. Estava em momento descontraído, com a esposa, para usufruir dos prazeres da cidade. Igualzinho ao músico, que já se encontrava no restaurante e se julgou incomodado apenas porque não deve ter votado no prefeito, deve ser simpatizante de partido oposto ao do alcaide e se julga no direito de ofender. Enfim, se acha!

Se eu fosse o prefeito também desceria o braço nos cornos do cara.

Bem ou mal, o prefeito foi eleito pelo voto direto, secreto e democrático da maioria dos cariocas. Se eu e o músico não contribuímos para sua eleição, temos o dever de respeitá-lo como cidadão. Aliás, devemos respeitar todas as pessoas.

Qualquer homem – mesmo um bosta – a que ele dirigisse seu xingamento reagiria da mesma forma. Alguns até poderiam lhe dar um tiro na cara, por exemplo. A cidade do senhor Eduardo Paes não é um mar de tranquilidade, bem sabemos. E o carinha foi audacioso ao extremo.

Neste caso se pode aplicar a lei física da ação e da reação. Ou a espírita – a do retorno: foi o insulto, voltou a porrada.

O músico e sua mulher foram a exame de corpo de delito e ameaçam processar o prefeito. Por seu lado, o prefeito reconheceu que agiu de forma desmedida e pediu desculpas à população por seu gesto.

Já Mariano Beltrame, secretário estadual de Segurança, está estudando a possibilidade de instalar uma UPP no prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Mariano Beltrame anunciando a instalação da UPP em Eduardo Paes (imagem em rafaeloliveira-rj.blogspot.com).

VOU FUNDAR UMA IGREJA, PORQUE NÃO SOU BOBO

Lá por volta d 1988, tínhamos em casa uma funcionária de prendas do lar. Era uma jovem – tinha cerca de vinte anos –, era bonitinha, evangélica e tímida, embora gostasse de conversar comigo, sempre que eu chegava do trabalho.

Certo dia, me disse que estava com muita pena de um irmão que não podia mais frequentar a igreja. Perguntei-lhe a razão, imaginando algum problema de saúde, e ela me disse que ele estava desempregado e não podia pagar o dízimo. Assim não lhe era permitido frequentar regularmente os cultos.

Na época, já militava nas fileiras satânicas do ateísmo e lhe falei da minha estranheza em, justamente numa fase de agruras como aquela, a igreja se recusar a ajudar o irmão necessitado.  Ela ficou sem graça e não soube explicar as razões religiosas da interdição. Que eu sabia! Eram razões dizimais. Não pagou, não frequenta.

Um pouco depois, ocorreu o escândalo do pastor televisivo norte-americano Jimmy Swaggart, flagrado com prostituta num motel no Texas.

Ao chegar a casa, ela me disse um tanto espantada:

­- Seu Saint-Clair, o pastor foi pego com a irmã num motel.

Ela, então, achava que a prostituta, naturalmente paga em dólares, fosse uma irmã de fé. Do alto (ou do baixo, nunca se sabe!) da minha total apostasia, disse-lhe uma frase que, tenho para mim, foi uma das mais bem cunhadas nesta minha vida de mediocridades. E que lhe causou estupefação.

– O pastor também é filho de Deus!

Sempre fui um cara comedido, centrado. Isto não é, absolutamente, virtude. Sou assim e pronto. Como se eu fosse canhoto, zarolho ou capenga. É minha condição, que não tem mérito nenhum. Mas, nesse caso do pastor – a esbórnia e a luxúria –, creio que todo ser humano deveria ter direito a desfrutá-las. Não acredito na conta a se pagar depois.

É mais ou menos o que pensa o pastor que agora foi pego com a boca na botija – o Marcos Pereira –, em seu apartamento de oito milhões de reais e muitas fieis passadas a fio de pênis abençoado.

Multiplicam-se no país as notícias dos homens “devotados a Deus” e suas práticas desregradas. Aos “homens de Deus” exige-se um mínimo de compostura, de vergonha na cara, de recolhimento e abdicação de bens materiais e prazeres mundanos. Se não, por que se dedicaram à causa? Melhor seria seguir o desregramento normal de qualquer um.

No entanto há um bando que sai por aí criando, cada um, a sua própria igreja. Não porque pense um pouco diferente do outro e tenha lá uma interpretação particular da palavra sagrada. Mas simplesmente para não dividir com o outro o produto do botim, do assalto, do achaque que faz à credulidade de uma multidão de desesperados, que esperam que a solução de seus problemas caia do céu.

Minha mãe conta o caso de um conterrâneo nosso lá de Bom Jesus – Bejota, para os íntimos -, analfabeto de pai e mãe, que se metia a pregador. Uma vez, indagado como fazia para saber o teor do texto bíblico sobre o qual fazer suas pregações, disse do alto de sua proverbial ignorância:

– Minha muié lê, e nóis tepreta!

Hoje, no Brasil, a melhor forma de se ganhar dinheiro, com isenção de impostos e sem dar duro num eito de lavoura, é fundar uma igreja. Ninguém sabe nada mesmo de p* nenhuma e está disposto a acreditar no primeiro espertalhão que lhe venda a ilusão de um mundo melhor, sob o pagamento de dízimo.

Para você, leitor amigo, ver até onde chega a canalhice desta gente, digo-lhe que vi a propaganda de uma pastora que criou um perfume com o cheiro de Cristo, a ser vendido, naturalmente, para uma multidão de inocentes úteis. Que é isso?!

Aprendi com a vida que os espectadores nunca ficavam até o final das sessões de cinema gratuitas. Naquelas que eles pagavam para ver, ainda que fossem de péssima qualidade, ficavam até o final, para justificar o dinheiro gasto.

É mais ou menos o que ocorre com essas pessoas que compram o Paraíso a prestações e enchem o rabo de espertalhões de dinheiro. E, quanto mais dinheiro, mais sacanagem na vida, pois o poder corrompe inexoravelmente.

Millôr Fernandes disse algo mais ou menos assim (li há muito e não me recordo exatamente da fonte): Desconfie sempre daqueles que ganham dinheiro com aquilo em que acreditam. O que é matéria de fé não pode render dividendos, penso como consequência.

Em todos os casos, como ando meio necessitado de fazer um pé de meia, acho que vou criar uma igreja. Porque posso ser tudo nesta vida, menos bobo! Além do mais, ainda há a hipótese de passar na cara algumas fieis mais bonitinhas.

Meu guru Millôr Fernandes, um dos homens mais lúcidos deste país (imagem em veja.abril.com.br).

 

A FIFA E A VERGONHA NACIONAL

Desde que o Brasil venceu a concorrência para sediar a Copa da FIFA de 2014 e assumiu uma série de compromissos, tem-nos ocorrido constrangimentos os mais diversos.

Somos um povo inzoneiro, matreiro, jeitoso e metido a esperto. De cabo a rabo. Uns e outros se salvam. Mas a consciência nacional indica que somos capazes de nos safar de várias situações. Sabemos dar um jeitinho, quebrar um galho, improvisar, resolver as coisas do modo menos trabalhoso possível.

Pode ser que esta visão esteja equivocada, porque não se justifica a posição que hoje ocupamos no cenário internacional e essa nossa capacidade de sempre procurar o jeitinho mais fácil de resolver problemas.

Entretanto os problemas sociais estão aí a nos jogar na cara que essa nossa propalada riqueza é feita de uma retaguarda cheia de mazelas.

E essa retaguarda cheia de mazelas está por trás do caderno de encargo para as obras e providências outras da Copa de 2014.

Em função disto, levamos pito e descomposturas daquele francês pernóstico, o tal Jérôme Valcke. Se merecemos, isto não vem ao caso. A verdade é que um cidadão de terceiro escalão de uma entidade com fins lucrativos não pode ficar dando puxão de orelhas em autoridades constituídas – para o bem e para o mal, se quiserem.

Já falei aqui, outras vezes, contra a interferência da FIFA em nosso jeito de ser, exigindo mais compostura de nossas autoridades. Claro que isso é completamente inócuo. Quase ninguém me lê, muito menos autoridades. Mas falo, porque há liberdade para isto.

E aí pipocam várias outras informações dando conta da ingerência da FIFA, por exemplo, contra o nome do estádio de Brasília – Mané Garrincha –, sob alegação de que ficaria difícil para os turistas. Depois veio a notícia de que a entidade havia solicitado ao governo soteropolitano a proibição de festas de São João na cidade do Salvador, durante o certame.

A FIFA negou as duas acusações que lhe eram feitas. Descobriu-se posteriormente, no caso do Estádio Mané Garrincha, que é o próprio governo do Distrito Federal que deseja fazer esse desfavor ao grande gênio do nosso futebol. No caso da Bahia, segundo novas informações, é o próprio governo local que resolveu coibir as tradicionais festas juninas. E houve ainda a questão do acarajé nas imediações do estádio. Baiano que é baiano come acarajé antes de ir ao jogo. E, se puder, ainda leva alguns na matutagem.

Então eu me pergunto: afinal de contas, é ou não é a FIFA o monstro intrometidiço que vive exigindo coisas de nós? Ou, ao contrário, são nossas autoridades que, escondidas atrás da marca FIFA, tentam perpetrar esses absurdos contra o povo?

Só sei dizer que, por conta de tudo o que tem ocorrido – e vejam que nem falei em superfaturamento de obras ou abandono de prioridades sociais em função delas –, estou cada vez mais aporrinhado com essa tal Copa de 2014.

E logo eu, que sou um apaixonado por futebol! Vejo até XV de Jaú x Ferroviária de Araraquara. Mas estou pensando seriamente em não dar um único centavo à FIFA na Copa a se realizar em território tupiniquim.

Imagem em meiodecamporm.blogspot.com.

A DENGUE E OS PREGUIÇOSOS

A dengue era doença desconhecida por nós há alguns anos. Eu, que já estou na fase terceira da vida, como abonam as filas em que tenho preferência, não a conhecia. E, desde que chegou, já se ouviu de autoridades que se tornaria endêmica, motivo por que deveríamos estar preparados para conviver com ela.

Ora, a dengue – aviso que não sou médico, nem especialista no assunto – é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Não há contágio interpessoal. Depende apenas dele.

A cada ano, vemos ampliar-se a área de atuação do mosquito, já disseminado por todo o país, e os casos de infestação. Todos sabemos que os insetos são proverbiais reprodutores e necessitam de pouquíssimas condições favoráveis a que se multipliquem velozmente.

Por que é, então, que nossas autoridades não tomaram as devidas medidas sanitárias para, no início, acabar com os mosquitos? E não venham me dizer que isso é impossível. Oswaldo Cruz, com muito menos recursos científicos e materiais, saneou o Rio de Janeiro, até mesmo contra a vontade da população e de boa parcela de nossas elites. Varreu daqui a febre amarela e a varíola.

Parece, no entanto, que há um sem-número de prefeitos que aguardam ansiosamente a chegada da epidemia, para receber recursos federais que, obviamente, não são aplicados em sua totalidade no combate à doença. E, assim, para o próximo ano serão novos casos e mais verbas.

Um amigo me disse que certo funcionário da saúde de um município fluminense (Não vou dizer qual é, porque não tenho provas.) comentou com ele que lá, naquele município progressista, há dezessete caminhonetes de fumacê. Delas, apenas três saem com o produto que combate o mosquito. As outras quatorze aspergem névoa de água. E isto é feito deliberadamente. Criminosamente.

Eu mesmo nunca tive dengue, embora familiares meus já tenham sofrido com a doença. E vejo, cada vez mais estarrecido e impotente, notícias alarmantes sobre a evolução dessa tragédia anunciada e, para a qual, as autoridades não se prepararam, não tiveram vontade e, talvez criminosamente, tirem dela proveito financeiro, por vias escusas e abjetas.

Não posso entender, na minha ignorância do assunto, como hoje não se consegue debelar esse inseto, tendo em vista que, há mais de cem anos, Oswaldo Cruz conseguiu fazer ação sanitária eficiente na região do Rio de Janeiro e de Belém do Pará, acabando com a varíola e a febre amarela.

A saúde pública está acima da desídia das autoridades e da indolência da população.

O mosquito pode ser dengoso, mas nossas autoridades são criminosamente preguiçosas.

Ficheiro:Oswcruz.jpg

Oswaldo Cruz, um herói brasileiro (em pt.wikipedia.com).

OS CANALHAS DA FIFA E SEUS PARCEIROS NACIONAIS

Os canalhas da FIFA acabam de demonstrar que não conhecem, não entendem e não gostam de futebol, ao vetar o nome do estádio de Brasília – Mané Garrincha -, sob as mais estapafúrdias alegações.

Segundo a entidade, seria para manter um padrão a adoção da denominação Estádio Nacional de Brasília, bem como para facilitar o entendimento dos estrangeiros que vierem para o torneio.

Que diferença há entre Estádio Mané Garrincha e Estádio Nacional de Brasília para quem não sabe português?

Depois, também, quem vai a um estádio de futebol em terras estrangeiras tem a obrigação de saber orientar-se, seja por seu nome, seja pelo GPS, pelo Google Mapas, perguntando ao jornaleiro da esquina, ou o raio que o parta! Isto é problema de cada um! A FIFA se finge de boazinha, mas odeia futebol e os que fizeram dele uma arte, como Garrincha. A FIFA gosta mesmo é de faturar e fazer suas festas de premiação.

Os que virão aqui estarão se lixando para os nomes dos estádios. E, se não tiverem interesse em aprender o mínimo de nossa língua, que se virem, como qualquer brasileiro faz quando chega às estranjas. Apenas na Turquia da novela Salve Jorge, fala-se português brasileiro em qualquer buraco da Capadócia.

Mas os canalhas da FIFA estão apenas interessados no faturamento que a empresa de futebol que eles comandam e de que tiram seu lauto sustento conseguirá na Copa de 2014.

Eu gosto de futebol, mas já estou enojado com tudo isso e não porei meus pés em nenhum jogo organizado por essa entidade em seu torneio quadrienal. Nem se, milagrosamente, essa nossa Seleção de pernas de pau, infinitamente inferiores a Mané Garrincha, chegar à final.

Meu dinheiro eles não verão.

Que diabo de governo de esquerda é esse, com ministro comunista, que não tem peito para rechaçar esse tipo de afronta? Cambada de frouxos (Ou seriam comprometidos?)!

À m*rda, todos eles e, sobretudo, nossas autoridades que a isso se submetem!

Imagem em politicadeitaguai.com.br.

DO DIREITO AO PITACO XI

O PSC ESTÁ-SE LIXANDO

O PSC – Partido Só pra Contrariar – resolveu manter o apoio ao deputado-pastor (ou pastor-deputado) Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. E, com isso, contraria a onda de protestos de todo o país contra o pastor.

É muita coisa contra e foi preciso contrabalançar com o apoio, já que o deputado-pastor (ou pastor-deputado) também se colocou contra homossexuais e negros, por suas declarações preconceituosas.

Mas ele continuará firme, porque nossos políticos, que nos vêm pedir votos durante o processo eleitoral, ao assumir seus cargos, cargam e andam para a opinião dos zéleitores. Tudo um bando de zé, que só serve para votar e olhe lá!

O que o PSC faz agora, as duas ilustres casas de representantes – Senado e Câmara dos Deputados – fizeram ao eleger seus atuais presidentes, também contra o protesto quase geral das pessoas de bom senso desta pátria desolada.

Deste modo, não está voando longe do pau, cavaco mal lascado que é, esse tal partido.

E tudo há de continuar assim, porque manda quem pode e obedece quem tem juízo.

 

VAI BASHAR NOUTRO TERREIRO

O corvo albino de nariz adunco, Bashar al-Assad, ditador hereditário da Síria, viu seu prestígio bashar entre seus confrades árabes. Na reunião da Liga Árabe, realizada hoje, as “brimas” receberam com palmas o representante dos rebeldes como autoridade do país das esfirras e caftas. Daqui a pouco, podem ter certeza, desanda o labneh lá dele. É só sair para dar uma mjadra, que não vai mais encontrar onde colocar seu quibe cru.

 

SERÁ QUE LALAU VAI-SE DAR MAL?

Estão dizendo que o ex-juiz do Trabalho Nicolau dos Santos Neto, o famoso Lalau, finalmente vai ver o sol nascer quadrado. Está, segundo parece, com a saúde em dia para puxar uma cana, pelo desvio de mais de 160 milhões de reais da construção do edifício do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Enquanto isso, outros réus – dentre eles o ilustre ex-senador Luís Estêvão – aguardam com ansiedade a prescrição do crime em 2014, ainda a tempo para assistirem a cerimônia de abertura da Copa da FIFA no novo Maracanã. Isso se, até lá, o estádio não for interditado para investigação de novos desvios de verba durante sua reconstrução.

É muito desvio para pouca estrada, né não?!

 

Charge de Manga (em osamigosdaonca.com.br)

O CADÁVER CONTINUA VIVO

O caso do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, aquele pastor-deputado, ou deputado-pastor, que andou falando m*rda sobre m*rda e, no entanto, ainda assim foi conduzido por seus pares e asseclas à presidência, agora parece insustentável. Virou caso de cadáver que ninguém quer carregar, a não ser ele próprio. Por isso é um cadáver ainda vivo, milagrosamente.

Acontece que, no Brasil, as minorias – que já estão ultrapassando as maiorias – fazem um barulho danado, quando pisam nos seus calos ou põem ventilador em sua purpurina. E foi só o que o indigitado deputado-pastor, ou pastor-deputado, fez.

O problema é que sempre que alguém produz um discurso equivocado, cada vez que tenta consertar, sai a emenda pior que o soneto.

E a briga que ele comprou é com a parcela da população mais disposta a brigar: os negros (não serei cretino aqui de chamar de afrodescendentes, porque não chamo os brancos de lusodescendentes, por exemplo), que foram massacrados através da história do país e ainda hoje pagam uma conta que não é deles, e os homossexuais, que também não são tantos assim, mas que são muito ativos (vê-se, por aí, que a ideia de passividade não tem nada a ver com a orientação sexual do cara).

Então está lá em desfile fúnebre pelos corredores do Congresso Nacional o cadáver vivo e insepulto do deputado-pastor Marco Feliciano, carregando no lombo a infelicidade de ser preconceituoso e racista, o que não se justifica, tendo em vista o encaracolado de suas madeixas e a tez de sua pele.

Mas é quase sempre assim. Diziam que os capitães d0 mato, alguns negros que saíam à caça de escravos fugidos, eram piores que seus patrões brancos no trato com os irmãos de cor.

Esse pastor-deputado está é lascado. Vai ficar zanzando por aí, sem noção, até que sucumba à campanha que lhe é movida.

 

Bruna Marquezine (em portaldenoticias.net).*

———-

*Não ia emporcalhar esta postagem com uma foto do citado deputado. Preferi ilustrar com a da bela atriz em um momento descontraído na praia.