DAQUI DE CIMA

O avião da Alitalia passou por uma zona de turbulência, e a Jane reclamou que ele não era bom, estava trepidando muito. Um pouco antes parece que tinha passado sobre um quebra-molas seco, daqueles fininhos, que se põem no meio de uma reta na estrada, só para sacanear o motorista, dizer a ele que não precisa correr tanto, embora a pista o convide. E provoca aquele baque seco, de juntar os discos da coluna vertebral. Um pouco depois ele voltou à pista lisa, ou melhor, à navegação tranquila.

Nesta terça-feira, último dia de julho, a viagem começara como todas as outras. Aqueles mesmos avisos de segurança que as companhias têm a obrigação de repetir, exigindo nossa atenção, tenho a impressão, não servem para nada. Agora, é bem verdade, sem a pantomima do pessoal de bordo: tudo via telas individuais atrás de cada poltrona. No entanto, caso a aeronave se precipite de uma altura que ultrapassa as nuvens mais renitentes, tenho quase certeza de que o comportamento dos passageiros será de desespero, de gritaria, de apelo aos céus. Ninguém se lembrará de nenhuma daquelas recomendações. Eu mesmo nunca participei de um evento de tais proporções, tanto que estou aqui neste texto fazendo conjecturas. Mas, daqui de cima, a coisa de uns dez mil metros, todos os pensamentos são possíveis, embora eu seja uma pessoa desassombrada no quesito aviação civil.

Mas avião é um bicho capcioso, dado a trapaças de mau gosto. Vinicius de Moraes, apesar de ter voado costumeiramente por aí enquanto vate encarnado, dizia ter medo dessa geringonça, porque ela tem sua oficina de reparos lá embaixo, em terra firme. E, em caso de pane, não dá para chegar lá ainda com a fuselagem intacta.

Ainda há pouco, um pequeno avião deu uma cambalhota na pista de chegada de um aeroporto em São Paulo. E só não morreram todos os seus ocupantes, por um simples capricho do destino. Coisa em que, aliás, eu não acredito.

Voltando ao nosso voo, daí a instantes, após a pequena turbulência, a tripulação começou a servir a refeição. E fiquei com saudades das refeições que se serviam há alguns anos. Se a tecnologia aeronáutica progrediu muito nesses últimos tempos, o treinamento do pessoal aprimorou, em contrapartida a comida de bordo piorou proporcionalmente.

Lembro-me da primeira vez em que fomos a Paris pela Air France. No jantar, as comissárias distribuíram uma folha elegantemente impressa, com os pratos oferecidos. Eram três ou quatro. Um deles, o que comi pela primeira vez, era o tradicional “boeuf bourguignon”, que foi acompanhado com um singelo vinho tinto nacional. Francês, é óbvio!

Hoje os comissários, ao passar empurrando os carrinhos, perguntavam “carne ou pasta?” e nos serviram uns pratozinhos bem mixurucas, que muito desmerecem a prestigiada culinária italiana. O ravioli, por exemplo, já teve melhores dias, até mesmo no quilo que eu frequentava, ali na Rua Debret, no centro Rio de Janeiro, nos meus últimos anos de trabalho, quando a grana já encurtava e o final do mês espichava. Ele tinha mais paladar no quilo de massas.

Ainda que eu seja um bom dorminhoco em viagens, ainda não consegui dormir. E estou aproveitando para riscar no teclado do celular essas considerações, que postarei tão logo chegue a terra firme, na Cidade das Sete Colinas. O wifi da aeronave, a que o telefone está conectado há pelo menos umas duas horas, me mantém fora de órbita. Por isso, esse gosto de texto requentado como o ravióli da Alitalia.

Buongiorno!

PÊSSEGO SOLTA-CAROÇO

Lá por volta do fim dos anos sessenta e princípio dos setenta, alguns camelôs do centro de Niterói apregoavam com suas vozes estridentes uma fruta chegada do Chile. O destaque do pregão consistia no fato de que seu caroço era facilmente extirpado do fruto:

– Pêssego solta-caroço! Olha o pêssego solta-caroço!

Fosse ou não saboroso, o que importava para o sucesso da venda era a facilidade de se descaroçar o pêssego. Eu mesmo nunca soube que tais pêssegos fossem assim tão facilmente descaroçáveis.

Isso me voltou à memória, porque acabei de comer um desses, adquirido numa quitanda metida a besta, em que a indicação era apenas a de ser importado: pêssego importado. E imagino que, do Chile.

E lá vai a memória para o mercado de Antofagasta, cidade ao norte daquele país. Era janeiro de 1976. Éramos Jane e eu, recém-casados, e Eduardo e Marília, nossos parceiros de viagem, e também mais um jovem casal paulista que encontramos ao acaso no Peru, sendo a menina uma linda nissei que chamava a atenção de muitos chilenos, admirados dos seus olhos de amêndoa.

Não me lembro por que indicação chegamos ao mercado, uma construção em ferro razoavelmente grande, numa elevação diante do mar, cheia de bancas dos mais variados produtos.

Ao entrar, tivemos nossa atenção despertada para a banca de pêssegos. As frutas perfumavam o ambiente com seu cheiro doce. Tinham a casca aveludada na cor ouro velho e a consistência suavemente firme. E o melhor: custavam apenas dois pesos chilenos, que àquela altura equivaliam a dois cruzeiros, a dúzia.

Compramos algumas dúzias e fomos comê-los no gramado em frente, onde nos sentamos sobre a relva.

Quando nos deliciávamos com o sabor da fruta, com o panorama do Pacífico ao fundo, aproximou-se de nós um jovem chileno desconfiado. Era magro, cabelos lisos e as feições dos primeiros habitantes da terra. Descobriu que éramos estrangeiros e logo perguntou se seríamos espiões do governo Pinochet, cuja ditadura andava metralhando automóveis que circulassem após o “toque de queda”. Dissemos que não, que éramos brasileiros, gente boa e pacífica como o oceano logo ali. Mas ele disse que isso não importava, já que os generais brasileiros haviam ajudado Pinochet a tomar o poder no Chile. Após a troca de algumas frases, confiando em que não fôssemos realmente agentes infiltrados, aproveitou para debulhar um rosário de lamentações acerca da sua situação e da do seu povo, uma tribo autóctone que habitava terras abundantes em cobre, o que motivou a dispersão da população, em vista do interesse econômico na exploração do mineral.

Era ele uma pessoa simples, quase sem estudos formais, que vivia da caridade do Exército da Salvação e de uma ou outra ajuda que conseguia de estranhos em troca de algum favor. Mas nos deu uma aula de sociologia e política, apenas com a história que nos contava sobre as mazelas por que passavam ele e seu povo.

E ficamos ali, os seis brasileiros, a ouvir, embasbacados, as lamentações do chileno, expulso de sua terra, para que a exploração de cobre deslanchasse.

O pêssego ganhou certo travo amargo, como se isso fosse possível. Entretanto, até hoje, mesmo com essa memória dolorida do encontro com o indígena chileno, nunca mais comi um pêssego com tal sabor.

E nem me lembro se aquele pêssego de 1976 soltava facilmente o caroço. Talvez não. O caroço duro e irremovível que restou foi a história cruel daquele jovem e de seu povo, que nunca mais saiu de mim.

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Imagem em belezaesaude.com.

MORRO DA CONCEIÇÃO

Neste último domingo, resolvemos ir à festa Santos Populares Portugueses, no Armazém da Utopia, no renovado cais do Rio de Janeiro. Além de mim e Jane, iam conosco Estefânia e Francisco, filha e neto. Por volta das treze horas e trinta, ao nos aproximar do local, através da Via Binário, percebemos que a fila de entrada dava voltas. Como Francisco já tivesse revelado estar com fome, decidimos mudar os planos.

Estefânia trabalha na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Visconde de Inhaúma e conhece vários restaurantes nas imediações. E, como soubesse do interesse da mãe em conhecer o Morro da Conceição, bem ali perto, sugeriu que almoçássemos no Bar Imaculada, numa das subidas do morro.

Pegamos a escadaria pela Travessa do Liceu e chegamos à Ladeira do João Homem, uma das subidas do morro, onde se localiza o bar. A Praça Mauá não fica longe dali.

Almoçamos e saímos a conhecer o local. Subimos toda a Ladeira até chegar ao largo onde se ergue a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, construção portuguesa de 1713 no local de uma antiga bateria de canhões do invasor francês Dougay-Trouin.

Descemos a Rua do Jogo da Bola, até uma pracinha acanhada, com alguns poucos brinquedos para crianças, onde Francisco se divertiu. Depois pegamos a Travessa Joaquim Soares, que chega até o Observatório do Valongo, de grande portão fechado. Tomamos as ruas de volta para o largo da Fortaleza, a fim de descer a Rua Major Daemon até a Rua do Acre, onde pegamos o carro de volta a casa.

Foi um domingo interessante, a conhecer um pouco da história e da arquitetura de um Rio de Janeiro que se preserva, a despeito de toda a nossa pouca preocupação com o passado. Aí estão algumas fotos, a ilustrar o nosso passeio.

Ladeira do João Homem

 

Casas na Ladeira do João Homem
Outra vista das casas da Ladeira do João Homem
Fachada do Imaculada Bar e Galeria
Janela na Ladeira do João Homem
Jane, Francisco e Estefânia no fim da subida da Ladeira do João Homem
Largo da Fortalea de Nossa Senhora da Conceição, com a imagem no pedestal
Francisco se diverte na pracinha.
Lateral da Fortaleza da Conceição
Muro frontal da Fortaleza da Conceição
Serviço Geográfico do Exército, na Rua Maj. Daemon
Serviço Geográfico do Exércio, na Rua Maj. Daemon

NA ESTRADA

 

Tenho viajado tanto a Miracema e Bom Jesus, que posso dizer que sou quase amigo dos quebra-molas e pardais. Pelo menos tenho recebido alguma correspondência da autoridade de trânsito me lembrando de que passei por alguns deles, no excesso da preguiça dela e na urgência da minha pressa.

Para que não me repita, escolho às vezes ir por Nova Friburgo. Outras vezes, por Teresópolis. De qualquer forma, tenho de subir montanhas, serpentear estradas, varar municípios, parar nos mais diversos pontos para um cafezinho, para o xixi, para o almoço, ou mesmo para espichar um pouco as pernas e a coluna. Enfim, para uma infinidade de motivos que alongam a viagem, mas a tornam menos cansativa e estressante. E, como tenho de repeti-la com frequência, procuro tirar o maior proveito. Tantas vezes paro para fotografias. É uma árvore florida, outra pelada, uma paisagem interessante. E lá vou eu, sempre de posse de minha câmara, registrando aspectos de uma natureza sempre propícia a se renovar.

Devo confessar que não tenho muito prazer em dirigir, mas o faço sem mortificação. Há a necessidade. E contra a necessidade não se pode ir. Por isso, aproveito.

Já conheço pessoas estrada afora, de cujo nome bem não sei, mas que já presenteei com cd ou com livros. É só puxar assunto e observar o interesse do meu interlocutor, para que me disponha a esse gesto. Sou daqueles que pensam que é melhor parar para uma prosa do que chegar cedo demais. Pode-se ganhar mais tempo com esses prazeres do que com o adiantar da hora.

Todo o caminho é o caminho que se faz, por isso a possibilidade de fazê-lo mais interessante. Eu me repito? Acho que não. Assim também é o caminho. Embora sejamos sempre os mesmos, podemos nos descobrir a cada quilômetro, a cada momento.

Tenho me repetido tanto, sendo diferente a cada vez, que já não encontro sempre as mesmas pessoas que me atendem no cafezinho, por exemplo, à beira da estrada em Ibipeba. E, por isso, tenho de me readaptar, tentar conquistar novamente a simpatia da mocinha que faz o café no momento exato em que o solicito. Depois da segunda vez, parece que sou velho conhecido.

E assim vou (re)fazendo o caminho que me faz retornar às origens – da vida e dos sentimentos –, com o prazer renovado por tão novos e mesmos trajetos.

Paisagem à margem da RJ-116, em Miracema-RJ (foto do autor).
Paisagem à margem da RJ-116, em Miracema-RJ (foto do autor).

BARRA DE SÃO JOÃO

O distrito de Barra de São João, no município de Casimiro de Abreu, sempre foi uma passagem para mim, desde os velhos tempos em que não havia a BR101, a ligar Campos com o Rio de Janeiro. Os ônibus que vinham de Bom Jesus do Itabapoana para Niterói, onde passei a morar em 1968, faziam um trajeto mais longo, entrando em Macaé e percorrendo toda a Rodovia Amaral Peixoto, que justamente passa neste distrito. Dele tinha sempre a imagem da igrejinha (Capela de São João Batista) sobre uma elevação, junto à foz do rio São João, e a velha ponte caída, já substituída pela nova, que hoje já não está tão nova assim.

Até que, neste fim de semana, Jane e eu tivemos de ir a um compromisso social lá perto e ficamos hospedados nesta vila à beira mar, onde passou boa parte da vida o poeta romântico Casimiro de Abreu, que deu nome ao município.

Em primeiro lugar, devo destacar a surpresa com a pousada – Casa Nelly – de um casal de alemães simpaticíssimos, que gostam de conversar e estão sempre dispostos a atender os hóspedes. A pousada fica numa rua transversal à rodovia que corta a vila ao meio (Rua Wellington Borges, 103), bem próxima ao mar aberto, cuja orla está urbanizada.

Tendo ficado lá, resolvi matar o desejo de fotografar aquela igrejinha cenográfica e seu entorno. Depois aproveitamos para seguir a dica das amigas que nos convidaram para o rega-bofe do sábado à tarde e fomos conhecer uma das margens do belo Rio São João, até o hotel fazenda de mesmo nome, a menos de sete quilômetros do centro.

Trago, para os amigos leitores, algumas das fotos de Barra de São João, vila que me surpreendeu ao ser vista de outro ponto que não o da rodovia que é, na prática, sua avenida principal.

Espero que gostem.

 

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SÃO PEDRO DO ITABAPOANA

Estive com parte da minha família em São Pedro do Itabapoana, vila capixaba do município de Mimoso do Sul, distante cerca de vinte e nove quilômetros de Bom Jesus do Norte, onde moram minha mãe e minhas irmãs.

A vila, que já foi sede de município e perdeu este estatuto quando se decidiu o traçado da linha férrea, se localiza na parte sul do estado e está a 460m de altitude. Em virtude da perda da condição de cidade, ficou preservada em suas construções históricas, que se espalham pelas ruas encarapitadas nos morros que constituem sua geografia. Já falei dela em outros textos, mas trago aqui algumas fotos que fiz neste fim de semana, domingo para ser mais preciso, a fim de que meus amigos leitores a conheçam melhor.

Deve-se dizer que hoje a vila é classificada como sítio histórico – Sitío Histórico de São Pedro do Itabapoana – e, além de suas características urbanas, preserva a tradição da viola caipira e da sanfona (acordeão), com atividades frequentes, inclusive com uma escola de música para seus moradores, e um festival anual de grande prestígio, sempre em julho, a que são convidados expoentes nacionais desses dois instrumentos. A vila também conta com uma orquestra de viola e sanfona, que se apresenta na pracinha em datas previamente agendadas.

Como se não bastasse esse cuidado e zelo dos moradores para com a vila e suas tradições, lá se produz a melhor cachaça que pude beber até esta altura da minha vida. Por conta dela, e da minha língua incontrolável que foi dizer isto para um amigo, sou quase obrigado a visitá-la periodicamente para fazer a felicidade dele, que está sempre a me encomendar a preciosidade, comprada no bar do pai do fabricante, um doutor com PHD em cachaça.

Sem mais delongas, aí vão algumas das fotos tomadas neste último domingo. Espero que gostem.

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CUNHA-SP

Ateliê Gaia: peças queimadas no forno raku (foto do autor).
Ateliê Gaia: peças queimadas no forno raku (foto do autor).

Cunha nem fica tão longe assim. Está encarapitada na Serra do Quebra-Cangalha, às margens do antigo Caminho do Ouro, entre Guaratinguetá, em São Paulo, e Paraty, no Rio de Janeiro. Com quatro horas de carro, respeitando-se os limites de velocidade das estradas, chega-se lá.

Jane e eu já estivemos lá umas cinco/seis vezes. Nesta última, no feriado da Semana Santa, fomos acompanhados de dois queridos casais de amigos: Rogério e Laura, Kenneth e Luísa. Por algumas vezes lhes tínhamos dito como é interessante uma visita àquela pequena cidade, classificada pelo governo paulista na categoria de Estância Climática, já que está a mil metros de altitude e oferece condições de clima ameno, durante boa parte do ano, e frio, no inverno. É outono, pois não? E o termômetro chegou a marcar 15°C na noite de sexta-feira. É um clima propício a se tomarem bons vinhos com os amigos. E foi isso que fizemos, sobretudo pelos mimos enológicos que nossos amigos nos proporcionaram. Ficarei devendo isto a eles.

Pois Cunha, mesmo pequenina, tem bons restaurantes, turismo ecológico e de aventura e, sobretudo, o espetáculo da abertura de fornada proporcionada por alguns ateliês da cidade, como os de Suenaga & Jardineiro e de Augusto Campos & Leí Galvão. A cidade tem a maior concentração de cerâmica de alta temperatura da América do Sul, segundo soube.

Ateliê Suenaga & Jardineiro (foto do autor).
Ateliê Suenaga & Jardineiro (foto do autor).

Além disso, tem instalada na ponta de um de seus muitos pontos elevados a cervejaria Wolkenburg (castelo das nuvens), de acesso complicado para carros de passeio e impossível para veículos maiores que pretendam transportar o produto de seus tanques. Lá vão apenas os amantes de cerveja, que são recebidos com uma degustação gratuita comandada pelo mestre cervejeiro. Após isso, o visitante pode pedir o tipo que mais lhe agradar, sentar-se a uma das grandes mesas do salão envidraçado e saborear também a vista para as montanhas do entorno.

Desta vez, incentivados por nossos amigos, fomos conhecer o Parque Estadual da Serra do Mar, de acesso por estrada de terra estreita e de piso irregular, a dezoito quilômetros do asfalto da estrada Cunha-Paraty. O rio Paraibuna corta o centro do Parque, que oferece algumas trilhas de variadas dificuldades. Jane e eu preferimos ficar nas proximidades da sede, olhando, fotografando e caminhando com bastante conforto em meio ao verde salpicado por árvores e flores multicoloridas. Sem mais essa, baixou uma neblina densa, por volta das duas horas da tarde. E, quando saímos de lá, nem bem percorremos dois quilômetros, a neblina já não estava presente.

Parque Estadual da Serra do Mar (foto do autor).
Parque Estadual da Serra do Mar (foto do autor).

Mesmo nessa estrada um tanto comprida para ser percorrida, podem-se encontrar bons restaurantes, coisas interessantes para serem vistas e fotografadas.

Contudo a própria cidade tem seu charme. O ar que se respira, por exemplo, com leve aroma vegetal, é tão puro, que nossos pulmões aplaudem a cada inspiração. E é toda espalhada em morros mais ou menos altos, como o da velha igreja matriz do século XVIII, como o Santuário de São José da Boa Vista, também da mesma época, erguido num lugar ermo, a compor com a paisagem uma visão inesperada para quem transita pela estrada.

Santuário de São José da Boa Vista (foto do autor).
Santuário de São José da Boa Vista (foto do autor).

Em todas essas vezes, ficamos hospedados na Pousada Recanto das Girafas, a primeira de Cunha, segundo sua proprietária, Marisa, que, junto com seu marido Renato, nos recebe calorosa e fraternalmente. Por duas noites, Renato, pianista dos bons, nos brindou com boa música instrumental, acompanhado pelo violão do Rogério, baixista de amplos recursos. E bebemos vinho, e conversamos, e reforçamos as teias de uma amizade que já vem de muito tempo. Nem tanto como o das igrejas da cidade, mas também de muito boa tessitura.

Com certeza, voltaremos!

Vista noturna do centro de Cunha, a partir do Ateliê Gaia (foto do autor).
Vista noturna do centro de Cunha, a partir do Ateliê Gaia (foto do autor).