SEXTA-FEIRA, 13

Toda vez que chega sexta-feira, 13, dou gargalhadas de descrença, descrédito e débito automático. Sobretudo se ela for como a de hoje: bonita, céu de brigadeiro, cheia de fotogenia. Talvez até tenha tido algumas névoas secas pela manhã. Mas não sou dado a acordar com as galinhas. Portanto, para mim, ela começou com os auspícios dos bons dias.

Até mesmo as perdas que temos vida afora são previsíveis, contabilizadas no tal livro da vida. Sem cabalística, nem apoplexia. É assim mesmo.

A não ser que você estivesse trabalhando nas Torres Gêmeas, naquele 11/9/2001. Naquele exato momento, eu cortava meu cabelo no salão do Shopping 211 da Moreira César e, sem os óculos, pude ver um borrão calcinando na tela da tevezinha, através do espelho à minha frente. Parecia um daqueles filmes que o dono do salão sempre seleciona, para amenizar a espera dos clientes.

Nem me lembro se era sexta-feira. Só não era 13. Muito menos, agosto. Baita azar, o deles, os ianques, tão chegados a uma superstição.

Naquele instante, no Hemisfério Norte ainda era verão. Aqui, final de um inverno que nunca chega a ser rigoroso, embora gostemos de nos cobrir assim que o termômetro atinja 21ºC.

Já passei por muita sexta-feira, 13, nos mais diversos meses e, de memória, nenhuma trouxe o que não está previsto no calendário. Nem mesmo as de agosto, tão mal afamadas.

Uma bobajada essa de estar atento a um dia qualquer, só porque nosso medo secular inventou chifres em cabeças de cavalos.

Hoje pela manhã, ao tomar o café, o rádio sintonizado numa estação, a dona fulana estava dando uma simpatia para que os prezados ouvintes pudessem passar incólumes pelo dia aziago. E sempre com aquela frasezinha mixuruca: Se não fizer bem, mal não faz. Mais ou menos como certos placebos por aí.

Por isso comecei a gargalhar logo de manhã. E não anotei a simpatia, porque simplesmente o que vier a gente tem de traçar.

Apesar de tudo, espero estar vivo, lépido e fagueiro amanhã, porque ainda tenho muita coisa a não fazer nessa minha vida de aposentado.

Boa sexta-feira, 13, para todos!

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Amendoeiras de inverno (foto do autor).

AGOSTO DE GOSTO OU DESGOSTO: SARAVÁ!

Imagem em blogdajoice.com.

 

Agosto começou ontem com bons augúrios. O que, convenhamos, é algo estranho para mês tão dado a maus presságios. A Literatura e a crendice estão cheias de exemplos.

Tudo bobagem, na verdade.

A vida vai ocorrendo assim aleatoriamente, sem regência de signos, de vaticínios. Não creio em determinismos sobrenaturais. Somos nós ou a natureza que dão os rumos das coisas.

Este mês, contudo, com o anúncio de que hoje começa o julgamento do Mensalão, que certamente se arrastará – como arrastado tem – por outro tanto de meses, se anuncia benéfico.

Será, com certeza, o maior julgamento político da história do país pelo Judiciário. No caso Collor, o julgamento ocorreu no âmbito do Legislativo.

Contudo, no entanto, todavia, porém, fico com a pulga atrás da orelha saltitando. O eterno argumento da tecnicidade processual se sobrepuja a provas cristalinas, e isto pode pôr a perder todo o trabalho em apurar o caso, levantar provas, ouvir testemunhas, que está enfeixado na denúncia do Ministério Público Federal.

Podemos sair deste episódio do Mensalão mais frustrados do que foi o conhecimento da existência do esquema de desvio de dinheiro público para campanhas políticas e bolsos de uns e outros.

Imagino, por outro lado, a possível coragem de se punir uma figura como Zé Dirceu, que se posta de vestal perante a esquerda e ainda mantém sua força no seio do governo. Não tenho tanta convicção de que esta também seja sua imagem diante da opinião pública. Ele, no entanto, foi peça chave da tomada de poder pelo PT, por sua inegável maquinação.

Vamos aguardar.

E espero que não nos frustremos desgraçadamente. Pois aí estarão escancaradas as portas para todas as falcatruas passadas, presentes e futuras, em nome da tomada e da manutenção do poder por parte de qualquer grupo.

Apesar de minha descrença no transcendente, neste momento só me ocorre a saudação que meu antigo chefe, Dr. Luzitano, fazia ao chegar ao trabalho em dias de pedreira: Saravá Ogum e toda a sua banda! E todos os que estavam próximos respondiam em uníssono:

– Saravá!