VITINHO PODE PERDER

Vitinho – pequeno vencedor, literalmente – pode perder. Ou pior, perder-se, ao deixar o futebol brasileiro, com a idade que tem.

Perder-se porque não vai para um grande centro do esporte. A Ucrânia, em que pese suas belas louras que tiram a roupa por vários motivos, não é um país em que o futebol esteja no nível de muitos outros da Europa. Enfim, a Ucrânia não é vitrine desse esporte.

Além do mais, a mudança é radical. Primeiro, Vitinho não vai entender nem bom dia, nem obrigado, naquela língua extremamente diferente da nossa. Segundo, o clima é bem diferente do do Brasil. Terceiro, há de estranhar a comida. Quarto, há de se adaptar ao estilo de jogo dos ucranianos. Se é que os ucranianos tenham um estilo de jogar futebol.

Não estou aqui torcendo contra ele. Quero que ele vença. Não seja um Vitinho, pequeno vencedor, mas um Vitão, grande e poderoso.

Acontece que as perspectivas que agora se me apresentam não são tão boas. E o que pode acontecer é ele ficar esquecido dos nossos olhos.

O deslumbre que começou a causar nos que apreciam futebol não tem três meses. Se muito, dois ou um. Ele parecia um jovem esforçado. Apenas nas últimas partidas começou a ser reconhecido como um verdadeiro talento. E, como o Botafogo não teve disposição, possibilidade, determinação – o que quer que seja -, deixou escapar sua mais fulgurante promessa dos últimos anos.

Pode ser que fiquemos órfãos de um futuro e completo craque. Tomara, para ele. Mas pode ser que Vitinho tenha dado um tiro n’água, com sua ânsia em ganhar muito dinheiro, assim tão novo. Assim tão Vitinho ainda!

Imagem em esporte. uol.com.br.

ANOTAÇÕES À MARGEM DO JOGO

 

Ontem o Botafogo não jogou bem contra a Portuguesa, mas ganhou. Três pontos e a liderança do Brasileirão.

No primeiro tempo, não entramos no Canindé. Quiçá não tenhamos desembarcado em Congonhas ou no Terminal Tietê (a grana do time anda um tanto curta). Até mesmo Seedorf, sempre destaque por sua técnica refinada, não jogou nada e reclamou além da conta com os companheiros, chegando a dar um tapa no braço do Gilberto, enquanto discutia com ele.

Embora o holandês seja um jogador diferenciado – e muito rodado – não tem o direito de tratar assim um colega de clube, ainda que este seja um garoto inexperiente.

Outro que tem deixado a desejar – e já há alguns jogos – é o uruguaio Lodeiro. Sempre que ele é convocado para a seleção do seu país, volta sem reconhecer a bola. Sua saída coincidiu com a melhora do time no segundo tempo, mas não sei realmente se foi isso.

O que me parece que ocorreu foi que, com a saída de Lodeiro, Rafael Marques se deslocou para a esquerda e deu melhor seguimento às jogadas que estavam ocorrendo por ali.

Então melhoramos um pouco. Soubemos superar a desorganização do primeiro tempo e certa apatia de alguns, para construir um placar em que já não acreditava mais: 3×1. Talvez mesmo a Portuguesa, apesar de seu fraco desempenho no campeonato, não merecesse neste jogo tal placar. Porém o futebol não tem complacência, desde que não ajam forças estranhas ao jogo, e a Lusa paulista sucumbiu à melhor equipe.

Ganhamos e somos líder.

Não vemos ninguém na nossa frente!

Imagem em jocapereira.wordpress.com.
Imagem em jocapereira.wordpress.com.

PERDEMOS DE 1×1

O jogo da volta ao Maracanã, ontem à noite, entre Botafogo e Flamengo resultou num empate lógico, pelo que os times jogaram, cada um em um dos tempos da partida.

No primeiro tempo, o Botafogo foi superior, fez seu gol, e mais poderia fazer, se não fosse certa burocracia. Parecia um time de escrivães a darem andamento a processos com prazo a cumprir. Imaginavam que, a qualquer momento, poderiam fazer mais, mas não o fizeram.

Lodeiro, por exemplo, repetiu o futebol inexpressivo que traz do banco da Seleção Uruguaia. Sempre que é convocado, volta inoperante, dispersivo, sem objetividade.

No segundo tempo, as mudanças que o técnico do Flamengo operou surtiram o efeito desejado, e o Botafogo não percebeu.

Mesmo com um elenco bem limitado, o Flamengo voltou com disposição para a etapa final, e nós ficamos olhando os caras jogarem, fazerem gols, ainda que não validados pela arbitragem, dominarem a partida e acabarem por empatar no último minuto do tempo acrescido.

No lance em que Seedorf faz a falta, cuja cobrança levou ao gol, ainda imaginei que aquilo não daria certo e, recostado no sofá, pedi que matassem o lance com uma falta ainda na intermediária rubro-negra.

Não me ouviram, e foi o que foi.

Poderíamos ter matado o jogo em várias oportunidades. Mas o futebol não é feito por condicionais. Quando a bola rola é só presente. E aquele que não está atento acaba sofrendo as consequências.

Por isso é que digo que perdemos de 1×1. O jogo ganho até os 48 minutos do segundo tempo, três pontos que nos garantiriam a liderança do Brasileirão, e o empate no finzinho.

Os caras saíram falando em vitória. Nós, obviamente, em derrota. Perdemos de 1×1.

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BOTAFOGO NA LIDERANÇA

Não foi preciso jogar bem, para que, ontem, o Botafogo vencesse o Fluminense na Arena Pernambuco.

No primeiro clássico, após a parada para a Copa das Confederações, os jogadores pareciam um tanto sem ritmo, sem pegada. De parte a parte, e não só do Botafogo.

É bem verdade que o Fluminense entrou gerando expectativas maiores pela volta do Fred, que fez uma bela Copa. Mas não contava com a exibição soberba de Dória, ainda um jovem jogador, porém com segurança de veterano.

Não sei se estou errado, todavia observei que, sem Fellype Gabriel, nosso meio campo ficou menos criativo e as oportunidades do ataque  foram menores. Tanto ele, quanto Andrezinho, que embora nunca se tenha mostrado soberbo, podem fazer falta. E muita. Sobretudo o Felyppe, que chegava até a área para concluir.

Apesar de tudo, num jogo apenas regular, em que o domínio territoria passou de um a outro lado, o Botafogo contou com a categoria e a classe de Seedorf, realmente um jogador diferenciado.

Soube que há tricolores chorando a não marcação de um possível pênalti feito por Jéferson em não sei quem. Se vi pênalti, fiz como aquele macaquinho com a mão nos olhos, porque era contra nós. E contra nós, contra o Botafogo, é quase tudo injusto e imoral.

Dá-lhe, Fogo!

Seedorf – foto Agência Estado (em espn.com.br).

A DECISÃO DA TAÇA RIO

O Fluminense quis ontem dar uma resposta ao Botafogo do sábado. Fez 4×1 contra o Volta Redonda, como a dizer que está preparado para o confronto do próximo domingo, no mesmo estádio Raulino de Oliveira, na Cidade do Aço.

No sábado à noite, aplicamos um sapeca iaiá no Resende por 5×0. O Botafogo jogou de forma tão superior, que nem mesmo a Academia Militar, que fica lá no município do adversário, conseguiria parar nosso time.

E os cinco gols foram marcados por todos os setores do time: defesa (Dória), meio-campo (Lodeiro, Felyppe Gabriel e Seedorf) e ataque (Raphael Marques). Aliás, RM pegou o mau costume de fazer um gol a cada quinze dias.

No jogo de ontem, o Pó de Arroz começou um tanto vacilante, de modo que permitiu o empate do Volta Redonda quase imediatamente após marcar seu primeiro gol. Depois o time engrenou e o Voltaço enferrujou e não jogou mais nada rigorosamente. E tanto que eu torci por ele! Mas foi o mesmo que puxar bode para dentro d’água, como dizemos lá em Carabuçu.

Se fizermos um retrospecto dos últimos jogos, o Botafogo é o franco favorito para a decisão da Taça Rio no domingo, embora em futebol isto não funcione muito bem, ainda mais quando, do outro lado, está um time do mesmo nível.

Até algumas rodadas atrás, considerava-se que o Flu tinha o melhor time do Rio. No entanto, Osvaldo de Oliveira, com auxílio do grande Seedorf em campo, parece que encontrou um jeito de o time jogar produtivamente, com poucos erros de passe, boa postura em campo e, principalmente, disposição para o ataque. Para isso também tem contribuído as soberbas apresentações do uruguaio Lodeiro e a segurança de Jéferson embaixo da meta.

No próximo domingo, a vantagem do empate que nos favorece não pode nos servir de arma apontada contra nossa própria cabeça, como ocorreu, no primeiro turno, com Flamengo e Vasco, que despachamos soberanamente, com coragem e disposição.

Agora esse facilitador da vida do Fogão não pode se transformar num instrumento de tortura. Temos de manter a pegada, a concentração no jogo e a disposição de luta.

À vitória, Botafogo!

Imagem em esporterio.blogspot.com.

O VASCO PERDEU PARA SE SALVAR

Passei boa parte da noite de ontem, após o jogo entre Botafogo e Vasco, na piscina olímpica de Volta Redonda, o Afundino de Oliveira, pensando na atitude vascaína de não se apresentar para o jogo no segundo tempo, justamente quando o tempo deu uma pequena melhorada.

Nós, botafoguenses, não gostamos de jogar embaixo de chuva, por isso o placar foi singelo: 3×0. Em tempo seco, talvez a coça fosse maior.

Mas o Vasco aplicou sua mais recente tática: a de perder agora, para não ser novamente vice.

Isto alivia um pouco o lombo do torcedor que já não aguenta mais carregar taça de vice (Há taça para vice?) e ficar sofrendo a gozação de todas as demais torcidas.

Vi, dia desses, na tevê, uma jovem torcedora do Bacalhau, com os louros cabelos desgrenhados, dizer que não suporta mais a situação e que só não troca de time, porque de time não se troca, como ocorre com marido e namorado. É coisa de caráter não mudar de time, segundo ela.

Eu até concordo. E imagino o fardo que é, por anos e anos, ser zoado em função de bons desempenhos. Afinal, chegar em segundo lugar – pelo menos, em princípio – é melhor que chegar em terceiro, quarto ou último.

Acontece que a repetição de vices é enfadonha e sem graça para o torcedor do clube, embora seja extremamente engraçada para os seus adversários.

Por isso é que, ontem, no Afundino de Oliveira, a piscina olímpica de Volta Redonda, se viu a equipe cruzmaltina liberar geral sua defesa, a começar por seu excelente (pelo menos, para os adversários) goleiro, cujo nome não declinarei aqui para não ofender meus amigos torcedores do Vasco da Gama.

O time de São Janu, assim, livra-se de ser novamente vice, tendo ainda duas oportunidades de o ser: na Taça Rio e no Campeonato Carioca.

É muita oportunidade desperdiçada, né não?

 

Torcedora do Vasco da Gama protestando (em fotos.noticias.bol.uol.com.br).

VOU-LHES CONTAR UMA NOVIDADE

Fui ao Engenhão ontem com Pedro, meu filho, e Lucas, meu sobrinho-neto, para ver a decisão entre Botafogo e Vasco.

Há algum tempo, eu iria com a convicção de que o Vasco seria vice, e de que nós ganharíamos, portanto.

Desta vez, fui um tanto desconfiado, apesar da bela partida que fizemos na semifinal contra o Urubu, em que não o deixamos jogar e detonamos sua presunção por 2×0, sem choro, nem vela, nem penas pretas.

É que o Osvaldo Oliveira teima em usar o Rafael Marques como nosso atacante referência na área. E isto desespera a torcida alvinegra!

Chegamos lá sob um calor de 47ºC. A tarde fervia. O povo bufava.

A torcida do Vasco ficou na parte do sol e torrou o tempo todo. Nós ficamos na sombra. E consumimos litros d’água durante a partida.

O Vasco entrou com a vantagem de um empate a lhe favorecer. E perdeu o título, porque fez o antijogo: retardou o mais que pode a reposição da bola em faltas, escanteios, tiros de meta, laterais e cobranças de falta, para ganhar o jogo contra o relógio; parou o adversário – nós – com faltas sucessivas, algumas a merecer punição por cartão. E, o pior, em nenhum momento mostrou verdadeira disposição de atacar. Para não dizer que estivesse acomodado, incomodou o Jéfferson umas duas vezes, no máximo, com algum perigo.

No primeiro tempo, o jogo foi, inclusive, bastante morno, em função dessa estratégia vascaína em segurar o 0x0 que lhe garantia a taça.

E foi o que continuou a fazer durante o segundo tempo, até os 35 minutos, quando Lucas acertou um chute milimétrico no canto daquele goleiro bem limitado que defende o gol do Bacalhau e cujo nome não vou dizer aqui, porque ele foi o derrotado. E como disse o chefe dos Sênones, Breno, quando subjugou Roma: ai dos vencidos!

Ainda que o árbitro desse bastante tempo de prorrogação, já não tinha o Vasco o ânimo e a disposição para vencer. Tentou e não conseguiu. Até mesmo o gol que fez foi em impedimento, e isto impediu que a velha vantagem de uma semana lhe desse a sonhada vitória na Taça Guanabara.

Por isso, conto-lhes uma velha novidade: O VASCO É VICE NOVAMENTE!

SALVE O BOTAFOGO, CAMPEÃO DA TAÇA GUANABARA 2013.

Imagem em jocapereira.wordpress.com.
Imagem em jocapereira.wordpress.com.

A DESGRAÇA DO URUBU É ACHAR QUE O CACHORRO ESTÁ MORTO

botafogo

 

O título desta postagem de hoje é autoexplicativa. Mas, como sou o editor plenipotenciário do blog, vou gastar algumas linhas para fazer aquela antiga demonstração escolar, CQD = Como queríamos demonstrar. Lembram-se?

O time do Flamengo começou o ano com a pecha de pior entre os quatro grandes do Rio de Janeiro. E parecia presa fácil para os adversários no Campeonato Carioca a se iniciar dai a pouco. O elenco do time da Gávea começou com perdas significativas – Vagner Love, por exemplo – e notícias tenebrosas sobre sua situação financeira. Tinha, assim, todas as condições ao fracasso.

Contudo o time conta com um dos melhores técnicos do país, Dorival Júnior, o que fez com que seu grupo de jogadores tivesse um padrão de jogo superior aos demais. Com isso, o Flamengo teve o melhor desempenho na fase classificatória da Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato.

Então chegou o jogo de ontem. O time, a torcida, a diretoria e a imprensa rubro-negra estavam convictos de que o Cachorro alvinegro estava morto e com o corpo exposto no monturo.

Como diz Jaguar: ledo Ivo engano!

Rafinha, que tinha falado m*rda no primeiro jogo, zombando a idade provecta do craque Seedorf, simplesmente, não entrou em campo. Se entrou, não foi encontrado. E ainda foi desarmado no ataque pelo surinamês afrodescendente, que surgiu do nada e lhe roubou a bola, como se rouba pirulito de criança.

No primeiro tempo, o execrado Osvaldo Oliveira deu um nó tático no time da Gávea, que ficou mesmo até sem saber como tomar o trem ramal Japeri. As mudanças que fez para o segundo tempo até pareciam mudar alguma coisa no panorama do jogo. Foi, então, a vez de Jéfferson e Vitinho brilharem. E Jéfferson brilhou tanto que, numa clamorosa falta de solidariedade com seu colega de profissão, que foi visitá-lo em sua meta, deu um passe de mais de sessenta metros para Gabriel que, de cabeça, deixou Vitinho à feição para fechar o caixão do Urubu.

E não adianta reclamarem de pênalti não marcado. Também tivemos um não marcado.

A desgraça do urubu… Bem, o resto vocês já sabem.

Foooogooo!

O CAMPEONATO CARIOCA COMEÇOU

O Botafogo jogou bem 45 minutos, quando fez os 3×0. Nos outros, fez para o gasto.

Faltaram o Seedorf e o Bruno Mendes, que foi substituído por outro centroavante que também não faz gol, tal qual o Raphael Marques. Faltou também o Lucas na lateral, mas não notei sua falta. Aquele tal Gilberto deu conta do recado. Mas, às vezes, é sempre assim: o cara entra substituindo o titular e faz das tripas coração apenas para atrapalhar o técnico em sua sábia e segura condução do elenco. Renato se machucou, Felyppe Gabriel se cansou mais uma vez, e não senti falta daquele zagueiro de cabelo esquisito de cujo nome nem me lembro mais. Quem é mesmo?

Também se machucou o Antônio Carlos, outra vez, e OO lançou na defesa o Defendi. Me deu uma baita preocupação de que ele fosse para o ataque. Seria para confirmar aquela velha lei do jogo que diz que melhor ataca quem se defendi. Ou vice-versa, nunca se sabe. Vai depender muito do técnico. Pelo menos, ali atrás, nós temos uma pessoa e um nome na defesa. Um jogador que vale por dois.

E me preocupei também, já que 66,6666666666666% dos nossos gols foram marcados por zagueiros. E apenas 33,33333333333% por atacante, que não é tão atacante assim, o Andrezinho.

Já o jogo do Fluminense foi praticamente uma pelada organizada, com os times uniformizados, juiz e bandeirinhas, jogado num terreno baldio, que é o verdadeiro estado do campo de jogo de São Januário.

Inclusive durante a transmissão da partida, o narrador falou sobre os comentários desairosos que jornalistas holandeses fizeram do gramado, quando da recente visita de um time daquele país ao Brasil, de que não ouvi sequer uma palavra. Para mim, não esteve aqui holandês nenhum! Porém, como não sou onisciente, é bem possível que isto tenha ocorrido em passado recentíssimo.

Esses jornalistas estão completamente desarrazoados: o país deles tem mais água que terra, tanto que é todo cercado por diques para não submergir. E também se chama Países Baixos. Eles se deviam dar por satisfeitos em ver um gramado que tem mais terra do que grama. Mas, pelo próprio nome do país, se vê que eles têm mania de grandeza: um minúsculo território cheio d’água, com o nome no plural. É muita pretensão! Aliás, aqui no Brasil, países baixos nomeia certa região da horrível anatomia masculina, que prefiro não identificar, a fim de não ser chamado de pornográfico.

O Vasco da Gama também ganhou por 3×0 e é forte candidato a vice-campeão. Até já disse isso no Facebook e arranjei confusão com amigos vascaínos. Mas é um bom sinal. Não a revolta dos meus amigos, mas a disposição dos jogadores do Bacalhau em superar as ausências do pessoal do INSS – Juninho e Felipe – que debandou em busca de clubes com cofres mais abarrotados de grana.

Já o Flamengo… Bem, o Flamengo ganhou, mas não me convenceu. Aliás, o Flamengo não me convence nunca. O pior é que, às vezes, ele faz jeito de songa-monga (Lembram-se desta palavra?) e surpreende no final: não ganha nada. Hahahaha!

Enfim, veremos quem tem mais garrafas para vender, como diriam os velhos comentaristas do nobre esporte bretão.

Pelo início, acho que estamos todos sendo um pouco iludidos por nossos times. É reflexo da volta do uso da droga que atende pelo nome de futebol, depois de mais de um mês de abstinência.

Bom campeonato para todos. Principalmente para nós botafoguenses!

Imagem em jocapoeira.wordpress.com.
Imagem em jocapoeira.wordpress.com.

PAI PRUDENÇO EXPLICA O VEXAME

Última foto obtida de Pai Prudenço (em telesvale.blogspot.com).

Bati um fio espiritual para Pai Prudenço, o assessor do blog para assuntos esotéricos, espirituais e fantasmagóricos, para falar sobre o fiasco do Botafogo diante do Bahia, tendo em vista que eu mesmo havia encomendado um quebranto forte contra o time da Boa Terra.

Pai Prudenço tinha combinado comigo sacrificar um bode preto, o mais fedorento que ele achasse, com mais alguns acessórios de muito valor mandingueiro, numa clareira virgem de uma mata idem, diante de uma cachoeira nem tanto.

Pelo trabalho, paguei não sei quanto – não vou dizer aqui, para que, depois, o leão do imposto de renda vá em cima do meu guru – e aguardei a mudança de rumo do jogo, até o apito final de Sua Excelência, que no dia de hoje não pôde ter sua genitora xingada em hipótese nenhuma. Ele esteve isento de culpa.

Segundo percebi, o time do Glorioso nem chegou a Salvador, quanto mais ao Pituaçu, para a partida deste domingo. Sequer embarcou para a Bahia. Ficou em terra, amarrado por uma mandinga muito mais forte vinda do Recôncavo e com forte cheiro de azeite de dendê. Os jogadores que pensávamos ver na tela da tevê eram apenas projeções em 3D de imagens de joguinhos virtuais, obtidas via espiritual online, por poderosos hackers pais-de-santo baianos, a soldo da equipe do Bahia.

Por isso é que, tão logo terminada a refrega (e que refrega!), entrei em contato telepático, mediúnico, ou lá o que seja, com Pai Prudenço, a fim de que ele me desse as devidas explicações para o vexame alvinegro em terras de Gabriela e Jorge Amado.

Como ele não foge à responsabilidade, começou explicando que tinha comprado o bode de – em suas palavras – “um tar minino danado de falante, espigadim, cabelim lustrado de brilhantina Glostora, que atende pela graça de Tõi Carlinho, neto do homi”.

Logo desconfiei. Ele comprou o bode do neto do ex-homem forte daquele estado – e já entrado nas esferas astrais em virtude de desencarne e que agora aparece como um fantasma da pior estirpe na novela Gabriela, incorporado em outro Tõi, desta vez o Fagundes. O “minino” é o deputado almofadinha, torcedor empedernido do Bahia, que certamente mandou preparar espiritualmente o bode a ser passado a Pai Prudenço.

Chamei-o às falas. Um homem com os costados quentes como ele não pode ser enganado feito criança de cueiro e chupeta. Como é que ele me deu uma dessas? Como caiu num logro tão grande? Ameacei-o ainda de dispensar seus serviços de assessoramento espiritual-esotérico do blog. Porém ele, com uma risadinha sarcástica, raspou a garganta e sugeriu em forma de ameaça:

– Óia que ieu faço seu timim de merda baixá ni otra dimensão, hem!

Senti em dimensão a segunda divisão e voltei atrás em minhas ponderações nada ponderadas com Pai Prudenço.

Contudo, para não deixar barato e mostrar que também tenho minhas amizades poderosas, sugeri que ele fosse se consultar com Pai Sir Zatonio de Xangô, a fim de ver se, embolando suas mandingas e quebrantos de meia-tijela, possam os dois tirar o time da pasmaceira apresentada no jogo de domingo, em que até mesmo Seedorf parecia mais perdido que cachorro caído de caminhão de mudança.

Saravá!