A CÂMARA DOS DEPUTADOS NÃO TOMA JEITO

A Câmara dos Deputados, com a não cassação do deputado preso por desvio de dinheiro público – roubo, na linguagem comum -, deu uma demonstração clara de que se lixa para a decência, a vergonha na cara e a opinião pública.

Os deputados que livraram a cara do condenado talvez tenham culpa semelhante no cartório, ou não teriam tomado a atitude que tomaram. Principalmente porque se esconderam atrás do voto secreto.

Mas, ainda bem pior do que aqueles que, secretamente, votaram pelo deputado detento, foram os que se abstiveram de votar.

Deputado e senador não têm o direito de se abster em nenhum tipo de votação. Eles foram conduzidos ao Congresso para votar – contra ou a favor – de qualquer matéria parlamentar. Eles estão lá para representar seus eleitores, que não podem votar as matérias. Os que se abstêm são piores do que os que votam contra ou a favor de qualquer matéria, porque são covardes, fracos, pusilânimes. Esses, talvez, sejam os piores representantes, porque compactuam com alguma situação, tentando tirar o corpo fora, abstendo-se de tomar uma posição.

O eleitor, ao votar nas eleições, tem o direito de se abster, votar em branco, anular o voto. O parlamentar eleito não tem esse direito.

Assim, no conjunto formado pelos que votaram pelo deputado prisioneiro, os que se abstiveram e os que faltaram, a Câmara Federal cuspiu na cara na Nação. E deu o recado contundente que não tem nada a ver com o conjunto da sociedade. O que é, sob todos os aspectos, lamentável e dá oportunidade a que as vozes do golpismo se levantem para desqualificar a atividade legislativa como uma das bases da democracia representativa.

Agora, depois da vergonha inicial, correm alguns parlamentares a tentar reverter a situação. Pode ser tarde para tirar mais essa mancha sobre o parlamento brasileiro.