ESSE CAMPEONATO BRASILEIRO ESTÁ ME DEIXANDO TONTO

Dormi no G4, de sábado para domingo, e hoje estou fora da Libertadores.

Hoje fiz um esforço danado para torcer pelo Flamengo contra o Grêmio. E outro tanto, pelo Internacional contra o Goiás. E foi tudo em vão! Foi como puxar bode pra dentro d’água, como meu querido pai sempre dizia, repetindo a sabedoria popular.

Você contar com o desempenho alheio é uma complicação. Contar com o próprio já não é tarefa fácil, quando o time é o Botafogo, que alterna ótimas atuações com partidas bisonhas, de um desinteresse só.

Aí me apeguei a São Judas Tadeu e não deu! Andei até alternando os canais da tevê para torcer por e contra os times gaúchos, já que lá no Rio Grande, durante noventa minutos fui colorado desde criancinha.

Os times vermelhos me deixaram colorados de vergonha.

Pode-se argumentar que o time carioca entrou com um misto frio, para enfrentar o vice-líder do Brasileirão, e não seria páreo para ele. Está o Flamengo guardando munição para a Copa do Brasil. Mas as coisas não funcionam muito bem assim. Uma partida de futebol é um universo temporal único, que independe muito do que venha antes ou depois dos comentários trepidantes. Você concentra o time, faz planejamento, mete a moçada num regime quase espartano, e vai lá o outro e lhe enfia alguns pepinos rede adentro. Vai-se o planejamento por água abaixo. Por isso me parece que não está nada garantido para o rubro-negro carioca, que enfrentará o rubro-negro paranaense na final da CdoB.

Mas como há coisas que só acontecem ao Botafogo, não me valeu de nada a torcida.

Aí fiquei com a segunda opção, a torcida verdadeira, essa que vai na alma de um botafoguense, que era para o time do Flamengo se lascar em vermelho e preto. E não deu outra.

Mas confesso que, assim que o Goiás fez o terceiro, voltei para o canal que transmitia Grêmio x Flamengo e vi o gol do João Paulo. Fiquei razoavelmente feliz, sem, contudo, esboçar nenhum sorriso a me comprometer.

Logo em seguida, entretanto, aquele uruguaio franzino, Maxi Rodriguez, fez o segundo dele e do Grêmio sobre o Urubu. E, já que estava na torcida – tanto para que o Flamengo vencesse, quanto para que ele perdesse –, fiquei satisfeito ao final da partida.

Meu coração torceu confortavelmente: queria ambos os resultados. Coisa difícil de acontecer em um único jogo de futebol. Mas penso que vascaínos e tricolores hão de me entender muito bem. Já meus amigos flamenguistas, a quem já peço perdão por essa infidelidade, devem estar urubus da vida. Ainda mais porque a zona está próxima e todo cuidado é pouco!

Por isso é que cheguei à conclusão de que nem mesmo a excelente tequila Herradura, que meu amigo gringo Kenneth me ofereceu sábado pelo thanksgiving, me deixou tão tonto quanto esse campeonato brasileiro me deixa.

Imagem em lancenet.com.

ESTE É O BOTAFOGO QUE EU CONHEÇO

O Botafogo anda dando mais alegria à sua torcida que palhaço em circo de cavalinho, à meninada.

Ontem foi a Santos, para jogar no alçapão da Vila Belmiro, e parecia jogar em casa. Desconheceu a torcida contra, o momento de certa ascensão da equipe praiana, apesar da derrota contra o Flamengo no jogo anterior, no Maracanã. E quebrou um tabu – coisa tão cara à crônica esportiva – de doze anos sem vitória naquele acanhado estádio, que já viu dias gloriosos de Pelé e companheiros.

Em nenhum momento, no recesso do meu lar, aboletado em meu sofá, corri risco de enfartar. Vi o jogo com calma e paciência, achando que, a qualquer momento, poderíamos fazer nossos gols.

E é de se ressaltar, mesmo que eu leve uma espinafrada do amigo Zatonio Lahud, que o Seedorf não está jogando bem há alguns jogos. Parece cansado, sofrendo o peso da idade. Mas logo agora, Seedorf, que estamos embalados em direção ao título? Aguente mais um pouco! E também livre minha cara, Zatonio, por este comentário.

Ainda assim – e também com algumas bolas perdidas por Rafael Marques pela esquerda, que motivaram contra-ataques do Santos – estivemos soberanos na partida, sem que isso se tenha mostrado de forma avassaladora.

O Santos até que tentou, mas estávamos atentos. E é melhor ser atento que tentar, já que tentar tem em si implícita a ideia de não consecução, de não realização.

E Elias, que passa boa parte da partida como um songa-monga, na hora decisiva mostrou que é oportunista e corajoso, pois até enfiou a cabeça no pé do zagueiro santista, para fazer o segundo gol.

Apesar da implicância de meu filho Pedro com Renato, desta vez ele jogou bem, fazendo, inclusive, o lançamento que resultou no nosso último gol: viu Hyuri entrando pela direita e meteu a bola com precisão, permitindo ao jovem xodó do time cruzar com perfeição para a cabeçada do Elias.

O gol santista, eu vi, mas não vou dizer quem fez. Tenho a maior má vontade com o time adversário. Tanto que, quando vejo os jogos, só reconheço nossos jogadores. Os outros são como jogadores de pebolim: todos iguais.

Fizemos os necessários três pontos, para que não deixemos que os Smurfs, como diz meu filho, se distanciem demais e entrem na floresta de que só eles, possivelmente, podem conhecer a trilha.

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ANOTAÇÕES À MARGEM DO JOGO

 

Ontem o Botafogo não jogou bem contra a Portuguesa, mas ganhou. Três pontos e a liderança do Brasileirão.

No primeiro tempo, não entramos no Canindé. Quiçá não tenhamos desembarcado em Congonhas ou no Terminal Tietê (a grana do time anda um tanto curta). Até mesmo Seedorf, sempre destaque por sua técnica refinada, não jogou nada e reclamou além da conta com os companheiros, chegando a dar um tapa no braço do Gilberto, enquanto discutia com ele.

Embora o holandês seja um jogador diferenciado – e muito rodado – não tem o direito de tratar assim um colega de clube, ainda que este seja um garoto inexperiente.

Outro que tem deixado a desejar – e já há alguns jogos – é o uruguaio Lodeiro. Sempre que ele é convocado para a seleção do seu país, volta sem reconhecer a bola. Sua saída coincidiu com a melhora do time no segundo tempo, mas não sei realmente se foi isso.

O que me parece que ocorreu foi que, com a saída de Lodeiro, Rafael Marques se deslocou para a esquerda e deu melhor seguimento às jogadas que estavam ocorrendo por ali.

Então melhoramos um pouco. Soubemos superar a desorganização do primeiro tempo e certa apatia de alguns, para construir um placar em que já não acreditava mais: 3×1. Talvez mesmo a Portuguesa, apesar de seu fraco desempenho no campeonato, não merecesse neste jogo tal placar. Porém o futebol não tem complacência, desde que não ajam forças estranhas ao jogo, e a Lusa paulista sucumbiu à melhor equipe.

Ganhamos e somos líder.

Não vemos ninguém na nossa frente!

Imagem em jocapereira.wordpress.com.
Imagem em jocapereira.wordpress.com.

BOTAFOGO NA LIDERANÇA

Não foi preciso jogar bem, para que, ontem, o Botafogo vencesse o Fluminense na Arena Pernambuco.

No primeiro clássico, após a parada para a Copa das Confederações, os jogadores pareciam um tanto sem ritmo, sem pegada. De parte a parte, e não só do Botafogo.

É bem verdade que o Fluminense entrou gerando expectativas maiores pela volta do Fred, que fez uma bela Copa. Mas não contava com a exibição soberba de Dória, ainda um jovem jogador, porém com segurança de veterano.

Não sei se estou errado, todavia observei que, sem Fellype Gabriel, nosso meio campo ficou menos criativo e as oportunidades do ataque  foram menores. Tanto ele, quanto Andrezinho, que embora nunca se tenha mostrado soberbo, podem fazer falta. E muita. Sobretudo o Felyppe, que chegava até a área para concluir.

Apesar de tudo, num jogo apenas regular, em que o domínio territoria passou de um a outro lado, o Botafogo contou com a categoria e a classe de Seedorf, realmente um jogador diferenciado.

Soube que há tricolores chorando a não marcação de um possível pênalti feito por Jéferson em não sei quem. Se vi pênalti, fiz como aquele macaquinho com a mão nos olhos, porque era contra nós. E contra nós, contra o Botafogo, é quase tudo injusto e imoral.

Dá-lhe, Fogo!

Seedorf – foto Agência Estado (em espn.com.br).