CARNAVAL 2017: ECOS, BALANÇOS E SUGESTÕES

Pensei em fazer o balanço do Carnaval carioca de 2017, mas fui furado, no sentido jornalístico do termo, pelos carros alegóricos de algumas agremiações que balançaram tanto, mas tanto, que produziram sequelas em seus foliões.

Tentando explicar o que aconteceu, mas sem conseguir, devo dizer que a violência do trânsito nacional chegou à avenida dos desfiles. Carros gigantescos, parecidos com aqueles caminhões-cegonha, empurrados no muque por um grupo esforçado de ajudantes, guias e chapas, atingem velocidades espantosas, que não os permitem frear ou desviar-se de cercas, balaústres, repórteres e foliões.

É bem verdade que, para agravar os acidentes, é preciso reconhecer que os participantes da festa, encantados com a beleza do desfile, não percebem aquele veículo descomunal vindo em sua direção. Estáticos, como que dominados por uma força superior, deixam-se esmagar contra a cerca ou ser atropelados. Outros se precipitam do alto das armações dos carros, todas feitas segundo indicação técnica do serralheiro da esquina, com o propósito de obter, nos dias subsequentes à folia momesca, o competente atestado médico, que os livre do trabalho forçado entre a Quarta-Feira de Cinzas e o desfile das campeãs.

Mas o meu amigo Zatonio Lahud Neto, em seu Blog do Barão (clique aqui para acessar) já adiantou que “o melhor acidente vai contar pontos no desfile da Sapucaí em 2018”. Na esteira de seus fundamentos, como dizem os juristas, sugeri que a soma dos pontos cirúrgicos também entre na contagem geral da apuração das agremiações e que tal quesito passe a ser o principal para o desempate.

Se assim for procedido, as GRES contratarão técnicos especializados em demolição para planejar os acidentes, que poderão ocorrer a qualquer instante do desfile, desde que observado o tempo regulamentar de apresentação. Apenas será proibido o uso de material explosivo, já que sua utilização pode dilacerar os corpos, de modo a não permitir as suturas pontuais. Isto abrirá mais uma frente de trabalho no país, tão necessitado de baixar o índice de desempregados.

A LIESA, preocupada em fazer sua parte, poderá contratar uma UTI móvel, que fará a costura nos acidentados e registrará a quantidade de pontos cirúrgicos em cada folião. Dois médicos especialistas assinarão o laudo, de modo a se prevenirem possíveis fraudes.

E a Quarta-Feira de Cinzas, dia da apuração do desfile, passará a ser conhecida como a Quarta-Feira das Suturas.

Se a sugestão do amigo Zatonio e este meu adendo aqui não forem acolhidos pela direção da LIESA e o próximo Carnaval se transcorrer do mesmo jeito esquisito deste de agora, seria de bom alvitre, para continuar no linguajar juridiquês, que se destaque um batalhão da Polícia Rodoviária Federal para fiscalizar os carros alegóricos. Ou se construam quebra-molas ao longo da avenida. Do jeito que está, ano que vem será uma carnificina na avenida, pois a grandiosidade da festa assim exige.

 

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Imagem em desjuridicando.wordpress.com.

 

MOMO ESTÁ ME CHAMANDO

Momo já começou a sacolejar as suas banhas e está piscando o olho para mim. Ponho-me um tanto arredio no meu canto, sem muita disposição, mas, pelo que ando vendo, as mulheres turbinadas, siliconadas e/ou malhadas, mais uma vez, se dispõem a alterar meu batimento cardíaco, minha pressão arterial e as minhas taxas de colesterol, glicose e triglicerídeos. Assim como minha conta bancária!

Leio nas folhas que o famigerado curral do carnaval baiano, em que quem paga fica, quem não paga dá linha na pipa e vai para a pipoca, se instalou no carnaval do Rio de Janeiro.

O prefeito da cidade, Eduardo Paes, resolveu, desde o ano passado, organizar um pouco a balbúrdia da folia e estabeleceu cadastramento obrigatório para todos os que quiserem desfilar pelas ruas em grupo. Tem alvará, sai; não tem, não sai!

Então, alguns espertos empresários da festa momesca se adiantaram e trouxeram essa velha novidade baiana para nossos desfiles de blocos: o curral de cordas, onde vai quem já pagou. Os demais ficam de fora.

Estou prevendo um tempo em que, além do abadá, do cordão de isolamento e do banheiro químico desfilante, eles passarão a vender headphones individuais, para permitir apenas aos pagantes ouvir o estridente som que grassa durante os dias de carnaval. Talvez aí a folia fique realmente bem organizada. E lá não porei meus pés. Já os pus muito na época da desorganização e achei tudo bem esculhambado mesmo. Tudo bem brasileiro, baiano e carioca.

Pelo que não gosto de carnaval, já brinquei demais, já sofri demais, já fiz o que quase ninguém faz. Já vi o pré-carnaval do Recife no Pátio de São Pedro, já fui à abertura do carnaval em Maceió, já vi desfile de campeãs, de grupo de acesso, de primeiro grupo, do Simpatia é Quase Amor, do Bloco da Segunda, do Cordão do Boitatá, do Cacique de Ramos, do Bafo da Onça, de Grandes Sociedades (Alguém aí sabe o que é isso?), do Bloco do Boi, dos Filhos da Pauta e de inúmeros outros bailes carnavalescos a que compareci, porque, como digo com frequência, sou casado com comunhão de carnavais.

Durante este tríduo momesco, se o dileto leitor que, por bobeira, passar aqui pelo blog e não me encontrar com textos atualizados, pode ter certeza de que fui atrás de algum trio elétrico, com minha mulher. Pois, nesses casos, só não vai quem já morreu.

Bom carnaval a todos!

 

Imagem em virtualiaomanifesto.blogspot.com.

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PS: Também já fiz algum retiro espiritual, enquanto o pau quebrava nas ruas.