UM TREM DE CARGA PASSOU SOBRE MEU TIME

Fui ontem ao Maracanã e saí com a sensação de que um trem de carga tenha passado sobre meu time. Na ida e na volta.

O Botafogo não jogou absolutamente nada. Mas o Flamengo não estava nem aí para isso. Tirou nosso time para dançar e a dama não se fez presente. Aí deu no que deu. Foi o baile de um só parceiro.

Mas como sou um torcedor com certo nível de paixão e algum outro de razão, assim que Hernane, o maldito, fez o terceiro de cabeça, eu e meus amigos Zatonio, Silvia e Zé Sérgio houvemos por bem abandonar o local da carnificina, para que não respingasse sangue em nossas camisas.

Dentro de campo, um time apático de um lado e, do outro, um time decidido a ganhar a final do campeonato.

Há resultados em que a paixão não tem de dar pitaco. 4×0 é um deles. É um chocolate, um vareio, um sapeca-iaiá. Injustificável mesmo para um apaixonado. É o equivalente ao batom na cueca, na relação amorosa.

O time do Flamengo – e todos sabem disso, até o mais empedernido flamenguista – não é lá essas coisas tecnicamente. Contudo o que lhe possa faltar nesse aspecto sobra em garra e determinação. O que não ocorreu com o time do Botafogo, que, segundo alguns, é a cara de sensaboria do seu técnico OdeO. Em que pese o piripaque cardíaco de uns dias atrás, quando parecia demonstrar algum sentimento mais profundo pela profissão.

Fiquei até imaginando, ao ouvir do lado de fora do Maraca o urro da torcida pelo quarto gol – sem meu testemunho ocular –, que o Osvaldinho estivesse sendo carregado numa maca, um desfibrilador já entrando em ação, diante da vergonha apresentada por seu time.

O Flamengo nos deu um passeio, mas o melhor de tudo é que a vida continua a mesma. Apesar de um desgraçado gosto de cabo de guarda-chuva na boca.

É bom que se reconheça, para o bem do esporte, o triunfo alheio por seus próprios méritos. Parabéns, flamenguistas!

f50f0-reproducao-noturna-mostra-como-deve-ficar-a-iluminacao-do-maracana-size-598

GALO SEM MACARRÃO

Ontem, no novo Maracanã, o Botafogo recebeu o Galo em banho-maria. Tanto que o time mineiro pensou que o Fogão estivesse sem gás, apagado, bicos entupidos. E chegou cheio de cocoricós pelas costas, tanto que abriu o placar lá pelos não sei que minutos (não presto muita atenção a gol alheio).

E se achou, de Galo, um Pavão (Aliás, por falar nisso, soube que a Gaviões da Fiel vai passar a ser Pavões da Fiel, com preconceito e incorreção política e tudo! Hahaha!.)

Então Ronaldinho Gaúcho se achou a Maria Antonieta de cabelos presos, um pouco antes da Queda da Bastilha. Dizem, inclusive, que falaram para o técnico do Atlético que o jogo estava encaminhado para uma vitória deles lá e suas negas. Ao que, também soube, ele teria dito: Então que comam pão de queijo.

Na verdade, Ronaldinho jogou muito bem, devo reconhecer. Mas não quero. Não devo. Ronaldinho não joga nada contra o Botafogo.

Mas quem acabou comendo o pão que o Vitinho amassou foi o Galo, que desafinou e perdeu o rumo de casa.

Metemos-lhe quatro balaços pela crista e acabamos com o cozimento nos quatro bicos do Fogão em funcionamento. Só faltou o macarrão, pois estamos de regime e o doutor recomendou que não consumíssemos muita massa.

e7537-botafogo