BRASIL X CHILE E O TRAVESSÃO

O jogo de ontem entre Brasil e Chile, pela Copa do Mundo, mostrou algumas coisas, segundo minha mais alta convicção.

Primeiro que não jogamos bem, sobretudo no segundo tempo da partida. Como, aliás, temos feito neste mundial, exceção, talvez, apenas ao jogo contra Camarões. Isto está sendo o prenúncio de algo mais interessante para nossa Seleção. Na Copa da Espanha, por exemplo, jogamos pra caramba e não ganhamos pô… nenhuma. E tínhamos uma equipe que alguns consideram até melhor do que as que ganharam alguma coisa. Eu, particularmente, não concordo.

Em segundo lugar, a equipe do Chile chegou aqui com a empáfia argentina, mas sem o seu futebol mais competitivo. E os deuses do futebol resolveram dar uma lição aos chilenos: antes, joguem mais, para que la suerte também esteja do seu lado. Ou o amigo não considera as bolas na trave milagres em favor do Brasil? Claro que foram. Isto entra na conta daquela velha premissa de Nelson Rodrigues: até para se atravessar uma rua, a pessoa tem de ter sorte. Era seu pressuposto para analisar vários lances de partidas em suas páginas memoráveis. Por isso é que tenho a convicção de que os deuses do futebol resolveram dar uma lição à seleção chilena. Quem é ela para chegar na casa da seleção mais vitoriosa da competição e achar que estava entrando pela porta da cozinha, cheia de intimidades, cheia de nós pelas costas?

Bem feito para os chilenos! E menos mal para nós, que tivemos a ventura de ter Júlio César de volta aos bons tempos, com defesas milagrosas, e a sorte de, na nossa meta, haver uma trave e um travessão, nossos 12° e 13° jogadores.

 

Imagem em crc22junhoamor.blogspot.com.

SOCORRO, CADÊ O FUTEBOL?¹

Cada vez mais me convenço de que futebol é propriamente um tipo de estupefaciente – tal como cachaça, por exemplo, só que não deixa bafo e não é flagrado na Lei Seca.

Há quantos dias não temos a bola rolando no tapete verde, Brasil afora? Há quantos meses, senhor Deus da bola, o Botafogo não dá um pontapé na redonda, mesmo que seja para a linha de fundo? Tenho a impressão de que uma infinidade, um tempo astronômico sem fim. Ontem, no entanto, vi uma postagem do meu amigo Zatonio Lahud, no Facebook, com um vídeo em que se homenageia o Glorioso. Se lhes disser que uma furtiva lágrima, como diriam os poetas, assomou à porta dos meus olhos, não estaria fazendo versos. Ou, em minhas palavras: minou água nos meus olhos. Sou dado a isso, devo confessar. O próprio Botafogo já me produziu algumas lágrimas furtivas, alguns gotejamentos, ao longo da vida. Sempre, no entanto, de felicidades, pois, quando a derrota nos sufoca a garganta, o que vem é uma raiva danada. Assim só chorei – vá lá! – de alegrias alvinegras.

No entanto, contudo, entretanto, com o desfolhar do calendário, sinto incômodo por passar tantos dias sem ver futebol. Ao vivo, é bem verdade. Repeteco só presta se for de gols do meu time. O resto – todas as projeções, lucubrações, teorias e hipóteses – não me faz a mínima coceira. Ando até achando um tanto chato. Ontem também no Canal Brasil vi uma mesa redonda apenas por cinco minutos e julguei tudo uma grande bobagem, principalmente quando começaram a tecer conjecturas sobre os problemas de Felipão com a Seleção. Problemas ele terá se não conseguir ganhar em casa!

Mas também a Seleção não me dá arrepios, rictos, tremores ou frenesi quanto o Botafogo. Se o Brasil ganhar, bom! Se não ganhar, também estará bom. Certamente ganhará outro. Só com o Botafogo é que não admito isso, embora esteja cansado de engolir sapos. Mas isto também faz parte deste desvio de conduta que é torcer pelo alvinegro de General Severiano.

Estou pronto para o primeiro pontapé do Cariocão. E não venham me dizer que tal campeonato não vale nada. Quando intenso, até jogo de porrinha dá onda.

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CHEGUEI E ACHEI TUDO NA MESMA

Há uma anedota que diz que certa pessoa passou dez anos sem ir a Paris e, assim que voltou, constatou que a cidade não havia mudado em nada, estava na mesma. E isto a fez exclamar: Graças a Deus, Paris não mudou!

Estive por dez dias fora do país. Fiquei praticamente sem saber de notícias daqui. Quando voltei, também encontrei quase tudo na mesma: na mesma esculhambação, na mesma confusão, na mesma improvisação de sempre.

Saí depois da Copa das Confederações e voltei em meio à Jornada Mundial da Juventude, e o que me pareceu, logo de saída, pelas notícias, é que o Rio de Janeiro – não sei de outras cidades – não tem capacidade de receber um número muito grande de visitantes de uma única vez. Os transportes públicos não atendem bem nem os moradores daqui, imaginem se atenderão mais milhares de usuários. Nossa improvisação, nas mais diversas situações, não funciona quando o bicho pega, quando o pau quebra, quando a cobra fuma. Aí não é possível dar um jeitinho.

Como dar um jeitinho à saída de um milhão e meio de pessoas de uma concentração em Copacabana? No réveillon esse troço funciona? Não sei!

Devo confessar que, no último réveillon a que fui, as regras eram outras. Cheguei cedo, estacionei o carro numa garagem, fui para a casa de um amigo, depois à praia e, assim que o trânsito foi liberado, voltei a casa. Não precisei do transporte público. Mas quem o utiliza deve passar seus apertos. É que nossa administração pública não existe para facilitar nossas vidas. Antes existe, para tirar nosso dinheiro em forma de impostos e, posteriormente, nos pedir compreensão, sacrifícios e abnegação.

E, se nossas autoridades não dão atenção a quem lhes dá a grana diretamente, também não dará a quem vem aqui esporadicamente para atrapalhar ainda mais a vida na cidade.

Vi, por exemplo, um jovem carioca falando da vergonha que sentia pela falta de transporte ao final de um dos eventos da JMJ. Ele se fazia acompanhar por vários visitantes e não tinha como lhes explicar o fato. Impotente, só podia sentir vergonha.

Não sei onde vi, mas parece que o abestado do Joseph Blatter, presidente da suspeita multinacional FIFA, já estava arrependido de ter escolhido o Brasil como sede da próxima Copa do Mundo. Bem feito! Quem mandou entrar no esquema? Agora tem de aguentar! Na época, em 2014, veremos o que se pode fazer. E, como agora, as autoridades vão lamentar o ocorrido e prometer providências para que tal não se repita. Como vêm dizendo há anos, diante das mais diversas situações.

Nossas autoridades não administram, não previnem situações, não resolvem problemas. Quando esses se manifestam, de forma contundente, elas vão a público lamentar o corrido e prometer ações preventivas num futuro que nem Deus sabe se virá.

E dizer, com um tom humorístico de muito mau humor, como o fez o prefeito Eduardo Paes, que o Papa provoca engarrafamento. Como se isso fosse uma grande novidade: a visita de uma pessoa com sua estatura pessoal e religiosa. O prefeito do Rio de Janeiro não soube disso antecipadamente. Ele é um abestado!

Eh, Brasilzão lascado, sô!

Imagem em geogente.wordpress.com.