ACERCA DA PRISÃO DE EIKE BATISTA

Finalmente o senhor Eike Batista foi preso preventivamente, por conta de inúmeras suspeitas com seus negócios.

Na verdade, ele já deveria ter sido trancafiado no xadrez desde quando conquistou, sabe-se lá com que argumento$, a Luma de Oliveira no auge de sua exuberância. Ali ele já se tornou réu!

Mas, enfim, após mais uma fase da operação Lava-Jato (Só não apoio integralmente esta operação pela falta da preposição a.), que apura a corrupção no Estado do Rio de Janeiro, Eike foi convidado a se recolher a um dos lugares a que não pretendia ir nessa sua vida de luxo e fraude: uma aprazível cela de um presídio elegante no ameno bairro de Bangu.

É claro que, quando ele se escafedeu para os Estados Unidos dois dias antes da deflagração da operação, ficou evidente que alguém o havia alertado de que a jiripoca ia piar, a cobra ia fumar, a coisa ia catingar chamusco. Contudo, talvez aconselhado por seu advogado, resolveu reconsiderar a fuga, que transformou em viagem de negócios, e voltou à terra.

Ainda no aeroporto de Nova Iorque declarou apoio ao trabalho que se tem feito para passar o país a limpo e disse, candidamente, que voltava como um bom cidadão, a fim de prestar conta de seus feitos e malfeitos. Não chegou a dizer, ao ser perguntado, se tinha agido de forma ilegal. Entretanto, pelo olhar desviado para o lado, no instante da pergunta, confessou tacitamente. E, por sua “conduta cidadã”, espera-se que vá soltar a língua, dar com a língua nos dentes, botar a boca no trombone, trombetear aos quatro ventos tudo aquilo que sabe, a fim de não pegar uma cana mais dura.

E deve ter muita coisa a dizer.

Há alguns anos, o governo federal, via BNDES, resolveu transformar o senhor Eike Batista no maior milionário do planeta, certamente com a intenção de mostrar ao mundo a pujança da economia nacional. E soltou a grana que pertence aos trabalhadores, a juros subsidiados, para erguer o edifício mítico de Eike Batista, que como um Midas ao revés começou a transformar em lama todo o empreendimento grandioso em que se meteu.

Fazer isso com o dinheiro alheio é o que mais tem acontecido no Brasil.

Hoje o senhor Eike Batista, réu desde a conquista da Luma de Oliveira, foi conduzido ao xilindró, e a primeira providência da polícia foi remover aquela perucazinha ridícula que ele portava sobre sua cabeçorra desavergonhada.

Tenho a impressão de que também ela foi adquirida com recursos do BNDES, que deve ser ressarcido dos prejuízos que sofreu com os negóciox das empresax do senhor Eike Batista.

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Imagem em craqueneto10.com.br

CABRAL VAI CUIDAR DE CABRAS

Por inúmeras vezes, em conversas com amigos, ou com o umbigo encostado ao balcão do Botequim Chalé, bem aqui ao pé de casa, ouvi dos interlocutores a estranheza de que, diante da gigantesca crise por que passa o Estado do Rio de Janeiro, até então um dos mais ricos da Federação, a imprensa não tocasse no nome do ex-governador Sérgio Cabral. E não podia discordar de nenhum deles. Eu mesmo já me havia manifestado assim com os amigos.

Era inimaginável que esse desastre em todos os campos da administração pública fosse produto apenas da virada do calendário. Virou a folhinha de um mês para o outro, abriu-se um gigantesco buraco em que o estado foi tragado. Parecia que a crise fosse de geração espontânea e não resultado de sucessivas ações inábeis, imorais e criminosas, até que o caos se tornasse o horizonte dos fluminenses.

Mas hoje fui acordado por minha mulher, que tem o péssimo hábito de pular da cama mal raiado o dia, aos gritos de “Cabral foi preso!”, “Acorde para ver a notícia!”. A contragosto, depois de ainda tentar ouvir pelo radinho de cabeceira as notícias recentes, me levantei, escovei os dentes, lavei o rosto e fui para a frente da tevê saborear as imagens da prisão do ex-governador. E posso lhes dizer que senti um misto de vergonha e prazer. Vergonha por assistir à cena tão lamentável: a maior autoridade pública por dois períodos ser retirada da cama pela Polícia Federal, a mando de dois juízes criminais. E prazer por constatar que as coisas, enfim, parecem mudar no país.

É bem verdade que todas essas ratazanas do dinheiro público estão caindo na ratoeira do MP, da PF e do Judiciário, porque seus cúmplices nas falcatruas resolveram dar o serviço, a fim de aliviar as chamadas “penas da lei”. É um sem mérito dedurando outro desmerecido. O roto falando do esfarrapado. Quadrilha que se esfacela à primeira porretada da lei, na linha daquele velho princípio do “cada um por si, e Deus por todos”. Se é que Deus esteja disposto a intervir nesses escabrosos casos.

E ontem mesmo foi outro ex-governador, Garotinho, por outras razões, mas também pela mesma falta de ética na condução da política. Se pesquisarem bem, acharão dele outros tantos delitos, pois não é de hoje que ele vem manipulando os fios obscuros da política fluminense.

Como está na moda dizer, eu não tenho corrupto favorito. Por mim, podem meter a ferros todos eles, da Esquerda à Direita; revolucionários ou conservadores; crentes ou ateus; gays ou héteros; homens ou mulheres; brancos ou negros; ricos ou pobres; principiantes ou velhas raposas da nossa cena política. O que não podemos é continuar a ter os serviços públicos que temos, porque a cobiça dos que exercem o múnus público estão de olho é no dinheiro que a todos nós pertence.

Ferro neles! Sem dó, nem piedade!

Cabral agora vai dar milho a bode. E Garotinho vai ver o sol nascer quadrado.

É o que todos desejamos!

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Cabra presa

NOTAS ESPARSAS

Desenho de Diogo, em blogs.estadao.com.br.

1. O MILAGRE DO MALUF

Maluf é um homem extraordinário!

Alçado à política durante a ditadura militar, a qual apoiou sempre e dela se nutriu, passou o tempo todo sendo alvo de denúncias diversas, sobretudo quanto à lisura no trato com o dinheiro público. No Brasil, passa incólume por polícia, ministério público e justiça. Nem mesmo o grito de “pega ladrão!” o incomoda. É um homem honrado.

Contudo, há cerca de três anos, não pode pôr os pés fora de seu querido país, pois tem mandado de prisão da Interpol, a polícia internacional que caça todo tipo de criminoso que circula por aí. Agora, para acrescentar mais uma cereja a seu bolo de merda, a justiça das Ilhas Jersey o condenou a devolver dez milhões de dólares que mantém em bancos daquele paraíso fiscal, porque chegou à conclusão de que tal soma foi obtida por corrupção, em desvio dos cofres públicos.

A justiça das Ilhas Jersey é mais ciosa com o erário brasileiro, que a justiça tupiniquim.

Vejam, então, o poder do Maluf: conseguiu fazer funcionar a justiça de um minúsculo país a milhares de quilômetros daqui. Só que deu azar: funcionou contra ele mesmo.

2. ALKIMIN E OS PROBLEMAS ALHEIOS

Alckimin, aquele governador tipo gelatina sem sabor, está chateado com a campanha contra São Paulo, armada pela mídia, que vive divulgando a carnificina que ocorre, sobretudo, na Grande São Paulo. Segundo ele, o número de ocorrências está dentro do aceitável, já que na área metropolitana, onde moram 22 milhões de pessoas, isto é perfeitamente previsível.

Acho que o Alckimin ficou doido. Quer transferir para os meios de comunicação os problemas da cidade e do estado, fingindo que a normalidade reina em terras da garoa.

3. O MINISTRO PERIGA MORRER

O Ministro da Justiça deste nosso estranho país periga morrer. Declarou, dias atrás, que prefere a morte a ir para uma prisão brasileira.

Isto, no entanto, só foi declarado depois que políticos de expressão começaram a ser condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

As notícias sobre as péssimas condições dos presídios, de norte a sul, de leste a oeste, vêm de longe. Os governos se sucedem e empurram com a barriga as possíveis melhorias do sistema carcerário, mas nada fazem. Este ano, mesmo, da dotação orçamentária de cerca de 270 milhões de reais para o setor, apenas se aplicou 1%. É isto mesmo que você leu – não me enganei na digitação: um por cento.

Agora, vendo colegas políticos sendo condenados às grades, foi a público manifestar seu horror mortal às prisões.

Não quero chegar à postura de alguns que dizem que, se alguém não quiser sofrer o pão que o diabo amassou em nossas prisões, não cometa crime. Porém é de se pensar que, além da pena, sempre abrandada por uma série de benefícios da legislação, o condenado sofre com as condições de cumpri-la.

4. PREFEITURA DÁ O TROCO

Em Miracema-RJ, o prefeito atual, Ivany Samel, PMDB, apostou todas as suas fichas na reeleição. Estava seguro de que se reelegeria com os pés nas costas. Perdeu fragorosamente para o candidato do 22, Joedyr, que foi seu antigo colega na administração municipal há alguns anos.

Segundo as bocas de Matilde, sua derrota é atribuída à traição de Paraíso do Tobias, um dos distritos do município, e do Morro do Cruzeiro, onde mora a população mais carente.

Agora, as mesmas bocas andam dizendo que as pessoas que se dirigem à Secretaria Municipal de Saúde para retirar remédios gratuitamente são recebidas com a seguinte frase do funcionário:

– Vai pedir ao 22.

E o cidadão volta com cara de tacho para casa, mesmo que tenha votado no perdedor.

A retaliação está sendo feita contra todos indistintamente, que é, mais ou menos, como prevê o regime democrático: sem benesses para os apaniguados.

Tenho receio de que os que necessitam de fraldas geriátricas recebam pelas platibandas:

– Vá cagar no mato!

REFLEXÕES CARTESIANO-ACHÍSTICAS ACERCA DA VIDA

1. INVEJA/INVEJOSOS: Pressupor que a inveja incomode mais o invejoso do que o invejado é um grande equívoco. Este, o invejado, passa parte de sua vida envolvido em mandingas, rezas, fechamentos de corpo, descarregos, banhos de proteção, uso de arruda atrás da orelha, espada-de-são-jorge e comigo-ninguém-pode na porta de casa. Já o invejoso apenas exerce seu direito à inveja. E quem quiser é que se proteja!

2. ECONOMISTAS/PROFETAS: Economistas e profetas exercem profissões semelhantes: fazem prospecção de futuro negro para os povos. Os profetas ainda podem anunciar alguma salvação à frente, como ocorreu no Velho Testamento. Contudo os economistas modernos só apontam um horizonte de desgraças. E nisto, fundamentalmente, eles acabam por não se parecer tanto quanto parece (Uma incongruência, pois não?). Embora eu, particularmente, não acredite em nenhum dos dois.

3. UNHAS/UNHEIROS: Tenho visto crescer, nestes últimos tempos, um afeto quase exagerado por parte das mulheres por suas unhas e pelas unhas mais bem pintadas de suas desafetas, isto é, as outras mulheres. O que causa sérios problemas psicológicos femininos. Proliferam na Internet sites, blogs e postagens a respeito do sem-número de invenções modernas, para tornar as unhas mais importantes que os dedos, de tal forma exageradas tais invenções que vão acabar produzindo uma epidemia de unheiro. Depois não digam que não avisei.

4. CORRUPTOS/CONSCIÊNCIA: Há uma crença popular generalizada, criada pela elite corrupta e imposta ao povo como amortecedores eletrônicos, de que o pobre e/ou o honesto deitam a cabeça à noite em seu travesseiro e dormem o sono dos anjos, dos justos e dos inocentes. Já os safados, os corruptos e os larápios de toda gama – diz esta mesma crença – não têm sossego nem na hora do sono. E mais: não teriam coragem de olhar nos olhos dos filhos. Grande mentira! Os honestos é que não dormem tranquilos. Os safados têm a consciência petrificada e estão-se lixando para o que os outros pensem. E olham nos olhos do filho como canalhas que são, capazes até de inocular nos miúdos o veneno de sua canalhice. Ou não seriam canalhas. Se tivessem um pouquinho de consciência ética, seriam honestos.

5. MAR/MARINHEIRO: Diz o grande samba que “quem é do mar não enjoa/ não enjoa / chuva miúda é garoa / é garoa” e por aí afora. Não sou do mar, portanto, não sou marinheiro. E posso muito bem estar sentindo certa náusea com o andamento do julgamento do processo do Mensalão. Estou mareado com a ideia de que, ao final, ninguém pagará por nada. Desde o ínclito Zé Dirceu, até o último denunciado: todos inocentes. A não ser que não acreditemos em seus advogados, regiamente pagos, para produzirem um discurso bem alinhavado. Por isso tudo é que periga, ao fim do processo, eu acabar botando os bofes para fora.

6. LADY GAGA/MADONA: Não sei qual é uma, qual é outra. Embora ache as duas um tanto teteias. De Madona tenho guardada a sete chaves a revista em que mostrou ao mundo a abundância de seus pelos pubianos em fotos P&B, no auge da sua juventude, antes mesmo de ser a diva do pop. Dessa eu me lembro bem. Porém quando vejo Lady Gaga cantando – acho que porque estou ficando gagá – me confundo e acho que seja Madona. Aí, ao aparecer Madona, acho que é Lady Gaga. Por isso é que sempre presto muita atenção à performance erótico-musical de ambas. Estou aposentado, sem fazer nada mesmo, não me custa ficar olhando.

Lady Gaga, com o peito caído da Madona (en.wikipedia.org).