ELEIÇÕES: DEU NO JORNAL

E,na Gávea, os urubus passeiam a tarde inteira entre as urnas*(Imagem em piscofisicabiologiz.nip.net.).

1. DEU NO JORNAL que Patrícia Amorim está aborrecida por não ter sido reeleita vereadora à Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Não sei se rio, se choro ou se Niterói.

Bem feito para Patrícia Amorim. Em vez de trabalhar pela cidade, foi destrabalhar pelo rubro-negro da Gávea e acabou vendo urubus no ar.

E nada mais agourento que ver urubus pairando no ar. É sinal de que há coisa putrefata embaixo.

E podem ter certeza de que foram os torcedores do Flamengo que não votaram nela nestas eleições. Os poucos votos que ela teve, certamente, foram de eleitores rivais do Pó de Arroz, do Bacalhau e do Glorioso, que gostam tanto da dupla jornada de destrabalho, que queriam vê-la continuando a fazer das suas nas duas frentes. Ou nas duas rabeiras, sei lá – é só olhar a posição do clube na tabela do Brasileirão!

Chora não, Patrícia! Dias melhor verão! E Pereiras, Oliveiras, Ferreiras, Machados e por aí afora.

2. DEU NO JORNAL a derrota, em Niterói, também para a Câmara Municipal, do candidato e ex-prefeito Godofredo Pinto.

O coitado ficou numa posição vexatória (52º lugar da lista) para quem fez propaganda dizendo de todas as benfeitorias produzidas por sua desadministração na cidade. Quando vi a tal propaganda, confesso que cheguei a ficar impressionado com o montante de trabalhado desenvolvido. Olha que vivo nesta cidade há décadas e não percebi nada. Também eleitor com má vontade é pior que burro empacado. Quando não quer uma coisa (ver as magníficas realizações de sua gestão), não põe o votinho lá na urna eletrônica.

E o ex-prefeito deve estar muito constrangido com a situação.

Por isso é que não me candidato nem a síndico do prédio onde moro. Ficaria com vergonha dos votos que não ganhasse. Logo eu que sou tão espetacular, como qualquer candidato a cargo público.

3. NÃO DEU NO JORNAL, mas deveria ter dado, que o balão apagado que caiu nas imediações de Aricanduva, na Zona Leste de São Paulo, atende pelo nome de Celso Russomano, o inocente.

Os eleitores que correram atrás dos destroços, na tentativa de resgatá-lo, só encontraram cinzas e nada mais.

Em compensação, em Curitiba, periga que os eleitores coloquem na prefeitura um ratinho. Depois não venham reclamar comigo que o prefeito rouba. Eles é que são os responsáveis por isso. Quando o candidato tem nome respeitável, já é um problemão, imaginem quando já vem com nome de ratinho!

Depois não digam que não avisei.

Até o segundo turno!

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*Vergonhosamente plagiado de Alegria, alegria, de Caetano Veloso.

COM ELEIÇÃO, O BURACO É MAIS EMBAIXO

Quem votou votou; quem não votou não vota mais. Esta frase está totalmente errada, se aplicada a diversas cidades do país, como Niterói e São Paulo, por exemplo.

Fui lá, cumpri meu dever cívico e meu direito de abestado, e o que é que deu? Terei de voltar daqui mais uns dias para repetir o voto. Para aprender a votar. Dizem por aí que é para aperfeiçoar o processo de escolha. Como dizia uma colega de trabalho: possa ser, possa ser!

Porque eleição é assim mesmo: você pensa que vai lá e pam! Mas foi lá e pum! Não deu certo da primeira vez. É mais ou menos como a NASA lançar foguete: há determinados foguetes que se recusam a subir e explodem um pouco depois da largada, o que obriga a agência recomeçar tudo outra vez.

Mas eleição é uma boa ocasião para a gente não fazer nada. E, melhor ainda, é acordar mais cedo e correr para a sessão eleitoral, votar, sair de cabeça erguida, para dizer àquele monte de cabo eleitoral fazendo boca de urna: já votei, já votei. E vê-los recolher o braço estendido com os inúteis santinhos de seus candidatos. Agora Inês é morta, mané!

Então depois você sai com a consciência pesada por ter votado em alguém que, daí a algum tempo, poderá aprontar das suas e, consequentemente, responder a CPIs, a processos judiciais. É que todos são muito bonzinhos antes da eleição, mas depois a maioria se revela… Bem, deixa pra lá!

Mas eu lhe pergunto, caro leitor: e haverá outra saída civilizada para qualquer país que não seja através da participação nas eleições?

Por isso, voltemos lá e votemos novamente.

Até que aprendamos a eleger pessoas com um pouco mais de responsabilidade e vergonha na cara. Pois, no fundo, no fundo, nem todos somos iguais. E político deve ser assim também: haverá os que se salvam.

Para terminar, só uma observação: e o Russomano em São Paulo? Despencou como um balão apagado. Fez lembrar certa candidata ao governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1982, Sandra Cavalcanti, do PTB de Ivete Vargas. Antes da eleição, desfilava como a futura governadora, baseada nas pesquisas eleitorais. Brizola entrou no páreo e a derrotou, e também a Lysâneas Maciel (PT), Miro Teixeira (PMDB) e Moreira Franco (PDS).

É que, com eleição, o buraco é mais embaixo!

 

Imagem em meninosdecumbica.blogspot.com.

AS ELEIÇÕES ESTÃO COM AS BOCAS ABERTAS

Por mais que odiemos política (muitos dizem isto), por mais que digamos que não nos interessamos por ela (outros tantos assim afirmam), a política está aí, batendo à nossa porta, com a boca escancarada, no período de campanha eleitoral, ansiando por nosso voto. E, após as eleições, a política continuará a comandar o país, com seus membros fazendo muito mais do que sonha a nossa santa e vã inocência ou omissão.

Neste momento, estamos cercados pelos sete lados, como palpite de jogo de bicho: no rádio e na tevê, estão lá as campanhas de diversos candidatos; no Facebook, então, proliferam postagens para os mais diversos pretendentes; na rua, a cada passo, somos acossados por cabos eleitorais e candidatos.

Certa manhã, fui à Igreja Nossa Senhora das Dores, no bairro do Ingá, para o batizado de minhas sobrinhas-netas Alice e Helena. Cheguei um pouco antes do término da missa das dez horas. E não é que apareceu um cabo eleitoral, no justo momento em que os fiéis saíam, para oferecer o impresso – santinho – com a cara estanhada do seu candidato. Vi muita cara feia, alguns reclamavam daquela atitude, que julgavam abusada. Porém outros tantos pegavam a propaganda indiferentes.

Não nos adianta só odiar os políticos. Reclamar deles. Classificá-los com palavras duras e sujas, ainda que o mereçam. Cumpre-nos votar com consciência. Até o limite do menos pior, do menos ruim, se for o caso.

O que não acho conveniente, se o sistema é assim, é que não votemos. Caso contrário, não teremos o direito de reclamar, de cobrar. E, depois, qualquer ato que os políticos tomem cairá sobre todos indistintamente. Para o bem e para o mal.

Porque a política está com a boca aberta para nos engolir. É preciso, assim, não escolher jacarés com a bocarra exagerada.

E fora da democracia – ou o seu simulacro – é tudo muito pior!

Imagem em antonioviana.com.br.

 

ECOS DA CAMPANHA ELEITORAL

1. Como já havia comentado, a partir de pertinente observação de minha mulher, o candidato à prefeitura de Niterói Rodrigo Neves, do PT, em combate à candidatura de Felipe Peixoto, do PDT, associa-o à administração Jorge Roberto, que se mostrou muito impopular, a partir do trágico episódio do Morro do Bumba.

A se seguir este argumento, os que também não gostaram de Godofredo Pinto, ex-prefeito do PT, que passou com uma pífia administração da cidade, também não devem votar em Rodrigo Neves.

Assim se segue o princípio de pau que dá em Chico dá em Francisco.

Pois este é agora o mote do desesperado Sérgio Sveiter, que está ameaçado, mais uma vez, de ficar olhando os catamarãs saírem do cais da Praça Arariboia.

Pelo menos, ele lançou mão do expediente: Se você ficou satisfeito com o Godofredo, vote em Rodrigo; se está com Jorge, vote em Felipe. Caso contrário, ele se apresenta como o candidato da mudança.

No entanto, num de seus programas no horário gratuito, ele se disse filho de um antigo e singelo comerciante da cidade. Quer-me parecer que não é bem isto, pelo que todos sabem. Seu pai pode até ter sido comerciante, como eu já fui vendedor de couves e alfaces para minha avó, lá pelos anos 50, e engraxate da barbearia do Moreninho, logo a seguir.

Pelo que sei, seu pai foi prestigiado e competente advogado em Niterói, posteriormente desembargador no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e, finalmente, ministro do Superior Tribunal de Justiça, além de, durante bom tempo, grão-mestre de uma ordem maçônica brasileira.

Pode não ter sido mentira o que ele disse, mas não é a verdade total. E isso não fica bem em quem promete correção na administração da cidade.

2. Em Miracema-RJ, terra de minha mulher, houve um furdunço ontem por ocasião da carreata do atual prefeito Ivany Samel, candidato à reeleição.

A política no interior assume temperatura bem distinta do das grandes cidades. Além das apostas costumeiras entre os defensores deste e daquele candidato, às vezes também ocorrem socos e pontapés entre os mais sanguíneos. Quando não tiros e facadas!

Pois soube que, não tendo a carreata do candidato passado pelo Morro do Cruzeiro, bairro pobre da cidade, os moradores sentiram-se desprestigiados e, vestidos com a camisa azul do candidato da oposição, Joedyr, que foi seu vice-prefeito, desceram para a parte baixa da cidade, o que motivou a ação da polícia, para que os ânimos não atingissem o ponto de fervura.

Pelo que soube via Facebook, o atual prefeito pediu que seus correligionários não saíssem de casa, a fim de evitar qualquer tipo de confronto.

Para que o amigo leitor calcule a que ponto a coisa chegou, Rosa, secretária do lar de meus sogros, foi até a quitanda do Maradona para comprar jiló e cheiro-verde. Como estava vestida com uma blusa azul, a cor do Joedyr, não foi atendida pelo dono da quitanda, membro ativo da comissão de campanha do atual prefeito, cuja cor é a vermelha.

Rosa teve de voltar a casa, trocar a blusa por uma na cor verde, para conseguir comprar jiló e cheiro-verde. Ou a comida do dia ficaria meio destemperada, bem diferente do sabor da campanha eleitoral da cidade, que já está bem azedo.

3. Em Bom Jesus do Norte-ES, onde moram meus pais, minha mãe, católica fervorosa e atuante, leu para nós, durante o café da tarde no sábado, as recomendações da Igreja para os eleitores católicos. Eram dez pontos básicos para orientar uma boa escolha.

A cada item enumerado, ela ia descartando um candidato. Alguns, ou quase todos eles, se enquadravam em mais de uma recomendação, que sempre começava com: “Não vote em candidato que…”.

Ao final da leitura de todos os itens e, com base neles, disse um tanto decepcionada – logo ela que sempre gostou de política, como seu avô Antonico Pinto –:

– É… a seguir por aqui, não há nenhum candidato que mereça o voto.

Tristes trópicos!

Imagem em telacrente.org.

EIS O SEU CANDIDATO: BIXA MUDA

Não sou chegado a campanhas cívicas, nem a conselhos, assim como também a atitudes altruístas ou a proselitismos de qualquer espécie. É que não gosto de incomodar ninguém. Depois, também, cada um sabe onde lhe aperta o calo. E, como diz aquele sábio provérbio nordestino, sapo pula por precisão e não, por beleza.

Mas vou iniciar (Sempre, nessas oportunidades, quis usar o verbo encetar, mas – vamos combinar – ele é meio pornográfico!) uma campanha cívico-eleitoral.

Aliás, o que lhes vou trazer aqui não é novidade, visto que já tenho comentado com uns e outros alhures e algures.

Todos nós que somos eleitores compulsórios – a lei nos obriga a exercer o direito ao voto -, ao nos dirigir às sessões eleitorais, somos identificados numa listagem oficial do Tribunal Regional Eleitoral, em que estão registrados nossos nomes completos. Além disso, os mesários nos exigem documentos comprobatórios da nossa identidade e da nossa condição de eleitores regularmente inscritos e em dia com a obrigação-direito de votar.

E, tão logo a exercemos, pode ser que sejamos impelidos a comparecer a um segundo turno, já que, em um só, a democracia não ficou satisfeita com nosso desempenho. Como se tivéssemos ficado em segunda época, em verificação suplementar, lá o que seja!

Um pouco depois, somos convocados também a comprovar, junto ao órgão que paga nossos salários, vencimentos, proventos e pensões, que estivemos lá a cumprir nosso dever-direito, sob pena de ter o pagamento de tais benefícios suspenso.

Se não comprovamos isto também na Polícia Federal, não obtemos passaporte.

Caso estivermos em débito com a justiça eleitoral, também não poderemos assumir nenhum cargo público.

Vejam, meus companheiros eleitores, com é grave, do ponto de vista da cidadania, este nosso direito-dever de, a cada dois anos, escolher alguns conterrâneos – alguns iguais, outros melhores e um bando de piores que nós – que dirigirão nosso destino por mais um período quadrienal.

E quando chegamos lá, no sacrossanto momento de – sozinhos conosco mesmos e com nossa consciência cívica estimulada por campanhas massivas do TSE – meter o dedo no teclado da urna eletrônica, tão vangloriada pelas autoridades como um moderno instrumento da construção da política nacional, temos o nosso alvitre de eleitores submetido a uma vexatória lista de nomes, ou pior, de apelidos, de cognomes, de alcunhas de um sem-número de candidatos aos mais diversos cargos, de desmerecer escalação de time de várzea ou a lista de frequentadores da antiga guaxa de Bom Jesus do Itabapoana.

Para demonstrar o que digo, eis alguns que obtive por pesquisa na Grande Rede: Bixa Muda (Pedra Branca/CE), Seu Madruga da Cotia (Jaguapitã/PR), Fabety Boca de Motor (Salvador/BA), Homem Picanha (São Vicente/SP), Geraldo Wolverine (Piracicaba/SP), Xibiu (São Paulo/SP), Banha do Tabuleiro (Juazeiro/BA), Franklin Papai Noel (Ribeirão Preto/SP), Pai Gay, Furúnculo Maligno e Cobra (Recife/PE), Wescley Cueca (Timóteo/MG), Mulher Perereca (Caratinga/MG), Pulga do Celular (Bezerros/PE), É Kiko e Lelei do Maruí (Niterói/RJ), Billaw (Jequié/BA), Luiz Meladinho (Ribeirão Preto/SP), Boca Pelada e Mulinha do PTB (Barra de São Francisco/RJ), Capivara, Foca e Boi da Celga (Americana/SP), Lu da Funerária, Neide do Feno e Professor Bi (Santa Bárbara do Oeste/SP), Bodão, Cachorro, Touro, Tudinha, Fubá e Chumbrega (Nova Odessa/SP), Zezinho do Muito Ruim e Simplesmente Cida (Fabriciano/MG), Peixe Podre (Telha/SE), Wilson do Saco Torto (Malhador/SE), Ramiro Burro Fujão (Cruzília/MG), Chulé (Guaraçaí/SP), e outros tantos por este país sem-vergonha afora.

A minha proposta é: Já que a Justiça Eleitoral brasileira não tem o zelo pela seriedade das eleições, a começar por exigir que os candidatos se apresentem como cidadãos e não como palhaços e “debochistas militantes”, como diria Odorico Paraguaçu, concito meus amigos leitores e concidadãos responsáveis e envergonhados, que ainda têm a intenção de não anular seu voto a SÓ VOTAR EM CANDIDATO QUE SE APRESENTE COM O SEU NOME DE REGISTRO CIVIL. Via de consequência: NÃO VOTAR EM CANDIDATO QUE SE APRESENTE SOB QUALQUER TIPO DE APELIDO, AINDA QUE RECONHECIDO E USUAL.

Se tais candidatos são palhaços e debochados, nós não somos e estamos envergonhados com tudo o que vem ocorrendo na política nacional, desde a roubalheira desenfreada, até o escárnio de comportamento de vários deles, bem como o uso de nomes estapafúrdios e de péssimo gosto.

VAMOS COMEÇAR A USAR A FICHA LIMPA TAMBÉM NOS NOMES DOS CANDIDATOS.

(Aí abaixo o exemplo, colhido em colunistas.ig.com.br/obutecodanet).