FIM DA COPA, FIM DA LINHA

A nossa Copa, aquela que prometeu – e tenho a impressão de que, em parte, cumpriu – ser a melhor de todas as Copas, terminou para nós, brasileiros, na vala suja da rua. Nem mesmo uma cozinha mal arranjada sobrou para o nosso futebol.

Claro que há muito não detemos o monopólio do nobre esporte bretão, como já o fizemos. Perdemos a preciosidade do drible, do toque de bola – não esse tic-tac enfadonho inventado na Espanha e que tanto me entorpece ao ver os jogos –, mas aquele toque refinado, aquele passe preciso e precioso, que nos fez ser reconhecidos como país do futebol. Hoje não passamos de um arremedo daquilo que já soubemos fazer tão bem.

O tal de futebol de resultados, apregoado por uns tantos, não resultou em nada. Nossa participação na “nossa” Copa foi catastrófica, vergonhosa. Muito pior do que em 1950. Só não foi trágica como aquela, porque a tragédia foi tão grande que se transformou numa comédia de mau gosto.

Os sete a um que a Alemanha nos impôs, sem muito esforço, revelou que não estávamos preparados nem para tomar o metrô em direção ao estádio, quanto mais a pretender ser a equipe campeã do mundo. Os três que, posteriormente, a Holanda nos sapecou foram até melancólicos, sem gosto maior para os holandeses, diante de um bando de jogadores, pagos regiamente, mas que não fizeram seu serviço a contento. Ganham muito bem, cortam os cabelos dos modos mais estapafúrdios, mas não sabem cumprir com o mínimo que se espera de profissionais de alto nível, como se pensa que sejam.

A sorte é que hoje, diferentemente de 50, o povo brasileiro tem o espírito mais esculhambado, menos circunspecto, diante de tantas mazelas por que passa, que tirou de letra – para usar uma expressão do futebol – a vergonheira que esta Seleção lançou sobre a história do futebol brasileiro. Nunca na história deste país, passamos vexame tão grande; humilhação tão desclassificante em termos esportivos.

Que, pelo menos, isto sirva para mostrar aos poderosos que detêm os destinos do futebol brasileiro que chegamos ao fim da linha nesta Copa.

 

Imagem em sociedadedospoetasamigos.blogspot.com.

O LANCE DO LANCE

Imagem em blumenaunews.com.br.

Quando o ciclista norte-americano Lance Armstrong voltou de um sério tratamento de câncer, há poucos anos, e venceu a prova Tour de France do ano seguinte à sua recuperação, comentei, com um amigo ianque, que desconfiava muito do desempenho dele.

Para mim, incrédulo de muitas coisas – inclusive de homeopatia –, parecia impossível que um atleta vindo de um debilitante tratamento para vencer um câncer, dentre centenas dos melhores do mundo, pudesse superar todos eles, sem auxílio de droga.

Meu amigo, fã de seu compatriota, garantiu que o lance do Lance não era esse. Ele era de fato o cara, na sua opinião.

Nunca engoli muito bem aquilo. Fiquei com uma pulga atrás de cada orelha.

Aliás, desconfio muito de todos os atletas que nos surpreendem com quebra de marcas, com repetição de resultados de ponta, como se fossem super-homens.

Ao longo da história do esporte, temos visto que vários deles são pegos, mesmo posteriormente, em exames antidopagem.

Agora vem o Lance revelar que sempre usou drogas proibidas. Isto é, vem confessar que se dopava para ganhar os prêmios, embolsar os valores e, posteriormente, achincalhar o esporte, envergonhar seus conterrâneos, como uma fraude gigantesca.

Então o lance do Lance era esse?

Que pena! Cada vez mais, desconfio desses atletas que estão, a cada dia, provando que são pessoas nada além de humanas.

———-

PS: Quero avisar aos amigos leitores que não fui ao jantar que militantes do PT fizeram para angariar fundos para os condenados do Mensalão pagarem suas multas. Fiquei com receio de ter indigestão.

NA ARQUIBANCADA

Na arquibancada olho para os lados
Vejo tronchos mondrongos abilolados
Alguns velhos outros gordos vários carecas
Esquisitos estranhos desconhecidos
Poucos calmos centenas de aflitos desconfiados
Possivelmente gente boa mas cheiram a celerados
Há patrões empresários empregados desempregados
Policiais e bandidos fugitivos procurados
Analfabetos incultos eruditos e pós-graduados
Políticos eleitores gente simples magistrados
Executivos domésticos carregadores de feira
Proprietários sem-teto abastados indigentes
Héteros homos enrustidos discretos e inconvenientes
Mulheres belas gatinhas certas vovós e netinhos
Um bando de gente feia com dentes e desdentada
Evangélicos espíritas católicos umbandistas
Crentes de uma forma geral e outro tanto descrentes
Presunçosos pessimistas fatalistas supersticiosos
Sensíveis insensíveis sensatos bem que tão poucos
E um bom punhado de loucos
Um tanto assim como eu
Morrendo de afliçao a cada lance do jogo
Até que um gol nos redime – esta torcida tão linda:
Somos todos Botafogo!

 

Imagem em botafogofrglorioso.blogspot.com.