DO DIREITO AO PITACO IX

Andei olhando as folhas online e exerço o direito ao pitaco, que é um direito inerente a qualquer cidadão, sobretudo a quem não sabe daquilo que fala. Como eu.

Aí vão minhas sábias e pertinentes observações.

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Vem dos Estados Unidos a notícia de que a polícia matou o sequestrador do menino, que foi salvo sem um arranhão.

Aqui não sei se o desfecho se daria do mesmo jeito. Talvez a nossa polícia matasse o menino com uma bala perdida, na troca de tiros com o sequestrador, que fugiria sem deixar rastros. E, se preso, poderia ainda tentar um habeas-corpus, um efeito suspensivo, um relaxamento de prisão, ou mesmo um acerto no subterrâneo onde se meteu. Na cadeia, dificilmente iria parar. Até porque é fácil fugir de cadeias no Brasil.

Mas, caso o morto fosse o sequestrador, teríamos de ouvir a cantilena sobre a truculência da polícia que não sabe negociar, não tem competência, age na base da sofreguidão, o que não permite salvar ambos: criminoso e vítima.

Com frequência temos visto ações assim da polícia norte-americana. Tretou, relou, ela elimina a causa do problema, até porque, normalmente, o criminoso é um psicopata incurável, como atestam as fotos publicadas nas folhas.

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No campo do esporte, também em terras de Tio Sam, onde a bola não rola, houve a final daquele estranho esporte com bola oval, que não se joga com os pés, onde os gols só são atingidos depois de um cara sair numa desabalada carreira para colocá-la no chão.

Eu sinceramente não entendo aquele jogo. Parece a apuração dos desfiles de escolas de samba no Brasil. As regras só são compreendidas pelo árbitro, que fica apitando, dando de mão e se explicando pelo sistema de som do estádio, a fim de que a torcida não ofenda sua digníssima progenitora.

No dia em que os ianques conseguirem dominar a tecnologia da esfera e produzirem bolas redondas, podem ter certeza de que eles aprenderão a jogar futebol, pois aí a bola vai rolar e eles é que terão de sair correndo atrás dela, em vez de correr com ela. É uma coisa deverasmente estranha!

O jogo pode ter sido uma porcaria, mas a cantora… (em jangadeiroonline.com.br).

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Do Irã vem o chiste do ano, mal começado este 2013 que promete: o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, disse que vai ser o primeiro astronauta iraniano. Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, não duvido nada de que Sua Excelência faça sua entrada no céu, antes mesmo de completar seu glorioso mandato aqui embaixo. Que Alá o acompanhe na empreitada.

Além disso, aproveitou a ensancha oportunosa para dizer também que Israel se arrependerá amargamente por ter supostamente invadido o território sírio. Não sei se Israel estará disposto ao arrependimento. De qualquer forma, eles que são religiosos é que se entendam.

E, se invadiu, é outra coisa que não sei. Tudo que é supostamente, para mim,  é muito duvidoso. Para o bem e para o mal. Tanto no caso dos devotos de Alá, quanto no caso dos devotos de Javé. Já vi que isto não vai dar pé!

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Atravessando o Mar Vermelho, chegamos ao Egito, terra de faraós. Lá o novo e odiado presidente que o próprio povo elegeu, mas já está arrependido, pediu à polícia que não desça o cacete no populacho, vulgo bucha de canhão, massa de manobra, “eh, ô, ô, vida de gado, povo marcado, povo feliz”.

Mohamed Mursi é um homem muito religioso e muito educado, por isso não determinou, não ordenou que sua polícia aja com educação. Apenas pediu, cheio de dedos, para não ferir suscetibilidades.

A pior coisa para um governante não é o ódio do povo, mas a malquerença de suas forças de segurança. Se a segurança não segura, fica difícil se segurar.

E ele, que ainda não está enrolado em todas aquelas ataduras de faraó, mas pretende chegar lá, quer-se segurar no poder. Alá que o livre de perder a boca!

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Voltando ao solo pátrio, dou de cara com a frase do ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, sobre o julgamento de Renan Calhorda: “Vai demorar um pouquinho.”.

Depois de terminar o mandato dele, Renan, talvez. E aí fica o dito pelo não dito, e a tal Lei da Ficha Limpa cai de vez no esquecimento.

Acho que vou experimentar uma aguardente que ganhei do amigo Rogério Barbosa, que a trouxe para mim de Cabo Verde: Grogue Velha.

Depois lhes digo quais as minhas impressões gustativas, olfativas e bafométricas, com a ajuda da radical Lei Seca. Aliás, quero dizer-lhes que, quando a Lei Seca completou um ano, tomei umas e outras em sua homenagem.

Fui!

TRAGÉDIAS A MANCHEIAS

Esta última tragédia norte-americana – o massacre de vinte e seis pessoas, a maioria crianças, em Newtown, Connecticut – não será a última. Ainda muitas outras estão sendo engendradas, neste momento, em cérebros doentios e inflados por uma política de direitos individuais que beira à insanidade, por autorizar a compra indiscriminada de armas de fogo.

Segundo noticiário, há naquele país mais armas que cidadãos, e em alguns estados é permitido que pessoas andem armadas em locais públicos, como nos tempos do faroeste.

Sabe-se que a história dos países foi feita na base da arma, da guerra, da matança. Raríssimos são os que não têm em sua história até episódios fratricidas.

Os Estados Unidos, então, têm uma história trágica com arma de fogo.

O desbravamento do Oeste americano se fez a poder de rifle e revólver. A matança era generalizada. Matavam-se primeiramente os índios que opuseram resistência à marcha branca para o Oeste. Lá instalados, os brancos matavam-se a si próprios, numa disputa por territórios e riquezas, como o próprio cinema de Hollywood registrou em centenas, talvez milhares, de filmes.

Mesmo em países em que o uso da arma é controlado – ou pretensamente controlado, como no Brasil –, há um arsenal na mão da população civil. No nosso caso particular, principalmente na mão de bandidos e marginais de toda espécie.

Ora, franquear a venda de armas e ainda permitir que se ande armado é um convite a que tragédias assim se repitam, vez que o cérebro humano é terra desconhecida e capaz das piores ideias.

Muitos dos assassinos seriais são descritos como pessoas normais, jovens estudiosos, inteligentes – como este de agora –, o que, no entanto, não é garantia de que, de posse de armas, alguém não se transforme num criminoso monstruoso.

Qual é a lógica de se permitir que isto continue acontecendo, apenas porque não se pode tirar tal direito individual? E até que ponto o direito individual pode sobrepujar o interesse público, a segurança dos demais cidadãos?

Mas os Estados Unidos estão habituados a carnificinas. Quando não é em solo estrangeiro, com as armas de seu poderoso exército – o que é aceito pacificamente pela opinião pública ianque –, é em seu próprio território. Então todos se chocam, se lamentam, choram. Principalmente quando há inocentes envolvidos.

Contudo, quantos inocentes são imolados por esse mundo afora pelas armas norte-americanas?

São tragédias a mancheias, como se dizia outrora, que nosso irmão do Norte está habituado a produzir.

Imagem em deolhonocariri.com.br.

O BARATO DO BARAK

Fiquei esperando até agora um telefonema de Obama, e ele não me ligou para dizer se ganhou ou não as eleições no país da Sandy.

Eu tinha dito aqui que Sandy era uma eleitora poderosa, de arrasar quarteirões. Quiçá vilas e cidades inteiras. E ninguém me levou a sério. Nem mesmo aquele outro, o mórmon, cheio da grana, que com ele concorria. Se ele mandasse chamar Júnior, pode ser que equilibrasse a disputa. Do jeito que foi, certamente deu Obama. É que a Sandy sozinha fica muito suscetível a mudanças de humor, como se viu.

Não vi nenhuma notícia até agora, mas, pelos fogos que um vizinho soltou na hora do café da manhã, tenho a impressão de que o mulçumano afrodescendente – e comunista ainda por cima – deve ter ganhado as eleições. Esse meu vizinho é francamente americanófilo e também metido a esquerdista. Vive falando que segue a dissidência do marxismo de um tal Groucho Marx, surgido em Hollywood na primeira metade do século passado e amplamente divulgado no cinema.

Acho, então, que com a vitória do Barak posso ficar mais sossegado, como o restante do mundo. O big stick vai entrar suave, sempre precedido de um sorriso franco e um jeitinho todo merengue que ele tem. Também não sou terrorista que destrói prédios gigantes!

Se ganhasse o outro, o ricaço, pode ser que todos tivéssemos de pagar o preço alto que seu país cobra dos subalternos, para que seus compatriotas continuem a gastar o planeta como se fossem a última geração sobre a face da Terra.

Foi de bom tamanho o Barak ter vencido!

O Osama não existe mais. Aí o barato do Barak talvez seja mais construtivo que destrutivo.

Viva Osama! Aliás, viva Obama!

Mitt Romney pronto para comer a criancinha. Ué, o comunista não é o Obama? (imagem em noticias.uol.com.br).

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PS 1: Não levem em consideração a digitação errada no primeiro viva. Já tinha postado este texto, quando percebi e não deu tempo de corrigir. Mas vale o segundo viva, que não sou besta nem nada!

PS 2: Soube que, também nesta eleição estadunidense, houve um estado que aprovou o uso da maconha para fins de entretenimento. Depois sou eu que ando com caraminholas na cabeça!