ROUBADO É MELHOR!

A afirmação do goleiro do Flamengo, ao final da partida com o Vasco, pela final do campeonato carioca de 2014, reflete muito bem o que tem ocorrido com frequência no futebol brasileiro de norte a sul. Uma falta de ética total, uma falta de respeito pela lisura do jogo, pelos princípios da correção nas relações humanas. O futebol acaba refletindo apenas o que ocorre na sociedade em geral. Mas haveremos de convir que, como dizíamos em Carabuçu, minha terrinha natal, é meio muito. Não se pode ter essa desfaçatez pública, achando que é coisa normal. Aliás, parece coisa normal no Brasil da famosa lei de Gérson (coitado do Gérson!). É preciso levar vantagem em tudo, a qualquer custo.

O Flamengo tem um histórico em vantagens ilegais e irregulares em suas conquistas mais que outros clubes. Seria o peso da torcida a favorecê-lo dentro de campo desta forma? Ou, simplesmente, os árbitros assumem sua paixão desavergonhadamente e apitam em favor do rubro-negro e não em favor da justiça do jogo?

E o pior é quando a mulher do árbitro solta em rede social que já sabe o resultado da partida antecipadamente. Será que o marido lhe confessou alguma coisa a respeito de sua conduta na partida? Ou será que isso é coisa que nem é preciso conversar com a esposa, pois já está implícito em sua conduta?

Mais esse campeonato do Flamengo fica, deste modo, manchado pelo “erro” suspeito. Eu mesmo, sentado em minha poltrona em casa, vi na hora do lance que a posição do ataque era irregular. E, como eu, penso que milhares de espectadores também perceberam isso. Mas o bandeirinha, bem colocado, diga-se de passagem, “não viu”. E ele está ali para ver, para observar. Ninguém melhor que ele seria capaz de notar a irregularidade, já que a sua posição é privilegiada. E ele foi treinado para isso, ganha para isso e tem a obrigação de desempenhar seu papel com isenção.

Não sou vascaíno, nem flamenguista, como sabem os amigos. Na condição de eliminado prematuramente da disputa, estava pouco me importando com o time ganhador (ou perdedor), pois poderia fazer minha gozação com torcedores dos dois clubes. Mas é constrangedor que esse tipo de ocorrência venha se repetindo assim: o Flamengo é sempre beneficiado pela arbitragem em lances duvidosos – ou clamorosos, como o de ontem.

O Vasco foi vice mais uma vez. Azar do Vasco! Mas o campeonato do Flamengo está definitivamente manchado pelo garfo monumental que Sua Senhoria e seu auxiliar aplicaram no Bacalhau. Talvez tenha sido um tipo de premonição, mas sábado o bacalhau estava a muito bom preço no CADEG, em Benfica. Talvez isso já tenha sido um mau sinal.

Por outro lado – agora comentando apenas as ocorrências do jogo -, não posso deixar de concordar com meu irmão Gutenberg, em mensagem que enviou logo após o final do jogo: o zagueiro do Vasco não podia deixar o campo naquele momento. Fosse para o sacrifício, que teria muito mais mérito com a torcida. Talvez Nélson Rodrigues dissesse, diante do fato, que só com fratura exposta ele poderia se retirar. Todas as outras dores seriam mais suportáveis do que a vergonha de se repetir vice diante do maior rival. Mal comparando sua atitude, é como se o canhoneiro de Napoleão Bonaparte, no derradeiro instante de botar abaixo a brigada inimiga que avança, fosse para trás de uma moita cuidar de suas necessidades fisiológicas. O zagueiro do Vasco, também como dizíamos na terrinha natal, cagou na retranca.

Mas roubado é melhor só pode ser ética de ladrão! Não, de cidadão!

 

Imagem em toinhoffilho.blogspot.com.

O TIME DO BOTAFOGO É TÃO RUIM QUANTO O DO FLAMENGO

 

Hoje fico pensando no tanto que torci, que torcemos os botafoguenses, para que o Botafogo chegasse à zona de classificação para a Libertadores no último campeonato brasileiro. Torcemos demais, e todos sabem bem disso, até a última rodada. Torcemos pra caramba, como há muito não o fazíamos, para que tivéssemos o direito de disputar a copa sul-americana. Chegados à Libertadores, não nos foi dado o direito de torcer tanto, quanto fizemos anteriormente. Nosso pífio time foi desclassificado ontem, não tanto pelo time do Papa Francisco, mas pelo mau resultado contra o Unión Española no Maracanã, quando perdemos por 1×0.

Ontem, contudo, pudemos ver o interesse papal na disputa. E não adiantaram as mandigas que fizemos contra o San Lorenzo. Parece que Sua Santidade está com moral com O Lá de Cima. O primeiro gol, com certeza, teve o pé do Papa a desviar a bola para o fundo das redes. No segundo, foi a pata do demo a (des)orientar o pé do Ayrton, aquele que deveria jogar com um defensor público ao lado. Maldito! E o terceiro foi, definitivamente, para selar a dramática classificação do time dos nossos Hermanos, obra do Homem. Talvez tenha determinado a São Lourenço, em carne e espírito, apoderar-se do pé de Piatti.

Nosso time é fraco. Meu amigo Rogério Barbosa sempre disse tal coisa para mim, mas meus ouvidos de esperança não entendiam direito sua mensagem. E tentava argumentar que éramos melhores do que o Flamengo, por exemplo.

Eu estava completamente equivocado. Nosso time é tão ruim quanto o do Flamengo. Lodeiro e Jorge Wagner não produzem para o time. Este último, inclusive, contribuiu para o primeiro gol. Lodeiro, por exemplo, só acerta passes laterais e recuados. Passe à frente não está no cardápio de suas jogadas. Júlio César está constantemente brindando com jogadas peculiares, que mais ajudam o inimigo que a nós mesmos. E Dória, nossa grande revelação, tem-se revelado inseguro, ineficiente na função que lhe deram de sair com a bola de nosso campo de defesa. Para coroar, o time não tem padrão de jogo. Ou, aliás, tem padrão nenhum. O que dá no mesmo.

Do técnico não direi nada, pois a aposta foi da diretoria do clube e ela que se explique. Em paralelo com a Educação, só posso dizer que nunca soube de professor de pós-graduação que não tenha os títulos necessários a exercer a função. E a Libertadores é a pós-graduação para o futebol sul-americano, pois não?

Mas o Barcelona também foi eliminado. Estamos empatados também com o time catalão. Assim somos ruins como o Flamengo e o Barcelona.

Não sei se isso me conforma!

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ESSE CAMPEONATO BRASILEIRO ESTÁ ME DEIXANDO TONTO

Dormi no G4, de sábado para domingo, e hoje estou fora da Libertadores.

Hoje fiz um esforço danado para torcer pelo Flamengo contra o Grêmio. E outro tanto, pelo Internacional contra o Goiás. E foi tudo em vão! Foi como puxar bode pra dentro d’água, como meu querido pai sempre dizia, repetindo a sabedoria popular.

Você contar com o desempenho alheio é uma complicação. Contar com o próprio já não é tarefa fácil, quando o time é o Botafogo, que alterna ótimas atuações com partidas bisonhas, de um desinteresse só.

Aí me apeguei a São Judas Tadeu e não deu! Andei até alternando os canais da tevê para torcer por e contra os times gaúchos, já que lá no Rio Grande, durante noventa minutos fui colorado desde criancinha.

Os times vermelhos me deixaram colorados de vergonha.

Pode-se argumentar que o time carioca entrou com um misto frio, para enfrentar o vice-líder do Brasileirão, e não seria páreo para ele. Está o Flamengo guardando munição para a Copa do Brasil. Mas as coisas não funcionam muito bem assim. Uma partida de futebol é um universo temporal único, que independe muito do que venha antes ou depois dos comentários trepidantes. Você concentra o time, faz planejamento, mete a moçada num regime quase espartano, e vai lá o outro e lhe enfia alguns pepinos rede adentro. Vai-se o planejamento por água abaixo. Por isso me parece que não está nada garantido para o rubro-negro carioca, que enfrentará o rubro-negro paranaense na final da CdoB.

Mas como há coisas que só acontecem ao Botafogo, não me valeu de nada a torcida.

Aí fiquei com a segunda opção, a torcida verdadeira, essa que vai na alma de um botafoguense, que era para o time do Flamengo se lascar em vermelho e preto. E não deu outra.

Mas confesso que, assim que o Goiás fez o terceiro, voltei para o canal que transmitia Grêmio x Flamengo e vi o gol do João Paulo. Fiquei razoavelmente feliz, sem, contudo, esboçar nenhum sorriso a me comprometer.

Logo em seguida, entretanto, aquele uruguaio franzino, Maxi Rodriguez, fez o segundo dele e do Grêmio sobre o Urubu. E, já que estava na torcida – tanto para que o Flamengo vencesse, quanto para que ele perdesse –, fiquei satisfeito ao final da partida.

Meu coração torceu confortavelmente: queria ambos os resultados. Coisa difícil de acontecer em um único jogo de futebol. Mas penso que vascaínos e tricolores hão de me entender muito bem. Já meus amigos flamenguistas, a quem já peço perdão por essa infidelidade, devem estar urubus da vida. Ainda mais porque a zona está próxima e todo cuidado é pouco!

Por isso é que cheguei à conclusão de que nem mesmo a excelente tequila Herradura, que meu amigo gringo Kenneth me ofereceu sábado pelo thanksgiving, me deixou tão tonto quanto esse campeonato brasileiro me deixa.

Imagem em lancenet.com.

UM TREM DE CARGA PASSOU SOBRE MEU TIME

Fui ontem ao Maracanã e saí com a sensação de que um trem de carga tenha passado sobre meu time. Na ida e na volta.

O Botafogo não jogou absolutamente nada. Mas o Flamengo não estava nem aí para isso. Tirou nosso time para dançar e a dama não se fez presente. Aí deu no que deu. Foi o baile de um só parceiro.

Mas como sou um torcedor com certo nível de paixão e algum outro de razão, assim que Hernane, o maldito, fez o terceiro de cabeça, eu e meus amigos Zatonio, Silvia e Zé Sérgio houvemos por bem abandonar o local da carnificina, para que não respingasse sangue em nossas camisas.

Dentro de campo, um time apático de um lado e, do outro, um time decidido a ganhar a final do campeonato.

Há resultados em que a paixão não tem de dar pitaco. 4×0 é um deles. É um chocolate, um vareio, um sapeca-iaiá. Injustificável mesmo para um apaixonado. É o equivalente ao batom na cueca, na relação amorosa.

O time do Flamengo – e todos sabem disso, até o mais empedernido flamenguista – não é lá essas coisas tecnicamente. Contudo o que lhe possa faltar nesse aspecto sobra em garra e determinação. O que não ocorreu com o time do Botafogo, que, segundo alguns, é a cara de sensaboria do seu técnico OdeO. Em que pese o piripaque cardíaco de uns dias atrás, quando parecia demonstrar algum sentimento mais profundo pela profissão.

Fiquei até imaginando, ao ouvir do lado de fora do Maraca o urro da torcida pelo quarto gol – sem meu testemunho ocular –, que o Osvaldinho estivesse sendo carregado numa maca, um desfibrilador já entrando em ação, diante da vergonha apresentada por seu time.

O Flamengo nos deu um passeio, mas o melhor de tudo é que a vida continua a mesma. Apesar de um desgraçado gosto de cabo de guarda-chuva na boca.

É bom que se reconheça, para o bem do esporte, o triunfo alheio por seus próprios méritos. Parabéns, flamenguistas!

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PERDEMOS DE 1×1

O jogo da volta ao Maracanã, ontem à noite, entre Botafogo e Flamengo resultou num empate lógico, pelo que os times jogaram, cada um em um dos tempos da partida.

No primeiro tempo, o Botafogo foi superior, fez seu gol, e mais poderia fazer, se não fosse certa burocracia. Parecia um time de escrivães a darem andamento a processos com prazo a cumprir. Imaginavam que, a qualquer momento, poderiam fazer mais, mas não o fizeram.

Lodeiro, por exemplo, repetiu o futebol inexpressivo que traz do banco da Seleção Uruguaia. Sempre que é convocado, volta inoperante, dispersivo, sem objetividade.

No segundo tempo, as mudanças que o técnico do Flamengo operou surtiram o efeito desejado, e o Botafogo não percebeu.

Mesmo com um elenco bem limitado, o Flamengo voltou com disposição para a etapa final, e nós ficamos olhando os caras jogarem, fazerem gols, ainda que não validados pela arbitragem, dominarem a partida e acabarem por empatar no último minuto do tempo acrescido.

No lance em que Seedorf faz a falta, cuja cobrança levou ao gol, ainda imaginei que aquilo não daria certo e, recostado no sofá, pedi que matassem o lance com uma falta ainda na intermediária rubro-negra.

Não me ouviram, e foi o que foi.

Poderíamos ter matado o jogo em várias oportunidades. Mas o futebol não é feito por condicionais. Quando a bola rola é só presente. E aquele que não está atento acaba sofrendo as consequências.

Por isso é que digo que perdemos de 1×1. O jogo ganho até os 48 minutos do segundo tempo, três pontos que nos garantiriam a liderança do Brasileirão, e o empate no finzinho.

Os caras saíram falando em vitória. Nós, obviamente, em derrota. Perdemos de 1×1.

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METENDO O BEDELHO AONDE NÃO SOU CHAMADO

1. A SITUAÇÃO CIPRIOTA – Já disse alhures que ando muito preocupado com a situação cipriota. Em primeiro lugar, porque lá todo mundo fala grego, o que já constitui uma dificuldade a mais para o entendimento mútuo. Na verdade, não é todo mundo. Há boa parte que fala turco. O que também não ajuda nada.

Vejam, então, que cipriotas gregos – falando grego – e cipriotas turcos – falando turco – geram uma balbúrdia pior do que na época da Torre de Babel.

Em segundo lugar, porque fica difícil saber quem foi que embolsou o dinheiro de que a ilha precisa para sanar seus problemas.

São dez bilhões de dólares!

E eu lhe pergunto, leitor benevolente: como é que uma ilhota minúscula daquela produz um rombo tão grande, muito maior que ela e ainda se mantém flutuando nas águas do Mediterrâneo?

Κυπριακή Δημοκρατία

Kıbrıs Cumhuriyeti

O nome oficial de Chipre em grego e em turco.

2. A SITUAÇÃO DO FLAMENGO E DO VASCO ­ – A situação desses dois times – pode ser que me engane – nem Pai Prudenço consegue resolver com reza forte. E a do Flamengo é até mais complicada, porque está de técnico evangélico, que tem o maior horror a despachos e ebós.

Aí, como me disse o próprio Pai Prudenço, “fica difice, zifio!”.

Framengo / Basco

Os nomes dos clubes na pronúncia dos torcedores.

3. MIANMAR NÃO SERVE DE EXEMPLO PARA NINGUÉM – Quando o país se chamava Birmânia, era menos confuso. Eu até tinha aprendido nas aulas de Geografia, na escola em Carabuçu, o nome da capital. Mas foi só instalarem lá uma ditadura há cerca de 50 anos, que resolveram trocar o nome do país para Mianmar. E a coisa não deu certo.

Agora, sob a égide de uma democracia vacilante, a maioria budista da população anda querendo dizimar a minoria muçulmana.

Logo os budistas, que têm do Ocidente o olhar admirado para seu badalado modo de vida pacífico.

E eu lhe digo, amigo leitor, nem Pacífico, nem Atlântico. É ferro na boneca!

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O nome oficial de Mianmar em birmanês.

4. ESTOU PREOCUPADO COM A SÍRIA – O Papa Francisco falou com preocupação sobre a situação da Síria.

Eu também, Santidade, estou muito preocupado!

Como sói acontecer, os dois lados estão-se metendo o fogo e quem acaba sofrendo é o povo.

Depois é só questão de substituir uma ditadura por outra.

Ou você tem dúvidas de que assim será?

الجمهورية العربية السورية

O nome oficial da Síria em árabe.

5. “CÉSAR BORGES SERÁ O NOVO MINISTRO DOS TRANSPORTES” – Que São Cristóvão tenha piedade de nós!

Imagem em crystalarte.arribaweb.com.br.

A DESGRAÇA DO URUBU É ACHAR QUE O CACHORRO ESTÁ MORTO

botafogo

 

O título desta postagem de hoje é autoexplicativa. Mas, como sou o editor plenipotenciário do blog, vou gastar algumas linhas para fazer aquela antiga demonstração escolar, CQD = Como queríamos demonstrar. Lembram-se?

O time do Flamengo começou o ano com a pecha de pior entre os quatro grandes do Rio de Janeiro. E parecia presa fácil para os adversários no Campeonato Carioca a se iniciar dai a pouco. O elenco do time da Gávea começou com perdas significativas – Vagner Love, por exemplo – e notícias tenebrosas sobre sua situação financeira. Tinha, assim, todas as condições ao fracasso.

Contudo o time conta com um dos melhores técnicos do país, Dorival Júnior, o que fez com que seu grupo de jogadores tivesse um padrão de jogo superior aos demais. Com isso, o Flamengo teve o melhor desempenho na fase classificatória da Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato.

Então chegou o jogo de ontem. O time, a torcida, a diretoria e a imprensa rubro-negra estavam convictos de que o Cachorro alvinegro estava morto e com o corpo exposto no monturo.

Como diz Jaguar: ledo Ivo engano!

Rafinha, que tinha falado m*rda no primeiro jogo, zombando a idade provecta do craque Seedorf, simplesmente, não entrou em campo. Se entrou, não foi encontrado. E ainda foi desarmado no ataque pelo surinamês afrodescendente, que surgiu do nada e lhe roubou a bola, como se rouba pirulito de criança.

No primeiro tempo, o execrado Osvaldo Oliveira deu um nó tático no time da Gávea, que ficou mesmo até sem saber como tomar o trem ramal Japeri. As mudanças que fez para o segundo tempo até pareciam mudar alguma coisa no panorama do jogo. Foi, então, a vez de Jéfferson e Vitinho brilharem. E Jéfferson brilhou tanto que, numa clamorosa falta de solidariedade com seu colega de profissão, que foi visitá-lo em sua meta, deu um passe de mais de sessenta metros para Gabriel que, de cabeça, deixou Vitinho à feição para fechar o caixão do Urubu.

E não adianta reclamarem de pênalti não marcado. Também tivemos um não marcado.

A desgraça do urubu… Bem, o resto vocês já sabem.

Foooogooo!

O CAMPEONATO CARIOCA COMEÇOU

O Botafogo jogou bem 45 minutos, quando fez os 3×0. Nos outros, fez para o gasto.

Faltaram o Seedorf e o Bruno Mendes, que foi substituído por outro centroavante que também não faz gol, tal qual o Raphael Marques. Faltou também o Lucas na lateral, mas não notei sua falta. Aquele tal Gilberto deu conta do recado. Mas, às vezes, é sempre assim: o cara entra substituindo o titular e faz das tripas coração apenas para atrapalhar o técnico em sua sábia e segura condução do elenco. Renato se machucou, Felyppe Gabriel se cansou mais uma vez, e não senti falta daquele zagueiro de cabelo esquisito de cujo nome nem me lembro mais. Quem é mesmo?

Também se machucou o Antônio Carlos, outra vez, e OO lançou na defesa o Defendi. Me deu uma baita preocupação de que ele fosse para o ataque. Seria para confirmar aquela velha lei do jogo que diz que melhor ataca quem se defendi. Ou vice-versa, nunca se sabe. Vai depender muito do técnico. Pelo menos, ali atrás, nós temos uma pessoa e um nome na defesa. Um jogador que vale por dois.

E me preocupei também, já que 66,6666666666666% dos nossos gols foram marcados por zagueiros. E apenas 33,33333333333% por atacante, que não é tão atacante assim, o Andrezinho.

Já o jogo do Fluminense foi praticamente uma pelada organizada, com os times uniformizados, juiz e bandeirinhas, jogado num terreno baldio, que é o verdadeiro estado do campo de jogo de São Januário.

Inclusive durante a transmissão da partida, o narrador falou sobre os comentários desairosos que jornalistas holandeses fizeram do gramado, quando da recente visita de um time daquele país ao Brasil, de que não ouvi sequer uma palavra. Para mim, não esteve aqui holandês nenhum! Porém, como não sou onisciente, é bem possível que isto tenha ocorrido em passado recentíssimo.

Esses jornalistas estão completamente desarrazoados: o país deles tem mais água que terra, tanto que é todo cercado por diques para não submergir. E também se chama Países Baixos. Eles se deviam dar por satisfeitos em ver um gramado que tem mais terra do que grama. Mas, pelo próprio nome do país, se vê que eles têm mania de grandeza: um minúsculo território cheio d’água, com o nome no plural. É muita pretensão! Aliás, aqui no Brasil, países baixos nomeia certa região da horrível anatomia masculina, que prefiro não identificar, a fim de não ser chamado de pornográfico.

O Vasco da Gama também ganhou por 3×0 e é forte candidato a vice-campeão. Até já disse isso no Facebook e arranjei confusão com amigos vascaínos. Mas é um bom sinal. Não a revolta dos meus amigos, mas a disposição dos jogadores do Bacalhau em superar as ausências do pessoal do INSS – Juninho e Felipe – que debandou em busca de clubes com cofres mais abarrotados de grana.

Já o Flamengo… Bem, o Flamengo ganhou, mas não me convenceu. Aliás, o Flamengo não me convence nunca. O pior é que, às vezes, ele faz jeito de songa-monga (Lembram-se desta palavra?) e surpreende no final: não ganha nada. Hahahaha!

Enfim, veremos quem tem mais garrafas para vender, como diriam os velhos comentaristas do nobre esporte bretão.

Pelo início, acho que estamos todos sendo um pouco iludidos por nossos times. É reflexo da volta do uso da droga que atende pelo nome de futebol, depois de mais de um mês de abstinência.

Bom campeonato para todos. Principalmente para nós botafoguenses!

Imagem em jocapoeira.wordpress.com.
Imagem em jocapoeira.wordpress.com.

SALVE JORGE! O VASCO PODE SER VICE DUAS VEZES EM UM ÚNICO CAMPEONATO.

Depois do jogo de ontem, pela semifinal da Taça Rio, do Campeonato Carioca, o Vasco tem duas ótimas oportunidades de ser vice de novo: ou vice do segundo turno, ou vice do campeonato.

No próximo domingo, jogará com o Botafogo a decisão da Taça. Se passar, disputará com o Fluminense a decisão do campeonato.

Como botafoguense lúcido, tenho de reconhecer que a equipe vascaína está mais azeitada que a nossa, com bons jogadores em posições sensíveis do esquema tático. Por outro lado, o time tem mostrado mais disposição nas partidas. Não sinto nos jogos do Vasco a apatia que, por vezes, toma conta do nosso elenco.

Já o Botafogo alterna jogos medíocres com algum desempenho mais convincente, como na partida contra o Bangu, em que fizemos praticamente todos os gols – os nossos e os deles – e jogamos com maior pegada. Isto, no entanto, não é o normal, o corriqueiro.

Só me lembro de outro jogo recente em que tivemos desempenho parecido: foi contra o Guarani, lá em Campinas, opinião também compartilhada por Zatonio Lahud (Interrogações), meu equilibrado amigo botafoguense.

Até mesmo o Fluminense me parece ter um grupo mais ajustado que nós e já venceu o Bacalhau na decisão do primeiro turno.

Vejam, então, que o time de São Januário tem uma oportunidade única: ou será vice agora e se despedirá do Cariocão; ou nos atropelará, para a sua segunda oportunidade contra o Tricolor.

Já imaginaram o Vasco sendo vice duas vezes num campeonato só? Vai ser chato pra caramba! Pelo menos para eles. Na qualidade de torcedores contra, todos os demais – cachorrada, pó-de-arroz e urubus – vão tirar um sarro imenso sobre os cruzmaltinos.

Contudo situação pior que a do Bacalhau é a do Urubu da Gávea, que, como sempre, fez um estardalhaço no início da temporada, trouxe o Wagner Love e chega lamentavelmente ao fim sem ganhar absolutamente nada. Nem o direito de disputar uma final de turno.

Meu amigo e causídico Carlos Eduardo Marins, flamenguista equilibrado como só, postou em sua página no Facebook ontem, após o jogo, que já tinha feito mais de 375 ligações para o celular da Patrícia Amorim. Precisava falar algumas verdades com ela antes de ir dormir. Eu mesmo não aguentei e peguei no sono. Não sei se ele conseguiu.

Confesso que estou muito triste com isso. Ando até dormindo mal com o insucesso rubro-negro tanto na Libertadores, quanto no Cariocão. Tenho acordado quase de uma em uma hora na madrugada, para dar sonoras gargalhadas. Com toda a vênia, doutor!

Mas hoje é dia de São Jorge e, daqui a pouco, vou a uma festança em homenagem ao santo, prestada pelo amigo Beto, tricolor também muito equilibrado (Aliás, só tenho amigos torcedores muito equilibrados!) e devoto do santo guerreiro.

Salve, Jorge!

(E, para não me acusarem de preconceito contra qualquer adversário, ilustro esta postagem com uma foto do Vasco da Gama. Bem… é de uma de suas musas. Que eu não sou trouxa! Dá-lhe, Vasco! Imagem colhida em flogao.com.br.)