BALANÇO PESSOAL DOS JOGOS OLÍMPICOS E PAROLÍMPICOS

  1. Para início de conversa, acho o nome Paralimpíadas meio estranho. Segundo meu fraco entendimento, deveria ser Parolimpíadas, como já explanei numa postagem por aí.
  2. Os atletas olímpicos não me servem de modelo: todos são mais capazes do que eu. Já os atletas parolímpicos me fazem sentir vergonha da minha preguiça.
  3. Fui ver as competições de ciclismo de velocidade no Velódromo. Cegos guiavam bicicletas, amputados pedalavam velozmente, numa surpreendente demonstração de quanto são eficientes.
  4. O estranho esporte badminton não é tão estranho assim para mim. Na infância, certa vez ganhei um conjunto de duas raquetes e uma petequinha de plástico, que nunca soube muito bem para que servia. Era o badminton se insinuando em minha vida.
  5. Até as Olimpíadas serviram para confirmar o dito popular que pontifica que é mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo. Houve coxos e amputados nos cem metros rasos que eram ariscos à beça.
  6. A chuva foi a segunda principal atração das cerimônias de encerramento.
  7. O Brasil e o Rio de Janeiro em particular provaram que sabem fazer uma grande festa. Agora, é hora de trabalhar, cambada, porque as contas vão começar a chegar!
  8. Houve muito choro durante os jogos, mas quero crer que nenhum ranger de dentes.
  9. Duas mortes trágicas – a do técnico alemão e a do paratleta iraniano – a comprovarem que o Brasil continua um país de alto risco.
  10. Pelo que minha memória reteve das informações das competições olímpicas, o badminton foi o esporte mais presente: todo dia havia um jogo. Acho que até depois que as Olimpíadas terminaram continuaram a ocorrer jogos.
  11. No vôlei sentado das Parolimpíadas, tão logo um time cravava a bola na quadra adversária, mais da metade dos atletas se levantava para comemorar o ponto.
  12. Os deficientes visuais de todos os graus do futebol de cinco deixaram visível para todos nós que eles têm mais visão de gol do que nossos jogadores “normais”: faziam gols de olhos vendados.
  13. Nunca entendi a finalidade de um cidadão levantar duzentos, trezentos quilos de peso, se há equipamentos capazes de levantar até muito mais do que isso.
  14. O arqueiro sem braços – que atirava a seta com os pés – acertou mais setas na mosca do que os arqueiros com todos os braços e pernas.
  15. Nenhum árbitro foi chamado de ladrão, nem teve sua genitora denegrida durante as diversas disputas. Sinal de que não havia torcida (des)organizada nas arquibancadas.
  16. A cerveja vendida no Parque Olímpico tinha o valor das do Mondial de la Bière, porém sem atingir a qualidade das concorrentes desta última competição.
  17. Estive tentado a perguntar a dois soldados da Força Nacional de serviço no Parque Olímpico, onde o clima era totalmente pacífico, se eles estavam tendo muito trabalho. Porém pensei bem e achei que isto já seria trabalhoso para eles.
  18. Como em outros grandes eventos, ficou provado pelo esquema de segurança dos jogos que é mais fácil prevenir do que remediar, já que, quando se trata de crime, às vezes o remédio nunca será o bastante para curar a ferida.
  19. Observei que a segunda camisa de clube mais usada no Parque Olímpico, no dia em que lá estive, era a do meu Botafogo. Do Vasco, por exemplo, não vi nenhuma.
  20. A matemática das medalhas é muito esquisita: quanto mais medalhas o Brasil ganhava, mais descia na tabela de classificação.

 

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PARALIMPÍADAS/PAROLIMPÍADAS

A propósito do início de uma nova etapa nos jogos olímpicos RIO 2016, trago aqui uma discussão muito restrita, mas também com sua relevância. Pelo menos, para mim que tenho o maior zelo com o uso dessa nossa tão bela língua portuguesa.

Há duas edições das Olimpíadas para atletas com restrições físicas, os organizadores resolveram chamar esses jogos de PARALIMPÍADAS, embora tais jogos tivessem sido designados até então PAROLIMPÍADAS.

A mudança é um erro linguístico, ou, pelo menos, normativo, no uso da nova palavra.

Ela é constituída do prefixo de origem grega PARA e da palavra OLIMPÍADA, já consagrada. Ora, no momento da criação da palavra, que se dá por prefixação – é uma derivação, do ponto de vista gramatical –, isto é, a adjunção de um prefixo a um vocábulo, há a perda de um elemento fonético. Isto ocorre sempre em que há uma vogal ao final do prefixo e uma vogal no início do vocábulo principal. Tal vocábulo é sempre uma palavra, quer dizer, um substantivo ou um adjetivo que traduzem um sentido do mundo (um ser ou uma qualidade).

Em princípio, todos os nomes – substantivos e adjetivos – são vocábulos tônicos, isto é, vocábulos com força fonética em sua emissão no âmbito da frase, a unidade básica de comunicação verbal. Ao passo que os prefixos e os sufixos são elementos de composição – não-palavras, mas vocábulos gramaticais – átonos, isto é, de emissão fonética branda, sem força nesse mesmo contexto.

Assim, via de regra, quando há perda de um elemento fonético, ao se combinarem prefixo + palavra, é o prefixo que perde fonema, e não a palavra.

O prefixo PARA, entra, por exemplo, na composição de PARÔNIMO, PARONOMÁSIA, que são a combinação, por derivação, do mesmo prefixo PARA, mais o vocábulo de origem grega ÔNOMA (=nome), para formar esses novos vocábulos (“nome semelhante”).

Por esta razão, a palavra a designar as Olimpíadas de atletas com limitações físicas deveria ser PAROLIMPÍADAS e não PARALIMPÍADAS.

 

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