BOI DE PIRANHA, CACHORRO MORTO OU BODE EXPIATÓRIO?

Ontem, na verdade hoje de madrugada – já era uma da manhã –, dormi preocupado com a situação de Marcos Valério. Até postei no Facebook pequeno texto a este respeito. E queria dividir com os amigos leitores minha preocupação, para que possa dormir sossegado hoje à noite.

Pelo somatório das penas aplicadas até agora ao publicitário mineiro, data vênia, salvo melhor juízo, o grande canalha da história do Mensalão é ele. Senão vejamos.

Com 40 anos de cadeia já no lombo, é de se supor que ele seja realmente o cara. A não ser que sobre ainda mais para quem realmente criou, chefiou e coordenou o esquema de compra de apoio político para o governo Lula.

Então, lá, no meu texto do Facebook, lancei cinco perguntinhas básicas, para entender – vez que a pena do careca está neste montante, acrescida de multa de quase 2,8 milhões de reais – qual será a pena que caberá aos outros atores desta trama sinistra. São elas:

1) O Marcos Valério era o chefe?
2) Foi ele que bolou e implementou o plano?
3) Foi Marcos Valério que selecionou os políticos a serem aliciados?
4) Foi ele que determinou os valores que deveriam ser repassados aos participantes do esquema?
5) Foi ele que identificou as fontes financeiras que sustentaram a compra de apoio político?

E ainda acrescento outra, de caráter psicológico – sou dado a estas coisas também –:

6) Marcos Valério tem a estatura política – ou physique du rôle – para desempenhar tal papel, para criar e gerir tal empreitada?

Tenho a impressão – e digo, sem vaidade, a singela impressão – de que ele, por si só, por livre e espontânea vontade, teria o menor desejo, a menor intenção, o menor interesse, de angariar apoio político ao governo do PT naquela ocasião.

Quem era Marcos Valério até então? Alguém aí conhecia Marcos Valério como homem de interesses na política brasileira, a ponto de vê-lo como o grande planejador, o estrategista máximo de tudo?

É óbvio que não! É claro que não! É, como dizem os doutos ministros, meridianamente cristalino que um cidadão como ele seria incapaz de engendrar tal plano!

Então, se a pena que ora lhe aplica o Supremo Tribunal Federal é justa e dentro da dosimetria justificada pelas culpas apuradas, o que se há de pensar na pena que virá para o núcleo político constituído por Zé Dirceu, Zé Genoíno e Delúbio Soares?

Ou será que Marcos Valério se constituirá apenas num boi de piranha jogado ao rio para saciar a voracidade da opinião pública? Ou num cachorro morto, que se chuta sem dó nem piedade e que já não mais oferece resistência? Ou num bode expiatório, sobre o qual são atribuídos todos os pecados alheios? Porque, certamente, mártir como Tiradentes ele não é!

Aguardemos, pois, para ver a continuação da trolha que caberá a cada um deles. E, depois, podermos chorar com pena do careca mineiro que entrou numa fria, porque se achou esperto demais. Ou teve garantias de que isto não daria em nada.

Foto recente de Marcos Valério, após o estabelecimento da pena de 40 anos no lombo (imagem em pt.wikipedia.com)

ACIDENTE EM BRASÍLIA

Não desejo ser precipitado, nem pessimista, mas quero crer que, com o estabelecimento do quantitativo das penas para os condenados do Mensalão, vamos ver repetida aquela história de que, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Para a coisa não ficar estranha, quem absolve não pode participar dos acordos para estabelecer pena. Para o benefício dos réus, bastam os que já os condenaram com o coração partido, como parece ser o caso dos ministros Lewandowski e Toffoli. Este último, inclusive, nem deveria ter participado do julgamento, dando-se por impedido, para que pudesse começar sua vida no Supremo com um gesto de isenção. Isto, porém, não aconteceu.

A justiça brasileira tem o vezo de aplicar penas alternativas – doações de cestas básicas, serviços comunitários leves – para condenados de certa estirpe. Até mesmo em casos de atropelamento com morte do pedestre, é comum se trocar a vida do cidadão por alguns quilos de arroz com feijão e, assim, deixar todas as consciências com suas dores aplacadas. Se é que doem as consciências!

Por isso é que receio agora pelas penas do Mensalão. Serão cumpridas, já que compridas não serão? Tomara que não terminem como as penas do tiê:

“Vocês já viram lá na mata a cantoria/da passarada, quando vai anoitecer…”

Tiê-sangue. Foto de Meire Ruiz, em olhares.uol.com.br.

UMA LIÇÃO DO MENSALÃO

Nem tudo o que está ocorrendo no julgamento do processo do Mensalão (Ação Penal 470) deve ser entendido pela opinião pública na letra fria da lei, como costumam dizer os juristas.

Não sei mesmo se a opinião pública entende alguma coisa, ou se apenas reage àquilo que lhe pareça insuportável.

E digo isto em função da declaração de inocência de algumas das pessoas envolvidas no esquema lá denunciado pelo Ministério Público Federal.

Quero crer que apenas tecnicamente se possa entender que haja inocentes dentre eles. Isto significa dizer que o MPF não foi capaz de juntar as provas necessárias a que se demonstrasse a culpabilidade de todos.

Não há inocentes ali!

Duda Mendonça, por exemplo, que foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas, não é uma pessoa inocente. Inocentes são meus netos, menores impúberes – expressão tão ao gosto da linguagem jurídica. Um homem como Duda Mendonça, renomado publicitário brasileiro, burro velho, como se diz na minha terra, deixou a inocência em sua tenra infância lá na Bahia.

Eu, que sou muito mais bobo do que ele, se chamado a prestar algum serviço, cujo pagamento se dê em depósito em paraíso fiscal, onde deva abrir conta bancária, já saberei que o dinheiro não pode vir de fonte limpa. Além do que – tenho certeza – estarei cometendo algum ilícito fiscal. Qual, não sei! Mas estou certo de que estarei armando algo ilegal.

Ele, inclusive, teve o cuidado de, dentro do prazo estipulado pelo Banco Central do Brasil, rapar sua conta no exterior, deixando ao final valor inferior a cem mil reais em depósito, o que o desobrigava a prestar conta às autoridades monetárias.

Ele é inocente?

Não estou dizendo aqui que não devesse receber pelo serviço prestado – assessoria à campanha de Lula em 2002. Se trabalhou, merece receber. Mas o modo como recebeu é suspeitíssimo.

E agora o STF lhe dá um atestado de inocente. Não só a ele, também a outros, inclusive à sua sócia.

Por isso é que é necessário aprender também com o mensalão: nem sempre os réus inocentados são pessoas em cujo coração a inocência passeie de tamancos.

Aliás, muito pelo contrário! São todos velhas raposas de rabo felpudo.

 

Imagem em pesquisa-total.com.

COM TANTO ASSUNTO SÉRIO AÍ E EU SEM VONTADE DE DIZER NADA

Há uma profusão de notícias nos últimos dias que clamam por um pitaco. Mas estou resistente. Não quero ficar dando palpite aonde não sou chamado. A pior coisa que pode haver é a pessoa se meter a dar opinião sobre tudo. Já convivi com pessoas assim no meu ambiente de trabalho. Davam palpite em tudo, desde as maiores questões da humanidade, até à má higiene dos banheiros que utilizávamos. E não estou cogitando da vida alheia, tão propensa à bisbilhotice dos palpiteiros contumazes.

Contudo há algumas questões que quase nos agarram pelo colarinho, nos sacodem apopleticamente e nos exigem uma postura sensata e equilibrada. Ou mesmo uma bobagem qualquer.

Tenho notado, por exemplo, que, nesses últimos dias, muitos estão preocupados com uma questão de suma importância. Mataram um tal de Max e ninguém até agora sabe quem foi. Até mesmo a presidente Dilma desmarcou comício em São Paulo, em prol da candidatura do libanês, para ver o desfecho da história. Porém, na minha humilde opinião – ninguém me pediu, mas dou assim mesmo –, acho que ela terá uma desagradável surpresa. Não sei se a polícia foi acionada para o caso, porque não o acompanho de perto, porém já tenho um suspeito: o Zé Dirceu. Ele, acumpliciado a Zé Genoíno e a Delúbio Soares, que se associaram em quadrilha, cometeram o crime. Delúbio, inclusive, foi o responsável pela compra e pagamento da enxada que abriu a brecha na cabeça do Max, conforme soube.

Aliás, Genoíno e Delúbio acabam de ser condenados pela justiça federal de Minas Gerais. Acho que desviaram pão de queijo de alguma escola das Alterosas. Ou coisa parecida.

Só sei, na verdade, que a situação desses três – e mais daquele grupo de associados – está muito esquisita. Porém, quanto a isso, o povo aqui do lado de fora, esse que vive os percalços naturais do trânsito, da violência, dos escorchantes impostos, das notícias vergonhosas de nossa vida política, está achando tudo muito bom.

Poderia até ser um pouco melhor, se o Supremo Tribunal Federal metesse a ferros toda a quadrilha envolvida no Mensalão e, via de consequência, também pegasse outros mensaleiros que se espalham por esse país afora.

Não podemos é ficar deitados eternamente em berço esplêndido, esperando que a consciência ética desse pessoal seja acionada. Se não houver punição, a situação pode ficar incontrolável e o Brasil se afundar em sua própria lama.

Pronto, acabei dando palpite!

Imagem em gartic.uol.com.br.

TODOS PARECEM INOCENTES, EMBORA NÃO O SEJAM

Com o julgamento da ação do Mensalão chegando ao clímax nesta quarta-feira, com a condenação da cúpula política do PT, chegamos a um estágio institucional no país cujas consequências não sei quais serão. O que virá a seguir? O que isto significará para o futuro? Nossos políticos terão mais comedimento ao delinquir?

Hoje se confirmaram as condenações de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. E todos, até mesmo os outros que aqui não cito por economia de espaço e preguiça de digitar, proclamam sua inocência. Dizem mesmo que vão até o fim, no intuito de provar que são inocentes.

Não sei aonde eles irão, já que o Supremo Tribunal Federal é a última instância judicial do país. Além daqui, só Deus é capaz de perdoá-los. O que, também, acho extremamente improvável.

E a veemência – até com lágrimas e vozes embargadas – com que juram inocência quase comove frade de pedra. Não a população, que está mais do que cansada – exaurida, diria – de tanto ver e ouvir notícias de todo tipo de desmandos na política nacional.

Mas este chororô de derrotado não há de tirar deles o carimbo que ganharam na cara: culpados.

E isto me fez lembrar da frase famosa do grande Júlio César, general e político romano, acerca de suspeitas levantadas contra a honra de sua mulher, Pompeia, durante as comemorações em homenagem à Boa Deusa, na altura de 63 a.C.: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.”.

Contrariamente, eles até podem parecer honestos, mas, escarafunchadas as ações de cada um, se verificou que eles não o são.

Ao político – não só a ele, mas a qualquer cidadão – não basta parecer honesto, deve ser honesto. Não é possível esconder-se atrás da máscara pública de honestidade e estar, nos meandros do governo, manipulando criminosamente os poderes de que dispõe.

Não sei se daqui a vinte/trinta anos o Brasil será um país melhor neste aspecto, porque, se há uma coisa em que quase somos imbatíveis, é a falta de vergonha na cara, tanto que o historiador Capistrano de Abreu deixou-nos uma frase famosa:

“Eu proporia que se substituíssem todos os capítulos da Constituição decretando: Artigo único: todo bra­sileiro fica obrigado a ter vergonha.”

Capistrano de Abreu (em pt.wikipedia.org).

UM PITACO SEM “DATA VENIA”

A Presidente (não há lei que me obrigue a escrever uma palavra inventada recentemente) Dilma ontem deu um pitaco acerca do julgamento do Mensalão.

Na minha mais que simplória e modesta opinião, penso que não cabe a ela explicar o sentido do que disse durante a fase processual, há pouco usado pelo ministro relator, para fundamentar seu voto.

Pelo pouco que sei, agora não vale mais explicar nada. O que está dito e registrado, inclusive com o aval dela nos autos – todo depoimento, depois de transcrito, é lido e assinado pelo depoente –, é palavra definitiva. A nota agora emitida não faz o menor sentido, a não ser em termos políticos.

Por outro lado, também, consta da notícia publicada pela Folha online (leia aqui) que a Presidente disse que não houve mensalão, mas “apenas empréstimos para pagar dívidas de campanha”.

Também não compete a ela dizer mais isto. A matéria está sob julgamento – sub judice, no jargão forense –, com o que se produziu de prova nos autos, inclusive com depoimentos das diversas pessoas ouvidas.

Eu posso, na insignificância do lugar que ocupo na sociedade, até dar pitacos, pois ninguém os ouvirá e eles não repercutirão. Não, a Presidente! Até para a tão propalada harmonia entre os poderes da república, não deve a primeira mandatária emitir qualquer tipo de juízo acerca do que está ocorrendo no Supremo Tribunal Federal. Os que têm o poder, o direito e a incumbência de contestar, já o fizeram: a tropa de advogados – cerca de cento e cinquenta – contratada a peso de ouro para este fim.

Agora o que nos cumpre é aguardar. Torcer para que se faça a justiça, que para a opinião pública é a condenação daqueles que armaram todo o esquema. E para que a Justiça continue a ser feita em todo e qualquer caso de corrupção.

Foto de Alan Marques/Folhapress, em folha.uol.com.br.

REFLEXÕES CARTESIANO-ACHÍSTICAS ACERCA DA VIDA

1. INVEJA/INVEJOSOS: Pressupor que a inveja incomode mais o invejoso do que o invejado é um grande equívoco. Este, o invejado, passa parte de sua vida envolvido em mandingas, rezas, fechamentos de corpo, descarregos, banhos de proteção, uso de arruda atrás da orelha, espada-de-são-jorge e comigo-ninguém-pode na porta de casa. Já o invejoso apenas exerce seu direito à inveja. E quem quiser é que se proteja!

2. ECONOMISTAS/PROFETAS: Economistas e profetas exercem profissões semelhantes: fazem prospecção de futuro negro para os povos. Os profetas ainda podem anunciar alguma salvação à frente, como ocorreu no Velho Testamento. Contudo os economistas modernos só apontam um horizonte de desgraças. E nisto, fundamentalmente, eles acabam por não se parecer tanto quanto parece (Uma incongruência, pois não?). Embora eu, particularmente, não acredite em nenhum dos dois.

3. UNHAS/UNHEIROS: Tenho visto crescer, nestes últimos tempos, um afeto quase exagerado por parte das mulheres por suas unhas e pelas unhas mais bem pintadas de suas desafetas, isto é, as outras mulheres. O que causa sérios problemas psicológicos femininos. Proliferam na Internet sites, blogs e postagens a respeito do sem-número de invenções modernas, para tornar as unhas mais importantes que os dedos, de tal forma exageradas tais invenções que vão acabar produzindo uma epidemia de unheiro. Depois não digam que não avisei.

4. CORRUPTOS/CONSCIÊNCIA: Há uma crença popular generalizada, criada pela elite corrupta e imposta ao povo como amortecedores eletrônicos, de que o pobre e/ou o honesto deitam a cabeça à noite em seu travesseiro e dormem o sono dos anjos, dos justos e dos inocentes. Já os safados, os corruptos e os larápios de toda gama – diz esta mesma crença – não têm sossego nem na hora do sono. E mais: não teriam coragem de olhar nos olhos dos filhos. Grande mentira! Os honestos é que não dormem tranquilos. Os safados têm a consciência petrificada e estão-se lixando para o que os outros pensem. E olham nos olhos do filho como canalhas que são, capazes até de inocular nos miúdos o veneno de sua canalhice. Ou não seriam canalhas. Se tivessem um pouquinho de consciência ética, seriam honestos.

5. MAR/MARINHEIRO: Diz o grande samba que “quem é do mar não enjoa/ não enjoa / chuva miúda é garoa / é garoa” e por aí afora. Não sou do mar, portanto, não sou marinheiro. E posso muito bem estar sentindo certa náusea com o andamento do julgamento do processo do Mensalão. Estou mareado com a ideia de que, ao final, ninguém pagará por nada. Desde o ínclito Zé Dirceu, até o último denunciado: todos inocentes. A não ser que não acreditemos em seus advogados, regiamente pagos, para produzirem um discurso bem alinhavado. Por isso tudo é que periga, ao fim do processo, eu acabar botando os bofes para fora.

6. LADY GAGA/MADONA: Não sei qual é uma, qual é outra. Embora ache as duas um tanto teteias. De Madona tenho guardada a sete chaves a revista em que mostrou ao mundo a abundância de seus pelos pubianos em fotos P&B, no auge da sua juventude, antes mesmo de ser a diva do pop. Dessa eu me lembro bem. Porém quando vejo Lady Gaga cantando – acho que porque estou ficando gagá – me confundo e acho que seja Madona. Aí, ao aparecer Madona, acho que é Lady Gaga. Por isso é que sempre presto muita atenção à performance erótico-musical de ambas. Estou aposentado, sem fazer nada mesmo, não me custa ficar olhando.

Lady Gaga, com o peito caído da Madona (en.wikipedia.org).