PIACATUBA-MG

Piacatuba é distrito de Leopoldina, Minas Gerais.

Há algum tempo tenho ouvido falar deste lugarzinho miúdo, que desconhecia. Meus sobrinhos Bruno e Daniel, moradores de Muriaé, me falaram sobre certo festival de sanfona e viola há alguns anos. Nunca consegui ir até lá. Soube, apenas, que é tão concorrido o festival, que se torna impossível entrar na vila de carro. Daniel, por exemplo, desistiu de chegar até lá, porque deveria andar praticamente uma légua a pé, já que os carros se amontoavam às margens da estrada por mais de quatro quilômetros.

Assim Piacatuba passou a fazer parte do meu interesse.

Aproveitei a volta de Miracema, ontem, para ir até a vila, ao retornar de Cataguases, aonde também fui por pura curiosidade.

Bem pequenina, ainda preserva o jeito singelo de interior colado em suas casas centenárias – algumas belas e conservadas, outras simples com algum descuido dos moradores.

Uma das ruas ainda preserva o calçamento de pedras pé de moleque, comum às cidades e vilas coloniais brasileiras.

Não sei absolutamente mais nada de Piacatuba, a não ser essa impressão mais do que superficial, mas a sugestão que ela nos dá é de que pode rolar muita coisa interessante por ali. Imagino mesmo que se possa comer bem e ainda encontrar aquela cachaça especial que os mineiros sabem muito bem fazer.

Aqui vão algumas poucas fotos, que a pressa citadina me permitiu tirar, para que você, caro leitor, que gosta de descobrir cantinhos por esse país afora, se sinta motivado a também um dia chegar até lá.

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VÁ A MINAS, MAS FAÇA UM EXAME DEPOIS

Vou fazer uma sugestão ao governo de Minas Gerais: colocar pórticos nas entradas das fronteiras do estado, com uma inscrição do tipo: Bem-vindo a Minas Gerais, só não podemos garantir a civilidade de suas taxas ao partir.

É que Minas é um atentado à normalidade de nossas mais comezinhas taxas de colesterol, triglicérides e glicose. Em relação especificamente à glicose, parece que não há ninguém lá que lute contra o fantasma da diabetes: é praticamente impossível encontrar alguma coisa diet em Minas!

Em qualquer restaurante, por mais simples que seja – e boa parte das pequenas cidades mineiras só têm restaurantes simples – é uma orgia de colesterol, representado magnificamente por carne de porco – frita, cozida, assada, refogada, grelhada, pururucada (Oh, céus!) –, linguiças, chouriços, torresmos, peles as mais diversas, feijoada, feijão carregado, feijão tropeiro, tutu à mineira. Tenho a impressão de que até o jiló e o chuchu refogados, que ficam com aquela carinha de santo sobre o fogão a lenha de quase todos os restaurantes, são agentes gordurosos infiltrados. Nem mesmo eles podem ser tomados como inocentes, neste quesito. A couve mineira, então, não deixa dúvidas: sempre com pequenos pedacinhos de toucinho de fumeiro – bacon em Minas é tido como odioso anglicismo – não pode ser considerada isenta.

Agora, suspeitíssima mesma é a alface picadinha, que eles colocam disfarçadamente ao lado de panelas de pedra ou de barro, abarrotadas de costelinha de porco fritas de dar dó do bichinho. Com aquele jeitinho suspeito, está ali para dizer ao comensal: vá com fé, que a fé te pode salvar.

Eu, quando vou a Minas, como nesses últimos três dias – cheguei de lá ontem -, vou incógnito em relação ao meu endocrinologista. Ele, às vezes, me pergunta se tenho a intenção de visitar o estado, e eu, com indisfarçável cara de pilantra, tenho de prometer que jamais porei meus pés nas Minas Gerais. Por tudo que é mais sagrado! Isto é, o tal resultado do exame que, a cada quatro meses, ele me exige, a fim de saber por quanto tempo ainda minhas veias suportam a carga de gordura que meto para dentro.

Como sou pessoa extremamente zelosa neste aspecto, sobretudo com os índices de glicose – não quero acabar esquartejado em vida, por conta de uma maldita diabetes –, para desfazer as bolas de gordura que, por acaso, possam acumular-se em minhas entranhas, inicio sempre os trabalhos sorvendo alguns goles da boa cachaça que se produz naquela terra. Como aconteceu em Pequeri, no almoço de sexta-feira. Diante de uma panela de pequenos e suculentos pedaços dourados de carne seca, senti que alguma coisa me chamava a um prazer maior. E pedi ao simpático gerente do restaurante, Renato Marconato, aquela que salvou o guarda e toda a corporação. Ele, então, sacou de um litro anônimo, sem a mínima indicação de inspeção sanitária, um líquido de cor ligeiramente âmbar, produzido na região, apetrechado de todas as indicações para destruir a concentração lipídica que pudesse prejudicar a saúde do turista.

E comi sem culpa, no sistema “preço fixo, coma o que puder”.

No fundo, no fundo, creio que o nosso maior risco é comer com culpa. E isso não há em Minas Gerais. Caso contrário, é melhor você nem pôr os pés lá!

Imagem em lounge.obviousmag.org.